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Cápsula do tempo

Uma cápsula do tempo é um recipiente especialmente preparado para armazenar objetos ou informações comuns a uma sociedade numa determinada época, para que seu conteúdo seja preservado e acessado por gerações futuras.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/10/2026
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Origens

As sociedades antigas de todos os continentes já tinham o hábito de armazenar e enterrar artefatos por causas diversas, seja por ofertas votivas em locais sagrados ou não sagrados, como os antigos gregos e romanos; seja para santificar fundações de edifícios ou tumbas das sociedades da Mesopotâmia. Na Idade Média, ritos de consagração de igrejas católicas utilizavam práticas similares nas suas pedras fundamentais. Após a Revolução Americana de 1776, que resultou na Independência dos Estados Unidos da América, os americanos buscavam símbolos de identidade nacional. Uma das práticas adotadas era realizar uma cerimônia de lançamento da pedra fundamental de algum prédio ou monumento. Parte desse ato consistia em depositar objetos e documentos simbólicos no local, geralmente com a presença de oficiais da Maçonaria. Entretanto, esses recipientes não tinham, aparentemente, a intenção de serem reabertos, visto que isto degradaria as bases da construção onde foram depositados. Segundo o historiador e estudioso sobre cápsulas do tempo William Jarvis, estes recipientes configurariam mais corretamente "depósitos de fundação".

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Cápsulas intencionais e não intencionais

Cápsulas do tempo podem ser classificadas em dois tipos: intencionais e não intencionais. Cápsulas do tempo intencionais são aquelas colocadas de propósito e são normalmente destinadas a serem abertas ou acessadas em uma determinada data futura. Já as cápsulas do tempo não intencionais são geralmente de natureza arqueológica (como ocorrido em Pompeia, quando a erupção do vulcão Vesúvio provocou uma intensa chuva de cinzas que sepultou toda a cidade e a tornou oculta por 1600 anos). Achados de grande importância cultural são frequentemente encontrados em escavações arqueológicas no mundo todo.

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Exemplos notórios

As cápsulas do tempo de Westinghouse é uma das cápsulas do tempo mais conhecidas. Ela foi, inicialmente, batizada de bomba-relógio, e construída durante a Feira Mundial de Nova Iorque de 1939-1940 pela empresa do setor elétrico Westinghouse, como parte de sua exposição. O artefato possui 2,30 metros de comprimento, com um diâmetro de 22 centímetros e peso de 363 quilos. A Westinghouse nomeou a cápsula de "Cupaloy" e a fabricou com uma liga de cobre e prata, alegando que o material tinha poder semelhante ao do aço leve, com alta resistência. Uma segunda cápsula foi instalada em 1965. Tais cápsulas foram concebidas para resistir até o ano 6965. Seu interior contém produtos de uso diário como um carretel de linha e uma boneca, um livro que descrevia a cápsula e os engenheiros responsáveis por sua criação, um frasco de sementes de culturas de alimentos básicos, um microscópio e um microfilme com instruções para uma possível reprodução futura do material gravado.

Cápsulas espaciais

Há várias cápsulas do tempo "enterradas" no espaço. As sondas espaciais do Programa Voyager, por exemplo, carregam um disco com informações sobre o planeta Terra e visam deixar o sistema solar na direção de outros sistemas. Existem outras mensagens gravadas em discos de ouro no interior das sondas Pioneer 10 e Pioneer 11, conhecida como placas Pioner. O satélite KEO foi projetado em 2003 com a missão de lançar uma cápsula do tempo espacial contendo mensagens pessoais de pessoas comuns do mundo inteiro, devendo retornar ao planeta dentro de aproximadamente 50 000 anos, quando a sonda cairá na atmosfera.Entretanto, o projeto não possui uma confirmação de lançamento até, pelo menos, o ano de 2022.

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Críticas

De acordo com o historiador e estudioso de cápsulas do tempo William Jarvis, a maioria das cápsulas intencionais geralmente não oferece muita informação histórica útil, fornecendo poucas informações sobre as pessoas da época em que foram construídas. Em contraste, as ruínas de Pompeia, exemplo de cápsula do tempo não intencional, contêm uma grande quantidade de objetos do cotidiano, como pinturas em paredes, comida nas lareiras e os restos mortais de indivíduos presos em cinzas vulcânicas, o que fornece muitas informações sobre o cotidiano daquelas pessoas. Muitas das modernas cápsulas do tempo contêm apenas artefatos de valor limitado para futuros historiadores. Jarvis sugeriu que os objetos descrevessem a vida das pessoas que criaram as cápsulas, como notas pessoais, desenhos e documentos, o que aumentaria muito o valor das cápsulas do tempo para o historiador futuro. Outra observação feita por Jarvis refere-se aos problemas relacionados com a seleção dos recipientes que transmitirão as informações para o futuro. Alguns destes problemas incluem a obsolescência da tecnologia e da deterioração dos meios de armazenamento eletromagnéticos.

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Fontes consultadas

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