Charlie Brown Jr.
Charlie Brown Jr. foi uma banda de rock brasileira formada em Santos, em 1992, tendo em sua formação original o vocalista Chorão, o baixista Champignon, os guitarristas Marcão Britto e Thiago Castanho, além do baterista Renato Pelado. Sua discografia contabiliza dez álbuns de estúdio lançados, três álbuns ao vivo e sete DVDs. Com exceção de Chorão, todos os membros da banda são naturais de Santos, uma vez que o vocalista é natural de São Paulo.
Contrariando as expectativas sobre o fim da banda, Chorão veio com uma nova formação para o Charlie Brown Jr. O novo núcleo era baseado na cidade de Santos, onde a banda surgiu. Thiago Castanho, guitarrista que fez parte dos três primeiros discos da banda, retornou ao grupo. Dois novos músicos assumiram, respectivamente, a bateria e o baixo; André Luís Ruas, conhecido como Pinguim; e Heitor Gomes, filho do baixista Chico Gomes. Em 2005, foi lançado o sétimo álbum de estúdio do grupo, Imunidade Musical, primeiro álbum da nova formação, no qual a sonoridade da banda foi restabelecida através de 23 faixas e se tornou um álbum emblemático na trajetória da banda. O álbum gerou quatro singles: "Lutar Pelo Que é Meu" (que substituiu "Te Levar Daqui" nas aberturas da 13ª e 14ª temporada do seriado Malhação), "Ela Vai Voltar (Todos os Defeitos de Uma Mulher Perfeita)", "Senhor do Tempo" e "Dias de Luta, Dias de Glória".
Antecedentes
Em 1987, Chorão se mudou da zona norte da cidade de São Paulo para Santos, litoral de São Paulo, após uma infância traumática. Passou a se interessar pela prática do skate, chegando a figurar nas melhores posições do ranking de vários campeonatos brasileiros. Ele teve uma entrada repentina no cenário musical. Um dia, em um bar local, substituiu o vocalista de uma banda, quando este precisou ir ao banheiro. Uma pessoa da plateia, ao vê-lo cantar, fez um convite para integrar sua banda. Em 1990, quando o baixista saiu, Champignon, com apenas 12 anos de idade, foi apresentado a Chorão por músicos conhecidos que frequentavam o mesmo estúdio do cantor, na cidade de São Vicente, para fazer um teste para baixista. Os dois formaram então a banda What's Up. Não há registros da What's Up disponíveis na internet, mas a banda, segundo relatos, fazia um som semelhante ao thrash metal, hardcore punk e crossover. As letras eram em inglês e a pegada era como a de bandas como Biohazard e Suicidal Tendencies. Os dois tentaram divulgar a banda pela cidade.
1993–97: Demo e álbum de estreia
Em 1993, a banda começou a se destacar em Santos. Nesta época, a banda contou com a ajuda de amigos, como Pepinho Macia, da loja Metal Rock, frequentada por Champignon. Foi ele quem inscreveu a banda no festival da Move’s Bar no qual o CBJr terminou em terceiro lugar. Sempre que a banda se apresentava em casas noturnas, Champignon, menor de idade, tinha que levar uma autorização judicial para acompanhar o grupo. Foi nesta época Champignon começou a namorar a cunhada de um produtor musical chamado Tadeu Patolla. Um dia, Champignon apresentou a Patolla uma fita demo da banda, com três faixas, que seriam gravadas no primeiro álbum da banda. Percebendo que a banda tinha potencial, Patolla apresentou a fita demo a um amigo, o também produtor musical Rick Bonadio, então presidente da Virgin Records no Brasil e produtor dos Mamonas Assassinas.
1999–2000: Preço Curto... Prazo Longo, Nadando com os Tubarões e aproximação da banda com rappers da periferia
Em 1999, após a estreia promissora, o grupo voltou com Preço Curto... Prazo Longo, composto por 25 canções inéditas, entre elas "Confisco", "Zóio de Lula", "Te Levar" e "Não Deixe o Mar te Engolir", que sedimentaram a boa recepção da banda e garantiram sua presença nas rádios. De 1999 a 2006, a canção "Te Levar" foi tema do seriado Malhação, da TV Globo, fazendo com que a banda expusesse seu trabalho às mais diferentes classes sociais. Pouco antes de entrar no estúdio para gravar o terceiro álbum, a banda passou por uma forte crise interna, causada pelas brigas entre Chorão e Champignon, que quase encerrou o grupo. Além disso, foi nessa época que o pai de Chorão faleceu, vitimado por um câncer. A banda então deu uma pausa para que o seu vocalista pudesse lidar com a sua perda. Depois de seis meses em profunda depressão, com a barba crescida e de engordar 20 kg ficando em casa sem motivação, ele decide dar a volta por cima. E começa os trabalhos para o novo disco.
2001–03: Saída de Thiago Castanho, 100% Charlie Brown Jr. - Abalando a Sua Fábrica, Primeiro DVD e Bocas Ordinárias e Acústico MTV: Charlie Brown Jr.
Em 2001, a banda vence o MTV Video Music Brasil, com o prêmio "Escolha da Audiência" pelo videoclipe de "Rubão, o Dono do Mundo". Com a formação de um quarteto, a banda lançou seu quarto álbum, 100% Charlie Brown Jr. - Abalando a Sua Fábrica. As faixas de maior destaque foram "Lugar ao Sol", "Hoje Eu Acordei Feliz", "Sino Dourado" e "Como Tudo Deve Ser". Nesse álbum o grupo se focou mais no rock e no hardcore, deixando um pouco de lado suas outras influências. Ao contrário das gravações dos três primeiros discos, optaram por gravar o novo trabalho ao vivo, método em que todos os músicos tocam ao mesmo tempo no estúdio, resultando em uma sonoridade mais crua.
2003–04: Comercial para a Coca-Cola e desentendimentos com Marcelo Camelo
Em 2003, Chorão foi o garoto-propaganda de uma peça publicitária da Coca-Cola, divulgando a promoção “No Estilo”. Segundo Cláudia Colaferro, diretora de marketing da Coca-Cola, "o Charlie Brown Jr. foi escolhido por ser o representante da geração que tem entre 14 e 19 anos". Em 2004, Marcelo Camelo, vocalista da banda Los Hermanos, numa entrevista concedida para a revista da Oi, criticou a participação de Chorão no comercial, declarando "esse negócio de fazer comercial para Coca-Cola é um desdobramento da indústria, a gente rejeita esse negócio de vender atitude" e que "o Charlie Brown Jr. é uma banda da qual temos discordâncias estéticas... são precursores deste estilo que combatemos". As declarações dadas por Camelo deixaram Chorão extremamente irritado. Camelo ligou para Chorão enquanto a banda ensaiava na casa de Marcão, tentando se desculpar e dizendo que o repórter distorceu suas declarações, mas Chorão o insultou antes de desligar. Uma semana depois, o primeiro reencontro dos dois se deu num voo em 2 de julho para Teresina, onde ambas as bandas tocariam no Piauí Pop. Percebendo que Camelo estava no mesmo voo, Chorão jogou uma indireta, em voz alta: "Vou atropelar as bandas que falam mal do Charlie Brown". Camelo tentou ir até a poltrona de Chorão para se desculpar, mas foi rejeitado. Durante uma baldeação em Recife, Camelo conseguiu se aproximar de Chorão, que respondeu com uma cabeçada. O guitarrista do Los Hermanos Rodrigo Amarante respondeu socando Chorão no queixo, fazendo-o morder a língua. Os dois músicos foram para a enfermaria e depois a delegacia do aeroporto, antes de seguirem em voos separados para o Piauí. Ambos tinham marcas da briga em suas apresentações, com Camelo tendo um olho roxo e Chorão a língua inchada e sangrando. Logo após a briga entre eles ter ganhado repercussão na imprensa, a assessoria do Charlie Brown Jr. divulgou uma nota lamentando a discussão, afirmando que os ânimos se exaltaram de ambas as partes e garantindo que foi um incidente isolado.
2004–05: Tamo Aí na Atividade e desentendimentos entre os integrantes
Enquanto a banda emplacava vários hits nas rádios, os primeiros boatos de desentendimentos entre os integrantes começavam a ser noticiados. Segundo Lampadinha, produtor da banda, havia registros de que Chorão e Champignon já começavam a ter desavenças mais sérias desde 1999. Foi neste clima que a banda lançou o álbum Tamo Aí na Atividade em 2004, que marcou o retorno de Rick Bonadio, que não produzia um álbum da banda desde Preço Curto... Prazo Longo, além de algumas inovações na sonoridade, como batidas eletrônicas. O disco teve como músicas de trabalho as faixas "Tamo Aí na Atividade" e "Champanhe e Água Benta". No dia 11 de setembro do mesmo ano, a banda abriu o primeiro show do Linkin Park no Brasil, que aconteceu na 1ª edição do Chimera Music Festival, no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Este show foi lançado no terceiro DVD do grupo, Charlie Brown Jr. na Estrada 2003-2004, incluindo imagens inéditas captadas durante sua última turnê nacional e internacional, incluindo os principais momentos do show acústico nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos, com cenas de bastidores e galeria de fotos.
Em 13 de julho de 2021, Dia Mundial do Rock, a banda lança pela Sony Music, seu terceiro álbum ao vivo, Chegou Quem Faltava, originalmente gravado em 19 de março de 2011, no Credicard Hall, em São Paulo, com a formação vencedora do Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro com o álbum Camisa 10 Joga Bola Até na Chuva. No dia 30 de julho, o álbum já ganhou uma nova versão, intitulada Chegou Quem Faltava - Versão do Chorão, acompanhada de um material bônus com as interações de Chorão com o público. No dia 2 de fevereiro de 2021, a conta oficial da banda no Instagram, administrada por Alexandre, filho de Chorão, anunciou oficialmente uma nova turnê do Charlie Brown Jr. A tour tinha como objetivo homenagear os 50 anos de Chorão, e nela estariam presentes todos os antigos membros da banda, com exceção de Renato Pelado. Já na ocasião Egypcio (ex-Tihuana) foi anunciado como vocalista. Já em outubro do mesmo ano, os guitarristas Marcão e Thiago anunciaram que deixariam o projeto por desentendimentos com o filho de Chorão e afirmaram que nunca mais voltariam a participar de qualquer outro projeto organizado por ele. Ambos guitarristas mencionaram a falta de transparência nas negociações referentes a tour. Pinguim e Egypcio se posicionaram a favor da dupla.
Março–setembro de 2013: A Banca e morte de Champignon
Ainda em março de 2013, Champignon declarou que não havia como o Charlie Brown Jr. seguir em frente com a ausência de Chorão, e em abril, confirmou que os membros remanescentes iriam mudar o nome da banda para A Banca, onde Champignon assumiria os vocais, com a entrada da baixista Lena Papini. O nome vinha da conclusão de Chorão que "a gente não era o Charlie Brown, nós éramos a banca do Charlie Brown.", enquanto seu papel como vocalista vinha de uma sugestão do próprio Chorão, que no começo de 2013 manifestou exaustão a Champignon, declarando que gostaria de ver o baixista assumindo os vocais do Charlie Brown Jr. durante suas férias para que pudesse descansar.
Outubro de 2013–2014: La Familia 013 e Festival Tamo Aí na Atividade
O último álbum do Charlie Brown Jr., La Familia 013, foi lançado no dia 8 de outubro de 2013, pela gravadora Som Livre, após seu lançamento inicial em setembro ser adiado devido à morte de Champignon. O disco vazou antes de seu lançamento oficial no site de streaming Deezer. Segundo entrevista, o título do álbum tem a ver com o DDD da cidade de Santos, que é 013. O álbum ganhou bastante notoriedade no cenário nacional e gerou dois singles, "Meu Novo Mundo" e "Um Dia a Gente Se Encontra". Em 2014, foi lançado o videoclipe da canção "Rock Star". Estrelado pelo filho de Chorão, Alexandre Ferreira Lima Abrão, o vídeo mostra a vida de um filho de roqueiro que entra em turnê com a banda do pai, as mordomias e as farras. O videoclipe tem a participação dos três membros remanescentes da última formação, Marcão Britto, Thiago Castanho e Bruno Graveto, além de Luciano Amaral (ex-Castelo Rá-Tim-Bum), Clara Aguilar (ex-Big Brother Brasil) e a modelo e apresentadora Fiorella Mattheis.
2015: Dias de Luta, Dias de Glória - Charlie Brown Jr., o Musical
O musical Dias de Luta, Dias de Glória, de montagem do diretor Bruno Sorrentino e escrito por Well Rianc, narra a saga da banda através da ótica de Chorão. São 25 atores, 26 canções e dez coreografias, desenvolvidas pelo coreógrafo Guto Muniz. A estreia está agendada para 13 de março de 2015, no Teatro Gamaro, em São Paulo.
Atividades paralelas dos ex-integrantes
Os integrantes remanescentes da então formação do Charlie Brown Jr. têm investido na carreira solo e em projetos paralelos na música como forma de seguir em frente suas carreiras musicais. Em novembro de 2013, Bruno Graveto passou a ser baterista da banda Strike. Seu primeiro show aconteceu na casa de shows Hangar 110 em São Paulo em dezembro do mesmo ano. Além disso, trabalha no projeto D'Chapas. Ele revelou ao site G1 que os integrantes do grupo poderiam se reunir em um novo projeto, para formar o D'Chapas, uma banda que toca rock clássico. Em novembro de 2014, Marcão Britto e André Pinguim Ruas, se uniram a Lena Papini (ex-integrante d'A Banca) e formaram a banda Bula. Também em novembro de 2014, Thiago Castanho anuncia sua nova banda, intitulada de "O Legado", com duas músicas já lançadas, "Mais Um Dia Sem Você" e "Paraíso de Ilusão".
Tamo Aí na Atividade apresenta Charlie Brown Jr.
Em 21 de janeiro de 2019, foi divulgado que o Charlie Brown Jr., representado pelos músicos Marcão Britto, Heitor Gomes e Pinguim, iria sair em uma nova turnê nacional com vocalistas convidados, com o primeiro show sendo realizado no dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, no Vale do Anhangabaú. Segundo a nota divulgada, a ideia de trazer novamente a banda foi de Alexandre Aragão, juntamente com ex-integrantes da banda. Esta notícia, porém, gerou uma série de críticas. Thiago Castanho disse que não tinha interesse em participar do evento, ao contrário do que foi divulgado, de que ele não participaria por estar doente. Em um vídeo no Instagram, ele disse: "O Charlie Brown Jr. não vai voltar porque Charlie Brown Jr. sem Chorão não existe, e eu não estou doente". Graziela Gonçalves, viúva de Chorão, comentou o assunto em uma rede social: "Estou recebendo umas mensagens agora perguntando de uma notícia que saiu aí, a respeito da volta do Charlie Brown Jr., se eu tenho alguma coisa a ver com isso, se eu concordo, enfim… Não tenho nada a ver com isso e, de acordo com essa notícia, tem um cara ali que vai fazer parte dessa formação que já, poxa, já processou a banda, já fez mal pra gente. Quer dizer, acho que o Ale não ia curtir nem um pouco isso. Enfim, é chato". Para Mauro Ferreira, crítico musical do portal G1 "Um show de Charlie Brown Jr. sem Chorão é contrariar o discurso oficial de que o vocalista era insubstituível. É fazer soar uma nota desafinada porque, no caso, o clichê é verdadeiro: Chorão é mesmo insubstituível, o que somente alimenta a aura de estranheza em torno dessa volta de Charlie Brown Jr., banda que efetivamente morreu em 2013".
Homenagens
Em 2019, a Universal Music preparou uma série de homenagens a Chorão. A primeira foi o relançamento do single "Zóio de Lula", em comemoração aos 20 anos desta canção. A releitura da música de 1999 foi lançada nas plataformas digitais no dia 9 de abril, data em que Chorão completaria 49 anos de idade, contendo o relançamento da versão original, mais uma nova versão da música, gravada por Hungria Hip Hop, Maneva, Marcelo D2 e Nação Zumbi.
Segundo a revista Super Interessante, "O Charlie Brown Jr. foi a primeira e a maior entre as bandas brasileiras do chamado “novo rock”." Para ela "com seu vocalista carismático e uma banda com impressionante domínio de palco, entre 1997 e 2002, o Charlie Brown Jr. foi colecionando hits em rádios roqueiras e mantendo sua reputação extreme com faixas mais pesadas e discurso repleto de menções a esportes e à vida familiar conturbada de Chorão." Em 2014, o jornalista André Forastieri do portal R7, publicou o livro "O Dia em Que o Rock Morreu". Nele, há uma passagem que diz: Mauro Ferreira, crítico musical carioca, afirma que "ao tocar rap, rock e reggae com a linguagem e os códigos do hardcore, a banda santista estabeleceu empatia quase imediata com a parcela (imensa) da juventude que se sentia à margem da sociedade, excluída dos círculos da elite burguesa." Para Marcelo Moreira, do site Combate Rock, "o Charlie Brown Jr., faz falta ao cenário do pop rock nacional, ainda que, em termos de qualidade, estivesse longe das grandes bandas nacionais do gênero. Mesmo em processo de decadência, com alta rotatividade na formação e nos constantes barracos e polêmicas que envolviam a banda, Chorão conseguia manter a cabeça acima da água no pântano lamacento que se tornou o pop rock nacional". Bruno Saruê complementa afirmando que "O Charlie Brown Jr. mudou completamente o cenário decadente do rock nacional, trazendo o rock de volta ao mainstream e angariando fãs de outros segmentos musicais, em razão da sua mistura de ritmos e letras que representavam o sentimento dos jovens na época".


