Célia Xakriabá
Célia Nunes Correa, também conhecida como Célia Xakriabá, é uma professora ativista indígena brasileira povo Xakriabá em Minas Gerais, Brasil filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). A luta dela se concentra na reestruturação do sistema educacional, e no apoio às mulheres e à juventude dentro dos Xakriabá; e na mudança das fronteiras geográficas para manter o território do seu povo. Em 2022, tornou-se a primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal por Minas Gerais, com 101 078 votos.
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Célia Xakriabá fez os seus estudos de Educação Básica na Escola Indígena Estadual Xukurank, em São João das Missões, Minas Gerais. Mais adiante, fez parte da primeira turma de Educação Indígena da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2013. Obteve mestrado em Desenvolvimento Sustentável, Área de Concentração em Sustentabilidade Junto a Povos Tradicionais, na Universidade de Brasília (UNB), onde estudou por dois anos, de 2016 e 2018. Primeira mestra de seu povo, ela atualmente cursa o doutorado em Antropologia na UFMG.
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Em 2015, com apenas 25 anos de idade, Célia foi a primeira mulher indígena que entrou para formar parte da equipe do órgão central da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, permanecendo até 2017. “A minha entrada aqui foi um convite da própria secretária. Eu falei para ela que há várias pessoas com o perfil mais direcionado e com grande experiência nessa área. Porém, ela disse que o fato de ser mulher, jovem e de vir dessa militância há 13 anos foram importantes nessa escolha”. Desde tal posição ela luta pelos direitos das línguas indígenas ameaçadas. Trabalhou na Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais do Ensino, aportando os seus conhecimentos sobre as culturas indígenas e integrá-las no currículo de ensino. Em 2019, iniciou assessoria parlamentar como membra do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) no mandato da deputada federal Áurea Carolina (PSOL). Em 2022 Xakriabá tornou-se a primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal (PSOL) por Minas Gerais, com 101 078 votos.
Luta pela demarcação de terras
Célia Xakriabá acredita que o problema principal dos povos indígenas no Brasil é a demarcação territorial. Este direito estava reconhecido na Constituição brasileira de 1988, mas foi contestado pela PEC 215, que dá o poder de mudar as demarcações territoriais indígenas ao Congresso Nacional em vez dos órgãos do Estado especializados na questão indígena, como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Assim, os territórios indígenas que não foram reconhecidos antes de 1988 agora têm muitos obstáculos para conseguir seu reconhecimento. Sem a demarcação, os territórios indígenas são invadidos, e seus recursos naturais são levados. A relação entre o povo e a terra indígena não é apenas material, também tem uma dimensão espiritual. Por isso, Célia Xakriabá propõe um reconhecimento real dos direitos e dos territórios indígenas, e também a integração dos povos indígenas nas narrativas da história, cultura e memória do Brasil, sem preconceitos nem prejuízos.
Educação indígena no Brasil
Célia defende que as escolas dos povoados indígenas tem que oferecer uma educação baseada nos conhecimentos indígenas e nos processos pedagógicos de cada povo, que são diferentes devido aos seus contextos diferentes. Também fala da indigenização, quilombolização e camponização das escolas ocidentais, para que os alunos que não são parte dessas comunidades possam aprender dos outros povos que constituem o país. Ela acha que a escola indígena quer usar a relação entre as pessoas e o território para ensinar como ensinar e que o estado deve garantir o acesso ao ensino médio para os povos indígenas. Além disso, o calendário das escolas tem que refletir os eventos importantes da comunidade e não as datas impostas pelo calendário gregoriano, como o Carnaval, que não tem significado para os povos indígenas.
O papel da mulher indígena
Em muitos artigos, entrevistas e palestras, Célia menciona como as mulheres indígenas são tratadas. Ela chama a atenção para a ausência das mulheres nas posições de poder, como posições políticas, e indica que esta falta de representação pode contribuir para a violência contra este grupo. Segundo a ativista, a influência das mulheres também é limitada pela maneira em que as escolas apresentam a história da colonização. Esta declaração revela de novo o seu desejo de mudar o sistema educacional existente.
Discursos e apresentações
Como resultado da sua educação e sua posição política, Célia recebeu convites para falar em diferentes eventos e programas. Por exemplo, ela visitou a Universidade de Brasília e participou em uma entrevista distribuída por Futura Play, uma organização que dedica-se em representar a diversidade do Brasil. Em agosto de 2018, Célia falou na Universidade de Brasília para um público de estudantes indígenas. Ela enfatizou a importância da diversidade e também descreveu como a universidade forma a identidade ao mesmo tempo que a identidade forma a experiência universitária. Quando foi à Universidade de Brasília em março de 2018, Célia deu uma palestra que chamava-se “Mulheres indígenas, resistência e protagonismo”. Durante a apresentação, Célia notou o alto nível de engajamento das mulheres na luta pelos direitos de povos indígenas. Explicou que, hoje em dia, a participação da mulher nos conflitos cotidianos está aumentando.
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Na Câmara dos Deputados, Célia Xakriabá destacou-se por discursos relacionados aos direitos indígenas, à proteção ambiental, à demarcação de terras e à defesa dos povos originários. Sua atuação parlamentar também incluiu debates sobre educação indígena, preservação cultural e políticas públicas voltadas às populações tradicionais. Os pronunciamentos de Célia Xakriabá frequentemente abordam críticas ao avanço do desmatamento, da mineração e de projetos considerados prejudiciais às comunidades indígenas. Sua atuação parlamentar passou a ser associada à ampliação da presença indígena nos espaços institucionais da política brasileira.
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A atuação intelectual e política de Célia Xakriabá é frequentemente relacionada ao conceito de cosmopolítica indígena, associado à valorização de perspectivas originárias sobre território, natureza e coletividade. Em seus discursos e produções públicas, a parlamentar defende concepções indígenas de relação com o meio ambiente, contrapondo-se a modelos econômicos considerados predatórios. Sua atuação também dialoga com debates acadêmicos e políticos sobre decolonialidade, direitos territoriais e pluralidade de formas de conhecimento. A defesa da ancestralidade, da memória coletiva e da preservação ambiental aparece como elemento recorrente em sua trajetória pública.
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Célia Xakriabá tornou-se uma das principais representantes do movimento indígena contemporâneo no Brasil. Sua atuação política e social está ligada às mobilizações em defesa da demarcação de terras indígenas, da proteção ambiental e da ampliação da representação indígena nas instituições públicas. A parlamentar também participa de debates sobre educação intercultural, preservação linguística e valorização das culturas originárias. Sua presença na política institucional é frequentemente apontada como parte do crescimento da participação indígena na vida política brasileira no século XXI.


