Bíblia Morgan
A Bíblia Morgan, também conhecida como Bíblia Maciejowski, é um manuscrito medieval ricamente ilustrado, famoso por suas cenas vibrantes e narrativa visual. Preservada na Biblioteca Pierpont Morgan, em Nova Iorque, ela oferece um vislumbre fascinante da arte e da história, com contribuições em diversos idiomas e estilos.
Pontos-chave
- Manuscrito iluminado do século XIII, conhecido por diversas denominações.
- Contém ilustrações da Criação até a história de Davi e Absalão.
- Personagens retratados com a moda medieval, apesar de narrar histórias antigas.
- Estilo visual dinâmico e inovador para a época, com forte senso de unidade narrativa.
- Possui descrições e anotações em latim, hebraico, árabe e persa.
A produção da Bíblia Morgan é geralmente atribuída a Paris, por volta de 1240, sob o patrocínio de Luís IX da França, embora haja debates sobre a data e local exatos. Estudos sugerem uma origem no norte da França ou até mesmo na Inglaterra, com datas mais prováveis em torno de 1250. Originalmente, continha apenas ilustrações. Por volta de 1300, a corte de Nápoles adicionou descrições em latim. No século XVII, o cardeal Bernard Maciejowski a presenteou ao Xá da Pérsia Abbas I, que acrescentou descrições em persa. O manuscrito passou por várias mãos, incluindo colecionadores e comerciantes, até ser adquirido por John Pierpont Morgan e, posteriormente, sua fundação.
A Bíblia Morgan é primariamente uma compilação de ilustrações legendadas, cobrindo desde a Criação do mundo (Gênesis) até a história de Davi e Absalão (Segundo Livro de Samuel). Seus 46 fólios apresentam 283 cenas detalhadas, com descrições e anotações em latim, hebraico, árabe, hebraico-persa e persa. As imagens, apesar de retratarem eventos bíblicos antigos, refletem a moda medieval, tornando a obra uma peça valiosa da pintura gótica e um registro da vida da época.
Os autores das ilustrações são anônimos, mas sua habilidade é notável. Eles criaram uma narrativa visual contínua e envolvente, utilizando grandes áreas divididas em módulos menores, muitas vezes interligados por figuras que se estendem pelas margens e páginas vizinhas. Essa abordagem conferia unidade e dinamismo, contrastando com manuscritos iluminados da época que apresentavam ilustrações isoladas. O estilo é direto, sem sutilezas psicológicas, com fundos planos que realçam o movimento das figuras, resultando em um efeito orgânico e fluente.


