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Lineu

Carlo Lineu, geralmente conhecido como Lineu foi um botânico, zoólogo e médico sueco, responsável por popularizar a nomenclatura binomial criada pelo naturalista Gaspard Bauhin e a classificação científica, sendo assim considerado o "pai da taxonomia moderna".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Biografia

Primeiros estudos

Lineu era o mais velho de cinco irmãos (três mulheres e um rapaz, Samuel) e o seu pai, Nils Linné, era o vigário de Stenbrohult, em Kronoberg. Quando criança, Lineu foi destinado à carreira eclesiástica, tal como seu pai e seu avô materno, mas ele tinha muito pouco entusiasmo pela profissão. Nils passou, no entanto, o seu interesse em plantas para o filho. Mantinha um enorme jardim ao redor de sua casa onde cultivava inúmeras espécies de plantas, pois havia estudado História Natural na Universidade de Lund. E neste ambiente cresceu Lineu, que demonstrava interesse pelas plantas desde os quatro anos de idade e aos oito já ajudava seu pai na manutenção do jardim.

Viagens na Europa

Depois disso, Lineu se mudou para os Países Baixos, em 1735, de modo a obter a qualificação necessária para a obtenção do grau de doutor. Devido à influência cultural deste país sobre a Suécia da época, desde meados do século XVII que era usual a ida de suecos para os Países Baixos com o propósito de obter doutoramentos. Após apenas alguns dias na pequena Universidade de Harderwijk, Lineu obteve o grau de doutor em medicina, com um trabalho sobre a malária (Hypothesis nova febrium intermittentium). Conheceu Jan Frederick Gronovius e mostrou-lhe o rascunho de seu trabalho sobre Taxonomia, o "Systema Naturae". Johan Frederick Gronovius o ajudou financeiramente a publicar o "Systema Nature", trabalho de apenas 12 páginas no qual especificou os três reinos da natureza: o vegetal, o animal e o mineral.

Regresso à Suécia

Tendo retornado à Suécia em 1738, Lineu praticou medicina (especializando-se no tratamento da sífilis) e lecionou em Estocolmo até ser nomeado professor em Uppsala, em 1741, cargo que manteria até a morte. No Jardim Botânico da Universidade de Uppsala, Lineu organizou as plantas de acordo com o seu sistema de classificação, com a ajuda do arquitecto Carl Hårleman. O jardim botânico original de Lineu - o Jardim Botânico de Lineu - ainda pode ser visto em Uppsala. Ele também originou a prática de se usar os glifos de ♂ - (lança e escudo) Marte e ♀ - (espelho de mão) Vênus como símbolos de macho e fêmea. Fez depois mais três expedições a diversas partes da Suécia, pagas pelo Parlamento: em 1741 foi à Stora Alvaret, na ilha da Olândia; em 1746 a Gotalândia Ocidental; e em 1749 à Escânia. Estas viagens tinham como motivação "a necessidade de explorar o próprio país" e as suas descrições seriam publicadas em sueco. O seu trabalho Systema naturae continuou a sofrer revisões que o fizeram crescer de uma pequena obra a um trabalho com vários volumes, à medida que as suas ideias se desenvolviam e ele recebia mais e mais espécimens animais e vegetais de diversos lugares do mundo. O seu orgulho pelo próprio trabalho levou-o a afirmar "Deus creavit, Linnaeus disposuit" ("Deus criou, Lineu organizou", em latim). Essa sua percepção pessoal é evidente na capa do Systema naturae, em que é representado um homem dando nomes do sistema de Lineu a novas criaturas do Jardim do Éden.

Últimos anos

Lineu continuou os seus estudos botânicos depois da obtenção do seu título nobre, tendo mantido correspondência com diversas personalidades de todo o mundo. Catarina II da Rússia, por exemplo, enviou-lhe sementes dos seus territórios. Os últimos anos de vida de Lineu foram afetados por problemas de saúde: sofria de gota e dores de dentes. Sofreu um primeiro acidente vascular cerebral em 1774 e um segundo um ano mais tarde, que inutilizou o lado direito do seu corpo. Morreu em 10 de Janeiro de 1778, durante uma cerimónia religiosa na Catedral de Uppsala, onde foi sepultado. Após a sua morte, as colecções de Sinvaldo foram vendidas pela sua esposa a um inglês, Sir James Edward Smith, em 1784, sendo actualmente mantidas pela Linnean Society, em Londres.

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Nome

O sobrenome verdadeiro do seu pai era Ingermarsson, vindo a adotar Linné por conta de uma árvore da família das Malváceas, conhecida como tília (lind em sueco). Lineu é conhecido na Suécia pelo nome Carl von Linné e em inglês por Carl Linnaeus. O seu nome totalmente latinizado, Carolus Linnaeus, foi-lhe atribuído após nobilitação em 1757, devido ao seu estatuto académico, é traduzido para português como Carlos Lineu. Sem esse estatuto, Lineu ter-se-ia chamado Carl Nilsson ("filho de Nils"). Na literatura científica, é utilizada a abreviatura "L." para identificar Lineu como o autor da descrição de determinado táxon. Numa competição, Lineu identificou-se como "Carl Nelin", um criptónimo de "Carl Nilsson/Linné". Ao longo dos tempos, Lineu recebeu diversas alcunhas, como "Princeps botanicorum" ("o príncipe dos botânicos"), "o segundo Adão" ou "o Plínio do Norte". Existem cerca de duzentos descendentes de Lineu, mas nenhum com o nome "von Linné" por descenderem apenas de duas filhas (Carl von Linné filho não teve descendentes).

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Obras

Lineu escreveu as suas principais obras científicas em latim, mas os seus diários de viagem e cartas em sueco são considerados os seus melhores trabalhos do ponto de vista literário. Entre estes encontram-se os relatórios das viagens a Öland e Gotland (Öländska och Gothländska resor, 1745), a Västergötland (Wästgöta Resa, 1747) e à Escânia (Skånska resa, 1751). Lineu enviou estudantes seus a diversos locais no mundo, incluindo as Índias Orientais, China, Japão, Islândia, Austrália, Ártico, Hébridas, Canadá, Nova Iorque e Espanha; os jovens enviaram descrições de espécies animais e vegetais, além de amostras de espécimens, de volta. Alguns desses enviados não voltaram, tendo falecido de doenças ou em assaltos em zonas problemáticas, e sofrido problemas mentais e físicos que impossibilitaram o seu regresso à Suécia. No entanto, muitos dos relatórios chegaram a Lineu e este construiu e expandiu as suas principais obras científicas também com base nesses relatos.

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Fontes consultadas

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