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Batalha de Curupaiti

A batalha de Curupaiti foi uma das grandes batalhas da Guerra do Paraguai, travada no dia 22 de setembro de 1866 no Forte de Curupaiti, às margens do rio Paraguai. É lembrada por ter sido a maior derrota da Tríplice Aliança em toda a guerra, cujo confronto envolveu cerca de 25 mil soldados, sendo 20 mil soldados aliados e por volta de 20 navios da Armada Imperial contra 5 mil paraguaios entrincheirados. Animados, os aliados vinham de uma importante vitória conquistada em Curuzu, quando o exército do general Manuel Marques de Sousa, Visconde de Porto Alegre, apoiados pelo forte bombardeio da marinha brasileira, sob o comando do almirante Tamandaré, investiram contra o forte entre os dias 1 e 3 de setembro com mais de 8 mil soldados, logrando êxito na expulsão e captura do mesmo. Porto Alegre decidiu não perseguir o inimigo, que havia atingido Curupaiti, alegando, dentre outros motivos, não conhecer o local.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Antecedentes

Em meio a discussão sobre quem comandaria e quem se sujeitaria no alto comando aliado, confirmou-se, no dia 28 de agosto de 1866 em um conselho onde participaram o general Bartolomé Mitre, Presidente da Argentina e comandantes dos aliados, o general Manuel Marques de Sousa, Visconde de Porto Alegre, o general Polidoro Jordão, Visconde de Santa Teresa, e o almirante Tamandaré, a ação sobre Curupaiti, já decidida desde o dia 18 de agosto. A frota imperial bombardearia Curuzu e Curupaiti e desembarcaria as tropas do general Porto Alegre próximo aos fortes, de onde atacariam, pela retaguarda, o flanco direito das fortificações. No dia 1º de setembro, às 07h30, a frota formada pelos couraçados Bahia, Brasil, Barroso, Lima Barros (capitânia de onde o chefe Elisiário Antônio dos Santos comandava o ataque), Rio de Janeiro e Tamandaré; canhoneira Magé e os navios a vapor de madeira Beberibe, Belmonte, Araguaia, Araguari, Ipiranga, Parnaíba, Ivaí e Greenhalgh, se aproximou da fortificação paraguaia de Curuzu, iniciando o bombardeio. Durante o dia, os navios trocaram tiros com os 12 canhões e 2800 espingardas do forte, causando danos mútuos. Os navios de madeira levaram 800 soldados para a margem do Chaco, para destruírem uma posição de onde os paraguaios faziam descer brulotes e torpedos em direção da esquadra. Somente com o anoitecer o duelo cessou, tendo o Rio de Janeiro sido atravessado por duas balas, matando 6 marinheiros.

Proposta de paz

No dia 8 de setembro, reuniram-se Bartolomé Mitre, Polidoro Jordão e Venancio Flores, presidente e comandante uruguaio. Nesta reunião foi decidido que o ataque a Curupaiti ocorreria no dia 16 de setembro sob a vanguarda das tropas do general Manuel Marques de Sousa, Visconde de Porto Alegre, cavalaria de Flores, 20 mil soldados de Polidoro ficariam de prontidão em Tuiuti, e nove mil soldados argentinos de Mitre com 12 canhões. As tropas aliadas estavam animadas com a vitória em Curuzu e não perceberam que as posições defensivas de Curupaiti eram melhores, uma vez que López ordenara a construção de novas trincheiras, um considerável fosso ao redor destas e havia novas peças de artilharia.[carece de fontes?]

Operações retomadas

Após o encontro, foram programadas as ofensivas em Curupaiti para o dia 16 de setembro. Neste dia, porém, choveu incessantemente e assim perdurou por dias. Tamandaré argumentou que as fortes chuvas poderiam atrapalhar o bombardeio do forte. O terreno do acampamento aliado se transformou em um lodaçal. Além disso, as trilhas por onde os atacantes avançariam se apagaram. Neste meio tempo, o general Manuel Marques de Sousa, Visconde de Porto Alegre, por achar que seu poder havia sido minado pelo comandante argentino, teve desentendimentos com Bartolomé Mitre.[nota 4] Porto Alegre desejava que o ataque partisse de Tuiuti, onde as tropas de Polidoro Jordão estavam, por achar que de lá poderiam atingir o ponto mais fraco da fortificação. Tal informação era baseada no informe de um desertor paraguaio. Mitre manteve-se firme em continuar com o plano ofensivo original, recebendo apoio de Flores. O almirante Tamandaré e o próprio Porto Alegre acabaram por concordar com o plano.[nota 5]

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Forte de Curupaiti

Curupaiti era um conjunto de fortificações e trincheiras que estava cerca de 5,5 quilômetros ao sul da fortaleza de Humaitá, sendo parte deste complexo defensivo. Sua ala direita estava sobre o rio Paraguai, cuja margem estava forrada de vegetação fechada, encobrindo o terreno alagado, inviabilizando um desembarque das tropas aliadas. Havia 32 ou 35 canhões apontados para o rio, que poderiam causar grandes danos aos navios que tentassem ultrapassá-la para tentar um desembarque acima da fortificação. Além destes, havia outros 58 apontados para terra, incluindo o El Cristiano ("O Cristão"), um canhão de 12 toneladas construído a partir dos sinos de bronze das igrejas do Paraguai, daí o seu nome. A artilharia estava protegida sob duas linhas paralelas de trincheiras, uma de vigilância e outra de resistência, prontas para flanquearem as colunas atacantes aliadas com viva fuzilaria. A primeira trincheira tinha pouco mais de um metro de largura e dez de profundidade. A segunda, mais elevada, seguia a escarpa estendida entre o rio e a lagoa López e tinha cerca de três metros de largura por 2,8 metros de profundidade. O bordo exterior da trincheira possuía estacas afiadas, construídas com madeiras de árvores recém-cortadas, organizadas em forma de abatis, com suas enormes raízes para dentro, ocultando a artilharia.

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Batalha

Mesmo tendo várias divergências com outros generais aliados, Bartolomé Mitre ordenou o ataque à posição do inimigo fortificada de Curupaiti. Esta batalha foi a primeira que o líder argentino planejou, e a primeira e única executada diretamente por ele. Baseando-se em estratégias europeias, Mitre planejou um ataque frontal a baioneta, seguido por uma simulação de retirada para levar os paraguaios a sair da fortaleza a fim de persegui-los, para, depois, dar meia-volta e subjugá-los.

Ataque da esquadra

A posição defensiva de Curupaiti tinha, em seu interior, de quatro a cinco mil soldados paraguaios e em torno de 90 canhões apontados para o rio e terra, sob o comando do general José E. Díaz. Na manhã do dia 22 de setembro de 1866, a esquadra imperial composta pelos couraçados Brasil, Barroso e Tamandaré; canhoneiras Ipiranga, Belmonte e Parnaíba (capitânia); bombardeiras Pedro Afonso e Forte de Coimbra e as chatas números 1, 2 e 3 iniciaram o bombardeio do forte, sendo prontamente respondidas pelos atacados.[carece de fontes?] Às 08h30, os couraçados Lima Barros e Bahia avançaram sobre o forte, descobrindo a barranca em que este se erguia, disparando viva fuzilaria à distância de suas amarras. Mais abaixo, uma pequena frota de canhoneiras formada pelo Mearim, Araguaia, Ivaí, Iguatemi e Araguari atacaram um ponto de onde os defensores atiravam contra as primeiras incursões do exército.

Ataque do exército

Às 12h00, o exército recebeu o sinal da esquadra para iniciar o ataque. O comando aliado estava confiante na vitória. Na hora indicada, as colunas se movimentaram em perfeita ordem, ao som dos clarinetes e ao toque das bandas de música. As tropas estavam muito bem uniformizadas, com vistosos trajes. Os oficiais estavam trajando uniformes de gala. Iniciaram o ataque com bravura, apoiados pelas descargas de suas baterias artilhadas e da esquadra. Durante o avanço, os paraguaios iniciaram fuzilaria de seus canhões, à direita e à esquerda das colunas aliadas. A troca de tiros entre os adversários "recheava os céus de uma espessa fumaça negra... e que não permitia ver nada além dos quatro metros de distância; aquela sucessão ininterrupta de relâmpagos produzidas pelos disparos dos canhões e pelas curvas que os foguetes congreve faziam, seguindo diferentes direções, cujas lívidas luzes rasgavam a obscuridade", conforme relata Centurión.

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Consequências

A batalha de Curupaiti se tornou a maior derrota aliada em toda a guerra. Os números sobre as baixas divergem de autor para autor. Segundo os dados oficiais brasileiros e argentinos, o Brasil perdera 2 011 homens, sendo 411 mortos. A Argentina tivera 1 357 baixas, dos quais 587 foram mortos; o total seria de 3 368 soldados aliados. Porém, o coronel brasileiro Cláudio Moreira Bento, diz que houve quatro mil baixas brasileiras, número corroborado por um observador neutro, o representante espanhol lotado em Buenos Aires, em 1866. Joaquim S. de Azevedo Pimentel, um combatente de Curupaiti, afirma que houve dois mil mortos brasileiros e outros dois mil argentinos. George Thompson relata que os paraguaios perderam 54 soldados, enquanto os aliados sofreram nove mil perdas. Centurión disse que havia cinco mil cadáveres sobre o terreno. Complementa ainda que o batalhão paraguaio, o número 36, composto por 600 praças tivera de enterrar ou jogar no rio dois mil corpos aliados.

Repercussões

O governo argentino, alarmado com a derrota em Curupaiti, desejava negociar uma trégua ou a paz com o Paraguai. Para isto, autorizou Bartolomé Mitre a iniciar conversações com o governo paraguaio, entendendo-se previamente com o Brasil e o Uruguai. Autorizou também a não cumprir os artigos do Tratado da Tríplice Aliança que não fossem favoráveis à Argentina. O consulado argentino no Brasil, representado por Juan E. Torrent, argumentou com o governo brasileiro a negociar com López não um tratado de paz que mantivesse o ditador no poder, mas um acordo que fizesse com que o presidente paraguaio renunciasse seu comando, a fim de salvar sua fortuna particular, que ele cria que o López jamais abriria mão. O império recusou a proposta e não deu mais atenção aos pedidos de Torrent por mudanças no tratado de 1 de maio.

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Curupaiti após a batalha

Meses após a vitória paraguaia, Curupaiti continuaria a ser assediada pelas forças aliadas. No dia 23 de dezembro de 1866, houve um duelo entre as baterias da fortaleza de Curuzu, ocupada pelos aliados e da artilharia de Curupaiti. Neste mesmo dia uma pequena esquadra formada pelos navios Brasil, Barroso, Tamandaré e Iguatemí bombardearam o forte. No dia 29 de dezembro, a mesma frota, adicionada pelos navios Pedro Afonso e Forte de Coimbra, repetem a ação. O vice-almirante Joaquim José Ignácio, o Visconde de Inhaúma, fez um reconhecimento dessa posição, apoiada por forte bombardeio vindo dos couraçados Bahia, Barroso, Tamandaré e Colombo. Cinco dias depois, as baterias de Curuzu, se juntaram ao novo bombardeio da esquadra de Inhaúma. No dia 2 de fevereiro de 1867, os couraçados Bahia, Colombo, Herval, Barroso, Mariz e Barros, Silvado, Cabral e Tamandaré; as corvetas Paranaíba e Beberibe; a bombardeira Forte de Coimbra e duas chatas artilhadas, também sob o comando do Visconde, iniciam um prolongado bombardeio de Curupaiti, apoiados pelos atiradores do 48° Corpo de Voluntários da Pátria, que estavam posicionados no Chaco. Em paralelo, a esquadra, comandada pelo chefe Elisiário dos Santos, composta pelas canhoneiras Araguari e Iguatemi; a bombardeira Pedro Afonso, o vapor Lindóia, a chata Mercedes e o lanchão João das Botas tomaram uma posição chamada Lagoa Pitri, se agrupando em uma boa posição de onde lançaram 292 bombas sobre o forte.

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Fontes consultadas

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