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Cazuza

Agenor de Miranda Araújo Neto OMC, mais conhecido como Cazuza, foi um cantor, compositor e poeta brasileiro. Além do reconhecimento por sua aclamada carreira musical, tornou-se um símbolo da luta contra a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), que o acometeu e causou sua morte precoce em 1990. Inicialmente conhecido como vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho, na qual fez uma bem-sucedida parceria com Frejat, posteriormente seguiu carreira solo, sendo aclamado pela crítica como um dos principais letristas da música brasileira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Biografia

Início da vida e influências

Filho da filantropa Lucinha Araújo (n. 1936) e do produtor musical João Araújo (1935–2013), Cazuza recebeu o apelido mesmo antes do nascimento. Foi registrado como Agenor por insistência de sua avó paterna. Na infância, Cazuza nem sequer sabia seu nome verdadeiro, por isso não respondia à chamada na escola. Só mais tarde, quando descobriu que um de seus compositores prediletos, Cartola, também se chamava Agenor (oficialmente Angenor, por um erro do cartório), começou a aceitar o nome. Cazuza sempre teve contato com a música. Influenciado desde pequeno pelos grandes nomes da música brasileira, tinha preferência pelas canções dramáticas e melancólicas, como as de Cartola, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Maysa e Dalva de Oliveira. Era também grande fã da roqueira Rita Lee, para quem chegou a compor a letra da canção "Perto do Fogo", que Rita musicou. Cazuza cresceu no bairro do Leblon e estudou no Colégio Santo Inácio, até mudar para o Colégio Anglo-Americano, para evitar reprovação. Como os pais às vezes saíam à noite, o filho único ficava na companhia da avó materna, Alice. Por volta de 1965 começou a escrever letras e poemas, que mostrava à avó. Graças ao ambiente profissional do pai, Cazuza cresceu em volta dos maiores nomes da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, entre outros. A mãe, Lucinha Araújo, também cantava e gravou três discos.

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Carreira

1981–85: Início da carreira e Barão Vermelho

A banda Barão Vermelho, que até então foi formada por Roberto Frejat (guitarra), Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclado) e Guto Goffi (bateria), gostou muito do vocal berrado de Cazuza, que logo mostrou à banda letras que havia escrito. Como muitos de seus poemas não tinham uma melodia própria, o guitarrista Frejat passa a compor músicas para as letras do vocalista, formando uma das duplas mais festejadas do rock brasileiro. Dali para frente, a banda que antes só tocava covers passa a criar um repertório próprio. Nesta mesma época, Cazuza conhece o produtor musical, jornalista e escritor Ezequiel Neves, com quem desenvolveu uma forte amizade e uma relação similar a discípulo e mentor. Após ouvir uma fita demo com as músicas do Barão, Ezequiel resolveu produzi-los e convenceu o diretor artístico da Som Livre, Guto Graça Mello, a gravar a banda. Juntos convencem o relutante João Araújo a apostar no projeto de seu filho.

1985–90: Carreira solo

Em outubro de 1985, foi internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, para ser tratado por de pneumonia. Cazuza exigiu fazer um teste de HIV, do qual o resultado foi negativo. Em novembro de 1985, foi lançado o primeiro álbum solo, Exagerado. Este foi lançado ao público simplesmente como "Cazuza", mas foi renomeado popularmente devido ao sucesso da canção de mesmo nome composta em parceria com Leoni. O álbum foi um sucesso, alcançando a marca de 50 mil cópias vendidas e emplacando hits como "Codinome Beija-Flor", "Medieval II" e o hit "Exagerado", que se torna um dos maiores sucessos e marca registrada do cantor. No ano seguinte, Cazuza reencontra os membros do Barão Vermelho durante os bastidores do programa Globo de Ouro por intermédio de Ezequiel Neves. A reconciliação reavivou o apreço e o respeito e consolidou a amizade e a parceria musical entre os amigos, apesar da distância. Ainda em 1986, durante uma descontraída roda de violão de madrugada, Dé Palmeira, baixista do Barão, Bebel Gilberto e Cazuza compuseram e gravaram a demo de "Preciso Dizer que Te Amo", que se tornou sucesso na voz de Marina Lima e ganhou o Prêmio Sharp de Música Brasileira de 1988 na categoria de Melhor Música de Pop-Rock. Cazuza também recebeu um troféu na mesma cerimônia como Melhor Cantor de Pop-Rock, que dedicou em discurso aos seus pais.

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Vida pessoal

Relacionamentos

Cazuza teve diversas experiências amorosas; Em entrevistas, o cantor se assumiu bissexual, tendo se relacionando com homens e mulheres ao longo da vida. — Palavras de Cazuza, segundo sua mãe, quando questionado por ela sobre sua sexualidade, em trecho do livro Só as Mães São Felizes (1997) Um de seus relacionamentos conhecidos da juventude foi o com Patrícia Casé, irmã da atriz Regina Casé, com quem morou junto por seis meses. Após o término, teve um curto e intenso romance com o cantor Ney Matogrosso, a quem conheceu em 1979, época em que Cazuza tinha 22 anos e Ney 39. Segundo Matogrosso, o relacionamento foi breve, somente quatro meses, e terminou por conta da personalidade explosiva de Cazuza e seus problemas com drogas; Mesmo assim, foi algo significativo para os dois, tendo ambos permanecido amigos próximos até sua morte. Em 1984, Cazuza teve um breve relacionamento amoroso com a atriz Denise Dumont, uma outra grande amiga. Porém, o relacionamento mais duradouro do cantor foi com um jovem ator chamado Sérgio Maciel, apelidado de "Serginho", que integrava o grupo de artistas que andavam com o cantor. Os dois mantinham um relação aberta e onde, segundo o roteirista Victor Navas, "não havia nenhum preceito de fidelidade monogâmica".

Doença e morte

Em outubro de 1989, depois de quatro meses a base de um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza partiu novamente para Boston com infecção de um citomegalovírus. Sem melhora, a equipe médica americana informa à família que não havia mais o que ser feito e, assim, ele volta ao Rio de Janeiro no dia 9 de março de 1990. Pesando apenas 38 quilos e quase sem forças, ele continuou com bom humor, frequentando shows, visitando lugares e amigos ao longo de seus últimos meses. Na manhã do dia 7 de julho de 1990, Cazuza morreu no apartamento de seus pais, em Ipanema, aos 32 anos, por um choque séptico causado pela AIDS. O enterro, que contou com mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs, ocorreu no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro. Pela tarde, o caixão de Cazuza, coberto de flores e lacrado, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho e pelo amigo Ezequiel Neves ao som de aplausos e suas músicas cantadas em coro pelos presentes.

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Legado

O estilo, a habilidade vocal e a obra produzida por Cazuza tiveram um impacto significante na música popular brasileira. Isso deu-lhe o título de um dos maiores vocalistas masculinos de música contemporânea. Escrevendo para a coluna Combate Rock no UOL, o critico de música Marcelo Moreira escreveu que "Além da evidente qualidade de seus textos e letras, o que faz dele o melhor cantor do nosso rock era a irreverência e a capacidade de ironizar a todos, inclusive a si próprio". Completando que "Sua própria existência foi o maior legado que deixou, fazendo dele um símbolo daquele pulsante e necessário rock brasileiro dos anos 1980. De acordo com a revista Rolling Stone Brasil: "Cazuza vive na memória da música brasileira entre lendas sobre seu temperamento passional. Mas o que lhe garante a posteridade é a obra que transcendeu o universo do rock ao se aproximar da MPB com uma poesia sempre cortante no fio da navalha. Uma obra pautada por um desespero paradoxalmente esperançoso".

Lançamentos póstumos

Em 1991, no mês em que Cazuza completaria 33 anos de idade, foi lançado o álbum Por Aí. Lançado pela PolyGram e produzido por Ezequiel Neves e João Rebouças, este foi o último disco de canções inéditas do cantor, contendo gravações que não constaram nos anteriores. Em 2005, as gravações ao vivo no Teatro Ipanema em apresentações para divulgação do álbum Só Se For a Dois foram reunidas no álbum O Poeta Está Vivo - Ao Vivo no Teatro Ipanema 1987, publicado pela Som Livre e Universal Music Group. O repertório consiste nos sucessos da carreira de Cazuza até aquele momento, tanto junto ao Barão Vermelho quanto em sua carreira solo. Em 2017, a coletânea Exagerado contou com a canção inédita "Dia dos Namorados", parceria do poeta com o guitarrista Perinho Santana. Originalmente gravada em 1987, o produtor Nilo Romero, que refez os arranjos para o lançamento, convidou o cantor Ney Matogrosso para fazer participação na música. Ney, que namorou com Cazuza no fim dos anos 70, já havia gravado composições de Cazuza, como "Pro Dia Nascer Feliz", "Por Que A Gente É Assim?" e "Poema", porém eles nunca tenham feito um dueto. Esta, apesar dos anos de diferença entre as gravações de um e outro, é o único registro dos dois cantores numa mesma faixa.

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Fontes consultadas

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