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Bruxaria

Os termos bruxaria ou feitiçaria ou ainda, menos comumente, embruxação, bruxação, embruxamento, bruxamento, bruxedo, etc., têm sido de uso corrente da língua portuguesa, designando o uso de poderes de cunho sobrenatural, sendo também utilizada como sinônimo de magia, feitiçaria, sortilégio ou encantação. Conforme proposto pelo historiador norte-americano Jeffrey B. Russell, existem três pontos de vista principais sobre o que é bruxaria: o primeiro ponto de vista é o antropológico e demonstra que bruxaria é sinônimo de magia, curandeirismo, xamanismo; o segundo é o histórico, que através de documentos escritos analisa os julgamentos de bruxaria durante a inquisição; o terceiro é o da bruxaria moderna ou hodierna, que defende a bruxaria como uma forma de religião pagã, esse último sendo um ponto de vista normalmente defendido por wiccanos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
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Etimologia

Imagem: Fer.Ribeiro · BY-NC · Openverse

A etimologia da palavra é incerta, mas acredita-se venha do italiano "brucia" (queima), que vem do verbo "bruciare" (queimar) ou de "brixtia", que vem do nome da deusa gaulesa Bricta. Outros indícios indicam que a palavra bruxa nasce na Antiguidade na Península Ibéria, cuja origem seria anterior a invasão romana e, por consequência, anterior ao próprio latim. O mesmo processo ocorreu com as palavras bezerro, cama, morro e sarna, conforme o professor doutor em Letras Claudio Moreno (UFRGS) explica em seu livro Morfologia Nominal do Português. Esta hipótese é reforçada pelo fato de só aparecer nas línguas ibérica português, "bruxa"; em espanhol, "bruja"; em catalão, "bruixa"); se viesse do latim, deveria também estar presente no francês, que usa "sorcière"; e no italiano, que usa "strega", línguas também pertencentes à família das línguas românicas. Já feitiço, deriva do latim "facticius", um ("fictício, artificial, não-natural"), um vocábulo muito antigo na língua portuguesa, sendo registrado já no século XV. Inicialmente significava "postiço, artificial": chave feitiça era uma chave falsa, e briga feitiça era apenas de faz-de-conta. Logo, no entanto, assumiu o seu significado atual de "encantamento". Com o avanço português pela costa da África, os nativos adotaram o termo, modificando-lhe a pronúncia para /fe.′ti.xu/; os franceses, que então conheceram o vocábulo, importaram-no com a forma de "fétiche", que foi reimportada no século XIX, com o sentido de "objeto ao qual se atribui um valor sobrenatural" ou "objeto ou parte do corpo em que certos indivíduos vão buscar excitação erótica".

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Bruxaria e Ciência na Modernidade Europeia

Imagem: mariag. · BY-NC-SA · Openverse

Estudos historiográficos recentes têm desafiado a visão iluminista que opõe ciência e superstição. Entre os séculos XV e XVII, a bruxaria não era vista apenas como uma crença popular marginal, mas como parte integrante da cultura intelectual europeia. Nesse período, bruxaria e demonologia eram discutidas em universidades, tratados e círculos eruditos, sendo usadas como explicações plausíveis para doenças súbitas, desastres naturais e comportamentos considerados anômalos. Mais do que superstição, a bruxaria era entendida como parte de um sistema de pensamento complexo, que envolvia agentes sobrenaturais, como demônios e espíritos malignos. Essas ideias estavam conectadas à filosofia natural e às tradições religiosas do período, refletindo uma forma predominante de interpretar o mundo. Assim, o estudo da bruxaria também fazia parte do esforço intelectual para compreender a natureza e os fenômenos da realidade.

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Tipos de Bruxaria

Imagem: jampa · BY-NC-ND · Openverse

A confusão entre bruxaria e magia levou muitos praticantes e leigos a criarem equivocadamente a dicotomia "bruxos brancos" e "bruxos negros", supondo que os que praticassem apenas o "bem" seriam bruxos brancos, e os que praticassem apenas o "mal" seriam bruxos negros. Porém, praticantes de bruxaria, em seu sentido mais lato, não se pautam pelos conceitos vulgares de bem e mal, considerando toda e qualquer magia como cinzenta (um misto da dualidade expressa metaforicamente de várias formas, e.g. luz e escuridão, positivo e negativo, "bem" e "mal"). A grande divisão que se pode fazer atualmente entre grandes grupos na bruxaria é entre a tradicional e a moderna. Mãe de diversas tradições de bruxaria modernas, a Wicca tradicional foi fundada por Gerald Gardner em meados do século XX, a partir do sincretismo entre a bruxaria tradicional inglesa e a alta magia ensinada na Ordem Hermética da Aurora Dourada. Diversos iniciados por Gardner deram origem a outras tradições, ainda assim consideradas wiccanas, motivo pelo qual passou a se chamar a bruxaria ensinada por Gardner de Wicca tradicional.

Bruxaria Moderna

Bruxaria moderna é considerada pela maioria das tradições de feitiçarias como um sinônimo para as surgidas embasadas ou a partir da fundada por Gerald B. Gardner, por vezes considerada sinônimo de Wicca, muito embora Raven Grimassi, referência mais conhecida da stregheria (bruxaria italiana), considere Charles Leland o pai da bruxaria moderna. É importante ressaltar que determinadas ramificações modernas (como a Wicca) não reconhecem o diabo ou outros elementos judaico-cristãos em suas práticas. Segundo a leitura do fundador da Wicca (uma vertente da bruxaria moderna), Gerald Gardner, em consonância com fontes de outras vertentes, muitas ramificações hodiernas da bruxaria praticam o culto à Deusa e/ou ao Deus em sistemas que variam de uma deidade única hermafrodita ou feminina à pluralidade de panteões antigos, mais notadamente os panteões celta, egípcio, assírio, greco-romano e normando (viquingue). Grande parte dos grupos de praticantes hodiernos considera, inclusive, que diversas deusas antigas são diferentes faces de uma única Deusa.

Stregheria

Tradição de bruxaria natural da região onde hoje é a Itália, tendo suas raízes nos cultos neolíticos a uma deusa-mãe naturais da região do Mediterrâneo e do Egeu e construída sobre mitos de diversos povos, dentre eles os micênicos e etruscos. A veneração da stregheria é centrada na Deusa Diana Nemorensis e, segundo sua tradição, a linhagem formal das streghe teve início com uma sacerdotisa da Deusa Diana chamada Arádia.

Tradição Alexandrina

Contemporâneo de Gerald Gardner, Alex Sanders fundou a Tradição Alexandrina, bastante similar à Wicca, porém pertencente a outra linha iniciática e mais liberal quanto à exigência de nudez ritual.

Tradição Diânica

Caracterizada pela supremacia do culto à Deusa, em relação ao culto ao Deus, a Tradição Diânica é considerada a linha feminista da bruxaria, sendo que alguns de seus grupos só admitem membros do sexo feminino.

Tradição Ibérica

Tradição de bruxaria que cultua antigos deuses da Península Ibérica, em especial da Lusitânia. A origem de tal linhagem se perde no tempo. Apesar de os registros mais antigos de linha iniciática da Tradição Ibérica datarem de fins do século XVIII, cogita-se que por motivos de perseguição religiosa não eram tomados registros antes do início do século XX, sendo provável que tal tradição tenha sido fundada pelas bruxas de aldeia da região onde hoje é Portugal em cima de práticas e conhecimentos da cultura celtibera, anteriores à conquista romana.

Tradição Escandinava

Forma de bruxaria reconstrucionista, voltada as práticas de magia e feitiçaria entre os povos Escandinavos pré-cristãos, como o Seiðr, Galdr e magia rúnica, bem como também os Galdrastafur, bastões mágicos islandeses. Normalmente praticantes dessa tradição estão ligados aos movimentos religiosos do neopaganismo germânico.

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Embruxamento

Imagem: icaroferracini · BY · Openverse

O estado de embruxamento significa estar sob a influência maléfica da ação de bruxas. E sob esta circunstância existem manifestações físicas que as caracterizariam. Desde a idade média, período em que as caças às bruxas foram levadas ao extremo, através das práticas inquisitoriais da Igreja Católica que os praticantes de "magia" foram considerados inimigos da igreja. Os atos de magia, foram considerados pelos tribunais da Inquisição como atos não divinos e por consequência do diabo. Nesse sentido, manifestações curativas e de louvor não reconhecidas pelo poder da igreja católica, eram considerados atos do demônio. Dentre os praticantes estavam pessoas com conhecimentos da natureza das plantas e suas propriedades curativas, alucinógenas e até contraceptivas. Nesse contexto as mulheres eram consideradas suas praticantes, uma vez que seus deveres de cuidar, envolviam lidar com doenças cuja cura era desconhecida e buscavam na natureza os remédios para tais moléstias.

Tipos de embruxamento

Os embruxamentos podem evolver todas as pessoas, entretanto os mais vulneráveis são as crianças que sofrem as consequências mais graves, que pode levar à morte. De forma geral o embruxamento infantil ocorre quando a criança tem idade entre seis ou sete anos.

Sintomas de embruxamento

Os sintomas mais comuns são emagrecimento, choro constante e manchas roxas no céu da boca. Estas manchas roxas são consideradas característica do embruxamento e são as marcas da ação de sugar o sangue da vítima.

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Perspectivas religiosas

Imagem: Um resgate coletivo da história · BY-NC · Openverse

Crenças do Oriente Próximo

De acordo com Tzvi Abusch, os estágios iniciais do desenvolvimento da bruxaria (ipšū ou kišpū) na Mesopotâmia foram "comparáveis ao estágio xamânico arcaico da bruxaria europeia". Neste estágio inicial, as bruxas não eram necessariamente consideradas más, mas assumiam formas (magia brancas ou negra) e podiam ajudar outras pessoas usando uma combinação de conhecimento mágico e médico. Eles geralmente viviam em áreas rurais e às vezes exibiam comportamento em estado de êxtase, que era mais comumente associado ao ašipu (exorcista), cuja função principal neste estágio de desenvolvimento era combater forças sobrenaturais não humanas. Bruxas (m. kaššāpu, f. kaššāptu, de kašāpu, do verbo "enfeitiçar") eventualmente passou a ser "considerado um praticante antissocial e ilegítima de magia destrutiva, (...) cujas atividades eram motivadas por malícia e más intenções e que era combatido pelo "ašipu", um exorcista ou sacerdote de encantamento" que eram predominantemente representantes masculinos da religião oficial do estado. Na época do Código de Hamurabi (cerca de 2.000 a.C.), o uso de magia para prejudicar outras pessoas sem justificativa estava sujeito a repercussões legais:

Religiões abraâmicas

A evolução histórica da bruxaria no Oriente Médio revela uma jornada multifásica influenciada pela cultura, espiritualidade e normas sociais. A bruxaria antiga no Oriente Próximo entrelaçava o misticismo com a natureza por meio de rituais e encantamentos alinhados com as crenças locais. No judaísmo antigo, a magia tinha uma relação complexa, com algumas formas aceitas devido ao misticismo enquanto outras eram consideradas heréticas. O Oriente Médio medieval experimentou mudanças nas percepções da bruxaria sob o domínio islâmico e influências cristãs, às vezes reverenciadas por cura e outras vezes condenadas como heresia. As atitudes judaicas em relação à bruxaria estavam enraizadas na sua associação com a idolatria e a necromancia e alguns rabinos até praticavam eles próprios certas formas de magia. As referências à bruxaria no Tanakh, ou Bíblia Hebraica, destacaram fortes condenações enraizadas na "abominação" da crença mágica. O Cristianismo condenou de forma semelhante a bruxaria, considerando-a uma abominação e até citando versículos específicos para justificar a caça às bruxas durante o início do período moderno.

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