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Boutros Boutros-Ghali

Boutros Boutros-Ghali GCIH foi um político e diplomata egípcio, vice-ministro do Exterior do seu país e sexto secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1º de janeiro de 1992 a 31 de dezembro de 1996.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Carreira acadêmica

Imagem: Boutros-Ghali,_Klaus_Schwab,_Flavio_Cotti_-_World_Economic_Forum_Annual_Meeting_1995.jpg: World Economic Forum from Cologny, Switzerland derivative work: BomBom (talk) · BY-SA · Openverse

Boutros Boutros-Ghali nasceu no Cairo em uma família copta cristã (Boutros é a versão árabe do nome grego Πέτρος; Pétros, ou seja Pedro). Seu avô Boutros Ghali foi primeiro-ministro do Egito de 1908 até ser assassinado em 1910. Boutros-Ghali formou-se em direito na Universidade do Cairo em 1946. Ele recebeu um doutorado em direito internacional da Universidade de Paris e um diploma em relações internacionais do Institut d'Etudes Politiques de Paris em 1949. Em 1979, ele foi nomeado professor de direito e relações internacionais na Universidade de Cairo, uma posição que ele ocupou até 1999. Ele se tornou presidente do Centro de Estudos Políticos e Estratégicos em 1975 e presidente da Sociedade Africana de Estudos Políticos em 1980. Ele foi um pesquisador do Programa Fulbright na Universidade Columbia de 1954 a 1955, diretor do Centro de Pesquisa da Academia de Direito Internacional de Haia de 1963 a 1964, e professor visitante da Faculdade de Direito na Universidade de Paris de 1967 a 1968. Ele é também reitor honorário do Graduate Institute of Peace Studies, um ramo de Universidade Kyunghee de Seul.

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Carreira política no Egito

Imagem: United Nations Photo · BY-NC-ND · Openverse

Sua carreira política se desenvolveu durante a presidência de Anwar El Sadat. Boutros-Ghali foi membro do Comitê Central da União Árabe Socialista de 1974 a 1977. Ocupou interinamente o cargo de Ministro das Relações Exteriores do Egito (em 1977 e de 1978 a 1979), e Vice-ministro das Relações Exteriores, até o início de 1991, antes de se tornar Secretário-geral da ONU. Como Ministro das Relações Exteriores do seu país, atuou, com seu homólogo Moshe Dayan, nas negociações que antecederam os acordos de paz de Camp David, entre o presidente Sadat e o primeiro-ministro de Israel Menachem Begin. Segundo a jornalista investigativa Linda Melvern, Boutros-Ghali aprovou uma venda secreta de armas no valor de 26 milhões de dólares ao governo de Ruanda, em 1990, quando ainda era Ministro das Relações Exteriores do Egito. As armas teriam sido armazenadas pelo regime Hutu, como parte dos preparativos, a longo prazo, para o genocídio subsequente. Quatro anos depois, quando os assassinatos ocorreram, Boutros-Ghali era secretário-geral da ONU.

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Atuação na ONU

Imagem: United Nations Photo · BY-NC-ND · Openverse

Eleito Secretário-geral da ONU em 1991, apresentou, em 1992, a Agenda para a Paz, uma sugestão de como a ONU poderia reagir a conflitos violentos, após o fim da Guerra Fria. Entretanto, ele foi criticado pelo fracasso da ação da ONU durante o genocídio em Ruanda em 1994, que deixou oficialmente mais de um milhão de mortos. Foi também criticado por ter sido incapaz de assegurar o apoio da ONU a uma intervenção na Guerra Civil Angolana. Uma das tarefas mais difíceis de seu mandato foi lidar com a crise da Guerra Civil Iugoslava, após a desintegração da ex-Iugoslávia. Em 1996, as forças armadas israelenses invadiram o Sul do Líbano. Na localidade de Qana, fora estabelecido um posto da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). Os aviões israelenses bombardearam as aldeias, e várias centenas de famílias de camponeses se refugiaram em Qana. A artilharia israelense, então, atacou a aldeia, matando mais de cem mulheres, crianças e homens (massacre de Qana). Boutros-Ghali criou uma comissão internacional de inquérito sob a responsabilidade do general neerlandês Franz von Kappen. No entanto, Madeleine Albright, Secretária de Estado dos EUA, exigiu a dissolução da comissão. A exigência não foi atendida pelo insubmisso Boutros-Ghali.

Nomeação para o segundo mandato

Em 1996, dez membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, liderados pelos membros africanos Egito, Guiné-Bissau e Botswana, patrocinaram uma resolução de apoio a Boutros-Ghali para um segundo mandato de cinco anos - até o ano de 2001. Tradicionalmente, o candidato a secretário-geral é escolhido, por consenso, pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que têm poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Depois disso, o candidato é submetido aos 185 países participantes da Assembleia Geral da ONU. No entanto, os Estados Unidos vetaram um segundo mandato para Boutros-Ghali. Além dos Estados Unidos, Reino Unido, Polônia, Coreia do Sul, e Itália não apoiaram a resolução, mas as quatro últimas nações votaram a favor de Boutros-Ghali após os EUA declararem firmemente sua intenção de veto. Apesar de não ser o primeiro candidato a receber um veto (a China vetou o terceiro mandato de Kurt Waldheim em 1981), Boutros-Ghali foi o único secretário-geral da ONU a não ser eleito a um segundo mandato na agência, tendo sido sucedido por Kofi Annan.

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Após a ONU

Imagem: EC - Audiovisual Service · BY · Openverse

De 1997 a 2002 Boutros-Ghali foi o secretário-geral de La Francophonie, uma organização das nações francófonas. De 2003 a 2006, ele atuou como presidente do Conselho de Administração do Centro-Sul, uma organização de pesquisa intergovernamental de países em desenvolvimento. Ele é o atual presidente do Conselho Administrativo do Curatorium no Academia de Direito Internacional de Haia. Em 2003, Boutros-Ghali foi nomeado Diretor do Conselho Nacional de Direitos Humanos, uma posição que ele ainda ocupa. Desde abril de 2007, Boutros-Ghali apoiou a Campanha para o Estabelecimento de uma Assembleia Parlamentar das Nações Unidas e foi um dos primeiros signatários da petição da campanha. Em uma mensagem à Campanha, ele enfatizou a necessidade de estabelecer a participação democrática dos cidadãos a nível global. Depois de 2009 participou como membro do júri do Prêmio para Prevenção de Conflitos atribuído todo ano pela Fundação Chirac.

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Trabalhos publicados

Imagem: Fernando Pereira / Anefo · BY-SA · Openverse

Como secretário-geral, Boutros-Ghali escreveu An Agenda for Peace. Ele também publicou outras memórias:

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Fontes consultadas

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