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Cartaxo

Cartaxo é uma cidade portuguesa sede do Município do Cartaxo, no Distrito de Santarém, com 10 680 habitantes (2021).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Etimologia

Conta a lenda que, a Rainha Santa Isabel, em busca de paz de espírito e contacto com Deus, passou por onde hoje é a cidade, pelas terras do "barrio", onde terá repousado e saciado a sua sede, num local onde encontrou sombra e uma fonte. Estando em repouso, deparou-se com um bonito chilreio que ecoava pelos ares em seu redor, tendo observado melhor terá reparado que para além de cantarem de forma linda, estas criaturas voadoras eram também em si lindos, formosos e galantes. A rainha, tendo avistado uns camponeses que se dirigiam para ali, indagou-lhes que pássaros eram aqueles. Os camponeses responderam-lhe, dizendo que eram cartaxos. A rainha agradeceu-lhes e perguntou-lhes que lugar era aquele, ao que eles responderam que era o Lugar da Fonte. Então, a rainha disse para que todos lhe pudessem ouvir: "Pela Graça de Deus, pelo poder que me foi atribuído, que este Lugar da Fonte se passe a chamar de agora em diante Lugar de Cartaxo, e que seja assim para toda a eternidade, e que todas as gentes saibam, e assim se faça de acordo com as leis dos homens sob a presença de meu marido o muy nobre el-rey Dom Dinis e de acordo com as regras de Deus Nosso Senhor Todo-o-Poderoso, que ordena sobre o Céu e sobre a Terra…". Tendo dito isto, partiu, prosseguindo o seu caminho em direção ao Lugar de Almoster, demandando na sua peregrinação o mosteiro aí existente, o Mosteiro de Almoster.

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História

Da cidade

A existência da povoação do Cartaxo será sem dúvida bem remota. A proximidade de Santarém, cujas muralhas foram bem disputadas entre muçulmanos e cristãos, e as devastadoras incursões sobre as populações vizinhas atingiram decerto o Cartaxo. D. Sancho II chamou-lhe "fogo morto" e pensou repovoar o lugar do "Cartaxo" e o vizinho Cartaxinho (atual Ribeira do Cartaxo), pelo que concedeu esta sua terra reguengueira a Pedro Pacheco, ficando este obrigado a construir ali uma albergaria para os pobres. Nem Pedro Pacheco nem os seus descendentes cumpriram tal obrigação. Mais tarde, os moradores do lugar pediram a D. Dinis que lhes desse uma carta de povoamento. D. Dinis satisfez o pedido e concedeu carta de foral a 20 homens e seus sucessores para que eles fizessem ali "pobra" no seu "lugar do Cartaxo". Ficaram obrigados a dar ao rei, em cada ano, a oitava parte do pão, do vinho e do linho, "estando o pão na eira, o vinho no lagar e o linho no tendal"; e dos "monte maninhos" que cultivassem, só passados 3 anos, ou 5 anos se fossem vinhas, é que lhes exigiria o pagamento do foro. O mesmo se aplicaria a todos os futuros povoadores do lugar. Obrigavam-se todos, também, a fazer boas casas e bons currais "bem larguos". Os abusos ou crimes contra alguém eram punidos com 6000 soldos e pagamento a dobrar do prejuízo causado. Este foral foi depois confirmado por D. João I a 27 de Julho de 1387, e por D. Manuel I em 4 de Novembro de 1496.

Do Município

O território do Município do Cartaxo foi, em todas as épocas, um ponto de passagem para o interior do país, quer por via fluvial (Rio Tejo), quer por via terrestre. Uma via romana, que partia de Olisipo (Lisboa) e passava por Jerábriga (Alenquer), seguindo para Escálabis (Santarém), atravessava o território do município ou certamente, muito próximo. Antes dos romanos, outras civilizações se fixaram na região: Castros de Vila Nova de São Pedro (Eneolítico), Vale do Tejo, nas regiões de Muge (vestígios do Paleolítico e do Mesolítico; os concheiros de Muge tiveram vida ativa entre 7500 e 500 a.C.). Os vestígios materiais, até hoje detectados, datam da Idade Média, embora na Lapa exista a Gruta da Lapa que poderá ser anterior.

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Freguesias

O município do Cartaxo era inicialmente composto por cinco freguesias: Cartaxo, Vale da Pinta, Valada, Pontével e Ereira-Lapa. No século XX, foram criadas mais três freguesias: Lapa, por desanexação de Ereira (1921), Vila Chã de Ourique (1927) e Vale da Pedra, por desanexação de Pontével (1987). Desde 2013, a divisão administrativa do município é a indicada na tabela abaixo.

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População

★ Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram. ★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente A população no município do Cartaxo tem evoluído progressivamente aos longo dos anos. Em 1991, a população concelhia tinha uma população de 22 268 habitantes, contrapondo os 23 338 habitantes em 2001. Por zona geográfica, a freguesia do Cartaxo contava, em 2001, com o maior número de habitantes, com 10 092, seguida das freguesias de Pontével (4 424 habitantes) e de Vila Chã de Ourique (2 942 habitantes). Apesar do aumento da população, apenas as freguesias do Cartaxo, Vale da Pinta e Vale da Pedra, registaram aumentos populacionais entre 1991 e 2001. Por sexo, a população masculina é de 11 931 habitantes, enquanto que a população do sexo feminino tem 11 407 habitantes. Em consonância com a população residente, segundo dados de 2001, existiam 8 983 famílias, 11 201 alojamentos, e 8 991 edifícios no município.

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Política

O município do Cartaxo é administrado por uma Câmara Municipal, composta por um Presidente, um Vice-Presidente e cinco vereadores, quatro dos quais sem pelouro. Existe uma Assembleia Municipal, que é o órgão deliberativo do município, constituída por 27 elementos, dos quais 6 são presidentes de junta de freguesia e os restantes eleitos directamente pelos munícipes. Na sequência das eleições autárquicas de 2021, a composição dos órgãos autárquicos traduz-se na tabela abaixo:

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Geografia

Hidrografia

A parte do município correspondente à peneplanície é percorrida por numerosos pequenos cursos de água, a maioria de carácter temporário, que afluem ao chamado "canal de Azambuja" (paralelo ao Tejo). O rio Tejo percorre o município em cerca de 12 km, extensão esta frequentemente invadida pelas suas águas, aumentadas pela grande quantidade de transporte de carregos derivados do cultivo da vinha em solos de peneplanície erosináveis (sem quaisquer medidas de proteção). A freguesia de Valada, a mais atingida pelas cheias, encontra-se "protegida" por um dique secular, o dique de Valada, longitudinal e insubmersível, com cerca de 23 km, que se estende desde o dique das Ómnias até à Casa Branca. Apesar de tudo, este dique permite que os campos de Valada sejam "os que apresentam melhor aspecto entre todos os campos do Ribatejo, com exceção dos da Lezíria Grande."

Clima

Definido pelos valores correspondentes à estação da Fonte Boa (Vale de Santarém) e de Santarém, o clima do município do Cartaxo é de tipo temperado, com uma temperature média anual do ar na ordem dos 16,5 °C, moderado (amplitudes térmicas anuais de 12,9 a 13,6 °C), moderadamente chuvoso (precipitação média anual de 766 mm). Predominam os ventos do quadrante Norte/Noroeste de Março a Outubro, e Norte/Este de Novembro a Fevereiro, com velocidades médias relativamente moderadas. Do quadrante Sul dominam os de Sul/Oeste, com velocidades médias mais elevadas de Março a Maio.

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Economia

Segundo a última carta geográfica, os 15 828 ha que formavam a área do município apresentavam a seguinte distribuição: 11 892 ha para cultura agrícola, 2 475 ha de área florestal e 1 461 ha ocupados com a área social ou inculta. Ainda de acordo com o R.G.A. de 1989, existiam no município 1955 explorações agrícolas, ocupando uma superfície agrícola útil de 8 696 ha, distribuídos do seguinte modo: culturas permanentes 76,8% e culturas temporárias 23,2%. No âmbito das culturas permanentes, a vinha ocupava uma área de cerca de 40%, tendo uma expressão preponderante, quer no contexto produtivo do concelho, quer da Região. De facto, de acordo com os dados de 1999, o município do Cartaxo é o segundo maior produtor de vinho da Lezíria do Tejo, com 149 299 hl e o maior produtor de vinho tinto, com 7 083 hl, o terceiro maior produtor de vinho branco, com 7 083 hl, bem como o maior produtor de vinho regional, com um total de 69 582 hl. A distribuição estrutural do sector era a seguinte:

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Infra-estruturas

Pelo seu estatuto de cidade, o Cartaxo possui várias infra-estruturas do interesse público. Das primeiras infra-estruturas que o município conheceu, estão as escolas primárias, todas elas construídas e inauguradas no período do Estado Novo, facto que pode ser constatado nos seus traços arquitectónicos. Ainda durante este período, foi erguida a Escola Secundária do Cartaxo, na década de 1970. Devido ao crescente número de população estudantil, foi mandada construir uma Escola Básica 2.º e 3.º ciclos, em Pontével, concluída na década de 1990. Todas elas funcionam atualmente, sendo que nestas duas últimas, funcionam Cursos Profissionais e Cursos de Educação e Formação. A rede escolar do município está a sofrer alterações de modernização e organização. A 16 de Setembro de 2.013 foi inaugurada a Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Marcelino Mesquita no Cartaxo para substituir a antiga Escola do 1º e 2º Ciclo José Tagarro e colmatar as necessidades a que a Escola Secundária não conseguia atender.

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Cultura

O município está inserido na Região de Turismo do Ribatejo. Deve-se a Luís Piçarra, tenor, uma das vozes mais celebres da canção e da rádio do seu tempo, na popularização vocal de temas cançonetistas sobre o Ribatejo, uma canção dedicada à cidade do Cartaxo. Denominada Fandango do Cartaxo é da autoria de Arlindo de Carvalho (músico) e foi gravada em LP. Amplamente difundida na época pela rádio, celebrizando a então vila do Cartaxo, acresceu-a de referências e de maior popularidade nacional. Com o tema central do fandando, como toppoi local, musicalmente funde o estilo ligeiro e o folclórico, filiando-se na estética fomentada pelo SNI, durante o Estado-Novo, na identificação dos Panoramas Lusitanos (lugares geograficamente determinados, característicos e típicos). É no seu género irmã de canções como Alcobaça ou Figueira da Foz. O Cartaxo não possui tradições ligadas à prática de espetáculos e concertos eruditos, assim como a expressão pública filiada neste gosto específico - concertos de orquestra ou ópera -, sendo que foram muito raros este tipo de eventos musicais. Da mesma forma, só muito tardiamente, já no século XX, o Cartaxo foi dotado de uma ampla sala de espetáculos, o Cine-Teatro (que apesar da excelência das suas infra-estruturas dedicou-se praticamente ao cinema), o qual deu lugar atualmente ao Centro Cultural do Cartaxo.

Património e locais de interesse

Destaca-se do património da cidade a Igreja Matriz de São João Baptista. Uma lápide na frontaria desta, lembra a data da sua consagração, em 31 de Agosto de 1522, por D. Ambrósio Pereira Brandão, bispo de Ressiona. No interior, existe uma ampla nave única. O tecto, de madeira, desdobra-se em três planos. As paredes da capela nova são revestidas com silhares de azulejo do género azul e branco, figurados com cenas da vida de São João Baptista. O altar-mor tem talha dourada. Todo o conjunto data do século XVIII. Ao lado da igreja, existe um cruzeiro, o Cruzeiro do Senhor dos Aflitos coberto com alpendre de madeira do primeiro quartel do século XVI. Monumento Nacional, é composto por uma imagem do Senhor dos Aflitos crucificado, esculpido em pedra, obra de grande valor artístico, não só pela perfeição dos seus rendilhados, como pela nitidez das figuras que os ornatos são feitos de uma só pedra. Pertencente ao extinto Convento da Ordem de S. Francisco de onde veio, foi colocado em frente à Igreja Matriz, onde permaneceu até 1869, data em que foi transferido para o lado da já referida igreja e onde se mantém até aos dias de hoje.

Gastronomia

No município do Cartaxo podemos encontrar uma grande variedade de pratos tradicionais. O pão de trigo ou de milho, quando endurecia, era aproveitado para a confeção de variados pratos, conforme a imaginação desses tempos. Durante a semana, o almoço era geralmente composto por sardinhas assadas, bacalhau assado, migas, magusto, e havia quem comesse somente pão torrado, molhado em azeite. Ao jantar, variava-se um pouco mais, e comiam-se misturadas, sopas de grão e de feijão com castanhas ou abóbora, toucinho e chouriços. A carne de porco, galinha ou coelho, eram comidas que só entravam na dieta do povo aos domingos ou em dias de festa. Nas freguesias ribeirinhas, como Vale da Pedra e sobretudo Valada, dada a riqueza das águas do rio Tejo e da Vala Real, peixes como o sável, a fataça ou a enguia, entravam, também na "ementa" destas gentes.

"Cartaxo, Capital do Vinho"

O projecto "Cartaxo, Capital do Vinho" visa dinamizar o processo de aproveitamento e desenvolvimento de uma das grandes potencialidades do município: o vinho. Este projecto, apresenta o município como um pólo turístico. Os seus objectivos passam pelo incentivo e fortalecimento do turismo, criar uma imagem renovada do vinho do Cartaxo e divulgar a cultura regional. Relacionados com este projecto, estão o circuito da Rota do Vinho e a dinamização do Museu Rural e do Vinho.

Festas e feiras

A Feira dos Santos realiza-se todos os anos a 1 de novembro. Antigamente as populações vizinhas vinham visitar o Cartaxo devido à feira. Atualmente, as atividades produtivas do município deram lugar ao certame de atividades económicas, como a ExpoCartaxo, realizado em parceria entre a Câmara Municipal e o CADEC (Centro de Apoio à Dinamização Empresarial do Cartaxo). A tradicional feira mantém-se, nos terrenos contíguos ao Pavilhão onde se realiza o certame. Realizada a 1 de Maio, a Festa do Vinho há muito se tornou um local de reunião e diversão do povo do Cartaxo e da Região. Foi instituída em 1988, a festa inclui manifestações de âmbito cultural, relacionadas com a ligação do vinho à vida social dos cartaxenses. Destina-se essencialmente a sensibilizar as pessoas para a promoção da qualidade e a valorização dos vinhos do Cartaxo.

Desporto

O desporto mais praticado no município é o futebol. Cada freguesia tem um clube de futebol que participa nos campeonatos da INATEL. A apoiar esses clubes, existem coletividades e espaços públicos, como campos de futebol e pavilhões polidesportivos, que asseguram o funcionamento dos clubes e das suas atividades. A obra mais recente nesta área, é o Estádio Municipal, vocacionado para a realização de espetáculos desportivos ao mais alto nível, permitindo, simultaneamente, o desenvolvimento de atividades na vertente de lazer, recreio, formação e competição.. Está situado no Complexo Desportivo da Quinta das Pratas, e já recebeu o Torneio Internacional do Vale do Tejo, competição que conta com a participação de seleções internacionais de sub-21. No mesmo complexo, existem as Piscinas Municipais e campos polidesportivos

Associativismo

O associativismo, nas suas múltiplas expressões, e em especial as coletividades de cultura, desporto e recreio, constituem a realidade social e cultural do município. Para os cartaxenses, o associativismo constitui a única forma de acesso a atividades desportivas, culturais, recreativas, ou de ação social. Para além disso, é através do exercício do direito de associação por muitos cidadãos, que são asseguradas formas de participação cívica da maior relevância. Pelas associações, é possível existirem grupos culturais, como de foclore e de danças e cantares, que permitem manter vivas as tradições do município. Para além destes, existem grupos de teatro, dança rítmica e de danças de salão, mas também grupos de comunicação social, como a Rádio Cartaxo, que tem o associativismo como meio de sustentabilidade económica e social.

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Fontes consultadas

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