Castelo
Castelo é um tipo de estrutura fortificada, construída na Europa e Oriente Médio durante a Idade Média pelos nobres europeus. A palavra castelo é definida pelos estudiosos, como sendo a residência particular fortificada de um lorde ou nobre, sendo diferente de palácio, que não é fortificado; é diferente também de fortaleza, que nem sempre é a residência da nobreza; e é também diferente de um assentamento fortificado, que era uma estrutura de defesa coletiva, embora existam muitas semelhanças entre todos estes tipos de construção. O uso do termo tem se modificado ao longo do tempo e tem sido aplicado a diferentes estruturas como os castros. Durante aproximadamente novecentos anos em que os castelos foram construídos, tiveram uma grande variedade de formas, com muitas características diferentes, tais como defesas por muralha, e seteiras, que eram as mais comuns.
Etimologia
A palavra "castelo" é derivada da palavra latina "castellum", que é um diminutivo da palavra "castrum", que significa "lugar fortificado". O castel do inglês antigo, o castel ou chastel do francês antigo, château do francês moderno, castillo do espanhol, castello em italiano, e um número de palavras em outras línguas derivam também do castellum. A palavra "castle" foi introduzida pouco antes da conquista normanda para denotar este tipo de edifício, que era então uma nova estrutura arquitectónica na Inglaterra. A partir de meados do século XI, em Portugal, a palavra castelo é utilizada para designar estruturas defensivas. Entretanto, aquilo que actualmente se designa como “castelo”, sobretudo os castelos medievais, a imagem de um tipo estrutura definida como “castelo medieval português” viria a surgir somente no século XX.
Características definidoras
Em seus termos mais simples, a definição de um castelo aceita entre os acadêmicos é "uma residência privada fortificada". Isso contrasta com fortificações anteriores, como os burhs anglo-saxônicos e cidades muradas, como Constantinopla e Antioquia no Oriente Médio; os castelos não eram defensas comunitárias, mas foram construídas e de propriedade dos senhores feudais locais, quer para a si mesmos ou senão para o seu monarca. O feudalismo era a ligação entre um senhor e seu vassalo, onde, em troca do serviço militar e a expectativa de lealdade, o senhor concederia a terra vassal. No final do século XX, houve uma tendência para refinar a definição de castelo, incluindo o critério da propriedade feudal, colocando castelos no período medieval; No entanto, isso não reflete necessariamente a terminologia usada no período medieval. Durante a Primeira Cruzada (1096-1099), os exércitos francos encontraram assentamentos murados e fortes que eram indiscriminadamente referidos como castelos, mas que não seriam considerados como tais sob a definição moderna.
Terminologia
Castelo é por vezes usado como um termo genérico para todos os tipos de fortificações e, como resultado, tem sido mal aplicado no sentido técnico. Um exemplo disto é o castelo Maiden, Dorset que, apesar do nome, é um castro, fortificação da Idade do Ferro, que teve origem e propósito muito diferentes. Embora "castelo" não se tenha tornado um termo genérico para um solar (por exemplo château na França e schloss na Alemanha), muitos solares têm "castelo" no nome, mesmo tendo poucas ou nenhuma das suas características arquitetônicas. Era comum seus proprietários gostarem de manter uma ligação com o passado e acharem que o termo "castelo" era uma expressão viril de seu poder. Para os estudiosos, o conceito de castelo é geralmente admitido como consistente, originário da Europa e depois se expandindo por regiões do Oriente Médio, onde foram introduzidos pelas cruzadas que partiram daquele continente. Este grupo consistente compartilhava uma origem comum, lidando de modo particular com lutas e hostilidades, e transferindo influências.
Ameias eram encontradas na maioria das vezes coroando a cortina e as cúpulas das casas de guardas e compreendiam vários elementos: embrasuras, cadafalsos, mata-cães, e balestreiros. Embrasura é o nome coletivo para greneis e merlões alternados: aberturas e blocos sólidos em cima de uma parede. Cadafalso era uma estrutura provisória de madeira, construída nas torres e muralhas dos castelos medievais, em momentos de assédio inimigo, sobre vigas de suporte, formando um balcão ou varandim saliente, coberto e protegido, que podia ser desmontado em tempo de paz, após os finais do século XIII. a substituição da madeira pela pedra ocorreu o que os tornou em mata-cães que é muito mais resistente e duradouro. Mata-cães é uma abertura no chão entre as mísulas que sustentam as ameias ou os balcões das fortificações medievais, através da qual se podia observar os atacantes que se encontravam na base da muralha defensiva, solapando a parede ou assediando uma casa de guarda, para agredi-los com pedras, flechas, água fervente ou outros objetos de forma semelhante a cadafalsos.
Mota
Uma mota era um monte com uma parte superior plana. Muitas vezes, era artificial, embora às vezes incorporava uma característica preexistente da paisagem. A escavação da terra para fazer o monte deixava uma vala em torno deste, chamada fosso (que poderia ser molhado, ou seja, preenchido com água, ou seco). "Motte" (mota) e "moat" (fosso) derivam da mesma palavra do francês antigo, indicando que as características foram originalmente associadas e dependeram umas das outras para a sua construção. Embora a mota seja comumente associada ao castelo de mota, isto nem sempre ocorreu, e há casos em que uma mota existia de modo independente. "Mota" refere-se unicamente ao monte, mas frequentemente era a base para a construção de uma estrutura fortificada, como uma torre de menagem, e a parte superior plana, rodeada por uma paliçada. Era comum que a mota fosse acessada através de uma ponte suspensa sobre a vala da contraescarpa, alcançando a borda do topo do monte, como mostrado na Tapeçaria de Bayeux, em que era representado o Castelo de Dinan. Em alguns casos, uma mota ocultava um antigo castelo ou salão, cujos espaços eram transformados em áreas de armazenamento subterrâneo e posteriormente em prisões.
Bailey e enceinte
Um bailey interior, também chamado de ala, era um recinto fortificado. Foi uma característica comum dos castelos e a maioria destes tinha pelo menos um. A torre em cima da mota era o domicílio do senhor encarregado do castelo e um baluarte do derradeiro reduto de defesa, enquanto o bailey era o lar da família e criadagem do senhor e lhes dava proteção. Os quartéis para guarnição, estábulos, oficinas e instalações de armazenamento eram frequentemente encontrados no bailey. A água era fornecida por um poço ou cisterna. Com o tempo, o foco de alojamento de status elevado deslocou-se da torre para o bailey; isso resultou na criação de outro bailey que separou os edifícios de alto status, como o aposento do senhor e a capela, das estruturas cotidianas, como as oficinas e os quartéis.
Torre de menagem
Uma torre de menagem era uma grande torre e geralmente o ponto mais defendido de um castelo, antes da introdução da defesa concêntrica. A torre de menagem, como é conhecida em Portugal, foi uma estrutura comum nos castelos da Europa medieval, sendo equivalente à torre del homenaje em Castela, o maschio na Itália e o Bergfried na Alemanha, e aproximadamente equivalente ao donjon na França e o keep na Inglaterra. Desde o século XVI, a palavra em inglês "Keep" se referiu comumente à torre de menagem, ou seja, às grandes torres em castelos. A palavra se origina em torno de 1375 a 1376, proveniente do termo inglês médio "kype", que significa cesto ou barril, e foi um termo aplicado ao shell keep em Guînes, por se assemelhar a um barril. "Keep" não era um termo usado no período medieval — o termo foi aplicado a partir do século XVI em diante — em vez disso "donjon" foi usado para se referir às grandes torres, ou "turris" em latim. No século XVII, a palavra "Keep" perdeu sua referência original a cestos ou barris, e foi popularmente assumido como tendo vindo da palavra inglesa "keep", que significa "segurar" ou "proteger". No Japão feudal, a parte do castelo que mais se aproximaria da torre de menagem seria o tenshukaku (天守閣).
Cortina
As cortinas eram paredes defensivas que enclausuravam uma ala. Elas tinham que ser suficientemente altas para dificultar a escalada das paredes com escadas e suficientemente espessas para suportar o bombardeamento de armas de assédio que, a partir do século XV, incluíam artilharia de pólvora. Uma parede típica poderia ter 3 metros de espessura e 12 metros de altura, embora os tamanhos variassem muito entre os castelos. Para protegê-las da corrupção do alicerce e de escavações de túneis, as paredes das cortinas às vezes eram dadas uma saia de pedra em torno de suas bases. As passarelas ao longo dos topos das cortinas permitiram que os defensores lançassem mísseis nos inimigos abaixo, e as ameias davam-lhes adicional proteção. As cortinas eram cravejadas de torres para permitir o fogo em linha ao longo da parede. Seteiras nas cortinas não se tornaram comuns na Europa até o século XIII, por medo de que elas pudessem comprometer a integridade estrutural da parede.
Casa de guarda
A entrada era muitas vezes a parte mais fraca em um circuito de defesas. No intuito de superar isso, a casa de guarda foi desenvolvida, permitindo que aqueles dentro do castelo controlarem o fluxo do tráfego. Em castelos de barro e madeira, a portaria geralmente era a primeira característica a ser reconstruída em pedra. A frente da porta de entrada era um ponto cego e para superar isso, as torres sobressaídas foram adicionadas em cada lado do portão em um estilo semelhante ao desenvolvido pelos romanos. A casa de guarda continha uma série de defesas para fazer um ataque direto mais difícil do que derrubar um simples portão. Tipicamente, havia um ou mais rastrilhos — uma grade de madeira reforçada com metal para bloquear uma passagem — e seteiras para permitir que os defensores assolassem o inimigo. A passagem pela casa de guarda foi prolongada para aumentar a quantidade de tempo que um atacante tinha que gastar em um espaço confinado debaixo de fogo, e incapaz de retaliar.
Fosso
Um fosso era uma vala defensiva com lados íngremes, podendo ser cheia de água ou seca. Seu propósito era duplo; para impedir que dispositivos como torres de cerco atingissem a cortina e evitar que as paredes fossem minadas. Os fossos com água eram encontrados em áreas baixas e geralmente eram atravessados por uma ponte levadiça, embora estas foram substituídas por pontes de pedra. Ilhas fortificadas poderiam ser adicionadas ao fosso, adicionando outra parede de defesa. As defesas aquáticas, como os diques ou lagos naturais, tinham o benefício de direcionar a direção do inimigo para o castelo. O local do castelo de Caerphilly do século XIII no País de Gales cobre 30 acres (12 ha) e as defesas aquáticas, criadas pela inundação do vale ao sul do castelo, são algumas das maiores da Europa Ocidental.
Embora sejam popularmente associados à Idade Média europeia, estruturas com funções semelhantes vêm sendo empregadas desde a Idade da Pedra por todo o planeta. Como exemplos mais recentes há os castelos do Japão e as fortificações dos Incas. Na China, por exemplo, o Palácio de Potala foi usado para refúgio de meditação pelo Rei Songtsen Gampo, que construiu, em 637, o primeiro palácio como saudação à sua noiva, a Princesa Wen Cheng da Dinastia Tang da China. Por volta de 1500, a inovação do baluarte angulado foi desenvolvida na Itália. Com desenvolvimentos como estes, a Itália foi pioneira em fortificações de artilharia permanentes, que assumiram o papel defensivo dos castelos. Das inovações italianas evoluíram as fortificações em estrela, também conhecida como "trace italienne" A elite responsável pela construção do castelo teve que escolher entre o novo tipo fortificação que poderia suportar fogo de canhão e o estilo anterior, mais elaborado. O primeiro era feio e desconfortável e o último não era seguro, embora ele não oferecesse mais apelo e valor estético como símbolo de status. A segunda escolha revelou-se mais popular, já que se tornou evidente que havia pouco interesse em tentar tornar o local genuinamente defensável em face a um ataque de canhão. Por uma variedade de razões, entre elas, o fato de muitos castelos não terem história registrada, não há um número firme de castelos construídos no período medieval. No entanto, estima-se que entre 75 000 e 100 000 foram construídos na Europa Ocidental; destes cerca de 1 700 foram na Inglaterra e País de Gales e cerca de 14 000 em áreas de língua alemã.
Antecedentes
Segundo o historiador Charles Coulson, a acumulação de riqueza e recursos, como alimentos, levou à necessidade de estruturas defensivas. As primeiras fortificações originaram-se no Crescente Fértil, no vale do Indus, no Egito e na China, onde os assentamentos eram protegidos por grandes muros.O norte da Europa foi mais lento do que o leste para desenvolver estruturas defensivas como os castros proto-históricos, que evoluíram para um reduto dominado por uma torre de vigilância, cercado por um fosso e por uma muralha. Não foi até a Idade do Bronze que castros se desenvolveram e começaram a se espalhar pela Europa. No período medieval, os castelos foram influenciados por formas anteriores de arquitetura da elite, contribuindo para variações regionais. Notavelmente, enquanto os castelos tinham aspectos militares, eles continham uma estrutura doméstica reconhecível dentro de seus muros, refletindo o uso multifuncional desses edifícios. A Península Ibérica, em particular Portugal, é uma região rica em castelos. Por exemplo, desde do período medieval (século I a.C.), o Castelo de Almourol, localizado no Ribatejo, em uma pequena ilha no meio do rio Tejo, foi reconstruído e concluído em 1171 pela Ordem dos Templários que, na época, era responsável pela defesa e pelo povoamento da região.
Origens (séculos IX e X)
O assunto do surgimento dos castelos é uma questão complexa que levou a debates consideráveis. As discussões tipicamente atribuíram o surgimento do castelo na Europa a uma reação aos ataques de Magiares, muçulmanos e viquingues e uma necessidade de defesa privada. A degradação do Império Carolíngio levou à privatização do governo, e os senhores locais assumiram a responsabilidade pela economia e pela justiça. No entanto, enquanto os castelos proliferaram nos séculos IX e X, a ligação entre períodos de insegurança e fortalecimento de fortificações nem sempre é diretamente relacionada. Algumas grandes concentrações de castelos ocorrem em lugares seguros, enquanto algumas regiões de fronteira tinham relativamente poucos castelos.
Século XI
A partir do ano 1000, as referências a castelos em textos como escrituras aumentaram bastante. Os historiadores interpretaram isso como prova de um aumento súbito no número de castelos na Europa por volta desse tempo; Isto foi apoiado por pesquisas arqueológicas que dataram os locais de construção do castelo através do exame de cerâmica. O aumento na Itália começou nos anos 950s, com o número de castelos aumentando entre três a cinco a cada 50 anos, enquanto em outras partes da Europa, como a França e a Espanha, o crescimento foi mais lento. Em 950, Provença era o lar de 12 castelos, no ano 1000, esse número havia aumentado para 30, e em 1030 era mais de 100. Embora o aumento tenha sido mais lento em Espanha, a segunda década do ano 1000 viu um crescimento particular no número de castelos na região, particularmente em áreas fronteiriças contestadas entre cristãos e muçulmanos.
Design e inovação científica (século XII)
Até o século XII, os castelos de pedra e terra e madeira eram contemporâneos, mas, no final do século XII, o número de castelos que estavam sendo construídos entrou em declínio. Isto tem sido parcialmente atribuído ao maior custo das fortificações construídas em pedra e à obsolescência de castelos de madeira e tijolos de barro, o que significava que era preferível construir um material mais durável. Embora substituídos por seus sucessores de pedra, os castelos de madeira e barro não eram inúteis. Isso é evidenciado pela manutenção contínua de castelos de madeira por longos períodos, às vezes vários séculos; O castelo de madeira de Owain Glyndŵr em Sycharth, do século XI, ainda estava em uso no início do século XV, sua estrutura foi mantida há quatro séculos.
Séculos XIII a XV
No início do século XIII, os castelos cruzados foram construídos principalmente por ordens militares, incluindo Ordem de Malta, Ordem dos Templários e Ordem Teutónica. As ordens foram responsáveis pela fundação de lugares como a Fortaleza dos Cavaleiros, Margat e Belvoir. O projeto arquitetônico variou não apenas entre as ordens, mas entre os castelos individuais, embora fosse comum que aqueles fundados nesse período possuíssem defesas concêntricas. O conceito, que se originou em castelos como a Fortaleza dos Cavaleiros, era remover a dependência de um ponto forte central e enfatizar a defesa das cortinas. Poderia haver vários anéis de paredes defensivas, um dentro do outro, com o anel interno subindo acima do exterior para que seu campo de fogo não estivesse completamente obscurecido. Se os atacantes passassem pela primeira linha de defesa, eles seriam apanhados na zona de morte entre as paredes interna e externa e teriam que atacar o segundo muro.
Advento da pólvora
A artilharia alimentada por pólvora foi introduzida na Europa na década de 1320 e se espalhou rapidamente. As armas de mão, que inicialmente eram imprevisíveis e imprecisas, não foram registradas até a década de 1380. Os castelos foram adaptados para permitir pequenas peças de artilharia — com média entre 19,6 e 22 quilogramas (43 e 49 libras) — para disparar das torres. Essas armas eram muito pesadas para que um homem carregasse e disparasse, mas, se ele apoiasse o final da extremidade e descansava o bocal na borda do portal, ele poderia disparar a arma. Os portais desenvolvidos neste período mostram uma característica única, a de uma madeira colocada horizontalmente em todas as aberturas. Um gancho no final da arma podia ser encaixado sobre a madeira, de modo que o artilheiro não precisava lidar com o recuo da arma. Esta adaptação é encontrada em toda a Europa e, embora a madeira raramente sobrevivesse, há um exemplo intacto no castelo de Doornenburg, na Holanda. Os portais têm forma de buraco de fechadura, com um furo circular na parte inferior para a arma e uma fenda estreita na parte superior para permitir que o artilheiro apontasse.
Uma vez selecionado o local de um castelo — seja uma posição estratégica ou uma que pretendia dominar a paisagem como marca de poder — o material de construção devia ser selecionado. Um castelo de barro e madeira era mais barato e mais fácil de erguer do que um construído a partir de pedra. Os custos envolvidos na construção não estão bem registrados e a maioria dos documentos sobreviventes relaciona-se com castelos reais. Um castelo com reparo de terra, mota e defesas de madeira e prédios, poderia ter sido construído por trabalhadores não qualificados. A fonte do poder da mão de obra era provavelmente do senhorio local, e os inquilinos já teriam as habilidades necessárias para derrubar árvores, cavar e trabalhar as madeiras necessária para um castelo de terra e madeira. Possivelmente coagidos a trabalhar para o seu senhor, a construção de um castelo de terra e madeira não teria sido um sorvedouro de fundos de um cliente. Em termos de tempo, estima-se que uma mota de tamanho médio — 5 metros de altura e 15 metros de largura no cume — teria levado 50 pessoas em 40 dias úteis. Uma mota e bailey excepcionalmente caro foi o de Clones na Irlanda, construído em 1211 por £20. O alto custo, em relação a outros castelos desse tipo, foi porque os trabalhadores tiveram que ser importados.
Devido à presença do senhor, um castelo era um centro de administração de onde ele controlava suas terras. Ele dependia do apoio daqueles abaixo dele, pois, sem o apoio de seus arrendatários mais poderosos, um senhor poderia esperar que seu poder fosse corroído. Os senhores bem-sucedidos regularmente mantinham uma corte com aqueles imediatamente abaixo deles na escala social, mas os ausentes poderiam encontrar sua influência enfraquecida. As senhorias maiores poderiam ser vastas, e seria impraticável para um senhor visitar todas as suas propriedades regularmente para que os procuradores fossem nomeados. Isto é aplicado especialmente à realeza, que por vezes, possuía propriedades em diferentes países. Para permitir que o senhor se concentrasse em seus deveres em relação à administração, ele tinha uma criadagem para cuidar das tarefas, como fornecer comida. A casa era administrada por um camareiro, enquanto um tesoureiro cuidava dos registros escritos da propriedade. A casa era administrada por um camareleiro, enquanto um tesoureiro cuidava dos registros escritos da propriedade. As famílias reais tinham essencialmente a mesma forma de relação de vassalagem que as famílias barônicas, embora em uma escala muito maior e as posições fossem mais prestigiadas. Um papel importante dos funcionários domésticos foi a preparação de alimentos; as cozinhas do castelo teriam sido um lugar de grande actividade quando o castelo estava ocupado, convocada para fornecer grandes refeições. Sem a presença de um senhor, geralmente porque ele estava hospedado em outro lugar, um castelo teria sido um lugar calmo e com poucos residentes, focado na manutenção do castelo. Como os centros sociais castelos eram locais importantes para ostentação. Os construtores aproveitaram a oportunidade para se basear no simbolismo, através do uso de motivos temáticos, para evocar um sentimento de cavalaria que era aspirado na Idade Média entre a elite. As estruturas posteriores do renascimento romântico se baseiam em elementos da arquitetura do castelo, como ameias para o mesmo propósito. Os castelos foram comparados com catedrais como objetos de orgulho arquitetônico e alguns castelos incorporaram jardins como características ornamentais. O direito de colocar ameias entre merlões numa muralha, quando concedido por um monarca — embora nem sempre era necessário — era importante, não apenas porque permitia que um senhor defendesse sua propriedade, mas porque as ameias coroando a muralha e outros acertos associados a castelos eram prestigiosos através do uso deles pela elite. As licenças para ameias no parapeito também eram prova de um relacionamento ou favor do monarca, que era o responsável pela concessão de permissão.
O posicionamento dos castelos foi influenciado pelo terreno disponível. Enquanto castelos em colinas como Marksburg eram comuns na Alemanha, onde 66 por cento de todos castelos medievais conhecidos eram em região serrana enquanto 34 por cento estavam em terras baixas, eles eram uma minoria na Inglaterra. Devido à gama de funções que tinham de cumprir, castelos foram construídos em uma variedade de locais. Vários fatores foram considerados na escolha de um local, equilibrando entre a necessidade de uma posição defensável com outras considerações, tais como a proximidade de recursos. Por exemplo, muitos castelos estão localizados perto de estradas romanas, que permaneceram como importantes rotas de transporte na Idade Média, ou poderiam levar à alteração ou criação de novos sistemas rodoviários na área. Onde estava disponível, era comum explorar defesas preexistentes, como a construção de um forte romano ou as muralhas de um castro da Idade do Ferro. Um local proeminente com vista elevada da área circunvizinha e oferecia algumas defesas naturais ou também pode ter sido escolhido porque sua visibilidade fez-lhe um símbolo do poder. Os castelos urbanos eram particularmente importantes no controle de centros populacionais e de produção, especialmente com uma força invasora, por exemplo depois da conquista normanda da Inglaterra no século XI, a maioria dos castelos reais foi construída dentro ou perto de cidades.
Como qualquer estrutura estática, os castelos geralmente poderiam ser evitados. Sua área de influência imediata era de cerca de 400 metros e suas armas tinham um curto alcance, mesmo no início da era da artilharia. No entanto, deixar um inimigo para trás permitiria que eles interferissem com as comunicações e fizessem ataques de surpresa. Guarnições eram caras e, como resultado, eram pequenas, a menos que o castelo fosse importante. O custo também significava que, no período de paz, as guarnições eram menores, e pequenos castelos eram ocupados por, talvez, um par de vigias e guardas de portão. Mesmo na guerra, as guarnições não eram necessariamente grandes, pois muitas pessoas em uma força defensora colocariam esforço excessivo nos suprimentos e prejudicariam a capacidade do castelo de suportar um longo cerco. Em 1403, uma força de 37 arqueiros defendeu com sucesso o castelo de Caernarfon contra dois assaltos dos aliados de Owain Glyndŵr durante um longo cerco, demonstrando que uma pequena força poderia ser efetiva.


