Boris Casoy
Boris Casoy OMM é um jornalista e apresentador de telejornais brasileiro. Tornando-se notório por ser âncora do TJ Brasil (SBT) e do Jornal da Record, Boris iniciou a sua carreira como locutor na Rádio Eldorado, iniciando a sua trajetória pela televisão na Rede Tupi, como repórter do programa Mosaico na TV.
Imagem: Michel Temer c/o:Marcos Corrêa · BY · Openverse
Último dos seis filhos do padeiro e comerciante Isaac Srulevitch Kossoy (transliterado no Brasil como "Casoy") e da dona de casa Raissa Kossoy (nascida Breitbart), judeus nascidos no Oblast de Odessa (Isaac em Odessa e Raissa em Podilsk), Ucrânia, que chegaram ao Brasil em 1928. Boris adquiriu poliomielite ao completar um ano de vida, junto com sua irmã gêmea. Na época, não existia vacina. A doença deixou sequelas físicas, mas a marca maior foi a psicológica, gerada pela discriminação na infância. Até os nove anos, Casoy praticamente não podia andar. Com essa idade, ele foi operado nos EUA e recuperou os movimentos. "Como não podia andar, era um grande ouvinte de rádio, admirava aquele milagre da transmissão da voz", contou em entrevista ao site Amputados Vencedores. Estudou os primeiros anos nos colégios Stanford e Mackenzie. Foi reprovado diversas vezes no curso científico, uma vez que queria cursar o antigo clássico, em desacordo com o determinado pela família. Frequentou o curso de Direito da Universidade Mackenzie, mas não o concluiu.
Imagem: Bruno Barreto · BY-ND · Openverse
No governo
Em 1968, foi nomeado Secretário de Imprensa de Herbert Levy, Secretário de Agricultura do governo Abreu Sodré, em São Paulo, permanecendo no cargo em 1969 com a mudança do titular da pasta. Em 1970, foi assessor de imprensa de Luís Fernando Cirne Lima, Ministro de Agricultura do governo Médici. Em 1971 e 1972, foi secretário de imprensa do prefeito de São Paulo, José Carlos de Figueiredo Ferraz.
Na Folha de S.Paulo
Em 1974, ingressou na Folha de S.Paulo, seu primeiro trabalho em jornal, onde foi editor de política e, apenas três meses depois, chegou a editor-chefe. Permaneceu no jornal até junho de 1976, quando saiu para dirigir a Escola de Comunicação e o setor cultural da FAAP. Retornou ao mesmo jornal em 1977, onde passou a escrever uma coluna sobre os bastidores políticos denominada "Painel". Em setembro, tornou-se o editor-chefe e diretor de redação, aos 36 anos, ficando no cargo até 1984, quando voltou a ser responsável pela coluna "Painel".
Na televisão
Sua carreira televisiva teve início em 1961, quando atuou como repórter do programa Mosaico na TV, na TV Tupi, então o canal 4 de São Paulo, mais antigo programa ininterrupto da TV brasileira, segundo o Guinness Book, e ainda com o mesmo produtor (Francisco Gotthilf). Em 1988, Bóris voltou para a TV, pelo SBT, em 1988, para apresentar o TJ Brasil, lá ficando até 1997, onde formou parcerias com as jornalistas Lilian Witte Fibe e Salete Lemos, alcançando grande popularidade. Depois, foi contratado pela Rede Record junto com Salete, onde trabalhou durante oito anos, apresentando o Jornal da Record até dezembro de 2005, quando foi demitido. Em 1993, como apresentador do TJ Brasil, Casoy foi admitido pelo presidente Itamar Franco à Ordem do Mérito Militar no grau de Oficial especial.
No YouTube
Após ser demitido da RedeTV!, lançou seu próprio programa no YouTube, chamado "Jornal do Boris", no final de outubro. Transmitido também pela Alpha Channel TV, o programa é inspirado em "O Trabuco", do jornalista e radialista Vicente Leporace da Rádio Bandeirantes. Em novembro de 2020, a TV Gazeta confirmou que o mesmo programa estará no ar após sua transmissão no YouTube, a partir de 30 de novembro de 2020, às 8h45.
No rádio
Em 4 de novembro de 2021, Boris foi anunciado como novo contratado da Massa FM, onde irá apresentar o programa Fala aí Boris... Pra Massa.
Imagem: Dré Batista · BY-NC-ND · Openverse
Estilo
Seu estilo é muito particular e inspirado na figura do âncora importada dos telejornais norte-americanos, já que não se furta de emitir sua própria opinião sobre os assuntos mais polêmicos, e gosta de utilizar frases-bordão, tais como "Isto é uma vergonha" ou "É preciso passar o Brasil a limpo".
Caso CCC
Em 1968, em reportagem sobre líderes estudantis, a revista O Cruzeiro acusou-o de ter participado do grupo Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O CCC foi uma organização paramilitar anticomunista composta por estudantes e intelectuais, que durante a ditadura militar brasileira, agiram em seu favor, denunciando, atacando, sequestrando, torturando e assassinando pessoas contrárias ao regime então vigente. Boris nega esta acusação até hoje e afirma não haver provas que comprovem a participação no CCC. Vinte anos depois (1988), disse a respeito do episódio que tinha consciência do "quanto a imprensa pode estigmatizar alguém. Eu senti isso na carne. E não esqueço". O CCC não existe mais desde o fim da Ditadura Militar, em 1985.
Eleições de 1985
Em um debate na Rede Globo com os candidatos à prefeitura de São Paulo, em novembro de 1985, perguntou ao então candidato pelo PMDB, Fernando Henrique Cardoso, se ele acreditava em Deus. O candidato não respondeu, afirmando que havia sido combinado previamente que esse assunto não seria levantado. A pergunta e a resposta foram consideradas como fatores decisivos para a derrota do candidato do PMDB para Jânio Quadros.
Atritos com o PT
Após a eleição de 2002, responsável pela condução de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e pela hegemonia do Partido dos Trabalhadores na política brasileira, Boris entrou em atrito com o partido várias vezes, geralmente associando-o à corrupção e ligando-o aos movimentos bolivarianos que estavam em alta na década de 2000. Sua demissão da Rede Record teria sido, segundo o jornalista, uma represália do Governo Lula. Boris voltaria à TV apenas em 2008, no Jornal da Noite da Rede Bandeirantes, onde continuou a emitir suas opiniões, embora de maneira menos dura em relação ao partido. Quando da sua passagem pela RedeTV!, durante os desdobramentos da Operação Lava Jato, Boris voltaria a enfatizar suas críticas ao PT, o que também fez em sua passagem pela CNN Brasil e em seu canal do YouTube.
Comentário sobre garis
Em 31 de dezembro de 2009, após uma vinheta do Jornal da Band, da Rede Bandeirantes, chamando o intervalo comercial, sem saber que o áudio ainda estava sendo transmitido, Casoy comentou em tom jocoso as imagens exibidas anteriormente, que mostravam uma dupla de garis desejando feliz Ano-Novo aos telespectadores da emissora. O apresentador, por meio da assessoria de imprensa da Band, reconheceu a ofensa que cometeu contra os garis e se retratou durante a exibição do jornalístico do dia posterior, com os seguintes dizeres: Apesar do pedido de desculpas, diversos garis em vários estados do Brasil entraram com ações contra o apresentador e a emissora no decorrer de 2010. Apenas na Justiça da Paraíba constavam 20 processos movidos pelos profissionais da limpeza. No entanto, as Justiças estaduais julgaram improcedentes os pedidos e negaram provimento à maioria dos recursos, uma vez que os nomes dos garis não haviam sido citados de forma individualizada, considerando ainda o pedido de desculpas feito menos de 24 horas após a declaração.


