Câncer de próstata
O câncer de próstata é uma neoplasia que se desenvolve na próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino. Embora a maioria dos casos seja de crescimento lento, alguns podem progredir rapidamente. As células cancerosas podem se espalhar para outras partes do corpo, como ossos e linfonodos. Inicialmente, a doença pode ser assintomática, mas em estágios avançados pode causar dificuldades urinárias, sangue na urina ou dor na pelve, costas ou ao urinar. Os sintomas iniciais são semelhantes aos da hiperplasia benigna da próstata, e sintomas tardios incluem cansaço devido à anemia e disfunção erétil.
Pontos-chave
- É uma neoplasia que se desenvolve na próstata, glândula do sistema reprodutor masculino.
- A maioria dos cânceres de próstata tem crescimento lento, mas alguns são agressivos e podem se espalhar para ossos e linfonodos.
- Pode ser assintomático no início, mas em estágios avançados causa problemas urinários, dor e disfunção erétil.
- Sintomas iniciais são similares aos da hiperplasia benigna da próstata, dificultando o diagnóstico precoce.
- O diagnóstico envolve biópsia, marcadores tumorais e estadiamento para determinar a extensão da doença.
O câncer de próstata em estágio inicial geralmente não apresenta sintomas e é frequentemente detectado por um exame de PSA elevado. No entanto, pode manifestar sintomas semelhantes aos da hiperplasia prostática benigna, como aumento da frequência urinária (especialmente à noite), dificuldade em iniciar ou manter o fluxo urinário, sangue na urina e dor ao urinar. Problemas na função sexual, como dificuldade de ereção ou ejaculação dolorosa, também podem ocorrer. Em estágios avançados, quando a doença se espalha, a dor óssea (vértebras, pelve, costelas) é comum. Se o câncer atingir a coluna, pode comprimir a medula espinhal, causando fraqueza nas pernas e incontinência urinária e fecal.
A próstata é um órgão do sistema reprodutor masculino, localizado na pelve, abaixo da bexiga e à frente do reto, com cerca de 3 cm e 20 gramas em adultos. Ela envolve parte da uretra e produz cerca de 20% do fluido seminal. Devido à sua localização, doenças da próstata frequentemente afetam o controle urinário, ejaculação e, raramente, a defecação. No câncer de próstata, as células glandulares sofrem mutações e se tornam cancerosas. O funcionamento da próstata e o crescimento das células cancerosas dependem de hormônios masculinos, os andrógenos, como a testosterona (produzida nos testículos), desidroepiandrosterona (nas suprarrenais) e di-hidrotestosterona (convertida da testosterona na próstata).
O diagnóstico do câncer de próstata envolve uma série de procedimentos para confirmar a presença da doença e determinar sua extensão, o que é crucial para definir o prognóstico e o plano de tratamento adequado.
Biópsia da Próstata
Quando há suspeita de câncer, uma biópsia da próstata é realizada para obter amostras de tecido. O procedimento pode ser feito por via transretal (através do reto) ou transperineal (pela pele, evitando o intestino). Agulhas especiais são inseridas e removidas rapidamente para coletar as amostras. A biópsia transperineal é atualmente mais recomendada para evitar infecções e sangramentos associados à via transretal, que, em um estudo brasileiro, apresentou uma taxa de infecções graves de 4,5%.
Marcadores Tumorais
As amostras de tecido coletadas na biópsia podem ser coradas e analisadas para a presença de Antígeno Prostático Específico (PSA) ou outros marcadores tumorais. Essa análise ajuda a identificar a origem de células malignas que possam ter se espalhado para outras partes do corpo (metástase).
Estadiamento da Doença
O estadiamento é fundamental para determinar o quão longe o câncer se espalhou, auxiliando na definição do prognóstico e na escolha do tratamento. O sistema mais comum é o TNM (Tumor/linfoNodos/Metástases), que avalia o tamanho do tumor, o envolvimento dos linfonodos e a presença de metástases. Cânceres T1 e T2 estão confinados à próstata, enquanto T3 e T4 já se espalharam. Testes como tomografia computadorizada (para pelve), cintilografia óssea (para ossos) e ressonância magnética (para cápsula prostática e vesículas seminais) são usados para detectar a dispersão. Metástases ósseas no câncer de próstata geralmente causam aumento da densidade óssea (aparência osteoblástica).
Rastreamento ou Detecção Precoce
A detecção precoce do câncer de próstata é feita principalmente pelo exame de PSA e pelo exame digital da próstata (toque retal). Recomendações recentes de sociedades especializadas indicam que homens entre 55 e 69 anos são os que mais se beneficiam do rastreamento periódico. No entanto, existe o risco de diagnosticar tumores de baixo risco que nunca progrediriam, levando a tratamentos desnecessários e suas complicações. É essencial que o paciente discuta os riscos e benefícios com seu urologista para tomar uma decisão informada.
Imagem: Rodrigo_Soldon · BY-ND · Openverse
O tratamento do câncer de próstata é individualizado e depende do estágio da neoplasia, sendo dividido em abordagens para tumores localizados e metastáticos. Para tumores localizados, as opções incluem cirurgia ou radioterapia. Em casos de tumores metastáticos, o bloqueio hormonal da testosterona é um tratamento adicional crucial para inibir o crescimento tumoral, com diversas drogas disponíveis que variam em eficácia e efeitos colaterais.
Cirurgia (Prostatectomia)
A remoção cirúrgica da próstata, ou prostatectomia, é um tratamento comum para cânceres em estágio inicial ou que não responderam à radioterapia. A prostatectomia retropúbica radical (incisão abdominal) e a perineal radical (incisão no períneo) são as técnicas tradicionais. A cirurgia laparoscópica, com ou sem assistência robótica, é uma alternativa minimamente invasiva, preferida para pacientes obesos. Embora a cirurgia robótica seja mais demorada que a aberta, ela oferece vantagens em certos casos.
Radioterapia e Suas Modalidades
A radioterapia é um tratamento curativo para a doença localizada ou localmente avançada. Estudos comparando radioterapia e cirurgia são limitados, mas um deles (Paulson, Lin et al., 1982) indicou que a cirurgia pode prevenir mais a disseminação do tumor. A radioterapia também é utilizada para aliviar a dor óssea causada por metástases.
Observação e Seguimento Ativo
A 'observação' (watchful waiting), que consiste em acompanhar o paciente e tratar paliativamente apenas quando surgem sintomas, mostrou resultados inferiores à cirurgia radical, com menor sobrevida e maior chance de metástases. O 'seguimento ativo' (active surveillance) é uma modalidade mais rigorosa, com exames periódicos e novas biópsias, para pacientes com tumores de baixo risco. O tratamento (cirurgia ou radioterapia) é indicado apenas se o câncer progredir, visando evitar os riscos e complicações (como incontinência e disfunção sexual) de tratamentos desnecessários. Atualmente, devido à dificuldade em prever a progressão, o seguimento ativo é restrito a pacientes com tumores pouco agressivos ou com expectativa de vida inferior a 10-15 anos, considerando idade e comorbidades.
Terapia Hormonal
A terapia hormonal utiliza medicamentos ou cirurgia para impedir que as células cancerosas da próstata recebam di-hidrotestosterona (DHT), um hormônio essencial para o crescimento da maioria desses tumores. O bloqueio do DHT geralmente interrompe o crescimento e pode até diminuir o tumor. No entanto, raramente cura o câncer, pois as células podem desenvolver resistência após um ou dois anos. A terapia hormonal é usada principalmente quando o câncer já se espalhou ou como tratamento adjuvante após radioterapia ou cirurgia para prevenir a recorrência.
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O rastreamento do câncer de próstata busca identificar tumores em homens assintomáticos, geralmente através do exame digital da próstata (toque retal) e da dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA) no sangue. No entanto, o rastreamento é controverso, pois pode levar a procedimentos invasivos desnecessários, como biópsias, e a tratamentos de tumores que nunca causariam problemas. Estudos não demonstraram que os testes de rotina (PSA e toque retal) reduzem a mortalidade. Organizações como o USPSTF e o CDC não recomendam o teste de PSA para rastreamento em homens saudáveis, devido aos potenciais danos superarem os benefícios. A American Society of Clinical Oncology e o American College of Physicians desaconselham o rastreamento para homens com expectativa de vida inferior a 10-15 anos. Para aqueles com maior expectativa, a decisão deve ser compartilhada com o médico, considerando riscos e benefícios. A American Urological Association (AUA) recomenda a decisão compartilhada para homens entre 55 e 69 anos, e que o rastreamento, se realizado, não ocorra com frequência maior que a cada dois anos.
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As taxas de câncer de próstata e o prognóstico são piores em países desenvolvidos, onde fatores de risco como maior expectativa de vida e dietas ricas em carne vermelha e laticínios são mais prevalentes. Além disso, o maior acesso a programas de rastreamento nesses países resulta em uma maior taxa de detecção. O câncer de próstata é o nono câncer mais comum globalmente, mas é o câncer mais frequente (excluindo os de pele) em homens nos Estados Unidos. Em 2005, afetou 18% dos homens norte-americanos e causou a morte de 3%. Em contraste, no Japão nos anos 90, as mortes por câncer de próstata eram 20% a 50% das taxas dos EUA e Europa. Na Índia, na mesma década, metade dos homens com câncer restrito à próstata morria em 10 anos. Homens negros têm uma incidência 50-60 vezes maior e mais mortes por câncer de próstata do que homens em Xangai, China. Na Nigéria, 2% dos homens desenvolvem a doença, e 64% deles morrem em dois anos.
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A próstata foi descrita por Niccolò Massa em 1536 e ilustrada por Andreas Vesalius em 1538, mas o câncer de próstata só foi identificado em 1853. Inicialmente considerado raro, provavelmente devido à baixa expectativa de vida e métodos de detecção rudimentares do século XIX. Os primeiros tratamentos visavam aliviar a obstrução urinária. A primeira prostatectomia radical perineal (remoção de toda a glândula) foi realizada em 1904 por Hugh H. Young. A orquiectomia (remoção cirúrgica dos testículos) para tratar o câncer de próstata foi tentada na década de 1890 com sucesso limitado. No meio do século XX, a ressecção transuretral da próstata (RTU) substituiu a prostatectomia radical para alívio sintomático, pois preservava melhor a função erétil. A prostatectomia radical retropúbica, desenvolvida por Patrick Walsh em 1983, permitiu a remoção dos gânglios linfáticos e da próstata, mantendo a função peniana.


