Boris Johnson
Alexander Boris de Pfeffel Johnson é um político, escritor e jornalista britânico, que serviu como Primeiro-ministro do Reino Unido e líder do Partido Conservador de 2019 até 2022. Representou, de 2015 a 2023, o distrito eleitoral de Uxbridge e South Ruislip na Câmara dos Comuns, e antes era parlamentar por Henley entre 2001 e 2008. Foi também prefeito de Londres de 5 de maio de 2008 a 8 de maio de 2016 e Secretário de Estado do Reino Unido para os Assuntos Externos e a Commonwealth britânica de 2016 a 2018.
Infância: 1964-1977
Boris Johnson nasceu em 19 de junho de 1964, em Manhattan, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, filho de Stanley Johnson e Charlotte Johnson Wahl, ambos britânicos. Na época de seu nascimento, seu pai estudava economia na Universidade Columbia e sua mãe sempre trabalhou como pintora, ambos se casaram em Marylebone, Londres em 1963 antes de se mudarem para os Estados Unidos, um ano antes do nascimento de Johnson. Ele é de ascendência inglesa, francesa, alemã, irlandesa, turca e russa. Seu bisavô paterno foi Ali Kemal, um jornalista otomano, de origem circassiana-turca e seu bisavô materno foi Elias Avery Lowe, paleógrafo judeu russo imigrado nos Estados Unidos. Em referência à sua ancestralidade variada, Johnson descreveu a si mesmo como um "melting pot" - com uma combinação de muçulmanos, judeus e cristãos como bisavós. Johnson recebeu o nome do meio "Boris" devido a um emigrado russo que seus pais conheceram.
Juventude
Estudou no Eton College e Balliol College de Oxford, onde se formou com um B.A. em estudos clássicos. Em 1987 começou a trabalhar como jornalista no Daily Telegraph. Entre 1999 e 2005 foi o chefe do jornal The Spectator.
Parlamentar e prefeito
Em 2001 foi eleito para representar o círculo de Henley na parlamento do Reino Unido. Durante 2004 foi vice-presidente do partido Conservador. Em 2005, o novo Líder da Oposição Oficial, David Cameron, escolheu Johnson para o posto de Ministro-sombra (em inglês Shadow Minister) para "Educação Universitária". Em 2006 Johnson foi criticado pela sua relação romântica com Anna Fazackerley, uma jornalista de 29 anos. No entanto, o líder do partido, David Cameron, disse à comunicação social que Johnson "continuará no seu posto". Em 16 de Julho de 2007 Johnson anunciou a sua intenção de ser o candidato conservador à liderança do município de Londres. A sua candidatura foi confirmada pelo partido em 27 de setembro. Eleito em 2 de maio de 2008 por 1 168 738 votos, frente aos 1 028 966 do seu antecessor, Ken Livingstone. Foi reeleito Prefeito de Londres em maio de 2012.
Secretário do Exterior e retorno ao Parlamento
Após Theresa May assumir a liderança do Partido Conservador e o Governo de Sua Majestade, Johnson foi nomeado Secretário de Estado para Assuntos Externos e da Commonwealth em 13 de julho de 2016. A nomeação de Johnson foi criticada por setores da imprensa e líderes estrangeiros por conta de seu histórico de comentários controversos sobre outros povos e culturas. O ex-Primeiro-ministro sueco Carl Bildt afirmou: "Eu gostaria que isto fosse uma piada". "Eu não estou tão preocupado com Boris Johnson, mas... durante a campanha ele mentiu muito ao povo britânico e agora é justamente ele quem tem suas costas contra a parede", descreveu seu homólogo francês Jean-Marc Ayrault. Em contrapartida, o ex-Primeiro-ministro australiano Tony Abbott recebeu de forma positiva a notícia de sua nomeação, chamando-o de "um velho amigo da Austrália". Um membro do governo federal estadunidense sugeriu que sua posse poderia impulsionar os Estados Unidos aos laços com a Alemanha no contexto da Relação Especial com o Reino Unido.
Líder dos Conservadores e Primeiro-ministro
Em 23 de julho de 2019 Boris Johnson foi anunciado formalmente como o novo líder do Partido Conservador e designado Primeiro-Ministro do Reino Unido, para suceder Theresa May. Johnson, no discurso de vitória, afirmou que iria trabalhar para unir o país, derrotar os rivais do Partido Trabalhista e energizar a população. Em seu primeiro discurso no cargo de chefe de governo, em 24 de julho, ele reiterou que uma de suas prioridades é garantir a saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 31 de outubro do mesmo ano, apesar da oposição de parte importante do seu próprio partido. Em outubro de 2019 o Parlamento aprovou a convocação de eleições gerais antecipadas para dezembro de 2019. Isso era um dos requerimentos de Boris Johnson que, com a deserção de alguns parlamentares do seu partido, já não tinha mais maioria absoluta na Câmara dos Comuns. Fazendo uma campanha focadanprincipalmente em finalizar o Brexit e com exposição proposital reduzida na mídia (entrevistas e debates), Johnson conseguiu reconquistar a confiança do eleitorado tradicional conservador, ao mesmo tempo que atraiu a atenção de centristas e moderados com seu discurso centrado na questão de que ele iria, de um jeito ou de outro, resolver a situação com a União Europeia. Como resultado, o Partido Conservador conquistou maioria absoluta nas eleições, garantindo a Boris Johnson controle total sobre o governo e as futuras negociações com as autoridades da UE.
Renúncia do Parlamento
Em 9 de junho de 2023, Johnson renunciou ao cargo de parlamentar representando Uxbridge e South Ruislip, desencadeando uma eleição suplementar para substituí-lo.
No campo ideológico, Johnson descreveu-se como "Tory de uma Nação". O analista político Tony Travers, da London School of Economics, descreveu-o como "um conservador razoavelmente clássico - isto é, pelo Estado mínimo - moderadamente eurocético" que assim como seus contemporâneos Cameron e Osborne também abraçou "o liberalismo social moderno". O jornal The Guardian afirma que enquanto prefeito, Johnson havia mesclado liberalismo econômico e social, enquanto o The Economist alega que, ao fazê-lo, Johnson "transcende sua identidade conservadora" e adota uma perspectiva mais libertária. Stuart Reid, colega de Johnson no The Spectator, descreveu as suas opiniões como sendo as de um "libertário liberal". O Business Insider observou que, como prefeito de Londres, Johnson ganhou uma reputação de "um político liberal, de centro". O biógrafo e amigo de Johnson, Andrew Gimson, disse que, embora "em assuntos econômicos e sociais, Johnson seja um liberal genuíno", ele mantém um "elemento conservador" na sua personalidade através de seu "amor pelas instituições existentes e um reconhecimento da inevitabilidade da hierarquia". Sua postura liberal em assuntos como política social, imigração e livre comércio também foi observada em 2019. Em 2019, o editor da Al Jazeera, James Brownswell, observou que, embora Johnson se tivesse "inclinado para a direita" desde a campanha do Brexit, ele permaneceu "um pouco mais socialmente liberal" do que grande parte de seu partido. Em 2019, o ex-Líder do Partido Conservador, Michael Heseltine, disse que Johnson "não tem o direito de se autodenominar um conservador de uma nação" e escreveu: "Receio que quaisquer vestígios de conservadorismo liberal que ainda existam no primeiro-ministro tenham sido capturados há muito tempo pela visão do mundo de direita, de ataques aos estrangeiros, egocêntrica, que veio a caracterizar os seus colegas do Brexit".
Em 1987 casou-se com Allegra Mostyn-Owen. Divorciaram-se em 1993 e doze dias depois casou-se com Marina Wheeler da qual cinco semanas mais tarde teve o primeiro filho. Tiveram quatro filhos, dois rapazes e duas moças. Teve um caso extraconjugal com Petronella Wyatt, quando este era seu diretor no The Spectator. Quando o escândalo foi tornado público, em 2004, foi demitido do seu posto de ministro-sombra das Artes. Petronella revelou ter abortado duas vezes do político. Divorciou-se de Marina em Maio de 2020. De uma relação com a consultora de arte Helen Macintyre terá tido uma filha e há alegações de que seria a segunda criança concebida por Boris, em segredo e fora do matrimónio. Johnson tem sistematicamente recusado dizer sequer quantos filhos tem. «A vida pessoal de um indivíduo é preocupação dele», respondeu à BBC. Em 2021, revelou que tem 6 filhos. Desde 2019 mantém uma relação com Carrie Seymonds (nascida em 17 de março de 1988) a responsável pelo fim do segundo casamento de Johnson, pois Marina Wheeler não teve alternativa quando, em setembro de 2018, a relação extraconjugal foi tornada pública pelos jornais. Contudo, este namoro não foi pacífico e os vizinhos do casal chamaram a polícia devido à gritaria entre o casal em junho de 2019. Em Março de 2020, foi anunciado que se vão casar, e estão à espera de um bebé. Boris e Symonds foram o primeiro casal a viver na residência oficial do primeiro-ministro sem serem casados. Johnson se tornou o primeiro chefe do governo britânico a casar-se durante o exercício do cargo, em 250 anos.


