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Cartola (cantor)

Angenor de Oliveira, mais conhecido por Cartola OMC, foi um cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro. Tendo como seus principais sucessos as músicas As Rosas Não Falam, O Mundo é Um Moinho, Preciso me Encontrar e Alvorada. Ajudou na fundação da agremiação Estação Primeira de Mangueira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Biografia

Do Catete para a Mangueira

Angenor de Oliveira nasceu em 1908 na cidade do Rio de Janeiro. Era o mais velho de oito filhos do casal Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira. Apesar de ter recebido o nome de Agenor, foi registrado como Angenor — fato descoberto muitos anos mais tarde, ao tratar dos papéis de seu casamento com Dona Zica na década de 1960 — e para não ter que providenciar a mudança em cartório, a partir de então passou a assinar oficialmente Angenor de Oliveira. Sua família materna era de Campos dos Goytacazes (RJ) e seus antepassados foram escravos do primeiro Barão de Carapebus (proprietário do Solar do Beco). Neste local nasceu seu avô materno, Luís Cipriano Gomes, famoso cozinheiro que trabalhou no município de Macaé (Rio de Janeiro) — na Fazenda da Bertioga da aristocrata D. Julia Gavinho — até ser aliciado por D. Anita Peçanha (parenta de D. Julia e esposa do futuro Presidente do Brasil, Nilo Peçanha), sendo levado ao Rio de Janeiro e chegando a servir o casal Peçanha no Palácio do Catete.

O surgimento do sambista

O barraco dividido por Cartola e Deolinda era habitado por mais gente, todos sustentados pela dona de casa, que lavava e cozinhava para fora. Sob seu teto e de Deolinda, Noel Rosa foi se abrigar algumas vezes, à procura de um refúgio tranquilo. Cartola exercia a atividade de pedreiro apenas esporadicamente, preferindo assumir o ofício de compositor e violonista nos bares e tendas locais. À época, já se firmava como um dos maiores criadores do morro, ao lado do grande amigo Carlos Cachaça e Gradim. Com estes e outros compositores, Cartola integrava uma turma de brigões e arruaceiros que, não por acaso, formavam o Bloco dos Arengueiros, em 1925, para brincar o carnaval. Esse bloco seria o embrião da Estação Primeira de Mangueira. A ampliação e fusão do bloco com outros existentes no morro gerou, em 28 de abril de 1928, a segunda escola de samba carioca e uma das mais tradicionais da história do carnaval da cidade. Cartola, um dos seus sete fundadores, também assumiu a função de diretor de harmonia da escola, em que permaneceu até fins da década de 1930. O nome Estação Primeira foi escolhido porque, contando a partir da Central do Brasil, o morro de Mangueira ficava na primeira estação de trem de um lugar em que havia samba. Cartola compôs Chega de Demanda, o primeiro samba escolhido para o desfile e que só seria gravado pelo compositor em 1974, para o disco História das Escolas de Samba: Mangueira.

Tempos difíceis

Nos anos seguintes, Cartola participou pouco no cenário musical. Entre suas poucas atuações artísticas, o sambista apareceu como corista da gravação de alguns cantores na Colúmbia e chegou a se apresentar com um grupo de morro no Cassino Atlântico. Com a nova direção da Estação Primeira de Mangueira antipática a Cartola, o sambista viu seu samba ser desqualificado pelo júri que julgou as músicas concorrentes ao enredo que representaria a escola de samba no carnaval de 1947. Para piorar, ele contraiu meningite, ficando três dias em estado de coma e um ano andando de muleta. Com vergonha da condição de doente, acabou se mudando para Nilópolis. Foi cuidado por Deolinda, mas pouco depois assistiu à morte da mulher, vitimada por um ataque cardíaco. Com a morte de Deolinda, deixou o Morro da Mangueira.

Os bons tempos do Zicartola

Em 1957, Cartola trabalhava como vigia e lavador dos carros dos moradores de um edifício em Ipanema. Nessa função, foi identificado em uma madrugada pelo jornalista Sérgio Porto (conhecido como Stanislaw Ponte Preta), sobrinho do crítico musical Lúcio Rangel, que havia dado ao sambista, anos antes, o apelido de Divino Cartola. Ao ver o compositor magro e maltrapilho em um macacão molhado, Stanislaw decidiu ajudá-lo, começando por divulgar a redescoberta, que fizera, do sambista. Àquela altura, Cartola era dado como desaparecido ou mesmo morto por muitos de seus conhecidos e admiradores. O reencontro com o jornalista foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor.

A glória na velhice

Em 1970 Cartola protagonizou uma série de apresentações promovidas pela União Nacional dos Estudantes, intituladas Cartola Convida, na praia do Flamengo, onde recebia grandes nomes do samba. Também naquele ano, a Abril Cultural lançou um volume dedicado à sua obra na série História da música popular brasileira, no qual o sambista interpretou Preconceito, de sua autoria. Em 1972 Paulinho da Viola gravou Acontece e Clara Nunes gravou Alvorada, com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho. Em 1973 Elza Soares gravou Festa da Vinda, parceria com Nuno Veloso. Mas a consagração definitiva viria somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, quando o sambista finalmente gravou seu primeiro disco solo. Cartola, levado por Beth Carvalho, após a gravação de As Rosas Não Falam, foi lançado pelo pesquisador musical, produtor de discos e publicitário Marcus Pereira. O disco, que recebeu vários prêmios e foi considerado um dos melhores daquele ano, reunia uma coleção de obras-primas de Cartola e uma equipe de instrumentistas de primeira linha no acompanhamento. O sambista interpretou Acontece, Tive Sim e Amor Proibido (canções de autoria própria), Disfarça e Chora e Corra e Olhe o Céu (parceria com Dalmo Casteli), Sim (com Oswaldo Martins), O Sol Nascerá (com Élton de Medeiros), Alvorada (com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho), Festa da Vinda (com Nuno Veloso), Quem Me Vê Sorrindo (com Carlos Cachaça) e Ordenes e Farei (com Aluizio).

Últimas homenagens

Em 1978, quase aos 70 anos, se transferiu da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranquilidade, na tentativa de continuar compondo, mas sempre voltava para visitar os amigos no morro onde crescera e se tornara famoso. A residência de Cartola e Zica em Mangueira era muito frequentada por músicos e jornalistas, o que levou o casal a procurar um pouco de sossego. Era finalmente a primeira casa própria do artista, o máximo que ele conseguiu com o sucesso obtido no final da vida. Em frente à sua porta, foi inaugurada em seguida uma praça apropriadamente batizada de As Rosas Não Falam. Naquele mesmo ano, estreou seu segundo show individual: Acontece, outro sucesso. E em novembro, por ocasião de seu septuagésimo aniversário, recebeu uma grande homenagem na quadra da Mangueira. O sambista, no entanto, já estava doente. Diagnosticado seu mal — um câncer na tireoide — foi operado em 1978.

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Após a morte

Durante os anos seguintes, viriam homenagens póstumas, discos e biografias que o confirmariam como um dos maiores nomes da música popular brasileira. Em 1981, Artur Oliveira concluiria o samba Vem, que Cartola deixou inacabado, e seu livro escrito juntamente com Marília Trindade Barboza, a biografia Cartola, Os Tempos Idos seria lançado pela Funarte, em 1983. Ainda em 1982 foi lançado um disco póstumo do sambista, Ao Vivo – gravação de um espetáculo realizado no final de 1978, em São Paulo. Em 1984, também pela Funarte, sairia o LP Cartola, Entre Amigos. Em 1988, para comemorar o octogésimo aniversário de seu nascimento, a gravadora Som Livre lançou o songbook Cartola – Bate Outra Vez…, que trazia Caetano Veloso, Gal Costa, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Luiz Melodia, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Nelson Gonçalves, Paulo Ricardo e Cazuza. E a cantora Leny Andrade apareceu com Cartola – 80 Anos. Marisa Monte viria a incluir em seu repertório o lundu Ensaboa, composto em 1975 e gravado pelo compositor em seu segundo LP.

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