Chico Anysio
Francisco "Chico" Anysio de Oliveira Paula Filho OMC foi um comediante, ator, radialista, produtor, roteirista, escritor, apresentador, compositor e pintor brasileiro. Amplamente reconhecido como um dos maiores humoristas da história do Brasil e uma das figuras mais influentes e conhecidas da televisão nacional, numa carreira que abrangeu 65 anos. Notabilizou-se por sua extraordinária capacidade de criação e interpretação de personagens, tendo dado vida a mais de duas centenas de tipos cômicos ao longo de sua carreira, muitos dos quais se tornaram ícones da cultura popular brasileira.
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu na cidade cearense de Maranguape em 12 de abril de 1931. Mudou-se, aos sete anos, com a mãe e três irmãos – entre eles a atriz Lupe Gigliotti e o cineasta Zelito Viana – para o Rio de Janeiro, morando em uma pensão no bairro carioca do Catete. O pai havia ficado no Ceará. Um incêndio havia destruído toda a frota de sua empresa de ônibus e ele não viajou, tentando refazer a vida na construção de estradas. Tinha o objetivo de se tornar advogado, mas a habilidade natural para o humor e a necessidade de trabalhar o fizeram mudar de rumo. Aos dezessete anos decidiu fazer um teste para locutor e radioator na Rádio Guanabara, saindo-se excepcionalmente bem no teste para locutor, ficando em segundo lugar. O primeiro lugar ficou com outro jovem iniciante, Silvio Santos. Na rádio na qual trabalhava exercia várias funções de radioator a comentarista de futebol. Participou do programa Papel Carbono de Renato Murce. Na década de 1950 trabalhou nas rádios Mayrink Veiga, Clube de Pernambuco e Clube do Brasil. Nas chanchadas da década de 1950 Chico passou a escrever diálogos e eventualmente atuava como ator em filmes da Atlântida Cinematográfica. Chegou a entrar em um curso de direito, mas não concluiu a faculdade.
Família
Era filho de Francisco Anysio de Oliveira Paula, dono de uma empresa de ônibus e de Haydeé Vianna de Oliveira Paula (que sofria de um problema no coração, o que a levou a ser internada várias vezes até sua morte aos 89 anos). É pai de oito filhos: o ator Lug de Paula (famoso por interpretar o personagem Seu Boneco na Escolinha do Professor Raimundo), do casamento com a atriz e comediante Nancy Wanderley; do ator, comediante e dublador Nizo Neto (Seu Ptolomeu da Escolinha) e do diretor de imagem Rico Rondelli, ambos filhos da atriz e vedete Rose Rondelli; do DJ Cícero Chaves, da união com a ex-frenética Regina Chaves; do ator/escritor Bruno Mazzeo, do casamento com a ex-modelo e atriz Alcione Mazzeo; Rodrigo e Vitória, da relação com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello; e de André Lucas, filho adotivo.
Saúde
Chico gravou um vídeo para o Congresso Brasileiro de Psiquiatria declarando que era depressivo e que, se não tivesse feito tratamento, não teria feito 20% do que fez em sua vida. Há 24 anos fazendo tratamento afirmou que o preconceito contra o doente mental e a psiquiatria era uma "burrice". Seu filho, Nizo Neto, confessou que o pai sofria de depressão e era hipocondríaco, porém, nunca assumiu este último. Admitiu que o pai pagava um salário para o farmacêutico ir uma vez por semana em sua casa lhe aplicar injeções e adorava cirurgias. Em 2023, o humorista Rey Biannchi declarou que Chico passou por uma fase em que era usuário regular de Cocaína. O filho Nizo Neto afirmou que a história era mentirosa.
Relação com futebol
Em 1950, Chico Anysio comentou jogos da Copa do Mundo para a Rádio Guanabara. Em 1990, após a grande popularidade de seu personagem Coalhada, um estereótipo do jogador de futebol da época, Anysio foi convidado pela Globo para ser um dos comentaristas do Mundial da Itália. Em 2006, foi colunista convidado do jornal esportivo Lance. Em um de seus artigos, denominado "Cabelos em pé, galera!", Chico teceu críticas a alguns jogadores, como Cafu e Ronaldo. No mesmo artigo, ele teceu críticas de cunho racista à Dida, dizendo "Não tenho confiança em goleiro negro. O último foi o Barbosa, de triste memória na Seleção". Na época, o artigo foi minimizado por Anysio, no qual disse que "Meu pensamento sobre goleiros negros não tem nada a ver com discriminação, porque eu adoro atacantes negros, zagueiros negros, craques negros e meio-campistas; eu não vejo como um branco ou amarelo ou vermelho pode ser melhor do que um preto nos 100 metros, longo ou triplo salto e eventos de longa distância. No basquete, os negros são deuses de verdade, e dominam o futebol americano. Eu só não gosto deles no gol".
Chico Anysio escreveu várias obras literárias, na maioria contos.


