Bem de Veblen
Em economia, bens de Veblen, ou bens de consumo ostentatório, são tipos de bens materiais para os quais a procura é proporcional ao seu preço elevado, o que é uma aparente contradição com a lei da procura; os bens de Veblen são bens de luxo como vinho, destilado, joalharia, malas de designers de moda e carros de luxo caros que são procurados por causa dos preços elevados que são exigidos pelos vendedores. O preço elevado torna os bens desejáveis, como símbolo do status social elevado do comprador, como forma de consumo ostentatório e lazer ostentatório; inversamente, uma diminuição dos preços dos bens de Veblen diminuiria a procura desses produtos.
Um aumento de preço pode aumentar esse status elevado e a percepção de exclusividade, assim tornando o bem ainda mais desejável. No outro extremo da análise, se a bens de luxo fossem fixados preços iguais a bens não luxuosos de qualidade inferior, ceteris paribus, haveria mais pessoas a comprar os bens de luxo, mesmo que alguns dominados pelo efeito de Veblen não o fizessem. Assim, mesmo um bem de Veblen está sujeito ao ditame de que a procura se move inversamente ao preço, embora a resposta da procura ao preço não seja consistente em todos os pontos da curva da procura.
O efeito de Veblen é uma das anomalias teoricamente possíveis da teoria geral da procura da Microeconomia. Outros efeitos relacionados são os seguintes: Alguns destes efeitos são analisados num artigo clássico de Leibenstein (1950). O conceito de efeito de contra-Veblen (counter-Veblen effect) é menos bem conhecido, embora logicamente complete o conjunto. Nenhum destes efeitos por si só permite prever a quantidade real da procura do bem (o número de unidades compradas) quando o preço se altera — referem-se apenas a preferências ou propensões para comprar. O efeito real sobre a quantidade procurada vai depender do leque de outros bens disponíveis, dos seus preços e do grau de substituição pelo bem em causa. Os efeitos são anomalias face à teoria da procura, porque a teoria normalmente assume que as preferências são independentes do preço ou do número de unidades transacionadas. Eles são, portanto, coletivamente referidos como efeitos de interação (interaction effects).


