Casa do Sertanista
Casa do Sertanista ou Casa do Caxingui é uma residência construída em meados do século XVII no atual bairro paulistano do Caxingui, distrito do Butantã.
A data precisa da construção da Casa do Sertanista é desconhecida. Entretanto, foi encontrado marcado nas telhas o ano de 1843 e suas estruturas arquitetônicas remontam às construções do século XVII, das casas dos bandeiristas. De acordo com o estudo realizado pelo arquiteto Luís Saia, a casa corresponderia a uma residência rural de fazendeiros mais ricos da região na época. Entretanto, para ele, a construção revela-se bem anterior a esta época. Os primeiros proprietários ou donos da casa também são desconhecidos, mas os rumores são de que ela foi pertencente ao Padre Belchior de Pontes. De acordo com as documentações, os restos da casa eram propriedade em 1917 de Alberto Christie, que vendeu a Alberto Penteado 22 alqueires de terras. Mais tarde, em 1937, seu filho Carlos Alberto de A. Prado vendeu o sítio para a Cia. City de Melhoramentos, que separou uma pequena área e doou para a prefeitura em 1958, responsável por promover a sua primeira reforma. Em 1970, concluídas as obras de restauração, foi instalado o "Museu do Sertanista", voltado essencialmente para a cultura indígena. A casa abrigou diversos museus durante os anos seguintes. Em 1983 o imóvel foi reconhecido como patrimônio histórico da cidade de São Paulo, dada a sua importância arquitetônica, cultural e histórica, considerado como de interesse público, integrando o Museu da Cidade de São Paulo.
A arquitetura da Casa do Sertanista remonta às antigas casas dos fazendeiros mais ricos da cidade. A construção do original da residência foi feita de taipa de pilão e pau a pique. O método da taipa da época era em uma forma de madeira, socar uma mistura de argila, excremento de gado e seixos para montar o que viriam a ser as paredes. Entretanto, a taipa paulista apresenta uma característica única, em que a parede é construída a partir da própria terra, como foi o caso da Casa do Sertanista. Para evitar a umidade natural do solo, as pinturas das paredes eram feitas de tabatinga. Além disso, a planta da casa é regular e remete às casas dos bandeirantes da época, sendo um imóvel térreo que obedece a um esquema fechado e rígido, com poucas janelas. Seu telhado é classificado como de quatro águas coberto que, naquele tempo, tinha as telhas moldadas nas coxas dos escravos. Os cômodos também demonstram os costumes da época. Ao adentrar na casa, há uma sala principal que liga a passagem para todos os outros quartos. Além disso, há uma varanda posterior que se assemelha às outras construções da época. Essa planta era definida de modo estrito e rígido, que muito diziam sobre os seus ocupantes. Com uma faixa fronteira, que tinha aos seus lados a capela e o quarto de hóspedes, os bandeirantes marcavam um limite entre sua vida privada e pública. A rigidez da construção também ajudava a evitar ataques índigenas.
Imagem: Dornicke · BY-SA · Openverse
A casa remonta a época das elites do café e sua toda a sua herança colonial, assim como outros patrimônios localizados na região, que é o Sítio da Ressaca, Sítio Santa Luzia, Sítio Itaim, a Casa do Bandeirante e o Sítio do Capão. Dessa forma, a Casa do Sertanista serve como mais um objeto de estudo arquitetônico para que os estudiosos tenham acesso à construções da época dos bandeirantes em São Paulo. Restaurar a memória destes imóveis foi uma forma de reacender a memória cultural da cidade, buscando recuperar a vida cotidiana e dos bairros da cidade para que a população obtenha um panorama geral da época e compreenda as raízes da cidade.
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O tombamento se deu no dia 28 de dezembro de 1983 pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo – CONDEPHAAT e, mais tarde, em 5 de abril de 1991 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP.
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A casa passou por uma restauração em 1966, adotando os mesmos critérios anteriores de experiências como a da Casa do Bandeirante. A restauração durou até 1970, quando a Casa tornou-se o Museu do Sertanista, de onde recebeu o nome, e recebia exposições com a temática da cultura indígena. Até 1987, realizavam-se diversas exposições e mostras com o acervo indígena que lá ficava. Porém, nesse ano a casa foi fechada por necessidade de obras de conservação, interrompendo-se assim as atividades museológicas até estão desenvolvidas. Em 1989 a casa passou a abrigar o Núcleo de Cultura Indígena (NCI). Entretanto, em 1993 a casa passou por novos restauros e em 2000 abrigou o acervo do Museu do Folclore Rossini Tavares de Lima, até 2007. Ficou fechada durante um bom tempo para mais restauros, descupinização e drenagem de águas pluviais, sendo depois reaberta em 2013 por uma exposição da artista Sandra Cinto. Passou a integrar o conjunto de imóveis pertencentes ao Museu da Cidade de São Paulo, reunindo em seu interior as poucas informações que restam sobre sua história.


