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Brega

Na música, o brega é um estilo e um gênero musical brasileiro que abrange vários ritmos musicais, dificultando a definição de uma estética musical única. Era um termo usado pejorativamente para designar a música romântica popular de baixa qualidade e dramática da década de 1940/1950 ; tendo como origem musical o samba-canção, bolero e, a jovem-guarda.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

Várias são as hipóteses para a origem etimológica do termo "brega" como sinônimo de prostíbulo, partindo daí para sinônimo de estilo musical. Essa versão é contestada em Salvador, na Bahia, citando a rua Padre Manuel de Nóbrega, onde ficava um prostíbulo e um bar, onde tocava músicas "cafonas". Trabalhadores baianos começariam a falar "vamos ao brega", em referência ao prostíbulo dessa rua. Segundo o dicionário de Antônio Houaiss o termo representa: "mau gosto"; "cafona"; "inferior" e, que derivaria de "esbregue", um termo utilizado na cidade do Rio de Janeiro nas décadas de 1920 a 1950 como sinônimo de "algo mal feito", "medíocre" e, ordinário" O professor Sérgio Nogueira e o advogado Amaro Quintas dizem, ainda, que para alguns etimólogos, a palavra brega seria uma forma reduzida de "xumbrega". "Xumbregar" ou "chumbregar", com origem no estado de Pernambuco no ano de 1666 (período da Conjuração de "Nosso Pai"); quando o administrador colonial português Jerônimo de Mendonça Furtado, o Xumbergas, foi assim apelidado pela população pernambucana em referência ao general alemão Frederico Armando Schomberg (militar combatente em Portugal na Guerra da Restauração), pois o administrador usava bigode ao modo Schomberg (ou ao modo Chomberga). E por este gostar em excesso de bebida alcoólica, o apelido assumiu na região a acepção de "embriaguez", originando os verbos xumbergar ou xumbregar (embriagar-se ou importunar) e o adjetivo xumbrega (aspecto ruim). Dessa origem remota, o termo teria no século XX, assumido a acepção de "prostíbulo/meretrício", que como tal é dicionarizada por Aurélio Ferreira, Houaiss e, por Michaelis (também defendido na análise etnográfica de Paulo Murilo Guerreiro do Amaral; Ronaldo Lemos; Oana Castro, e; Antônio Maurício Costa). Para Altair J. Aranha (pseudônimo do pesquisador Luís Milanesi), o termo brega deriva de "Nóbrega", nome da rua (Manuel da Nóbrega) que ficava em uma região de meretrício na cidade de Salvador.[nota 1][nota 2]

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Informações gerais

Em meados da década de 1960, o termo designava um tipo de música romântica com arranjo musical sem grandes elaborações, vinda das camadas populares e considerada cafona e deselegante. Com o passar dos anos, o brega foi se sistematizando de forma menos rígida em relação ao outros ritmos. A partir de 2008, em Recife, surgiu o ritmo brega funk, que originou-se da mistura entre kizomba de Angola, o zouk das Antilhas Francesas e, as baladas românticas usadas durante o tempo de seu auge, com bastante apelo sentimental, letra dramática com rimas fáceis, em outras palavras, música supostamente ruim. Mas, a partir da imprecisão conceitual que o termo carrega desde sua origem, este pode abarcar artistas de vários gêneros musicais da música brasileira, reforçando essa imprecisão. Para tornar a conceituação mais difícil, o "brega" assimilaria, na década de 1990, novos aspectos — alguns dos quais distantes da linha romântica popular, como são os casos do brega pop e do tecnobrega, que é categorizado pela modernização dos instrumentos musicais e por uma batida mais dançante. Estas variações são bastante populares na cena regional do Norte e Nordeste, no Brasil, e se difundiram até mesmo no Sul do País com o surgimento das bandas/cantores: Calypso, Reginaldo Rosi e Dejavu. Enquanto isso, artistas da "velha guarda" romântica-popular ainda rejeitavam o rótulo "brega", preferindo a expressão twist americano, de Paul Anka e Jerry Lee Lewis.

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História

Antecedentes

Não se sabe ao certo a origem musical do "brega". Críticos apontam alguns precursores do "estilo" em cantores das décadas de 1940 e 1950, que seguiam, através do bolero e do samba-canção, uma temática mais "romântica". Entre os quais, Orlando Dias, Carlos Alberto, Alcides Gerardi e Cauby Peixoto. Durante a década de 1960, a música romântica de artistas oriundos basicamente das classes mais populares passou a ser considerada cafona e deselegante. Isso foi especialmente reforçado pelas grandes transformações vivenciadas pela música popular do país naquele período, com o surgimento de inovações estilísticas dentro cenário musical que agradavam principalmente aos jovens do meio urbano. De um lado, surgiu uma geração oriunda da classe média universitária que se consolidaria, na década seguinte, sob a sigla MPB, nada menos do que "música popular brasileira". Por outro, surgiram os movimentos tropicalista — inspirado em correntes artísticas de vanguarda, na cultura pop nacional e estrangeira, em manifestações tradicionais da cultura brasileira e inovações estéticas radicais — e iê-iê-iê — que capitaneou o rock'n'roll estrangeiro, dando-lhe uma roupagem nacional, e transformou-se num grande fenômeno de comportamento e moda.

A raiz "cafona"

Em princípio da década de 1970, acentuavam-se as estilizações dentro da música brasileira. Em especial, o meio musical predominante definia os cânones da chamada MPB, gênero cada vez mais distante de outras vertentes populares da música brasileira, como o samba, a música caipira, além do rock feito no Brasil e da música romântica — que teria em Roberto Carlos o seu maior representante. O cantor capixaba era um dos poucos artistas que fazia música romântica sucesso de crítica e de público. Para a maioria dos artistas brasileiros românticos populares, mesmo que grandes vendedores no mercado fonográfico brasileiro, sobrava a alcunha nada positiva de "cafona". O termo passou a estigmatizar artistas como Paulo Sérgio, Altemar Dutra, Odair José, Reginaldo Rossi e Waldick Soriano dentro do amplo leque da música brasileira. Assim como Reginaldo Rossi, Paulo Sérgio e Odair José surgiram na esteira da Jovem Guarda. Em 1977, Odair lança O Filho de José e Maria, descrito como uma ópera-rock , um álbum com influência de soul e funk. com participação da banda Azymuth, o álbum foi considerado controverso por sua inspiração em Jesu Cristo, mas foi reconhecido décadas depois.

O rótulo "brega"

A partir da década de 1980, o termo "brega" passou a ser cunhado largamente na imprensa brasileira pelos meios de comunicação para designar, de maneira pejorativa, música sem valor artístico. Embora sem uma conceituação aprofundada, a pecha servia para designar uma "música de mau gosto, geralmente feita para as camadas populares, com exageros de dramaticidade e/ou letras de uma insuportável ingenuidade". Era o caso por exemplo do trabalho de cantores da linha romântica "cafona", como os ainda populares Amado Batista e Wando, ou de outros cantores românticos constantemente presentes em programas de auditório da televisão, como Gilliard, Fábio Junior e José Augusto.

Mutação e consolidação em Belém

A chegada à década de 1990 levou o "brega" a mais fusões e confusões em torno da conceituação. Época em que uma série de artistas passaram a se assumir como "bregas". Um dos mais notórios foi Reginaldo Rossi, autoproclamado "Rei do Brega". Dentro da tradicional linha romântico popular, Reginaldo Rossi mantinha-se como uma espécie de "contraponto nordestino" para Roberto Carlos, inclusive se apropriando do título de "rei" que já acompanhava o companheiro de Jovem Guarda. A canção Garçom transformou-o subitamente em sensação no Sudeste, ajudando a detonar uma onda de reavaliação do brega — inclusive com gravações feitas por artistas do establishment musical nacional, como Caetano Veloso — o cantor baiano, que já havia gravado em 1982 a canção Sonhos, de Peninha, regravaria em 2004 Você não me ensinou a te esquecer, uma canção de Fernando Mendes, presente na trilha do filme Lisbela e o Prisioneiro (2003). Nos anos 2000, outros "cafonas" receberam reconhecimento, como Odair José, que ganhou álbum-tributo do qual participam Pato Fu, Mundo Livre S/A e Zeca Baleiro. Após os tributos, Odair voltaria a flertar com o rock.

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Conceituação difusa

Imagem: futureatlas.com · BY · Openverse

Definir a existência ou não e quem pertence e quem não pertence ao "estilo brega" é um debate feito por pesquisadores, críticos, artistas e público, e está longe de chegar a um consenso. Esta dificuldade estaria expressa na pluralidade musical em voga no mundo contemporâneo, que "provoca um constante movimento de apropriação–reapropriação contínua e ao mesmo tempo inconstante, promovendo uma hibridação de referências musicais que termina por impossibilitar qualquer definição precisa capaz de ser fielmente classificada rigidamente em um estilo musical." Outro ponto de dificuldade na discussão em torno do que seria "música brega" é o estabelecimento por parte das "ideologias excludentes e classistas da intelectualidade hegemônica" de uma relação direta do "estilo com o poder classificatório do gosto, além de uma série de adjetivações pejorativas que estão associadas à denominação brega." Mesmo entre o público brasileiro, consumidor ou não de artistas e tendências supostamente "bregas", há muita confusão sobre o que seria o "estilo". Em alguns casos, ocorre a associação de algumas vertentes musicais melhor estabelecidas — como o sertanejo (de linha mais comercial-romântica, a partir da década de 1980), a lambada, o pagode (especialmente seu estilo mais "romântico, a partir da década de 1990), a axé music, o funk carioca — no rol de "estilos bregas". A autora Carmen Lúcia José observou, em suas pesquisas, a opinião de indivíduos de segmentos sociais distintos sobre alguns artistas quanto aos seus estilos musicais. Por exemplo, as duplas Chitãozinho e Xororó e Leandro e Leonardo. A primeira dupla, para segmentos sociais acima da média com repertório, é considerada brega; já para os segmentos médios e acima da média sem repertório, a dupla é considerada som sertanejo; e para os segmentos mais baixos, também. Com relação à dupla Leandro e Leonardo, para os segmentos acima da média e médios, é brega; os segmentos médios e acima da média sem repertório musical, a dupla também é considerada brega; nos segmentos mais baixos, a dupla representa o sertanejo jovem.

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Variações

Imagem: Al Jazeera English · BY-SA · Openverse

O samba-canção, samba-joia, bolero e jovem-guarda foram vinculados a esta estética, mas atualmente o brega também envolve forró, kizomba, zouk, funana,[carece de fontes?] além do twist modernizado, que batizaram de forma aportuguesada de tecno-brega, e até mesmo o funk, no que ficou conhecido como brega funk. Outra variação é o Eletrobrega.

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Crítica

Imagem: Al Jazeera English · BY-SA · Openverse

Na Enciclopédia da Música Brasileira, de Marcos Antonio Marcondes, o "brega" é caracterizado como a "música mais banal, óbvia, direta, sentimental e rotineira possível, que não foge ao uso sem criatividade de clichês musicais". Para Lúcia José, o "brega" teria estruturas sonoras "organizadas e mantidas sem oposição, provocando nos ouvintes uma pasteurização em que todos os arranjos ganham um mesmo assobio". Há especialistas, no entanto, que divergem da rotulagem "brega" e atacam a marginalização dos artistas "cafonas" na historiografia oficial da musical brasileira, escrita por "uma categoria privilegiada que assume a função e o papel dos legitimadores do gosto" que descarta músicos e tendências musicais não condizentes "com suas perspectivas identitárias". Uma das críticas ao estilo é a apatia política que existiria no mesmo. Porém, em músicas como "O Caminhante", de Dom e Ravel, e "O Camburão", de Paulo Sérgio, que falam, respectivamente, sobre reforma agrária e as dificuldades do imigrante, observa-se o teor de denúncia social. Este último, lançou a música "Não Creio em Mais Nada", numa época em que o governo militar lançava em campanha o lema "Você precisa acreditar" e fazia propagandas saudando a alegria e felicidade. "Inseridos neste contexto, o ceticismo e a melancolia do repertório "cafona" acabavam por adquirir, mesmo que não intencionalmente, um caráter transgressor e de resistência" (ARAÚJO, 2002).

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Comemorações

Imagem: ThoseGuys119 · BY · Openverse

Desde 2021, no estado do Pará e na cidade de Recife o brega é reconhecido como patrimônio cultural. Em 2025, o dia 14 de fevereiro foi instituído como o Dia Nacional do Brega. E no dia 30 de maio deste mesmo ano a Organização Mundial das Nações Unidas declarou a cidade de Belém do Pará a Capital Mundial do Brega.

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Fontes consultadas

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