Barão de Münchhausen
Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen foi um militar e senhor rural alemão. Os relatos de suas aventuras serviram de base para a célebre série As Aventuras do Barão de Münchhausen, compiladas por Rudolph Erich Raspe e publicadas em Londres em 1785. São histórias fantásticas e bastante exageradas, propagadas sobretudo na literatura juvenil. Um personagem que se equilibra entre a realidade e a fantasia em seu mundo próprio, onde enfrenta os mais diversos perigos, perpetra fugas impossíveis, testemunha fatos extraordinários e faz viagens fantásticas — sem jamais perder a fleuma.
Hieronymus Karl Friedrich von Münchhausen nasceu em Bodenwerder, Eleitorado de Brunswick-Lüneburg, descendente de uma importante e nobre linhagem do ramo de Rinteln-Bodenwerder, uma família aristocrática do condado de Brunswick-Lüneburg. Foi um dos oito filhos do Tenente Coronel de Cavalaria Georg Otto von Münchhausen (*1682 † 1724), Senhor de Rinteln e Bodenwerder, e de Sibylle Wilhelmine von Reden de Hastenbeck (*1689 † 1741). O seu pai faleceu quando Karl Friedrich tinha apenas quatro anos, tendo sido criado pela mãe. Seguindo a tradição aristocrática, aos treze anos foi enviado para a corte de Brunswick em Wolfenbüttel. Em 1737 servia como pagem do Duque Anton Ulrich von Braunschweig- Wolfenbüttel, o futuro marido de Anna Leopoldowna, sobrinha e herdeira designada da imperatriz Anna da Rússia. Tendo de provar o seu valor junto da aristocracia russa, o jovem Duque seguiu para S. Petersburgo, onde se alistou nas tropas militares russas. Em Dezembro de 1737, Münchhausen seguiu-o, onde chegou em Fevereiro de 1738, tendo participado na guerra Russo-Austríaca contra o império Otomano (1736–1739). Muito provavelmente, a fantástica história da "viagem na bola de canhão" tem origem em acontecimentos ocorridos durante o cerco da fortaleza de Ochakov, na Criméia Otomana, pelo comandante russo von Munnich.
Nascido em Bodenwerder, durante a juventude Münchhausen serviu como pajem de Anthony Ulrich II, Duque de Brunswick-Lüneburg, e mais tarde entrou para o exército russo, onde serviu até 1750, participando em particular de duas campanhas contra os turcos. Ao retornar para casa, começou a espalhar várias histórias extremamente exageradas sobre suas aventuras; ganhou a fama de maior mentiroso do mundo. De acordo com as histórias, recontadas por outros, os feitos incríveis do Barão incluíram viagens em bolas de canhão, jornadas para a Lua, e, a mais famosa, a fuga de um pântano ao puxar a si mesmo pelos próprios cabelos — ou pelo cadarço das botas, dependendo da versão. Muitos utilizam esta última narrativa para expressar, por analogia, a tolice que se é tentar sair de uma situação difícil sem a ajuda de alguém, apenas de si mesmo. O filósofo alemão Nietzsche fez uma referência a essa história no aforismo 21 de Além do bem de do mal, contrariamente à tese do livre-arbítrio.
Os relatos incríveis levaram o bibliotecário alemão Rudolf Erich Raspe (nascido em 1736 e morto em 1794, de escarlatina procurando carvão para um de seus projetos científicos) a escrever As Loucas Aventuras do Barão de Münchhausen, publicado pela primeira vez em Londres em 1785 — salvo uma coleção anônima aparecida em 1781, sob a suspeita de que Rudolf a tenha escrito. Conta-se que Rudolf acrescentou outros eventos bizarros, que o próprio Münchhausen achou exagerados.
Depois do livro ter sido traduzido para diversas línguas, a trama chegou aos cinemas da Alemanha em 1943, em plena guerra. O lançamento foi aproveitado pelo governo nazista para celebrar o 25.º aniversário da UFA, a maior companhia cinematográfica do país. O diretor da película, o húngaro Josef von Baky, foi escolhido pelo temido ministro da propaganda, Joseph Goebbels. Em 1989, Terry Gilliam, ex-integrante do grupo cômico Monty Python e diretor de filmes como Brasil e Os 12 Macacos, levou às telas a sua versão das aventuras do Barão de Münchausen.


