Betty Mindlin
Betty Mindlin é uma antropóloga, etnóloga, pesquisadora, escritora brasileira e professora visitante do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP). Desenvolve pesquisas sobre direitos, demarcação de terras indígenas e educação indígena. Além de pesquisas sobre direito reprodutivo, saúde, diversidade cultural e grandes projetos e ambientes.
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Betty Mindlin é filha do bibliófilo José Mindlin. Foi casada com Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores. Mãe de Manuel Mindlin Lafer (músico, médico e pesquisador de vacinas aplicadas em comunidades indígenas do Parque do Xingu) e de Inês Mindlin Lafer (psicóloga). Em 1963, graduou-se em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Foi docente da mesma instituição entre os anos de 1964 e 1969. Concluiu o mestrado na Cornell University, Estados Unidos, em 1967. Em 1979, Betty realizou pesquisas com os indígenas do povo Suruí (que se autodenominam paiter, que significa gente ou nós mesmos) que habitam a região central de Rondônia. Realizou pesquisas de campo apoiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (Eaesp-FGV), onde foi docente. Como pesquisadora pôde observar as mudanças que marcaram a cidade de Rondônia e que foram resultadas do crescente fluxo migratório, do impacto de grandes empresas e de relações entre os indígenas e grupos urbanos. Especialista nas questões indígenas, destacou a necessidade do cumprimento de direitos e a importância das lutas para a demarcação de Terras Indígenas.
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Sobre sua pesquisa com os Suruí disse, em entrevista: Foi agraciada em 2002 comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico. São de sua autoria Moqueca de maridos (1997) e Tuparis e tarupás (1994). Em 2025 lançou, pela editora Peirópolis “Berenice, a avó de si mesma”, em que reúne memórias de sua trajetória e principalmente da infância permeada por livros. Sobre o livro, a autora escreveu em entrevista para a editora: “Nada sei sobre quem lê, nem me ocorre enquanto escrevo. É verdade que saí de uma casa na qual livros eram deuses. Mas meu trabalho e descoberta marcantes foram a oralidade entre povos de cerca de quinze línguas, alguns em contato com a sociedade industrial há pouco, sem falar português. Lá eu vivia em plena ficção, e nem pensava em ler. O que ouvia era equivalente e ainda mais expressivo que as melhores obras literárias. Quis transmitir com as vozes autorais a beleza que criavam, eu a única, a primeira não indígena a ouvir. Quando era criança, meus pais nos contavam e liam em voz alta, traduzindo de muitas línguas. Em casa de meu avô, uma cozinheira velha contava contos tradicionais, ela era uma verdadeira Câmara Cascudo, autor que eu li depois, assim como contos de fada e mitologia grega. Gosto de histórias contadas, cantadas, sempre as busco. Nas minhas estantes e nas fotos de Berenice, constam alguns escritores máximos que se iniciaram com tradição oral, como Tolstoi, Calvino, Guimarães Rosa, Arguedas e tantos outros, bem como biografias de mulheres”.


