Jorge da Costa
Jorge da Costa, mais conhecido como Cardeal de Alpedrinha, foi um cardeal português, arcebispo de Braga e de Lisboa.
Família
Dom Jorge da Costa nasceu Jorge Martins em 1406, na Vila beiroa de Alpedrinha, um dos quinze filhos e filhas de Martim Vaz, almocreve e caseiro duma quinta chamada da Costa, em Alpedrinha, Fundão, da qual depois D. Jorge tomou o nome, seguido por toda a sua família. Segundo Damião de Góis, os pais eram «gente mui baixa, popular e pobre». Mas não era, como se diz, filho de Catarina Gonçalves, forneira, a documentada mãe de seus meios-irmãos. Não tanto por esta Catarina Gonçalves ainda estar viva em 1492, porque podia ter a longevidade do filho, mas por se documentar mãe de Catarina da Costa a qual casou apenas em 1468, pelo que Catarina Gonçalves foi apenas madrasta do Cardeal de Alpedrinha e mãe de seus meios-irmãos, substancialmente mais novos do que ele. Entre eles contam-se Jorge Vaz, depois também D. Jorge da Costa quando foi Arcebispo de Braga (1486–1501), Martim Vaz (c. 1434 – 28 de Novembro de 1521), depois D. Martinho da Costa quando foi Arcebispo de Lisboa (1500–1521), a sobredita Catarina da Costa, que em 1468 casou com Pedro de Albuquerque, irmão do 1.º Conde de Penamacor, sendo que a 28 de Março de 1468 D. Afonso V confirmou o contrato de casamento e de dote e arras celebrado entre Pedro de Albuquerque, Fidalgo da sua Casa, filho de João de Albuquerque, com Catarina da Costa, irmã de D. Jorge, Arcebispo de Lisboa, do seu Conselho, Isabel da Costa, que casou com D. João de Sottomayor, filho do 1.º Conde de Caminha, Luísa (Vaz) da Costa, que casou com D. Cristóvão de Cárdenas, Isabel (Vaz) da Costa, primeira mulher do Galego Pedro Álvares Marinho de Valadares, sem geração, e Margarida Vaz, nascida cerca de 1450 a 1455 (portanto 44 anos a 49 anos mais nova do que seu meio-irmão), que casou cerca de 1480 com Lopo Álvares (Feio), com geração.
Estudos
Ainda muito novo fugiu de casa de seus pais e foi guardar porcos para Santarém, e depois servir um estudante de Lisboa, onde então estava a Universidade. Em Lisboa estudou Latim, Filosofia e Teologia no Hospício de Santo Elói e cedo se revelou a sua grande inteligência. Em pouco tempo já dava explicações de Latim a estudantes pobres, conseguindo assim algumas receitas que lhe permitiram prosseguir os estudos. Quando os Cónegos de Santo Agostinho tomaram posse do Hospício de Santo Elói, onde ele estava, deram-lhe uma capelania no próprio mosteiro, então aí fundado. Dotado de invulgares qualidades, a sua fama de Latinista levou D. Afonso V, junto do qual veio a ter o maior valimento e a ser também Conselheiro e Confessor, a chamá-lo em 1445 para Mestre-Capelão de sua irmã a Infanta D. Catarina, por indicação do seu Reitor. Foi, também, Diplomata e estudou em Paris.
Carreira eclesiástica
Foi prelado em várias dioceses: 39.º Bispo de Évora (1463–1464), 8.º Arcebispo de Lisboa (1464–1501) e 35.º Arcebispo de Braga (1501–1508), administrador das arquidioceses a partir de Roma. Foi feito Cardeal pelo Papa Sisto IV, em 18 de dezembro de 1476, com o título dos Santos Marcelino e Pedro. Seu irmão D. Martinho da Costa, falecido em Gibraltar, foi também 9.º Arcebispo de Lisboa, e seu irmão D. Jorge Vaz da Costa foi também 34.º Arcebispo de Braga. Por se haver inimistado com o filho e sucessor daquele, o rei D. João II, exilou-se em Roma a partir de 1483, onde acabou por passar o resto da sua vida, governando a partir da Cúria Romana as arquidioceses. Aí obteve o governo sucessivo de várias dioceses suburbicárias de Roma: Albano, Frascati e Porto-Santa Rufina, onde o seu prestígio e poder foi crescendo, não sendo Papa porque recusou.


