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Chade

Chade, também chamado de Tchade, oficialmente República do Chade é um país sem acesso ao mar, localizado no centro-norte da África. Faz fronteira com a Líbia a norte, com o Sudão a leste, com a República Centro-Africana a sul, com Camarões e Nigéria a sudoeste e com o Níger a oeste. Encontra-se dividido em três grandes regiões geográficas: a zona desértica no norte, o cinturão árido do Sael no centro e a savana sudanesa fértil no sul. O Lago Chade, do qual o país obteve o seu nome, é o segundo maior corpo de água da África e o maior do país. O ponto mais alto do Chade é o Emi Koussi no Deserto do Saara. Sua capital e cidade mais populosa é Jamena. O país abriga mais de duzentas etnias. Os idiomas oficiais são o árabe e o francês, enquanto as religiões oficiais são o islã e o cristianismo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Etimologia

A etimologia de "Chade", que também pode ser escrito como "Tchade" ou "Tchad", deriva de um dos principais corpos de água do país, o Lago Chade. A palavra "Chade" em algumas línguas locais significa "lago" ou "grande corpo de água".

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História

A partir do sétimo milênio antes de Cristo, as condições ecológicas em parte do território chadiano favoreceram os assentamentos humanos e a região apresentou um alto crescimento demográfico. Alguns dos sítios arqueológicos mais importantes se encontram no Chade, entre eles destaca-se a região de Borcu-Enedi-Tibesti. Por mais de dois mil anos, o Chade estava sendo povoado por grupos agrícolas sedentários e várias civilizações viveram na região. A primeira delas foi a civilização saô, conhecido por seus simples artefatos e tradições orais. Os saôs caíram ante o Império de Canem, o primeiro mais duradouro dos impérios que se assentaram na região que corresponde atualmente ao Sael chadiano durante o primeiro milênio. O poderio do Império de Canem e de seus sucessores foi baseado no controle de rotas do comércio transaariano que cruzava a região. Esses estados nunca estenderam seu domínio até os vales férteis do sul, exceto ao comércio de escravos.

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Geografia

Com 1,284 milhões de quilômetros quadrados, o Chade é o vigésimo primeiro maior país do mundo, sendo um pouco menor que o Peru e a África do Sul. O Chade está localizado no norte da África Central, entre os paralelos 8º e 24º norte e os meridianos 14º e 24º leste. Limita-se a norte com a Líbia, a leste com o Sudão, a oeste com Níger, Nigéria e Camarões e ao sul com a República Centro-Africana. A capital do país está a 1 060 quilômetros do ponto mais próximo (Duala em Camarões). Devido à distância ao mar e ao clima predominantemente desértico no país, o Chade é muitas vezes referido como o "coração morto da África". As fronteiras do Chade não coincidem com nenhuma fronteira natural, herança de seu período colonial. A estrutura física predominante é uma bacia ampla limitada no norte e leste, e ao sul por cadeias montanhosas. O Lago Chade, do qual o país obteve seu nome, são restos de um imenso lago que já ocupou mais de 330 000 quilômetros quadrados da bacia chadiana há mais de setecentos mil anos, ainda que atualmente apenas 1 500 quilômetros quadrados de sua superfície esteja a sujeita a fortes flutuações estacionárias. Este lago é o segundo maior corpo de água da África. O Emi Koussi, vulcão inativo no monte Tibesti, alcança 3 415 metros de altitude, sendo o ponto mais alto do país e do Saara, estando localizado na fronteira do Chade no Deserto do Saara.

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Demografia

Estudos de 2005 calculam a população do Chade em 10 146 000 habitantes: 25,8% vivem em áreas urbanas e 74,2% em rurais. A população do país é jovem. Estima-se que 47,3% tenha menos de 15 anos. A taxa de natalidade é de cerca de 42,35 nascimentos por 1 000 pessoas, a taxa de mortalidade é de 16,69. A esperança média de vida alcança de 47,2 anos. A população do Chade é distribuída de forma desigual. A densidade populacional é de 0,1/km² (extremamente baixa) na região saariana de Borcu-Enedi-Tibesti, enquanto na região do Logone Ocidental chega a 52,4/km². Na capital, ainda é mais elevada: aproximadamente metade da população deste estado vive no sul deste território, que o converte na região mais densamente povoada. A vida urbana se encontra restringida virtualmente na capital, onde a população se dedica principalmente no comércio. As outras principais cidades são Sarh, Mundu, Abéché e Doba, onde, ainda que sejam menos urbanizadas, estão crescendo rapidamente e se unem à capital como centros decisivos ao crescimento de sua economia. Desde 2003, 230 000 refugiados sudaneses têm deslocado ao leste do Chade fugindo da região de Darfur. Com os 172 000 chadianos deslocados pela guerra civil no leste, este acontecimento tem gerado tensões crescentes entre as comunidades da região.

Línguas

As línguas oficiais do país são o francês e o árabe, porém, mais de cem idiomas e dialetos são falados pelo país. Devido ao importante papel desempenhado por comerciantes árabes itinerantes e mercadores estabelecidos em comunidades locais, o árabe chadiano foi convertido em língua franca.

Religião

O Chade é um país religiosamente diverso. O censo de 1993 mostrou que 54% dos chadianos eram muçulmanos, 20% católicos romanos, 14% protestantes, 10% animistas e 3% ateus. O animismo inclui uma variedade de religiões ancestrais. O islã, que é caracterizado por um conjunto ortodoxo de crenças e celebrações, expressa-se de diversas formas. O cristianismo chegou ao Chade através dos franceses; como também o islã foi mesclado por meio de vários aspectos das crenças dos antigos povos que habitaram o território.[falta página] A maior parte dos muçulmanos se concentra no norte e leste do Chade, enquanto cristãos e animistas vivem na parte sul. A constituição estabelece um estado laico e garante a liberdade religiosa; geralmente, as diferentes comunidades religiosas coexistem sem problemas.

Densidade

A densidade populacional no Chade era de 13,04 pessoas por um metro quadrado em 2020. No entanto, a população está distribuída de forma desigual. De acordo com o censo do país de 2009, a densidade é de cerca de 1 habitante por km² na região saariana de Borkou-Ennedi-Tibesti, na metade norte do país, mas quase 40 no sul, com mais de 95 habitantes por km² na região de Logone Ocidental. Como a distribuição da população do país depende em grande parte das condições climáticas, o Chade pode ser dividido em três zonas, que podem ser descritas como zonas geoclimáticas. Na região saariana de Borkou-Ennedi-Tibesti, que tem o tamanho da França continental e representa quase metade da superfície do Chade, quase não chove. As atividades agrícolas são limitadas e apenas 5% da população chadiana vive nesta área. No centro do país fica a zona saheliana. Esta segunda parte, quase tão grande quanto a primeira (43% da área total do país), inclui as regiões de Batha, Biltine, Ouaddaï, Guéra, Kanem, Salamat e Chari Baguirmi.

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Política

A constituição estabelece um forte poder executivo encabeçado pelo presidente, que domina o sistema político. O presidente tem o poder de nomear o primeiro-ministro e exerce uma influência considerável sobre a nomeação de juízes, generais, funcionários provinciais e chefes de empresas paraestatais. Em caso de ameaças graves ou imediatas, há a consulta à assembleia nacional, que declara estado de emergência. O presidente é eleito por meio do voto direto e popular para um mandato de cinco anos. Embora em 2005 o tempo de mandato tenha sido abolido na constituição, ainda é permitido ao presidente permanecer no poder por mais de cinco anos. O sistema legal do Chade é baseado no direito civil francês e no direito alfandegário, onde este último interfere na ordem pública ou em garantias constitucionais de igualdade. Apesar de a garantia da constituição da independência do poder judiciário, é o presidente que nomeia a maioria dos funcionários judiciais. As jurisdições mais altas do sistema jurídico, a Suprema Corte de Justiça e o Conselho Constitucional, têm voltado plenamente operativos. A Suprema Corte é formada pelo chefe da justiça, nomeado pelo presidente e quinze vereadores, designados vitalícios pelo presidente e assembleia nacional. O tribunal está encabeçado por nove juízes eleitos para um período de nove anos. Este tribunal se encarrega de examinar a legislação, os tratados e acordos internacionais antes de sua adoção.

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Subdivisões

Desde 2012, o Chade está dividido em 23 províncias. Em 2018, o governo nacional publicou uma nova portaria sobre a criação de unidades administrativas e comunidades autônomas, dividindo o território nacional em 23 províncias, 107 departamentos e 377 comunas. Os nomes das antigas regiões administrativas permanecem os mesmos, mas agora elas foram rebatizadas como “províncias”. A última grande reforma em julho de 2024, objeto da Portaria nº 001/PR/2024, reestruturou as unidades administrativas em 23 províncias, 120 departamentos e 454 subprefeituras. A cidade de Jamena tem status especial de capital do país e está dividida em 10 arrondissements. A subdivisão do Chade surgiu em um processo de descentralização, quando o governo aboliu as quatorze prefeituras anteriores. Essas unidades administrativas foram projetadas para atuar como retransmissores do Estado em nível local. Cada província (ou região, como foi anteriormente conhecida entre 2002 e 2018) é encabeçada por um governador designado pela presidência. A reforma institucional que introduziu uma nova organização administrativa para o país reorganizou não também os departamentos, administrados por um prefeito, e subdivididos em subprefeituras. No nível mais baixo estão os cantões. Formalmente cada entidade territorial deve ser governada por uma assembleia eleita, embora não tenham sido realizadas eleições para instalar essas assembleias locais.

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Economia

O Índice de Desenvolvimento Humano da ONU coloca o Chade como o sétimo país mais pobre do mundo, já que 80% da população vive abaixo da linha de pobreza. Seu PIB per capita em 2005 foi estimado em 1 600 dólares. O Chade é membro do Banco dos Estados da África Central e da Comunidade Econômica dos Estados da África Central. Sua moeda é o franco CFA. A guerra civil afastou os investidores estrangeiros, que deixaram o Chade entre 1979 e 1982; apenas recentemente têm começado a recuperar a confiança no futuro econômico do país. Desde 2000 um importante investimento estrangeiro derivado do setor petrolífero começou, o qual deu impulso às perspectivas econômicas. Mais de 80% da população sobrevive da agricultura de subsistência e garantia ao seu sustento. Os cultivos e a localização dos rebanhos é determinado pelo clima local. Na zona mais austral do território, encontram-se 10% das terras agrícolas mais férteis do país, com cultivos ricos de sorgo e milhete. No Sael crescem apenas as variedades mais duras do milho, ainda que no sul a quantidade seja menor. Por outro lado, a região do Sael é ideal ao pastoreio de rebanhos maiores, como cabras, ovelhas, burros e cavalos. Os oásis dispersos pelo Deserto do Saara só produzem tâmaras e alguns legumes.[falta página] Antes do desenvolvimento da indústria petrolífera, quem dominava o mercado de trabalho era a indústria do algodão e representava mais de 80% dos lucros das exportações. O algodão ainda segue sendo a principal atividade exportadora, embora ainda não disponha de cifras exatas. A reabilitação de uma empresa de algodão mais importante do Chade, a Cotontchad, provocou um declínio nos preços do algodão a nível mundial, financiada por França, Países Baixos, União Europeia e Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, onde se espera que a empresa paraestatal passe ao setor privado.

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Infraestrutura

A educação enfrenta restos consideráveis devido à dispersão da população do país e a um certo grau de renúncia por parte dos pais a enviar seus filhos à escola. Ainda que a assistência seja obrigatória, apenas 68% das crianças frequentam o ensino primário e mais da metade da população é analfabeta. A educação superior é distribuída na Universidade de Jamena. Muitas cidades chadianas também enfrentam graves dificuldades quando à infraestrutura municipal: apenas 48% dos residentes urbanos têm acesso à água potável e apenas 2% a condições de saneamento básico. O sistema de telecomunicações é simples, porém caro. O serviço de telefonia fixa proporciona a companhia telefônica de estado SotelTchad. Existem apenas quatorze mil linhas telefônicas fixas no Chade, um dos mais baixos índices de densidade de linhas telefônicas do mundo. A audiência televisiva no país é limitada à capital, Jamena. A única emissora de televisão no país é a TeleTchad. O rádio tem um alcance muito maior, com três estações de rádio privadas. Os jornais estão limitados em quantidade e distribuição e as cifras de circulação são muito pequenas devido aos custos com transporte, baixas taxas de alfabetização e pobreza. Enquanto a Constituição defende a liberdade de expressão, o governo tem restringido regularmente este direito e no final de 2006 começou uma censura prévia sobre os meios de comunicação.

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Cultura

Devido à sua grande variedade de idiomas e povos, o Chade possui um rico patrimônio cultural. O governo do Chade tem promovido ativamente sua cultura e tradições orais, abrindo o Museu Nacional do Chade e o Centro Cultural do Chade. Ao longo dos anos, os chadianos celebram seis festas nacionais e duas festas móveis que incluem a festividade cristã da Segunda-feira de Páscoa e as festividades muçulmanas de Eid ul-Fitr, Eid al-Adha e Eid Milad Nnabi. Quanto à música, os chadianos tocam instrumentos como o kinde, um tipo de harpa de arco; o kakaki, instrumento largo feito de estanho e o hu hu, instrumento feito de cordas que usam cabaças de alta-voz. Outros instrumentos e combinações estão vinculados a grupos étnicos específicos: os sara preferem assovios, harpas e tambores kodjo; enquanto os canembus combinam sons de tambores com instrumentos de sopro. Em 1964, foi formado o grupo musical Chari Jazz, que se tornou palco da música moderna no Chade. Mais tarde, grupos com mais reputação, como African Melody e International Challal tentaram unir a modernidade e a tradução em suas músicas. Grupos populares, como o "Tibesti", têm-se expandido com maior rapidez à sua herança cultural ao interpretar a música Sai, estilo tradicional do sul do Chade. O povo chadiano tem desprezado de forma habitual a música moderna. No entanto, desde 1995, um maior interesse se desenvolveu e fomentou a distribuição de CDs e videocassetes de áudio de artistas chadianos. A pirataria e a falta de garantias jurídicas aos direitos dos artistas segue sendo problemas ao desenvolvimento da indústria musical no Chade.

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Fontes consultadas

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