Casgar
Casgar ou Caxegar, grafada Cascar em fontes antigas e Kashgar, Kashi, Kashagiri e Srikrirati em várias línguas, é uma cidade-oásis situada na parte ocidental da Região Autônoma Uigur de Sinquião, na China. O município tem 294,21 km² de área e em 2003 tinha 351 874 habitantes. É o centro administrativo da prefeitura homônima, que tem uma área de 162 000 km² e uma população de cerca de 3,5 milhões de habitantes.
A primeira menção autêntica de Casgar produziu-se durante o período da dinastia Hã, quando os chineses conquistaram Hiungnu, Yutien (Cotã), Sulei (Casgar) e um grupo de estados na bacia do rio Tarim. Tal ocorreu no ano 76 a.C.. Nessa época, Casgar ainda não era conhecida no ocidente. A região converteu-se ao budismo e cresceu rapidamente ao mesmo tempo que se desenvolviam as rotas comerciais entre Oriente e Ocidente. No livro de Han, a história da época Han, que cobre o período compreendido entre 125 a.C. e 23 d.C., descreve-se que em Casgar havia 1 510 casas, 18 647 habitantes e que 2 000 delas eram capazes de utilizar armas. Durante o período compreendido entre os anos 25 e 170, as residências aumentaram até às 21 000. O reino dos uigures foi destruído pela invasão dos caraquitais, outro povo de origem túrquida que, por sua vez, foram eliminados em 1219 por Gengis Khan. Esta invasão reforçou e desenvolveu a expansão do credo muçulmano.
Xiongnu
Casgar, tal como outros reinos do oeste, ficou sob o domínio dos Xiongnu que se dedicaram a cobrar impostos excessivos que os reinos não podiam comportar. Em meados do período Jianwu (25–55), os reinos mandaram enviados para solicitar a união com o Reino do Meio e expressar o desejo de que se lhes concedesse um Protector-Geral. O imperador Guangwu (25-47) decidiu que, já que o império ainda não estava bem estabelecido, não tinha tempo para se dedicar a assuntos externos pelo que negou o seu consentimento. Entretanto, os Xiongnu foram-se debilitando. O rei de Suojo (Yarkand, de nome Xian, destruiu diversos reinos. Após a morte de Xian, estes reinos atacaram uns aos outros. Xiao Yuan, Jingjue, Ronglu, e Qiemo foram anexados por Shanshan (a região do Lop Nor, com capital próximo da moderna Ruoqiang). Qule e Pishan foram conquistados por Yutian (Khotan). Yuli, Danhuan, Guhu e Wutanzili foram destruídos por Jushi (Turfan) embora mais tarde estes reinos tivessem sido restabelecidos
Império Cuchana
No período entre 114 e 120, o rei Anguo de Casgar exilou o seu tio materno, Chenpan, e mandou-o embora com os cuchanas. Anguo morreu sem deixar descendentes e a sua mãe foi com o encargo de governar o reino. Finalmente, foi o seu sobrinho, filho de Chenpan, que foi designado como herdeiro do trono de Casgar. Por volta de 116, os cuchanas, sob o governo de Canisca I (r. 127–150), estabeleceram um reino centrado em Casgar, que controlava também Cotã e Iarcanda, antigas dependências chinesas da bacia do Tarim, no actual Sinquião. Introduziram a escrita brâmane, o idioma indiano prácrito para a administração e expandiram a influência da arte greco-búdica que se desenvolveu na arte seríndia.
Dos Três Reinos aos Sui
Este período caracteriza.se pela ausência de informação histórica sobre Casgar e a bacia do Tarim em geral. O Weilue, escrito no segundo terço do século III, menciona uma série de estados que dependiam de Kashgar: o reino de Zhenzhong, o de Suojo, o de Jieshi, Qusha, Xiye, Yinai, Manli, Yire, Yuling, Juandu, Xiuxiu e Qin. A informação sobre as regiões do oeste contida no Weilue termina no ano 170, quase no final do período dos Han. Em 270, quatro estados das regiões do oeste tinham que apresentar tributo: Caraxar, Turfã, Xanxã e Cucha. Alguns documentos em madeira encontrados na zona arqueológica de Niya indicam também que estes contratos se mantiveram com Casgar e Cotã.
A dinastia Tangue
Nos inícios da dinastia Tangue, em 618, começou uma luta prolongada entre a China e os turcos do oeste para controlar a bacia do Tarim. Em 653, os anais dos Tang falam de uma embaixada no reino de Casgar. Em 639 uma segunda embaixada que trazia produtos de Casgar funcionava como símbolo de submissão. Xuanzang passou por Casgar (chamava-lhe Caxa) em 644 na sua viagem de regresso da Índia para a China. A religião budista, que então estava em decadência na Índia, estava em pleno esplendor em Casgar. Os escritos de Xuanzang explicam que em Casgar se encontravam abundantes flores e frutas, e que tinham uma língua baseada na da Índia mas diferente da de outros países. Os habitantes de Casgar eram fervorosos devotos do budismo e podiam-se encontrar algumas centenas de mosteiros.
Invasão árabe
No século VIII chegou do oeste a invasão dos árabes. Casgar e o Turquistão ajudaram a rainha regente Bucara a repelir o inimigo. O Islão implantou-se nos estados independentes do Turquistão, convertendo-se numa influência cada vez mais importante. Só no século X é que a religião muçulmana se implantou em Casgar.
Os uigures
Pensa-se que os uigures sejam descendentes dos Tolas, uma das tribos de origem túrquica que emigraram para a China. O príncipe Bugra Cã, o mais famoso deste povo, converteu-se ao Islão em finais do século X. O reino uigure durou até 1120 mas esteve sempre envolto em lutas dinásticas. Os uigures empregavam um alfabeto baseado no sírio e tomado dos missionários nestorianos.


