Brasil na Segunda Guerra Mundial
O Brasil, sob um regime ditatorial com inclinações fascistas, surpreendentemente se aliou aos Países Aliados na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A decisão de entrar no conflito foi motivada por ataques de submarinos alemães e italianos a embarcações brasileiras no Atlântico, em retaliação à adesão do Brasil à Carta do Atlântico, que tornava sua neutralidade apenas formal.
Pontos-chave
- Ataques de submarinos do Eixo a navios brasileiros precipitaram a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
- O Brasil aderiu à Carta do Atlântico, que previa alinhamento com nações atacadas por potências extracontinentais.
- Manifestações populares contra imigrantes do Eixo ocorreram após os afundamentos de navios.
- O Brasil declarou guerra à Alemanha e Itália em agosto de 1942, após pressão popular.
- Veteranos da FEB enfrentaram dificuldades de reintegração social e política no pós-guerra.
O alinhamento do Brasil com os Aliados foi um processo gradual, influenciado por fatores internos e externos.
Antecedentes e Influências
Em fevereiro de 1942, submarinos alemães e italianos atacaram navios brasileiros no Atlântico. Segundo relatos, isso foi uma retaliação à adesão do Brasil à Carta do Atlântico, que previa apoio a qualquer nação americana atacada por potências de fora do continente, tornando a neutralidade brasileira apenas teórica. Fatores cruciais para o alinhamento com os EUA e os Aliados incluíram tentativas de ingerência da Alemanha e Itália nos assuntos internos brasileiros, a dificuldade crescente em manter relações comerciais com esses países devido à pressão naval anglo-americana a partir do final de 1940, e a política de boa vizinhança de Franklin D. Roosevelt, que incluiu financiamento para a Companhia Siderúrgica Nacional. Há relatos de que os EUA planejavam invadir o Nordeste brasileiro (Plano Rubber) caso Getúlio Vargas mantivesse a neutralidade.
Ataques a Navios Brasileiros
Entre 1941 e 1944, submarinos do Eixo atacaram 35 navios da Marinha mercante brasileira, afundando 32. Esses ataques, que causaram mais de mil mortes, foram o estopim para a entrada do Brasil no conflito. Os ataques ocorreram no Atlântico e Índico, desde a Filadélfia até o Cabo da Boa Esperança. Com exceção de um ataque aéreo ao navio Taubaté em março de 1941, todos os demais foram realizados por submarinos alemães e italianos, e aconteceram após o Brasil romper relações diplomáticas com o Eixo em janeiro de 1942.
Reações Populares e Internas
Após os afundamentos e a alta contagem de mortos, ocorreram violentas manifestações populares contra imigrantes de países do Eixo, como alemães, japoneses e italianos, com depredações de comércios e tentativas de linchamento. Com a entrada do Brasil na guerra, muitos desses imigrantes passaram a ser vigiados como parte do 'front interno', e houve intensa atividade de espionagem. Jornais em línguas estrangeiras e programas de rádio em idiomas do Eixo foram proibidos. O governo criou prisões para estrangeiros suspeitos de atividades antibrasileiras, incluindo tripulantes de embarcações alemãs capturadas. A preocupação era com a tentativa das potências do Eixo de manipular seus emigrantes no exterior. A propaganda de guerra foi tão eficaz com a comunidade japonesa que, após o conflito, 80% dos imigrantes japoneses e descendentes em São Paulo acreditavam que o Japão havia vencido a guerra.
Declaração de Guerra
Meses após os torpedeamentos, o povo brasileiro foi às ruas exigir a declaração de guerra contra a Alemanha nazista e a Itália fascista. Somente então, em 31 de agosto de 1942, o Governo Brasileiro, por meio do decreto Nº 10.358, reconheceu o estado de guerra. O Brasil, com uma população majoritariamente rural e analfabeta, economia voltada para exportação, política internacional tradicionalmente isolacionista e infraestrutura limitada, enfrentou dificuldades para assumir um papel autônomo ou mesmo modesto no conflito.
No período pós-guerra, o Brasil enfrentou desafios na reintegração dos seus combatentes e na gestão política dos veteranos.
Desmobilização e Restrições
O Brasil foi convidado a participar da força de ocupação da Áustria. Contudo, temendo a capitalização política da vitória pelos membros da Força Expedicionária Brasileira (FEB), o governo brasileiro desmobilizou-a oficialmente ainda na Itália. Ao retornarem, os veteranos enfrentaram restrições: os civis foram proibidos de usar condecorações ou uniformes em público, e os militares profissionais foram transferidos para regiões distantes dos grandes centros ou de fronteira.


