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Batalha de Dien Bien Phu

A Batalha de Dien Bien Phu foi uma fase decisiva da Primeira Guerra da Indochina que opôs as forças da União Francesa e do Việt Minh, em Tonkin, entre 13 de março e 7 de maio de 1954.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Ordem de batalha dos beligerantes de Novembro de 1953 a Maio de 1954

O Exército Popular Vietnamita

General Vo Nguyen Giap (Muong Phang) Chefe de estado-maior: General Hoang Van Thaï O conjunto representa cerca de 80 000 homens incluindo os serviços e a cadeia logística. Estima-se, tudo junto, as perdas em 23 000 homens.

O GONO (Agrupamento Operacional do Noroeste)

Note-se que numerosas unidades foram aerotransportadas com pelo menos uma parte dos seus supletivos. Além disso, o campo entrincheirado beneficia ainda dos meios aéreos da força aérea (armée de l'air) e da aviação naval (aéronavale). O efectivo da guarnição a 7 de Maio de 1954 ascendia a 14 014 homens incluindo as companhias de serviços e de logística. O exército francês conta 2 293 mortos nas suas fileiras, e, de entre os 11 721 soldados feitos prisioneiros, apenas 3 290 regressam vivos a França.

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A batalha

O conflito indochinês suscitava pouco interesse em França, por várias razões. França estava sob o regime da Quarta República, marcada por uma grande instabilidade política. O país estava em plena reconstrução económica, e esta guerra era longínqua. Para mais o Corpo Expedicionário tinha apenas voluntários, muitas vezes vistos como uns desordeiros em busca de aventuras (França não tinha enviado o contingente para a Indochina), e a Europa inteira estava em plena Guerra Fria. Do ponto de vista orçamental, são os Estados Unidos que tomam a cargo o custo material da guerra. Do ponto de vista económico a Indochina tinha sempre sido uma colónia de vocação essencialmente agrícola, organizada por e para uma comunidade de ricos plantadores. Mas nos anos 50, grande número de empresas já tinham partido. O seu peso económico não era mais o mesmo. De um ponto de vista demográfico, não só sempre houve poucos franceses na Indochina, mas ainda a maior parte tinham regressado a França, só tinham ficado alguns milhares de colonos, e algumas empresas, o que contrasta com a situação de antes da Segunda Guerra Mundial. De facto os japoneses eliminaram toda a administração colonial em 1945, e seguiram-se 9 anos de guerra, o que convenceu um bom número de franceses a partir.

A operação Castor

Na manhã de 20 de Novembro de 1953, no quadro da operação Castor, dois batalhões de pára-quedistas franceses, o 6º BPC (Batalhão de Pára-quedistas Coloniais) do major Bigeard e o 2/1º RCP (2º Batalhão do 1º Regimento de Caçadores Pára-quedistas) do major Bréchignac tomam Dien Bien Phu, defendida por um destacamento pouco importante do exército Việt Minh. Outras unidades pára-quedistas são largadas em reforço nessa tarde ou nos dias seguintes e nas semanas que se seguem, depois da renovação da pista de aterragem construída pelos japoneses, os franceses encaminham por avião homens, material, armas e munições para Dien Bien Phu. Este vai-e-vem aéreo funciona durante quatro meses para criar, abastecer e reforçar o campo entrincheirado. O material pesado (artilharia e blindados) é desmontado em Hanói, transportado em peças soltas, e depois remontado à chegada.

A preparação Việt Minh

O Việt Minh fez encaminhar no maior segredo canhões e material pesado em peças desmontadas, transportado às costas de homem por uma rota traçada pelo exército Viet-Minh através da selva e dos flancos das montanhas que cercam Dien Bien Phu, posicionando assim peças de artilharia que permitiram um bombardeamento maciço das posições francesas. O Việt Minh enviará regularmente patrulhas para testar as defesas francesas antes do assalto. Os franceses farão o mesmo ao tentar algumas surtidas no exterior do campo. Eles aperceber-se-ão que para lá de um certo perímetro, não podem mais avançar devido à pressão inimiga. Desde então têm a impressão de estar completamente cercados. Para mais, alguns projécteis caíram no recinto do campo e alguns militares franceses evocam então a possível existência de um ou mais canhões isolados do lado inimigo.

O assalto

O assalto é desencadeado a 13 de Março contra o ponto de apoio Béatrice ocupado pelo 3/13 DBLE (3º batalhão da 13ª meia-brigada da Legião Estrangeira) comandada pelo major Pégot. O ponto de apoio é esmagado pelas granadas de canhões e morteiros pesados. Durante várias horas recebe milhares de projécteis. Os abrigos, não tendo sido concebidos para resistir a projécteis de grande calibre, foram pulverizados. A surpresa é total no campo francês. O Viêt-Minh, utilizando uma enorme capacidade de mão-de-obra, pôde escavar túneis através das colinas, içar os seus obuses e escolher várias posições de tiro sem ser visto. Foram preparadas plataformas e logo que que os canhões acabavam de atirar, voltavam para os seus abrigos. Deste modo a artilharia francesa nunca teve possibilidade de silenciar os canhões Viêt-Minh, tal como os caça-bombardeiros da aéronavale.

O papel dos aliados de França

Os americanos propuseram aos franceses desde o início da batalha um apoio aéreo de bombardeiros pesados. Esta opção foi rejeitada pelo estado-maior francês que julgava dominar a situação. Mais tarde perante o rumo dramático dos acontecimentos, os militares franceses apressam-se a solicitar bombardeamentos maciços às colinas vizinhas. Encurralado em posições defensivas, o estado-maior francês tinha como ordem resistir enquanto esperava uma eventual "Operação Vautour" que consistia em fazer intervir os bombardeiros B-29. Os estados-maiores dos dois países encararam mesmo utilizar a bomba atómica para alcançar os seus fins, se os bombardeamentos convencionais saíssem frustrados.

O balanço

Esta foi a batalha mais longa, a mais furiosa, a mais mortífera do pós-Segunda Guerra Mundial, e um dos pontos culminantes da Guerra Fria. Estima-se em cerca de 25 000 o número de vietnamitas mortos durante a batalha. O exército francês conta 2 2 293 mortos nas suas fileiras mas, dos 11 721 prisioneiros da União Francesa, válidos ou feridos, feitos pelo Viet-Minh, mais de 71% faleceram no cativeiro. A totalidade dos prisioneiros (assim como os feridos) deverá de facto, marchar através da selva e montanhas por 700 km, e de noite para passar despercebidos aos aviões franceses. Os que estavam muito fracos morriam ou acabavam com eles. Depois foram instalados em aldeias santuários, nos confins da fronteira chinesa, fora do alcance do Corpo Expedicionário.

A vida nos campos de reeducação

Aí um outro calvário esperava os prisioneiros. Os que terão melhor sobrevivido eram os feridos graves visto que não tiveram que suportar a marcha forçada de 700 km e foram tomados a cargo pela Cruz Vermelha. Os outros foram internados em campos e tinham condições de sobrevivência horríveis. Deste modo a sua alimentação quotidiana limitava-se a uma bola de arroz para os que estavam válidos, e para os agonizantes uma sopa de arroz. Um grande número de soldados morreu de desnutrição e de doenças. Não tinham direito a nenhum cuidado médico, já que os poucos médicos cativos estavam todos confinados na mesma palhota, com proibição de saír. Os prisioneiros deviam igualmente sofrer uma matraqueação de propaganda comunista, com ensinamentos políticos obrigatórios. Isso traduzia-se em sessões de autocrítica onde os prisioneiros deviam confessar os crimes cometidos contra o povo vietnamita (reais ou supostos), implorar o perdão, e estar gratos pela "clemência do Tio Ho que lhes deixa a vida salva".

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