Cabo Verde
Cabo Verde, oficialmente como República de Cabo Verde, é um país arquipelágico no Oceano Atlântico central, ao largo da costa da África Ocidental. É constituído por dez ilhas vulcânicas com uma área total de cerca de 4.033 quilómetros quadrados. Estas ilhas situam-se entre 600 e 850 quilómetros a oeste de Cabo Verde, o ponto mais ocidental de África continental, que lhes dá o nome. Cabo Verde faz parte da ecorregião da Macaronésia, juntamente com os Açores, as Ilhas Canárias, a Madeira e as Ilhas Selvagens.
O nome do país provém do vizinho Cabo Verde, na costa senegalesa, avistado por exploradores portugueses em 1444, alguns anos antes de as ilhas serem descobertas. Em 24 de outubro de 2013, foi anunciado nas Nações Unidas que o nome oficial não deveria mais ser traduzido para outras línguas. Em vez de traduções de "Cabo Verde" em diversas línguas, a designação em português está a ser usada para fins oficiais, como na Organização das Nações Unidas (ONU).
Colonização europeia
A história refere que a descoberta de Cabo Verde se deu no século XV, mais precisamente em 1460. A colonização portuguesa começou logo após a sua descoberta, sendo as primeiras ilhas a serem povoadas as de Santiago e Fogo. Para incentivar a colonização, a corte portuguesa estabeleceu uma carta de privilégios aos moradores de Santiago relativa ao comércio de pessoas escravizadas na Costa da Guiné. Na Ribeira Grande, na ilha de Santiago, estabeleceu-se a primeira feitoria, que serviu ponto de escala para os navios portugueses e para o tráfego e comércio de pessoas escravizadas, que começava a crescer por essa época. Mais tarde, com a abolição da escravatura, o país começou a dar sinais de fragilidade e entrou em decadência, revelando uma economia pobre e de subsistência.
Independência
As origens históricas nacionais da independência de Cabo Verde podem ser localizadas no final do século XIX e no início do século XX. Foi um processo gradual. Surgiu como uma tentativa de solução para as reivindicações da elite crioula de então, que protestava contra o desleixo e a negligência da metrópole portuguesa em relação ao que se passava em Cabo Verde. Com o processo de formação nacional, muito cedo a máquina administrativa foi sendo assegurada pelos nascidos em Cabo Verde, ou pelos que já tinham grande identificação com a colónia, com excepção aos cargos elevados como governadores, chefes militares etc., ainda reservados aos representantes da soberania de Portugal. Esta "autossuficiência" administrativa de Cabo Verde estava associada a uma escolarização relativamente desenvolvida e à existência de uma imprensa mais ou menos dinâmica introduzida por Portugal, que contribuíram para o surgimento de uma elite intelectual e burocrática. Esta começou, no século XX, a discutir cada vez mais a questão da independência, gerando um clima de atrito com os representantes da metrópole. Os leitores que acompanhavam a imprensa oficial entendiam que se devia lutar pela independência ou, pelo menos, por uma autonomia honrosa.
Pós-independência
A independência foi finalmente declarada na cidade de Praia a 5 de Julho de 1975, tendo o PAIGC (e o seu sucessor PAICV) estabelecido um sistema de partido único que governou as ilhas até 1990, quando as primeiras eleições multipartido foram realizadas, e o artigo que considerada o PAICV como a única força política foi removido da Constituição. Quando obteve a independência em 1975, o arquipélago de Cabo Verde herdou uma situação económica difícil, resultante de vários anos de seca e de vários séculos de estagnação económica sob o domínio colonial português. A agricultura do território só pode cobrir uma pequena parte das suas necessidades alimentares, menos de 10%. A balança comercial é profundamente deficitária, cerca de 93%, e os cofres do Estado estão vazios.
O arquipélago está localizado no Oceano Atlântico, a aproximadamente 570 quilómetros ao largo da costa ocidental do continente africano, perto do Senegal, da Gâmbia e da Mauritânia, e faz parte da ecorregião da Macaronésia. Situa-se entre as latitudes 14° e 18°N e as longitudes 22° e 26°W. O país é um aglomerado em forma de ferradura de dez ilhas (nove habitadas) e oito ilhéus, que constituem uma área de 4033 quilómetros quadrados. As ilhas estão divididas espacialmente em dois grupos: A maior ilha, tanto em tamanho como em população, é Santiago, que alberga a capital do país, Praia, a principal aglomeração urbana do arquipélago.
Geologia
Geologicamente, as ilhas são compostas principalmente por rochas ígneas, com estruturas vulcânicas e detritos piroclásticos que constituem a maior parte do volume total do arquipélago. As rochas vulcânicas e plutônicas são distintamente básicas; o arquipélago é uma província petrográfica sódio-alcalina, com uma sucessão petrológica semelhante à encontrada em outras ilhas da Macaronésia. As ilhas situam-se numa elevação batimétrica conhecida como Elevação de Cabo Verde, uma das maiores protuberâncias dos oceanos do mundo, elevando-se 2,2 quilómetros numa região semicircular de 1200 quilómetros quadrados, associado a uma elevação do geoide. Anomalias magnéticas identificadas nas proximidades do arquipélago indicam que as estruturas que formam as ilhas datam de 125 a 150 milhões de anos: as ilhas datam de 8 milhões (a oeste) a 20 milhões de anos (a leste).
Clima
O clima de Cabo Verde é mais ameno do que o do continente africano, porque o mar circundante modera as temperaturas e as correntes frias do Atlântico produzem uma atmosfera árida. Por outro lado, as ilhas não recebem a ressurgência (correntes frias) que afeta a costa da África Ocidental, pelo que a temperatura do ar é mais baixa do que no Senegal, mas a do mar é mais quente. Devido ao relevo de algumas ilhas, como Santiago, com as suas montanhas íngremes, as ilhas podem ter precipitação induzida pela orografia, permitindo o crescimento de bosques ricos e vegetação exuberante onde o ar húmido se condensa, encharcando as plantas, rochas, solo, troncos, musgo, etc. Nas ilhas mais altas e um pouco mais húmidas, o clima é adequado para o desenvolvimento de florestas secas de monção e florestas de louro. Cabo Verde situa-se na ecorregião das florestas secas das Ilhas de Cabo Verde. As temperaturas médias variam entre 22 °C (72 °F) em fevereiro até 27 °C (80,6 °F) em setembro. Cabo Verde faz parte da faixa semiárida do Sahel, com níveis de precipitação muito inferiores aos da África Ocidental vizinha. Chove irregularmente entre agosto e outubro, com aguaceiros fortes e frequentes, embora breves.
Biodiversidade
O isolamento de Cabo Verde resultou na presença de diversas espécies endêmicas nas ilhas, particularmente aves e répteis, muitas das quais ameaçadas pelo desenvolvimento humano. Entre as aves endêmicas, destacam-se o andorinhão-de-alexandria (Apus alexandri), a garça-de-bourne (Ardea purpurea bournei), a laverca-do-raso (Alauda razae), a toutinegra-de-cabo-verde (Acrocephalus brevipennis) e o pardal-de-cabo-verde (Passer iagoensis). As ilhas também são uma importante área de reprodução para aves marinhas, incluindo a cagarra-de-cabo-verde. A cobertura florestal corresponde a cerca de 11% da área total do país, o que equivale a 45.720 hectares (ha) de floresta em 2020, um aumento em relação aos 15.380 ha em 1990. Em 2020, a floresta em regeneração natural cobria 13.680 ha e a floresta plantada, 32.040 ha. Em 2015, 100% da área florestal era de propriedade pública.
Cabo Verde tinha uma população de 491.233 habitantes em 2021. Uma grande proporção (236.000) dos cabo-verdianos vive em Santiago. A trajetória histórica do país incluiu, desde o início, um processo de formação de classes sociais. Neste momento, pode-se observar a ausência de uma "burguesia", mas a existência de vários tipos de "pequena burguesia" é numericamente significativa. A maioria da população é, no entanto, constituída por camponeses e alguma classe trabalhadora.
Línguas
A língua oficial é o português. É a língua de instrução e do governo. Também é usada em jornais, televisão e rádio. O crioulo cabo-verdiano é usado coloquialmente e é a língua materna de praticamente todos os cabo-verdianos. A Constituição nacional prevê medidas para conferir ao crioulo paridade com o português. As diferenças entre as variantes linguísticas nas ilhas têm sido um grande obstáculo à padronização da língua. Alguns defendem o desenvolvimento de dois padrões: um padrão do norte (Barlavento), centrado no crioulo de São Vicente, e um padrão do sul (Sotavento), centrado no crioulo de Santiago. Manuel Veiga, linguista e ministro da cultura de Cabo Verde, é o principal defensor da oficialização e padronização do crioulo.
Religião
A grande maioria dos cabo-verdianos é cristã; refletindo séculos de domínio português, os católicos constituem a maior comunidade religiosa, com pouco menos de 80% da população em 2010 (ligeiramente inferior aos 85% em 2007). A maioria dos outros grupos religiosos é protestante, sendo a Igreja Evangélica do Nazareno a segunda maior comunidade; outras denominações significativas são a Igreja Adventista do Sétimo Dia, as Assembleias de Deus, a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O islamismo é a maior religião minoritária. O judaísmo teve presença histórica durante a era colonial. Os ateus constituem menos de 1% da população. Muitos cabo-verdianos sincretizam o cristianismo com crenças e costumes africanos indígenas.
Emigração e imigração
Quase o dobro de cabo-verdianos vive no estrangeiro (quase um milhão) em comparação com o próprio país. As ilhas têm uma longa história de emigração e os cabo-verdianos estão amplamente dispersos pelo mundo, de Macau ao Haiti e da Argentina à Suécia. A diáspora pode ser muito maior do que indicam as estatísticas oficiais, uma vez que, até à independência em 1975, os imigrantes cabo-verdianos possuíam passaportes portugueses. A maioria vive nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, sendo que os primeiros albergam a maior população no estrangeiro, com 500 mil pessoas. A maioria nos EUA está concentrada na Nova Inglaterra, particularmente em Boston, New Bedford e Providence; Brockton, Massachusetts, tem a maior comunidade de qualquer cidade americana (18.832).
Crime
Roubos e furtos são comuns, especialmente em ambientes movimentados como mercados, festivais e celebrações. Muitas vezes, os autores desses crimes são gangues de crianças de rua. Os assassinatos se concentram nos principais centros populacionais de Praia e Mindelo.
Cabo Verde é uma república semipresidencialista, no quadro de uma democracia representativa. Trata-se de uma das nações mais democráticas do mundo, ocupando o 26.º do mundo, de acordo com o Índice de Democracia de 2012. A constituição nacional — adoptada em 1980 e revista em 1992, 1995 e 1999 — define os princípios básicos de funcionamento do governo. O presidente é o chefe de estado e é eleito por voto popular para um mandato de 5 anos. O primeiro-ministro é o chefe de governo e propõe outros ministros e secretários de estado. O primeiro-ministro nomeado pelo presidente e sujeito a aprovação da Assembleia Nacional, cujos membros são eleitos por voto popular para mandatos de cinco anos. Existem três partidos que têm assento na Assembleia Nacional: Movimento para a Democracia (38), Partido Africano da Independência de Cabo Verde (30) e União Caboverdiana Independente e Democrática (4). O sistema judicial é composto por um juiz do Supremo Tribunal de Justiça (cujos membros são nomeados pelo Presidente da República, pela Assembleia Nacional e pelo Conselho da Magistratura), além dos tribunais regionais. Há tribunais separados para julgar casos civis, constitucionais e penais.
Relações internacionais
Cabo Verde segue uma política de não alinhamento e mantém relações de cooperação com todos os Estados. Angola, Brasil, China, Cuba, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Senegal, Rússia, Luxemburgo e Estados Unidos mantêm embaixadas na Praia. O país está activamente interessado nos assuntos externos, especialmente em África. O governo cabo-verdiano mantém relações bilaterais com alguns países lusófonos e mantém uma participação em diversas organizações internacionais, incluindo a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que Cabo Verde presidiu no biênio 2019–2020. Cabo Verde é a sede mundial do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, vinculado à CPLP. Também participa em conferências internacionais sobre questões políticas e económicas.
Militares
As forças armadas de Cabo Verde são compostas pela Guarda Nacional e pela Guarda Costeira; em 2005, 0,7% do PIB do país foi gasto com as forças armadas. Tendo lutado suas únicas batalhas na guerra de independência contra Portugal, entre 1974 e 1975, os esforços das forças armadas cabo-verdianas voltaram-se para o combate ao narcotráfico internacional. Em 2007, em conjunto com a Polícia Cabo-Verdiana, realizaram a Operacão Lancha Voadora para pôr fim a um grupo de tráfico de drogas que contrabandeava cocaína da Colômbia para os Países Baixos e a Alemanha, usando o país como ponto de reabastecimento. A operação durou mais de três anos, sendo secreta durante os dois primeiros anos, e terminou em 2010. Em 2016, as forças armadas estiveram envolvidas no massacre de Monte Tchota, um incidente entre militares que resultou em 11 mortes.
A capital de Cabo Verde é a cidade da Praia na Ilha de Santiago que, juntamente com o Mindelo, na Ilha de São Vicente, são as duas cidades principais do País. Até 2005, Cabo Verde contava com dezessete concelhos. No primeiro semestre de 2005, foi aprovada pela Assembleia Nacional cabo-verdiana a constituição de cinco novos concelhos, resultando nos actuais 22 concelhos, distribuídos pelas 9 ilhas habitadas do arquipélago:
Cabo Verde é um estado arquipélago com uma economia subdesenvolvida e que sofre com uma carência de alternativa de recursos e com o crescimento populacional. Os principais meios económicos são a agricultura, a riqueza marinha do arquipélago, a prestação de serviços (que corresponde a 80% do produto interno bruto) e, mais recentemente, o turismo (que tem ganhado crescente relevância). As principais ilhas turísticas são a Ilha do Sal e a Ilha da Boa Vista. A agricultura sofre com os constantes períodos de seca e carece de uma melhor infraestrutura e modernização das técnicas agrícolas; os investimentos que atenderiam a essa necessidade adviriam de uma melhor educação dos cultivadores e da organização de um mercado de consumo dos produtos. A economia cabo-verdiana desenvolveu-se significativamente desde o final da década de 2000. Nos dias atuais, essa transformação é sustentada por um vasto programa de infraestrutura por parte do governo em domínios vitais como os transportes terrestres, os transportes marítimos, os transportes aéreos e as comunicações, entre outros.
Turismo
A localização estratégica de Cabo Verde na encruzilhada das rotas aéreas e marítimas do Atlântico Central foi reforçada por melhorias significativas no porto de Mindelo ( Porto Grande ) e nos aeroportos internacionais de Sal e Praia. O Aeroporto Internacional Aristides Pereira foi inaugurado em 2007 e o Aeroporto Cesária Évora em 2009. As instalações de reparação naval em Mindelo foram inauguradas em 1983. Os principais portos são Mindelo e Praia, mas todas as outras ilhas possuem instalações portuárias menores. Além do aeroporto internacional em Sal, aeroportos foram construídos em todas as ilhas habitadas. Todos os aeroportos, com exceção dos de Brava e Santo Antão, contam com voos regulares. O arquipélago possui 3 050 km (1 895 mi) de estradas, das quais 1.010 quilómetros são pavimentadas, a maioria usando paralelepípedos.
Saúde
A taxa de mortalidade infantil entre crianças de 0 a 5 anos é de 15 por mil nascidos vivos, de acordo com os dados mais recentes (2017) do Instituto Nacional de Estatística, enquanto a taxa de mortalidade materna é de 42 mortes por 100 mil nascidos vivos. A taxa de prevalência de VIH/SIDA entre cabo-verdianos de 15 a 49 anos é de 0,8%. Segundo os dados mais recentes (2017) do Instituto Nacional de Estatística, a esperança de vida ao nascer é de 76,2 anos; ou seja, 72,2 anos para homens e 80,2 anos para mulheres. Existem seis hospitais: dois hospitais centrais (Praia e Mindelo) e quatro hospitais regionais (em Santa Catarina, São Antão, Fogo e Sal). Além disso, existem 28 centros de saúde, 35 centros de saneamento e diversas clínicas privadas.
Educação
Cabo Verde possui um dos melhores sistemas educacionais da África, classificado em 8º lugar pelo Fórum Mundial de Educação em 2023. Embora o sistema educacional seja semelhante ao português, ao longo dos anos as universidades locais têm adotado cada vez mais o sistema educacional americano; por exemplo, todas as dez universidades existentes oferecem cursos de bacharelado de quatro anos, em oposição aos cursos de bacharelado de cinco anos que existiam antes de 2010. O ensino fundamental é obrigatório e gratuito para crianças entre 6 e 14 anos de idade. Em 2011, a taxa líquida de matrícula no ensino fundamental era de 85%. Aproximadamente 91% da população total com mais de 15 anos é alfabetizada, e cerca de 25% da população possui diploma universitário; um número significativo desses graduados universitários possui doutorado em diferentes áreas acadêmicas. Livros didáticos foram disponibilizados para 90% dos alunos, e 98% dos professores participaram de treinamentos continuados. Embora a maioria das crianças tenha acesso à educação, alguns problemas persistem. Por exemplo, há gastos insuficientes com material escolar, merenda e livros.
Ciência e tecnologia
Em 2011, Cabo Verde destinou apenas 0,07% do seu PIB à investigação e desenvolvimento, uma das taxas mais baixas da África Ocidental. O Ministério do Ensino Superior, da Ciência e da Cultura planeia reforçar os setores da investigação e do ensino superior, dando ênfase a uma maior mobilidade, através de programas de intercâmbio e acordos de cooperação internacional. Como parte desta estratégia, Cabo Verde participa no programa de mobilidade académica ibero-americana, que prevê mobilizar 200 mil académicos entre 2015 e 2020. Cabo Verde ficou classificado em 95.º lugar no Índice Global de Inovação em 2025. Cabo Verde contava com 25 investigadores em 2011, uma densidade de 51 investigadores por milhão de habitantes. A média mundial era de 1.083 por milhão em 2013. Todos os 25 investigadores trabalhavam no setor público em 2011 e um em cada três eram mulheres (36%). Não havia investigação em curso nas áreas das ciências médicas ou agrícolas. Dos oito engenheiros envolvidos em investigação e desenvolvimento, um era mulher. Três dos cinco investigadores que trabalhavam nas ciências naturais eram mulheres, assim como três dos seis cientistas sociais e dois dos cinco investigadores das ciências humanas.
Transportes
A maioria dos transportes em Cabo Verde é feito de avião. Existem voos regulares entre as principais ilhas (Santiago, Sal e São Vicente), com voos menos frequentes para as outras ilhas. O transporte de barcos também está disponível, embora não seja amplamente utilizado. Nas principais cidades, o transporte público por autocarro é periódico e táxis são comuns. Os principais aeroportos do país são o Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na Ilha do Sal; o Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na Ilha de Santiago; o Aeroporto Internacional Aristides Pereira, na Ilha da Boa Vista; e o Aeroporto de São Pedro, na Ilha de São Vicente. A maioria das estradas cabo-verdianas são pavimentadas e cortadas através do basalto local. Com ajuda internacional, muitas estradas foram asfaltadas, como a rodovia entre Praia-Tarrafal e Praia-Cidade Velha.
A cultura de Cabo Verde caracteriza-se por uma mistura de elementos africanos e europeus; enquanto a língua e a religião são de origem europeia, vários outros aspetos, como a dança e a música, constituem uma fusão única do património cultural dos dois continentes. Jogos de futebol e atividades religiosas são fontes típicas de interação social e entretenimento. O passeio tradicional pela praça da cidade encontrar-se com amigos é uma prática comum nas cidades cabo-verdianas.
Música
O povo cabo-verdiano é conhecido pela sua musicalidade, bem expressa por manifestações populares como o Carnaval de Mindelo. A música cabo-verdiana incorpora influências africanas, portuguesas e brasileiras. A música nacional é a morna, uma forma de canção melancólica e lírica tipicamente cantada em crioulo cabo-verdiano. O género musical mais popular depois da morna é a coladeira, seguido pelo funaná e pelo batuque. Cesária Évora foi a cantora cabo-verdiana mais conhecida no mundo, conhecida como a "diva descalça", porque gostava de atuar descalça no palco. Era também chamada de "Rainha da Morna" em contraste com o seu tio Bana, que era chamado de "Rei da Morna". A experiência da diáspora cabo-verdiana reflete-se em muitas expressões artísticas e culturais, como a canção Sodade de Évora.
Literatura
A literatura cabo-verdiana é uma das mais ricas da África Lusófona. Os poetas incluem Paulino Vieira, Manuel de Novas, Sergio Frusoni, Eugénio Tavares, e B. Léza, e os autores incluem Baltasar Lopes da Silva, António Aurélio Gonçalves, Manuel Lopes, Orlanda Amarílis, Henrique Teixeira de Sousa, Arménio Vieira, Germano Almeida, entre outros. O primeiro romance escrito por uma mulher de Cabo Verde foi A Louca de Serrano, de Dina Salústio; sua tradução, como The Madwoman of Serrano, foi a primeira tradução de um romance cabo-verdiano para o inglês.
Mídia
Nas cidades com eletricidade, a televisão está disponível em quatro canais; um estatal ( RTC – TCV) e três estrangeiros: RTI Cabo Verde, lançado pela RTI, com sede em Portugal, em 2005; Record Cabo Verde, lançado pela Rede Record, com sede no Brasil, em 31 de março de 2007; e, desde 2016, TV CPLP. Os canais premium disponíveis incluem as versões cabo-verdianas da Boom TV e da Zap Cabo Verde, dois canais pertencentes à Record do Brasil.
Cinema
O carnaval e a ilha de São Vicente são retratados no documentário de 2015 Tchindas, nomeado no 12º Prémio da Academia de Cinema Africana. Foi o local de filmagem do filme francês de 2023 Ama Gloria, de Marie Amachoukeli.
Culinária
A dieta de Cabo Verde é principalmente baseada em peixes e alimentos básicos como o milho e o arroz. Os vegetais disponíveis durante a maior parte do ano são batatas, cebolas, tomates, mandioca, repolho, couves e feijões secos. Frutas como bananas e papaias estão disponíveis durante todo o ano, enquanto outras, como mangas e abacates, são sazonais. Um prato popular servido em Cabo Verde é a cachupa, um cozido de milho, feijão e peixe ou carne. Um aperitivo comum é o pastel, geralmente recheado com carne ou peixe.
Desportos
A equipe de futebol nacional de Cabo Verde, apelidada de "Tubarões Azuis" ou "Crioulos", é a Seleção Cabo-Verdiana de Futebol e é controlada pela Federação Cabo-Verdiana de Futebol. A equipe jogou no Campeonato Africano das Nações em 2013, 2015, 2021 e 2023. A Seleção Cabo-Verdiana de Futebol se classificou à Copa do Mundo FIFA de 2026, na fase de 32 avos de final, Cabo Verde enfrentou a Seleção Argentina de Futebol e perdeu por 3 a 2 após a prorrogação. Em uma partida amplamente elogiada pelo equilíbrio e pela competitividade, a equipe cabo-verdiana conseguiu igualar o placar em duas oportunidades, levando a atual campeã mundial ao tempo extra. O gol que definiu a classificação argentina ocorreu aos 111 minutos, em um gol contra após cobrança de escanteio. Apesar da eliminação, a campanha de Cabo Verde foi considerada histórica. Em sua primeira participação em uma Copa do Mundo, a seleção alcançou a fase eliminatória e tornou-se o menor país, em extensão territorial, a disputar e superar a fase de grupos do torneio, recebendo reconhecimento internacional pelo desempenho apresentado ao longo da competição.


