Casa de Quimpanzo
A Casa de Quimpanzo (Kimpanzu) foi uma das principais casas reais (canda) do Reino do Congo, exercendo o poder em diversas ocasiões, seja por meio de conflitos ou eleições. Durante a guerra civil congolesa, um provérbio popular refletia a percepção de que os Quimpanzo, juntamente com os Kinlaza, eram pilares fundamentais do reino, mas também associados às suas contendas. O provérbio, em Kikongo, dizia: "Kinlaza, Kimpanzu ye Kinlaza makukwa matatu malambila Kongo" (Kinlaza, Kimpanzu e Kinlaza são os três pilares que sustentam o Congo).
Pontos-chave
- A Casa de Quimpanzo foi uma das principais casas reais do Reino do Congo, governando por guerras ou eleições.
- Sua ascensão inicial ao trono ocorreu com Álvaro V em 1636, após o assassinato de Álvaro IV.
- O primeiro governo Quimpanzo foi breve, sendo deposto pelos Quinzalas, levando os sobreviventes ao exílio em Soio.
- Os Quimpanzo tornaram-se aliados políticos de Soio, opondo-se aos Quinzalas e retornando ao poder após a guerra civil.
- Manuel II foi o primeiro Quimpanzo a governar após a guerra civil (1718), e Pedro V foi o último (deposto em 1764).
A história da Casa de Quimpanzo no trono do Reino do Congo teve início com o rei Álvaro V, que assumiu o poder em 1636. Ele era meio-irmão de Álvaro IV, embora não haja clareza se era filho biológico de Álvaro III. Álvaro V ascendeu ao trono após o assassinato de seu predecessor, Álvaro IV, marcando a primeira vez que um membro da Casa de Quimpanzo ocupou a posição de rei.
O primeiro período de governo da Casa de Quimpanzo foi efêmero. As disputas pelo trono, que haviam começado em 1622, persistiram, mesmo com o apoio do Condado de Soio aos Quimpanzo. Poucos meses após a coroação de Álvaro V, dois irmãos jesuítas, Álvaro Nimi e Garcia Ancanga, invadiram São Salvador com um exército. Eles depuseram Álvaro V, dando início a uma nova dinastia: os Quinzalas. Os poucos Quimpanzos que sobreviveram buscaram asilo político na região sul, no Condado de Soio.
Após a fuga dos Quimpanzos, o Reino do Congo foi governado pela Casa de Quinzala por vários anos. Enquanto isso, em Soio, os Quimpanzos estabeleceram uma forte aliança política com os condes soianos, que eram grandes opositores dos Quinzalas. A região de Soio possuía um considerável poderio militar e uma forte centralização política. Por isso, quando o conde Daniel da Silva foi coroado em 1641, ele iniciou uma sangrenta guerra pela independência de Soio em relação ao Congo, que foi conquistada em 1645. Durante o reinado de Garcia II no Congo, os soianos tentaram assassiná-lo em diversas ocasiões e ofereceram asilo aos simpatizantes dos Quimpanzos, com o objetivo de restaurar o trono congolês aos clãs. O rei congolês, por sua vez, começou a perseguir os apoiadores dos Quincanga e Quimpanzo. Os simpatizantes dos Quincanga foram intensamente caçados entre 1650 e 1660, o que levou ao fim dessa casa pouco antes da guerra civil. No entanto, os Quimpanzos estavam fora do alcance do rei, permanecendo praticamente intocáveis por muitos anos sob a proteção de Soio.
Os Quimpanzos permaneceram sob a proteção de Soio durante a guerra civil congolesa, período em que diversas casas lutaram pelo poder. A matriarca Suzana de Nóbrega manteve o apoio aos soianos e continuou a luta contra os Quinzalas. Após o término da guerra, uma monarquia eletiva foi estabelecida no Congo, onde o governo alternava entre as casas dominantes. Os Quimpanzos foram a primeira dessas casas a retornar ao poder, com Manuel II assumindo o trono em 1718. O último Quimpanzo a ocupar o trono do Congo foi Pedro V, que, apesar de ter sido deposto em 1764, continuou como opositor até sua morte em 1779. Não há informações claras sobre o destino dos últimos integrantes do clã. Segundo o antropólogo alemão Adolf Bastian, que visitou um cemitério em Sembo em 1859, os últimos pretendentes Quimpanzos estariam sepultados lá.


