Sudão do Sul
Sudão do Sul ou Sudão Meridional, oficialmente República do Sudão do Sul é um país encravado localizado no nordeste da África. Tem esse nome devido à localização geográfica, ao sul do Sudão.
O nome "Sudão" é derivado do árabe bilād as-sūdān (بلاد السودان), que significa "país dos negros". Foi assim que os árabes do Egito a denominaram em função do tom de pele dos seus habitantes. Para se diferenciar da República do Sudão, após sua independência, a região adotou o nome de Sudão do Sul. Outros nomes propostos para o país foram República do Nilo e Cuxe.
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Os povos do Nilo — os dincas, nueres, shilluk, e outros — entraram pela primeira vez no Sudão do Sul em algum momento antes do século X. Durante o período que vai do século XV ao século XIX, as migrações tribais, em grande parte da área de Bar-El-Gazal, trouxeram esses povos aos seus locais atuais. O povo não nilótico zandes, que entrou no Sudão do Sul no século XVI, estabeleceu o maior estado da região. Os zandes são o terceiro maior grupo étnico do Sudão do Sul. Eles são encontrados na faixa de floresta tropical do estado de Equatória Ocidental e no estado de Bar-El-Gazal Ocidental. No século XVIII, o povo Avungara entrou e rapidamente impôs sua autoridade sobre os zandes. O poder dos avungaras permaneceu praticamente sem contestação até a chegada dos ingleses no final do século XIX. Barreiras geográficas impediram a propagação do Islã para os sulistas, permitindo-lhes manter a sua herança social e cultural, bem como suas instituições políticas e religiosas.
Independência (2011)
A Constituição Interina do Sudão do Sul foi assinada em 5 de dezembro de 2005, e previu para 2011 a realização de um referendo quando o povo da região decidiria pela manutenção da autonomia regional estabelecida no tratado de Naivasha, da constituição interina do Sudão do Sul e da constituição nacional interina da República do Sudão de 2005, ou pela independência. O referendo foi realizado a partir do dia 7 de janeiro de 2011, e três dias antes do fim do prazo estabelecido para os sudaneses votarem, a participação dos eleitores era superior a 40%, anunciou Souad Ibrahim, porta-voz da Comissão Eleitoral. Este era a percentagem mínima exigida para que o referendo de independência do Sudão do Sul fosse validado.
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O Sudão do Sul estende uma área de 644.329 km². Faz fronteira com o Sudão ao norte, a Etiópia a leste, o Quénia, o Uganda e a República Democrática do Congo ao sul e a República Centro-Africana a oeste. A relação entre o Sudão do Sul autônomo e os estados ou regiões sudaneses vizinhos do Nilo Azul (45.844 km²), Abiei (aproximadamente 10.000 km²) e as Montes Nuba (aproximadamente 48.000 km²) ainda não foi definitivamente resolvida, embora por enquanto permaneça no norte. As três áreas das Montanhas Nuba, Abiei e Estado do Nilo Azul são culturalmente parte do sul, mas, segundo o Acordo de Paz Abrangente (CPA), elas têm administrações separadas até que os referendos (agendados para 2011 e chamados de "consultas populares") sejam realizados, nos quais elas terão a opção de se juntar ao sul ou permanecer sob a administração do norte.
Relevo
O país é dominado por grandes planícies e planaltos, especialmente no centro e norte do país. As áreas mais montanhosas estão localizadas no sul, na fronteira com o Quênia, Uganda e a República Democrática do Congo. O ponto mais alto do país é o Monte Kinyeti, com 3.187 metros, perto da fronteira com Uganda. Outros pontos mais altos no Sudão do Sul são o Monte Lotuke (2.963 metros) entre Uganda e Quênia, as Montanhas Didinga e o Monte Naita (2.739 metros) ao sudeste, na fronteira com a Etiópia. O norte do país forma uma vasta área pantanosa conhecida como Sudd, com uma superfície de 320 km de largura por 400 km de comprimento. No oeste do país fica o Planalto de Ironstone, com altitude entre 800 e 1.000 metros, com picos de até 1.700 metros.
O Sudão do Sul é um país em grande parte subdesenvolvido, com a maioria das aldeias sem eletricidade ou água encanada, e a infraestrutura geral do país é deficiente, com apenas 10.000 quilômetros de estradas pavimentadas.
Petróleo
Antes da independência, o Sudão do Sul produzia 85% do petróleo do país, incluído o campo de Adar, um dos principais. No entanto, como a zona sul não tinha acesso ao mar, dependia do sector norte para exportar o produto. Após a assinatura do acordo de paz de 2005, as receitas do petróleo foram divididas igualmente entre os dois setores. Assim, o petróleo sul-sudanês teria o direito de ser transportado por um oleoduto de mais de 1.500 km para chegar às refinarias localizadas no Porto Sudão e depois ser exportado através do referido porto, localizado na costa do Mar Vermelho. Desde a independência, tem havido discussões sobre como adaptar o acordo de uma forma que beneficie ambos os estados independentes. As receitas do petróleo constituem mais de 98% do orçamento do governo do Sudão do Sul. O petróleo e outros recursos minerais podem ser encontrados em todo o Sudão do Sul, mas o Bentiu é comumente conhecido como uma região especialmente rica em petróleo, enquanto Jongeli, Warap e os Estados dos Lagos têm reservas potenciais.
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Até 2015 o Sudão do Sul estava dividido em dez estados, criados a partir das três regiões históricas do país: Bar-El-Gazal, Equatória e Grande Nilo Superior. Os estados eram subdivididos em 86 condados.
Antigos estados
Em outubro de 2015, o presidente do Sudão do Sul Salva Kiir emitiu um decreto que estabeleceu 28 novos estados no lugar dos 10 estados constitucionalmente estabelecidos. O decreto estabeleceu os novos estados, em grande parte seguindo as linhas étnicas. Uma série de partidos da oposição e da sociedade civil contestou a constitucionalidade desse decreto e Kiir mais tarde resolveu levá-la ao parlamento para aprovação como uma emenda constitucional e, em novembro, o parlamento sul-sudanês autoriza o presidente Kiir a criar os novos estados. Os 28 novos estados do Sudão do Sul são:
Novos estados
A área de Abyei, uma pequena região do Sudão na fronteira com Sudão do Sul, atualmente tem um estatuto administrativo especial no Sudão. As fronteira do Sudão e do Sudão do Sul nesta região ainda não foram definidas.
O Sudão do Sul terá uma população estimada de 11.483.374 habitantes em 2023, segundo dados do Banco Mundial, com uma taxa de crescimento anual de 1,5%. A densidade populacional é de 17,28 habitantes por metro quadrado. A esperança de vida é baixa, 58 anos, 60 anos para mulheres e 56 anos para homens. O país tem uma taxa de natalidade de 34 nascimentos por 1.000 pessoas, enquanto a mortalidade infantil é de 63 por mil. A taxa de fecundidade é de 4,5 filhos por mulher. Trata-se principalmente de pessoas que se dedicam à vida rural e se dedicam a uma economia de subsistência. O país tem uma grande população jovem, com 45,43% de seus habitantes com menos de 14 anos, 52,86% entre 15 e 64 anos e apenas 2,1% da população com mais de 65 anos. 65,38% da população tem menos de 25 anos. A população tem 8,25% do país é imigrante, vinda principalmente do Sudão (66,61% dos imigrantes), Uganda (17,12%) e a República Democrática do Congo (10,65%).
Crise humanitária
O acordo de paz de Naivasha pôs fim à mais longa guerra civil da história do continente africano — a Segunda Guerra Civil Sudanesa (1983–2005), durante a qual dois milhões de pessoas morreram e quatro milhões foram deslocadas. Seis anos depois, o clima de medo e insegurança permanece, em razão de conflitos étnicos e da ação de milícias; apenas em 2010, 900 pessoas morreram e 215 000 foram deslocadas. Como se não bastasse, o Sudão do Sul enfrenta a maior epidemia de leishmaniose em oito anos, 75% da população não tem acesso a serviços básicos de saúde e há enormes dificuldades para se obter água e alimentos.
Religião
A população do país segue, majoritariamente, religiões indígenas tradicionais, o Cristianismo ou o Islamismo. O último censo que identifica a religião dos sul-sudaneses remonta a 1956, quando o país ainda era parte do Sudão, onde mais da metade se identificava com seguidores de crenças tradicionais ou cristãos, enquanto 18% eram muçulmanos. Universidades e o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmam que a maioria dos sul-sudaneses mantém a crença em religiões indígenas tradicionais (por vezes referindo-os como animistas) e no Cristianismo, o que tornaria o Sudão do Sul um dos poucos países no mundo onde a maioria dos habitantes seguem a religião indígena tradicional. No entanto, de acordo com o Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional, do Departamento de Estado dos Estados Unidos de 2012, (citando o censo de 2008), a maioria da população é adepta do Cristianismo, enquanto estatísticas confiáveis sobre a crença animista e muçulmana não estão disponíveis.
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O Sudão do Sul conquistou a independência em 9 de julho de 2011. De 2005 a 2011, foi uma região autônoma na República do Sudão. A constituição atual foi assinada em 7 de julho de 2011. A constituição estabeleceu um sistema presidencial. O Poder Executivo é representado pelo Presidente, Governador e Comandante Supremo das Forças Armadas. O Poder Legislativo é investido no Parlamento Nacional, organizado em duas câmaras: o Congresso Legislativo Nacional e o Conselho de Estados. Finalmente, a constituição estabelece um judiciário independente; O Supremo Tribunal é o seu corpo principal. John Garang foi o fundador e primeiro presidente da Região Autônoma do Sudão do Sul e, ao mesmo tempo, foi nomeado vice-presidente do Sudão. Alguns dias depois, Garang foi morto em um acidente de helicóptero em Uganda. Salva Kiir foi substituído por Mayardite e Rie Machar tornou-se vice-presidente. No dia em que o Sudão do Sul se tornou independente, Kiir Mayardit assumiu o cargo de presidente republicano.
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Comunicações
O sistema de televisão é de controle estatal mas existem diversas emissoras de rádio FM privadas e algumas empresas estrangeiras.
Internet
Somente 7% da população possui acesso à Internet. Domínios registrados para o Sudão do Sul utilizam o sufixo TLD .ss enquanto o Sudão mantém o TLD .sd.
Serviços públicos
Quase não há eletricidade disponível, exceto para 5% da população. O fornecimento de água é administrado por empresas privadas por meio de caminhões tanque que percorrem a cidade enchendo reservatórios particulares. A água tratada atinge 55% da população e a rede de esgotos 20%.
Transportes
A mobilidade é outra das carências. Fora de Juba, que conta com poucas ruas pavimentadas, predominam as estradas de terra, existem apenas 60 km de estradas precariamente asfaltadas. Isso dificulta o trabalho das ONGs que atendem os povoados. O país possui 24 aeroportos, entretanto somente 2 possuem pista pavimentada.
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Música
Muitos artistas musicais sul-sudaneses usam inglês, suaíli, árabe juba, sua língua africana ou uma mistura de todos eles. Artistas populares incluem Barbz, Yaba Angelosi, De Peace Child, Dynamq e Emmanuel Kembe. Os gêneros musicais mais difundidos são afro-beat, R&B, zouk, reggae e folk. Emmanuel Jal é um artista musical sul-sudanês que conquistou seu espaço internacionalmente com sua forma única de hip-hop e uma mensagem positiva em suas letras. Ele é um músico que foi um menino-soldado na infância. Recebeu boas críticas de rádio e discos no Reino Unido. Ele também participou de conferências organizadas pelo TED.
Esportes
Muitos jogos e esportes tradicionais e modernos em geral, particularmente como lutas livres e batalhas simuladas, são muito populares no Sudão do Sul. Esportes tradicionais eram praticados especialmente após as temporadas de colheita para celebrar o fim das estações agrícolas. Os lutadores eram geralmente homens jovens, fortes e bem constituídos. As lutas atraíam grandes multidões de espectadores que cantavam, tocavam bateria e dançavam em apoio aos seus lutadores favoritos. Embora isso fosse percebido como uma competição, era principalmente para entretenimento. Na era moderna, alguns sul-sudaneses se destacaram no esporte internacional. Luol Deng é uma estrela americana do basquete da NBA. Outras estrelas internacionais do basquete do Sudão do Sul incluem Manute Bol, Deng Ajou, Duany Kueth, Deng Gai, Ater Majok e Thon Maker. Majak Daw está a caminho de se tornar o primeiro jogador profissional de futebol australiano sul-sudanês, tendo assinado com o North Melbourne Kangaroos da AFL (Australian Football League) no final de 2009. O atleta olímpico Lopez Lomong, porta-bandeira dos Estados Unidos na abertura das Olimpíadas de Pequim de 2008, nasceu no país e é um dos meninos perdidos do Sudão.


