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Batalha de Matapão

A Batalha de Matapão foi uma batalha naval travada a 19 de Julho de 1717, entre uma armada de aliados cristãos e a armada do Império Otomano. Foi travada no mar Mediterrâneo no golfo da Lacónia, no extremo sul da Grécia, a cerca de vinte milhas náuticas a nordeste do cabo de Matapão, que lhe deu o nome.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Nota sobre toponímia

Neste artigo são usados os nomes que podemos ler nas fontes primárias e na subsequente historiografia, na sua maioria italiana dada a presença da República de Veneza nestas partes desde a Idade Média. A península do Peloponeso era nesta altura conhecida por Moreia no Ocidente. A província da Lacónia é também conhecida por Lacedemónia; o golfo da Lacónia, por golfo de Cefalónia. A ilha de Zante é a moderna Zacinto; o porto de Modon é a moderna Metoni; Coron é a moderna Coroni; e a ilha de Cérigo é a moderna Cítera, etc.

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Contexto histórico

A Grande Guerra Turca

Em 1683, na guerra que na historiografia alemã é conhecida como a Grande Guerra Turca (Großer Türkenkrieg, 1683-1699) os exércitos do Império Otomano tinham voltado a pôr cerco a Viena, capital do Sacro Império Romano-Germânico, como tinham feito em 1529, no auge do poder dos turcos, com Solimão, o Magnífico. No entanto, os otomanos acabaram por perder a guerra, tendo a Áustria imposto o Tratado de Karlowitz aos turcos em 1697, pelo qual estes perderam importantes territórios. Isto levou o sultão otomano, Mustafá II, a abdicar em favor do irmão Amade III em 1703. Anos mais tarde, depois de ter derrotado o Império Russo, cujo exército fora comandado pessoalmente por Pedro, o Grande, em 1711, o sultão quis recuperar o que o império tinha perdido em 1697. Por esse motivo, invadiu em 1715 a Moreia, a pretexto de que a República de Veneza tentava encorajar uma revolta em Montenegro contra os otomanos. Sem possibilidades de combater os otomanos sozinha, Veneza logo pediu ajuda ao papa e ao imperador.

A Guerra da Sucessão Espanhola

No Ocidente, tinha-se acabado de disputar a Guerra da Sucessão Espanhola, de 1702 a 1714. Durante esta guerra, a França e a Espanha tinham lutado contra a Áustria, a Grã-Bretanha e os Países Baixos para colocar um rei no trono espanhol, vago após a morte de Carlos II de Espanha. Nesta guerra de sucessão, Portugal tinha alinhado em 1703 com a Áustria, tendo o pretendente austríaco, o arquiduque Carlos ― mais tarde Carlos VI, Sacro Imperador Romano-Germânico, e cunhado de D. João V ―, desembarcado em Lisboa em 1704 com um exército aliado anglo-holandês. Este exército, juntamente com o exército português, tomou Madrid em 1706, apenas para sofrer a derrota na Batalha de Almansa em 1707. No ano seguinte, em 1708, o rei de Portugal, D. João V, casou com Maria Ana de Áustria, irmã do imperador e do arquiduque Carlos. Mas a paz chegou em 1713, sem grandes benefícios para Portugal.

A intervenção de D. João V em 1716

Em 1715, quando Veneza pediu auxílio contra os turcos, a Áustria e os Estados Pontifícios responderam ao pedido. Mas enquanto a Áustria poderia colocar um forte exército no campo de batalha, não dispunha de uma armada significativa. O papa Clemente XI pediu assim ajuda aos principais reinos católicos ― a Espanha, a França, e Portugal ― contra o invasor muçulmano. A França, no entanto, não quis ajudar a Áustria, com quem acabara de estar em guerra. Mas a Espanha enviou uma esquadra de seis naves ao Mediterrâneo. D. João V, certamente para não querer ficar atrás do rei espanhol, e ainda como uma maneira de promover Portugal no panorama internacional, enviou uma das mais grandiosas embaixadas de todos os tempos a Roma. Chefiada pelo Marquês de Fontes, dois anos depois premiado com o título historicamente mais importante de Marquês de Abrantes, esta pôde a 8 de julho de 1716 comunicar ao papa que uma esquadra de cinco naus de guerra e uma fragata, para além de embarcações auxiliares, seria esse mesmo verão enviada contra os turcos. A esquadra, comandada pelo Conde do Rio Grande, era composta pelos seguintes navios principais:

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A esquadra portuguesa em 1717

Ainda em Dezembro de 1716, o papa voltou a escrever ao monarca português, pedindo-lhe nova ajuda no ano seguinte. D. João V respondeu afirmativamente, e iniciou logo preparações, para poder enviar uma esquadra ao Mediterrâneo mais cedo do que fora o caso em 1716, para assim ter maior probabilidade de participar em acções contra o inimigo. A esquadra de 1717 estaria novamente às ordens do Conde do Rio Grande. Decidiu-se enviar as mesmas cinco naus da esquadra de 1716, reforçadas por duas naus acabadas de construir: a Nossa Senhora do Pilar, uma nau de 80 peças tal como a Nossa Senhora da Conceição, a nau capitana do Conde do Rio Grande; e uma menor de 58 peças, esta em vez da fragata do ano anterior. A Nossa Senhora do Pilar, construída em Salvador (Bahia), foi armada pelo Infante D. Francisco, o mais velho dos irmãos de D. João V, que era de longe o maior entusiasta de questões navais na família real.

A esquadra portuguesa na Batalha de Matapão

Para além das naus de guerra, a esquadra incluía ainda as seguintes embarcações: Era assim uma esquadra de sete naus de guerra e quatro naves auxiliares, de 526 canhões no total e cerca de 3840 homens de guarnição. Na hierarquia da esquadra, a Nossa Senhora da Conceição era a nau capitana; levava o Conde do Rio Grande como almirante da esquadra. A Nossa Senhora do Pilar, uma nau mais recente e maior ― e outras vezes armada com 84 peças ―, era a almiranta; levava o Conde de São Vicente como vice-almirante da esquadra. Ambas estas naus principais levavam cerca de 700 homens de guarnição: 390 marinheiros, 220 soldados, e 90 artilheiros. A Nossa Senhora da Assumpção era a fiscal, ou terceira na hierarquia; levava Pedro de Castelo-Branco como capitão. Estas três naus, juntamente com a Santa Rosa e a veneziana Fortuna Guerriera de 70 peças, travariam o combate mais importante contra as naus turcas na Batalha de Matapão.

Armamento da esquadra portuguesa: comparações

As cinco principais naus portuguesas na Batalha de Matapão em 1717 estavam armadas da seguinte forma: O armamento das naves era um misto de peças de bronze, melhores mas mais caras, e de ferro. Apenas a maior e mais moderna de todas as naus portuguesas, a Nossa Senhora do Pilar, se encontrava armada exclusivamente com peças de bronze ― o que, juntamente com o tamanho da nau, o número de peças, e a modernidade da construção, fazia dela possivelmente a melhor artilhada e mais formidável nau de toda a armada cristã. Em comparação, os navios ingleses da época, segundo o 1706 Establishment e o correspondente Gun Establishment vigentes, estavam armados da seguinte forma:

Viagem da esquadra portuguesa

A 28 de Abril de 1717, largou então de Lisboa a armada do Conde do Rio Grande. A sua missão era juntar-se à armada aliada cristã, cujas principais componentens eram a armada de remos de Veneza, comandada pelo almirante Andrea Pisani, e a chamada Armata grossa ou armada de vela veneziana, comandada pelo Almirante Francesco Flangini. Mas também a Ordem de Malta, o Grão-ducado da Toscana, e os próprios Estados Pontifícios tinham contribuido esquadras para a armada aliada, cujo supremo comando tinha pelo papa Clemente XI sido atribuído ao almirante Pisani. Depois de ter largado de Lisboa, o progresso da esquadra portuguesa foi o seguinte: Contrariamente ao que sucedera em Messina quando a esquadra portuguesa se encontrou com a armada de remo, que não celebrou a chegada das naus do Conde do Rio Grande como os portugueses tinham esperado, a chegada das naves portuguesas provocou grandes festejos a bordo das naus de guerra de Veneza. Como não será de estranhar, a bordo da Armata grossa sabia-se melhor dar valor a naus de guerra que a bordo das galés.

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A Armata grossa veneziana

A Armata grossa, ou de vela, veneziana tinha largado de Corfu a 10 de Maio, e tinha chegado à ilha de Imbros, à entrada dos Dardanelos, a 8 de Junho. Precisamente dois dias depois tinha a armada otomana saído dos Dardanelos, e uma batalha sangrenta mas indecisa tinha sido travada no mar Egeu ao largo de Imbros de 12 a 16 de Junho. Durante esses combates, em que a armada de Veneza estivera dividida em três esquadras, o almirante supremo Flangini, na Esquadra Vermelha, tinha morrido a bordo da Leon Trionfante (80); na Esquadra Azul, a Colomba d'Oro (78), do almirante Diedo, ficara seriamente danificada, mas chegaria a participar na Batalha de Matapão. Duas outras naus da Esquadra Azul não participaram, muito possivelmente por estarem demasiado danificadas. A composição da Armata grossa na Batalha de Imbros fora:

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A armada otomana

Quanto à armada otomana que se aproximava, esta, tal como a cristã, contava com certo número de galés, no caso nove. Este era no entanto um tipo de embarcação já fundamentalmente ultrapassado, e tal como as galés da armada cristã, as turcas não participaram nos combates. Como todas as armadas no Mar Mediterrâneo, a armada otomana tinha essencialmente sido composta por galés até ao último quartel do século XVII. Mas após um período de primeiras e modestas experiências com naus de guerra no terceiro quartel do século, por volta de 1683, aquando do início da Grande Guerra Turca e do cerco a Viena, o Império Otomano iniciou uma modernização da armada de guerra com a construção de dez naus modernas. A República de Veneza fazia justamente o mesmo na mesma época. Durante uns poucos anos a força naval dos Otomanos foi então dual, com uma forte componente de galés também. Mas logo no final da década de 1690 os turcos fizeram uma tentativa de aumentar a armada de naus de dez para vinte unidades, e apostar mais nas embarcações de vela que de remo. No início do século XVIII tinha-se atingido uma armada de 27 naus, correspondente à força naval de Veneza, e existiam planos de aumentar ainda mais a força, para um total de quarenta naus. Novas ordenações de 1706 e 1707, e novamente em 1714, tentavam organizar uma armada de vela totalmente moderna em todos os aspectos, tais como construção, armamento, tripulação, logística, etc.

Fragatas

Merece destaque o facto de que várias naus turcas estavam ainda equipadas com canhões pedreiros, isto é, que disparavam grandes pedras em vez de projécteis de metal. A vantagem de balas pedreiras era que se fragmentavam no impacto, os estilhaços podendo provocar numerosas baixas na tripulação. Outrora muito comuns na Europa Ocidental, eram todavia já pouco usadas aqui, onde balas metálicas para o mesmo efeito tinham sido desenvolvidas. No entanto, é justo referir que a grande Colomba, a nau do almirante Diedo da Esquadra Azul na Batalha de Imbros, foi posta fora de combate justamente por canhões pedreiros. Por fim, é digna de menção entre as naves turcas a nave bombarda, armada com 36 peças e dois enormes morteiros, ou bombardas, essencialmente para bombardeamento costeiro.

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Ao largo do cabo Matapão

Hierarquias da armada cristã

Após ter feito a junção com a Armata grossa, a armada cristã começou a patrulhar o cabo Matapão a partir do dia 3 de Julho, esperando a armada otomana que se aproximava. A armada de vela aliada foi então dividida em três esquadras, como era costume: a vanguarda, o centro, e a retaguarda (ver infra). Seguindo as ordens do próprio Papa, o comando supremo de toda a armada pertencia a Pisani, a bordo da armada de remo. A vanguarda aliada correspondia essencialmente à Esquadra Vermelha de Veneza, ao comando do almirante Diedo, justamente promovido de capitão de mar e guerra após a morte de Flangini na Batalha de Imbros. O centro aliado, essencialmente as outras duas esquadras de Veneza, ficou ao comando do almirante Correr, de uma notável família veneziana, com um palácio ― hoje museu ― na própria Praça de São Marcos. A retaguarda seria então composta pela esquadra de Portugal, as duas naus da Ordem de Malta, e a solitária Fortuna Guerriera (70) veneziana, que se tinha juntado a estas em Corfu.

Manobras de 3 a 18 de Julho

Entre os dias 3 e 14 de Julho, a armada cristã permaneceu ao largo do Cabo Matapão, esperando os turcos. A armada de remo encontrava-se justamente a sudeste do promontório, estando a armada de vela um pouco mais para sul. Os otomanos foram avistados logo no dia 5, entre a ilha de Cerigo e o cabo de Santo Ângelo. No entanto, os ventos eram fracos, e as armadas não se aproximaram. No dia 6 os turcos tinham desaparecido, apenas para ser avistados novamente na tarde do dia 7, navegando ao longo da ilha de Cerigo. A 8 e 9 de Julho predominaram calmarias, e nada sucedeu. Mas de 9 para 10 o vento aumentou, soprando de oeste, e o mar começou a levantar-se. No meio do temporal que se fez, provavelmente com chuva e pouca visibilidade, a armada de vela cristã descaiu para sul. Então, o almirante turco soube hábilmente entrar no golfo da Lacónia, e navegando cosido com a terra soube dobrar o Matapão e dirigir-se a Coron, no golfo da Messénia. Tinha assim passado para Ocidente da armada cristã ― e importantemente, com os ventos predominantes do quadrante W, tinha ganho o barlavento, factor de suma importância na guerra naval à vela.

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A ordem de batalha cristã na Batalha de Matapão

Retaguarda

Naus de Portugal, da Ordem de Malta, e de Veneza

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Batalha de Matapão, 19 de Julho de 1717

07h00-08h30

Logo ao alvorecer do dia 19 de Julho, avistou-se ao longe a armada otomana, que tinha dobrado o Matapão e navegava de vento em popa em direção à armada cristã, com proas a nordeste. A armada cristã aprontou-se para combate, tendo assumido a linha de batalha combinada nos dias anteriores. Nesta, como vimos, a esquadra portuguesa formava a arrière ou retaguarda. Soprava então apenas uma brisa de SW, e as embarcações de remo tiveram que auxiliar a armada de vela cristã a formar a coluna. Por fim, as naus de guerra posicionaram-se numa coluna de talvez duas milhas de comprimento, com proas a noroeste, que quase totalmente fechava a entrada à enseada onde se encontrava a armada de remo. Esta também assumiu uma linha de batalha, com proas a SW. Assim preparados, e como a armada turca tinha o pouco vento que soprava inteiramente em seu favor, esperaram os aliados cristãos a chegada da armada otomana.

08h30-14h00

Por volta das oito e meia passou-se um episódio que, graças às suas consequências, definiria todo o resto da batalha. As mesmas fragatas na ala esquerda turca, embarcações menores de Tunes e Argel, que pelo seu pequeno tamanho eram muito mais veleiras que as naus cristãs em condições de pouco vento, pareceram tentar contornar a testa da coluna veneziana, como que para atacar a esquadra de remo no interior da enseada. Para o evitar, e manter as naves inimigas dentro do campo de tiro, a nau veneziana na testa da coluna, a Madonna dell'Arsenale (70), começou a guinar para EB (estibordo). Seguiram-se algumas salvas a curta distância, após as quais o destacamento de fragatas desistiu do intento e regressou à formação turca.

14h00-17h00

Esta situação, uma troca de tiros à distância, em que as naus da retaguarda cristã e vanguarda otomana provavelmente tiveram que usar os batéis para se posicionar e orientar as baterias, persistiu até cerca das duas horas da tarde. Nessa altura o vento começou novamente a soprar, agora uma aragem de SSW. Aproveitando o vento, os venezianos tentaram então um audacioso ataque com um brulote contra a armada otomana. Navegando à bolina cerrada ― um raríssimo caso em ataques com brulotes ―, conseguiu este brulote atingir uma das naus turcas, que no entanto não teve dificuldade em se desembaraçar da embarcação ardente, que acabou por ser consumida pelas chamas ao largo, à vista de ambas as armadas. A tripulação do brulote, que não viu o seu extraordinário feito de marinharia coroado com êxito, escapou num batel.

Retirada dos otomanos

Assim continuou a batalha durante cerca de três horas, das cerca de 14h00 às 17h00, com uma troca de tiros a média distância entre as duas armadas, apenas uma muito leve aragem, e as quatro naus portuguesas e a veneziana em posição de destaque nas linhas cristãs. Durante todo o combate, as naus turcas mantiveram a distância às naus portuguesas, de modo a estar sempre fora do alcance dos tiros de mosquete dos fuzileiros e granadeiros das companhias dos Regimentos da Armada a bordo destas; a bordo da Nossa Senhora do Pilar por exemplo várias companhias de granadeiros do Regimento de Peniche. A certa altura, pareceu que o Conde de São Vicente tentou orçar, para mais se aproximar da vanguarda turca; isto no entanto pareceu excessivo ao Conde do Rio Grande, que logo fez sinal para este manter a formação.

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Após a batalha

Após a batalha a armada cristã não conseguiu, devido aos ventos, alcançar a otomana; em vez disso, teve mesmo que correr com o tempo em direcção à Cirenaica. Na noite de 22 de Julho conseguiu então a armada aliada virar de bordo e navegar com direcção à Calábria. No dia 24 de manhã o tempo melhorou, mais ainda assim com onda larga, de que sofriam mais as naus com os aparelhos mais avariados pela batalha, como era o caso das portuguesas. O Conde do Rio Grande propôs então, vendo uma certa hesitação de parte de Pisani, ou perseguir os otomanos, ou regressar a Corfu; e escolheu-se a segunda opção. Ao passar por Zante, os portugueses reintegraram a São Tomás de Cantuária que ali tinham deixado. Uma vez regressados a Corfu, parecem os venezianos ter pedido ao almirante português para permanecer na ilha, no caso de os otomanos regressarem; mas o conde fez ver que lhe faltava uma longa viagem de regresso a Portugal, e insistiu em partir.

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Baixas e valor estratégico da batalha

A batalha do Cabo Matapão terminou indecisa. Infelizmente, o resultado táctico também o é: os vários elementos da aliança cristã tentaram todos dar mais importância à sua participação, e os vários relatos não estão de acordo quanto ao número de baixas, principalmente às do inimigo. Os mais optimistas falam em 14 naus turcas afundadas, um número totalmente exagerado: isso seria uma estrondosa vitória, o que a batalha não foi. Outros relatos falam em duas naus otomanas afundadas, e muitas mais avariadas, o que parece ser muito mais razoável. Outros ainda não falam em naves afundadas no campo de batalha; e é possível que algumas naus turcas apenas tenham sido afundadas posteriormente pelos próprios otomanos, por não se justificarem reparos. Também as naus portuguesas ficaram com os cascos e aparelhos muito avariados como resultado dos combates, mas todas foram reparadas. Segundo alguns relatos os venezianos parecem ter tido cerca de 225 mortos e 350 feridos, o que, a ser verdade, é um rácio de número de mortos/número de feridos altíssimo. Os portugueses tiveram cerca de 50 mortos e 150 feridos, um rácio mais normal para este tipo de combates na época, mas que ainda assim evidencia a violência da batalha.

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Fontes consultadas

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