Belíssima
Belíssima é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 7 de novembro de 2005 a 7 de julho de 2006, em 209 capítulos. Substituiu América e foi substituída por Páginas da Vida, sendo a 67ª "novela das oito" a ser transmitida pela emissora.
Júlia Assumpção é presidente da Belíssima, referência mundial no setor de roupas íntimas. Sua avó, Bia Falcão, a pressiona para se tornar parecida com a mãe, Stella Assumpção, que foi uma modelo bastante famosa na década de 1960. Fundadora da marca Belíssima, Stella morreu em um acidente de avião junto com seu marido Marcelo, deixando órfãos Júlia e Pedro. Desde então, Bia Falcão tornou-se responsável pela criação dos dois. Mesmo depois de adultos, tenta controlar a vida deles. Bia faz de tudo para que Júlia se sinta culpada pela morte dos pais. Em casa, Júlia só encontra apoio no tio, Argemiro Falcão, conhecido como Gigi, e na governanta, Matilde. Bia Falcão fará de tudo para acabar com os romances de Pedro com Vitória; e Júlia com André Santana. Este, apesar de não parecer inicialmente, é um terrível vilão que almeja ser dono da Belíssima em conjunto com seu pai, Aquilino Santana, o seu Quiqui, que aparenta ser um bom velhinho, mas é, na verdade, um bandido da pior espécie, ex-matador de aluguel. André vai se envolver com Júlia e com a filha de Júlia, Érica, uma mulher fútil e perversa como a bisavó.
Segundo Silvio de Abreu, o objetivo da telenovela foi discutir a ditadura da moda e a imposição do padrões de beleza e magreza, tendo como pano de fundo a indústria da moda paulistana, colocando a personagem Júlia como uma espécie de "patinho feio" em uma família de modelos. A telenovela teve como cenário a cidade de São Paulo. As gravações começaram em 7 de agosto de 2005, no centro da cidade As gravações da trama em Atenas, na Grécia começaram em setembro de 2005, envolvendo 31 profissionais brasileiros, entre diretores e elenco, além da contratação de outros 40 gregos para a equipe técnica. Segundo o autor, a escolha da Grécia para ser a principal locação internacional é o fato de ter sido no país que nasceu o mito da beleza. As roupas utilizadas foram elaboradas com a ajuda de duas figurinistas gregas. Além destas cenas gravadas na Grécia, foi construída uma cidade cenográfica na Ilha de Guaratiba, no Rio de Janeiro. Como a trama se passava em São Paulo, a cidade cenográfica teve que ser alterada, através da inserção, por computação gráfica, de arranha-céus. Também alguns edifícios, com dois ou três andares, foram aumentados. Foi aí que se localizavam a oficina de Pascoal, a quitanda de Takae, o açougue de Tosca e o casarão de Murat e Katina. Foram construídos cerca de 120 cenários em estúdio. Gisele Bündchen foi convidada para estrelar a abertura, mas recusou por não ter tempo para retornar ao Brasil devido à alta carga de trabalho na Victoria's Secret na época. A modelo Michelle Alves, conhecida como sósia de Gisele, acabou sendo selecionada em vez da própria Gisele.
Escolha do elenco
Cláudia Abreu chegou a recusar o papel da protagonista Vitória, uma vez que desejava engravidar – a atriz já havia recusado o convite assim como Giovanna Antonelli para protagonizar América pelo mesmo motivo – porém foi convencida por Silvio de Abreu a adiar os planos mais alguns meses. A cantora Kelly Key foi convidada para interpretar Giovanna, porém recusou para focar em sua carreira musical. Isis Valverde e Paolla Oliveira fizeram os testes com outras atrizes iniciantes, sendo que a segunda foi escolhida. Gisele Bündchen foi convidada para interpretar Érica, porém a modelo recusou por não ter interesse em ingressar na televisão, uma vez que isso acarretaria em meses longe das passarelas; Letícia Birkheuer ficou com a personagem. Carolina Oliveira foi convidada pessoalmente pelo autor para o papel de Sabina, que alegou que ela não era uma criança que interpretava de forma "adultizada", porém a direção da emissora vetou a escolha, uma vez que os atores que interpretariam os pais da personagem – Cláudia Abreu e Henri Castelli – eram loiros e caucasianos, enquanto a atriz tinha traços indígenas, deslocando-a para Páginas da Vida. O autor chegou a cogitar Carla Diaz e Cecília Dassi, porém as duas atrizes já tinham 16 anos, o que custaria ter que mudar toda a linha do tempo da trama. Após um teste com dez atrizes mirins, Marina Ruy Barbosa foi escolhida.
Problemas de saúde
Em janeiro de 2006 Fernanda Montenegro passou por alguns problemas de saúde e teve que se afastar da telenovela, sendo explicado na história que sua personagem forja uma falsa morte quando seu carro cai num barranco e explode. As gravações das cenas do acidente de Bia começaram no dia 9 de janeiro e demoraram cinco dias para se encerrar devido a complexidade de registrar todos os detalhes. Na mesma época a trama sofreu outra baixa, uma vez que Glória Pires contraiu hepatite e precisou ficar afastada durante três semanas, fato este que foi explicado como se a personagem tivesse sido internada em uma clínica após ficar imensamente abalada pela suposta morte trágica da avó, fazendo com que o autor trouxesse os núcleos paralelos para o centro das atenções e transformasse o casal de Cláudia Raia e Reynaldo Gianecchini como o principal temporariamente. Glória retornou à trama em 7 de fevereiro. Já Fernanda retornou apenas em 25 de abril.
Em junho de 2009, a trama foi cotada para substituir Senhora do Destino no Vale a Pena Ver de Novo, porém a emissora desistiu da reexibição da trama devido à censura que o Ministério da Justiça estava impondo. Foi reexibida pelo Vale a Pena Ver de Novo de 4 de junho de 2018 a 18 de janeiro de 2019, em 161 capítulos, substituindo Celebridade e sendo substituída por Cordel Encantado. Durante a reprise, o Ministério Público Federal de Minas Gerais ajuizou ação civil pública contra a Globo, pedindo “indenização por danos morais coletivos”, por entender que a exibição de Belíssima no Vale a Pena Ver de Novo, se dava em um horário inapropriado. O setor jurídico da Globo informou que cuidaria do caso, mas contestou a decisão, argumentando que em Belíssima não havia nada de tão impróprio, pois não foi assistido por um público de dez anos, mas sim, o de doze. A telenovela não foi levada ao ar durante os dias 27 de junho de 2018, devido à transmissão do jogo entre Brasil e Sérvia, terminando com a classificação da seleção brasileira, 3 de julho de 2018, com a cobertura do jogo entre Colômbia e Inglaterra pelas oitavas de final, encerrando com a vitória da seleção inglesa, 6 de julho de 2018, com a exibição das quartas de final entre Brasil e Bélgica, terminando com a vitória da seleção belga, e em 11 de julho de 2018, com a transmissão da semifinal entre Inglaterra e Croácia, terminando com a inédita vitória da seleção croata e sua classificação na grande final, todos pela Copa do Mundo FIFA de 2018.
Exibição internacional
Ao mesmo tempo que era exibida no Brasil, a telenovela era transmitida pela Globo Internacional, com os capítulos sendo exibidos um dia depois da exibição no Brasil. Belíssima foi vendida para 22 países, entre eles Portugal, Rússia, Chile, Venezuela, Argentina, Equador e Uruguai. Em julho de 2006, a telenovela estreou no Alpha-Channel da Grécia, onde parte da ação se desenvolvia. Em agosto de 2007, estreou na Costa Rica, exibida pelo canal Teletica, substituindo outra produção da TV Globo, a telenovela América.
Outras mídias
Em 22 de agosto de 2022, foi disponibilizada pelo Globoplay como parte do Projeto Originalidade, com a atualização para o formato de exibição original; com o formato de imagem restaurado em Full HD, além de aberturas, vinhetas de intervalo e encerramento originais.
Nacional
A primeira trilha sonora da telenovela foi lançada em 2005 pela Som Livre trazendo as canções gravadas por artistas nacionais em português e inglês. Glória Pires ilustrou a capa do álbum.
Internacional
A segunda trilha sonora da telenovela foi lançada em 2006 pela Som Livre compilando as canções internacionais. Cláudia Raia ilustrou a capa do álbum.
Fashion B
A terceira trilha sonora da telenovela, intitulada Fashion B, foi lançada em 2006 pela Som Livre compilando as canções que tocavam nos núcleo relacionado ao mundo da moda, como a agência de Penélope, os desfiles das modelos e a grife Belíssima. Letícia Birkheuer ilustrou a capa do álbum.
Instrumental
A quarta trilha sonora da telenovela foi lançada em 2006 pela Som Livre contendo os fundos musicais instrumentais.
O Casseta & Planeta, Urgente! satirizou a telenovela como Baleíssima. Curiosamente, a vilã Bia Falcão, vivida por Fernanda Montenegro, foi parodiada pelo programa como Bia Falcão - Meninos do Tráfico, levando o nome do documentário produzido pelo rapper MV Bill e pelo produtor Celso Athayde, que foi exibido em partes pelo programa Fantástico no mesmo período em que a telenovela era exibida. Os cortes de cabelos das personagens da telenovela geraram tendência e estiveram entre os mais procurados nos salões de beleza. Os mais pedidos eram o cabelo de Vitória (Cláudia Abreu) e Safira (Cláudia Raia). Além disso, os figurinos da personagem de Cláudia Abreu estavam entre os mais solicitados, de acordo com a Central de Atendimento ao Telespectador da Globo e também era bastante procurado em vitrines sofisticadas e feiras populares, como a 25 de março, em São Paulo.
Audiência
Sua estreia teve média de 54 pontos. Em 20 de fevereiro de 2006, a trama bateu recorde de audiência, com 55 pontos e picos de 58. No capítulo, Júlia (Glória Pires) deu uma surra em Érica (Letícia Birkheuer), após vê-la na cama com André (Marcello Antony) A telenovela bateu novo recorde de audiência no dia 15 de maio de 2006, quando registrou 60 pontos de audiência. No capítulo foi exibido o retorno da vilã Bia Falcão, depois de quase 100 capítulos fora da trama. No seu penúltimo capítulo, marcou 59 pontos e picos de 66, com 76% de participação. No último capítulo, a trama marcou 60 pontos, e picos de 66, sendo a última telenovela a marcar mais de 60 pontos em um capítulo. Teve média geral foi de 48,5 pontos, sendo a 3.ª maior audiência da década de 2000, superada apenas por América e Senhora do Destino.


