Brancos
Brancos é um termo usado na linguagem cotidiana, para designar humanos caracterizados em particular por uma fenótipo claro da pele. O termo é geralmente usado para referir-se a indivíduos com características físicas historicamente associadas às populações da Europa. Por vezes, o termo é usado como sinônimo de caucasiano podendo referir-se a brancos não-hispânicos ou especificamente a anglo-americanos.
O texto funerário do Antigo Egito (Império Novo) conhecido como o Livro dos Portais distingue "quatro grupos" em uma procissão, são os egípcios, os povos do Levante e canaanitas ou "asiáticos", os "núbios" e os "líbios de pele clara". Os egípcios são retratados como consideravelmente mais escuros do que os levantinos (pessoas de onde hoje é o Líbano, Israel, Palestina e Jordânia) e líbios, mas consideravelmente mais claras do que os habitantes da Núbia (o Sudão moderno). A atribuição de conotações positivas e negativas de branco e preto para certas pessoas datam de épocas muito antigas em um número de línguas indo-europeias mas essas diferenças não foram necessariamente usadas em relação às cores da pele. A conversão religiosa foi às vezes descrita figurativamente como "uma mudança na cor da pele". Similarmente, o Rigveda usa krsna tvac "pele negra" como uma metáfora para a irreligiosidade.
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O termo "raça branca" ou "brancos" apareceu nas principais línguas europeias no final do século XVII, originando-se da racialização da escravidão na época, no contexto do Comércio atlântico de escravizados e a escravização de povos indígenas no Império Espanhol. Tem sido repetidamente atribuída a cepas de sangue, ancestralidade e características físicas, e acabou se tornando um assunto de pesquisa científica, que culminou no racismo científico, que mais tarde foi amplamente repudiado pela comunidade científica. Segundo a historiadora Irene Silverblatt, "O raciocínio racial […] transformou as categorias sociais em verdades raciais". Bruce David Baum, citando o trabalho de Ruth Frankenberg, afirma que "a história da moderna dominação racista está ligada à história de como os povos europeus se definiram (e às vezes alguns outros povos) como membros de uma 'raça branca' superior". De acordo com Gregory Jay, professor de inglês na Universidade de Wisconsin-Milwaukee,
Categoria social formada pelo colonialismo
Um esquema racial de três partes em termos de cores foi usado na América Latina do século XVII sob o domínio espanhol. Irene Silverblatt traça um "raciocínio racial" na América do Sul para definir as categorias sociais do colonialismo e da formação de estado: "Branco, preto e marrom são versões resumidas, abstratas para colonizador, escravo e colonizado ". Em meados do século XVII, o novo termo "español" ("espanhol") estava sendo equalizado em documentos escritos com "blanco" ou "branco". Na América espanhola, os africanos, os americanos nativos ("índios"), os judeus ou mouriscos eram formalmente excluídos da realização de qualquer cargo público sob a Real Pragmática de 1501 por não cumprirem os requisitos de "pureza de sangue" ("limpieza de sangre"). Restrições semelhantes foram aplicadas nas forças armadas, algumas ordens religiosas, faculdades e universidades, levando a um estrato sacerdotal e profissional quase todo branco. Negros e índios eram sujeitos a obrigações de tributo e proibidos de portar armas, as mulheres negras e indígenas eram proibidas de usar joias, seda ou metais preciosos no início colonial do México e Peru. Os "pardos" (pessoas com pele escura) e "mulatos" (pessoas mistas de ascendência africana e europeia) que tinham algum recurso tentavam escapar dessas restrições se passando como brancas. Uma breve oferta real para comprar privilégios da branquidade por uma quantia substancial de dinheiro atraiu quinze candidatos antes que a pressão das elites brancas acabasse com a prática.
Ciência da raça
Os estudos ocidentais sobre raça e etnia nos séculos XVIII e XIX desenvolveram-se no que mais tarde seria denominado racismo científico (ver: Racialismo). Cientistas europeus proeminentes que escreviam sobre diferenças humanas e naturais incluíam uma raça "branca" ou "eurasiana ocidental" entre um pequeno grupo de raças humanas e imputavam superioridade física, mental ou estética a essa categoria branca. Essas ideias foram desacreditadas pelos cientistas do século XX. Em 1758, Carl Linnaeus propôs o que ele considerou ser categorias taxonômicas naturais da espécie humana. Ele distinguiu entre Homo sapiens e Homo sapiens europaeus, e mais tarde acrescentou quatro subdivisões geográficas aos seres humanos: branco (europeus), vermelho (ameríndios), amarelo (asiáticos) e preto (africanos). Embora Linnaeus as pretendesse como apenas classificações objetivas, suas descrições desses grupos incluíam padrões culturais e estereótipos depreciativos.
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Definições de cor branca têm mudado ao longo dos anos, incluindo as definições oficiais utilizadas em muitos países, como Estados Unidos e Brasil. Algumas pessoas desafiam os regulamentos oficiais, muitas delas tornando-se pessoas brancas, de forma temporária ou permanentemente, através de seu status socioeconômico. Através de meados do século XX, muitos países desenvolveram normas formais e legais ou procedimentos que definem as categorias raciais (ver: apartheid, hipodescendência, Leis Jim Crow e White trash). No entanto, desde o surgimento de críticas de racismo e de argumentos científicos contra a existência de raças humanas, há uma tendência para a autoidentificação do status racial.[carece de fontes?] Os locais que possuem população predominantemente branca são as regiões da Europa (95%), Rússia (90%), África do Norte, Oriente Médio; e países como Estados Unidos (75%), Canadá (80%), Austrália (92%), Nova Zelandia (70%), e a porção meridional da América do Sul: Argentina (88%), Uruguai (90%) e Chile (52%). Também há populações consideráveis na África do Sul (9%), na Índia e outros países na América Latina, como Costa Rica (77%) e Porto Rico (74%).
Brasil
Os recenseamentos recentes no Brasil são conduzidos com base na autoidentificação, segundo o Censo de 2022, os autodeclarados brancos, totalizavam cerca de 88,2 milhões de pessoas e representavam 43,5% da população brasileira. O termo "branco", no Brasil, é aplicado a descendentes de europeus e de imigrantes do Oriente Médio de todas as etnias. O censo mostra uma tendência de menos brasileiros de descendência diferente (mais provavelmente mista), identificando-se como pessoas brancas, à medida que seu status social aumenta (ver: Desigualdade social). No entanto, mulatos e mestiços de pele clara com feições caucasianas também foram considerados historicamente mais relacionados com o grupo "branco" do Oriente Médio e descendentes de europeus do que o pardo de "pele acinzentada".


