Brigadas Vermelhas
Brigadas Vermelhas (BR) é uma organização paramilitar de guerrilha comunista italiana formada no ano de 1970.
A organização teve suas origens no movimento estudantil do final da década de 1960 e marcou fortemente a cena política italiana dos anos 70 e 80. Seus fundadores eram originários da Universidade Livre de Trento (Libera Università di Trento), como Renato Curcio, Margherita Cagol e Giorgio Semeria; de Reggio Emilia (Alberto Franceschini e Prospero Gallinari, estes últimos, jovens militantes da FGCI, a organização juvenil do PCI), do movimento operário (Mario Moretti, técnico da Sit-Siemens). Havia também muitos militantes provenientes da esquerda católica. A formação das Brigadas Vermelhas teve lugar no contexto de lutas sociais no final dos anos 60. As greves dos trabalhadores abalaram as fábricas (Pirelli e Siemens em particular), levando parte do movimento operário a adoptar a "propaganda armada" como método de luta. As primeiras acções - destruição de veículos dos capatazes ou sequestro de gestores - reflectiram a composição social dos grupos armados. Entre as 1.337 pessoas condenadas por pertencerem às Brigadas Vermelhas, 70% eram trabalhadores, trabalhadores de serviços ou estudantes. O seu armamento provinha principalmente dos stocks da partidária da Segunda Guerra Mundial.
Majoritariamente identificadas com o marxismo-leninismo (Terceira Internacional) e bastante influenciadas pelo maoísmo (corriam os tempos da Revolução Cultural Chinesa) as BR pareciam ter maior densidade ideológica do que a maioria das organizações radicais da esquerda européia daqueles anos. No entanto estavam longe de ser uma organização monolítica, dada a grande variedade de tendências que abrigava. A organização pregava a "via revolucionária", em contraste com a orientação reformista do Partido Comunista Italiano - PCI - e tinha como objetivo "atacar o projeto contra-revolucionário do capitalismo multinacional imperialista para construir o Partido Comunista Combatente e os organismos de massa revolucionários". Para tanto, pretendia debilitar o Estado italiano e preparar o caminho para uma revolução marxista, liderada pelo proletariado revolucionário, que levasse a Itália a separar-se da Aliança Ocidental.
No primeiro período de atividade, a luta política das BR consistiu em atentados incendiários contra veículos dos dirigentes de fábricas, panfletagem, sequestros relâmpago e consequentes exposições midiáticas de dirigentes. A maioria dos ataques das BR teve como alvo símbolos do establishment - sindicalistas, políticos e homens de negócios. Sob a direção de Renato Curcio, a organização inspirou-se no modelo dos Tupamaros uruguaios e adotou o lema de "muerde y huye". Entre 1970 e 1973, as BR criaram células secretas e iniciaram seu ataque "ao coração do Estado, da economia e da produção". Após a prisão de Curcio a liderança da organização foi assumida por Mario Moretti que, em 16 de março de 1978, conduziu o sequestro e, após um longo período de cativeiro e negociações infrutíferas com o governo, à execução de Aldo Moro, ex-primeiro-ministro e presidente da Democracia Cristã Italiana. O caso gerou uma grande comoção no país e na comunidade internacional, marcando o início do declínio das Brigadas Vermelhas.


