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Chile

Chile, oficialmente República do Chile, é um país localizado na América do Sul que ocupa uma longa e estreita faixa costeira encravada entre a cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. Faz fronteira ao norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia, a leste com a Argentina e a Passagem de Drake, a ponta mais meridional do país. O Pacífico forma toda a fronteira oeste do país, com um litoral que se estende por 6435 km. Com quase 20 milhões de habitantes, o Chile compreende alguns territórios ultramarinos, como o Arquipélago Juan Fernández, as Ilhas Desventuradas, a ilha Sala y Gómez e a ilha de Páscoa, sendo que as duas últimas estão localizadas na Polinésia. O Chile reclama a soberania de 1 250 000 quilômetros quadrados de território na Antártida. É um dos dois únicos países da América do Sul que não têm uma fronteira comum com o Brasil, junto com o Equador.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Etimologia

Há várias hipóteses sobre a origem da palavra Chile. De acordo com uma teoria do século XVII, do cronista espanhol Diego de Rosales, os incas chamavam o Vale do Aconcágua de "Chili", por decomposição do nome de um chefe tribal picunche chamado Tili, que governou a área no momento da conquista inca durante o século XVI. Outra teoria aponta para a semelhança do vale do Aconcágua com o do Vale de Casma no Peru, onde havia uma cidade e um vale chamados Chili. Há teorias acerca da derivação do termo Chile de uma palavra indígena que significa "confins da terra" ou "gaivotas"; a partir da palavra mapuche chilli, cujo significado pode vir a ser "onde a terra acaba"; ou da palavra quéchua chiri, que significa "frio", ou tchili, que significa tanto "neve" como "o ponto mais profundo da Terra". Uma outra origem atribuída ao termo chilli é a onomatopeia cheele-cheele — a imitação mapuche do gorjeio de um pássaro conhecido localmente como trile. Os conquistadores espanhóis ouviram falar deste nome dos Incas e os poucos sobreviventes da primeira expedição espanhola de Diego de Almagro, ao sul do Peru em 1535–1536, se chamavam os "homens da Chilli". Finalmente, Almagro é creditado pela universalização do nome do "Chile", depois de nomear o vale do Mapocho como tal.

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História

Era pré-colombiana

Os vestígios mais antigos de presença humana na América do Sul confirmados foram encontrados no sul do Chile, no sítio arqueológico de Monte Verde, datados de 14,5 mil anos. Quando da chegada dos europeus ao atual Chile, no século XVI, a região já era habitada por uma diversidade de tribos ameríndias. Não havia nenhuma civilização centralizada e sedentária no território, embora o Império Inca tenha alcançado o norte do país no século XV, não avançando mais para o sul por causa da resistência dos mapuches, denominados araucanos pelos espanhóis. Os grupos indígenas no norte chileno viviam da pesca e da agricultura ao redor dos oásis, enquanto o centro e parte do sul eram habitados pelos mapuches, uma sociedade fragmentada nômade de caçadores-coletores e agricultores, estes últimos encontrados mais para o centro.

Domínio espanhol

Os primeiros europeus a chegarem na terra que é hoje o Chile pertenceram ao grupo liderado por Fernão de Magalhães, no ano de 1520, onde fica atualmente a cidade de Punta Arenas, na Patagônia. O grupo procurava o caminho para o Oceano Pacífico, batizado por ele próprio. A conquista espanhola do Chile, inicialmente denominada como Nueva Extremadura ("Nova Extremadura"), se iniciou com a expedição do associado e posterior rival de Francisco Pizarro, Diego de Almagro, em busca de Otro Perú ("Outro Peru"), que saiu do Peru rumo ao sul em 1535, alcançando até a região de Coquimbo, retornando dois anos depois, por causa da resistência indígena e por não ter encontrado metais preciosos. A segunda expedição espanhola do Peru rumo à região foi liderada pelo também espanhol Pedro de Valdivia em 1540, o qual fundou a cidade de Santiago da Nova Extremadura em 12 de fevereiro de 1541, para servir de sede da nova Capitania Geral do Chile.

Independência e século XIX

Inspirados nas ideias iluministas e nas revoluções Haitiana, Americana e Francesa, no final do século XVIII parte da população chilena começou a pedir a independência em relação à Espanha. Esse sentimento se intensificou durante a Guerra Peninsular, em 1808, quando Napoleão Bonaparte invadiu a Espanha e substituiu o rei Fernando VII pelo seu irmão, José Bonaparte, e com as invasões inglesas a Buenos Aires. O processo de independência do Chile se iniciou em 18 de setembro de 1810, quando uma assembleia popular em Santiago estabeleceu a Primeira Junta de Governo Nacional, iniciando o período da Patria Vieja, o qual durou até que perdurou até a Batalha de Rancagua (outubro de 1814), quando as tropas do Exército Real do Chile reconquistaram o território, que havia sido acossado na Guerra de Zapa, liderada por Manuel Rodriguez Erdoíza. As tropas independentistas chilenas, nas quais estavam um dos fundadores do país, Bernardo O'Higgins, se refugiaram na cidade argentina de Mendoza, formando, junto com o Exército do Rio da Prata (atual Argentina), liderado por José de San Martín, o Exército dos Andes, que libertou o Chile após a batalha de Chacabuco em fevereiro de 1817, dando lugar à Patria Nueva. A independência do Chile foi declarada por meio de um documento assinado em Concepción, sob o governo do Diretor Supremo e primeiro presidente O'Higgins, o qual foi ratificado após a batalha de Maipú em 5 de abril de 1818, pelo Exército Unido de Libertação do Chile. Em seguida, o Chile enviou uma expedição auxiliar à Argentina e integrou-se à Expedição Libertadora do Peru.

Século XX

Em 1891, o conflito entre o Presidente José Manuel Balmaceda e o Congresso Nacional desencadeou uma guerra civil, onde os parlamentares triunfaram e estabeleceram a República Parlamentar. Apesar do bom momento econômico, o período foi caracterizado pela instabilidade política e pelo início do movimento proletário e da chamada "questão social", causada por uma distribuição desigual da riqueza e por vários problemas que afetaram as classes populares. Após anos de domínio da oligarquia, em 1920 foi eleito Arturo Alessandri, de perfil reformista e pouco mais favorável à classe trabalhadora, vindo a se tornar uma ponte temporária entre o "canalha de ouro" e a "ralé querida", como eram chamadas a elite e as massas populares, respectivamente. Alessandri entrou em crise com o Congresso, controlado pela oposição conservadora, de modo que o agravamento desta crise levou à renúncia de Alessandri em duas ocasiões. Apesar disso, ele conseguiu promulgar a Constituição de 1925, que deu origem à República Presidencialista. Carlos Ibáñez del Campo foi eleito em 1927 com grande apoio popular, mas os impactos da Primeira Guerra Mundial, em que o país se declarou neutro, a má política econômica no uso dos recursos e a Grande Depressão acabaram com a riqueza gerada pela extração de nitrato, produzindo uma forte crise econômica. Em menos de três anos, o PIB diminuiu e o país foi considerado o mais afetado pela crise global. Ibáñez renunciou em 1931 e a instabilidade política aumentou após um golpe que levou à breve República Socialista do Chile, antes de Alessandri reassumir o poder e recuperar a economia, o que, porém, não amenizou a tensão entre os partidos políticos. A crise política também foi social, sendo que novos atores sociais exigiram modificações na forma de pensar o país.

Redemocratização e era contemporânea

No final da década de 1980, o processo de retorno à democracia foi marcado pelo plebiscito de 1988. Este plebiscito indagava se os chilenos consentiam com a permanência de Pinochet no poder até 11 de março de 1997, com a opção "Sim" referindo-se à concordância, enquanto a opção "Não" rejeitava as pretensões do então governante. A vitória da opção "Não", com 54,71% dos votos apurados, implicou na convocação de eleições democráticas conjuntas para o Executivo e Legislativo em 1989, com Augusto Pinochet deixando o cargo em 11 de março de 1990. Patricio Aylwin assumiu como o primeiro presidente do período conhecido como Transição. Aylwin se tornou o primeiro de quatro presidentes da Concertación, a coalizão de centro-esquerda que se opôs a Pinochet no plebiscito e era composta por democratas-cristãos, radicais e socialistas. Depois de Aylwin, os próximos presidentes foram Eduardo Frei Ruiz-Tagle (1994–2000), Ricardo Lagos (2000–2006) e Michelle Bachelet que, em 2006, se tornou a primeira mulher a presidir o país em toda a sua história.

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Geografia

O território chileno é cortado ao norte pelo Trópico de Capricórnio. O país ocupa uma área longa e estreita no Cone Sul, ao longo da costa oeste da América do Sul, compartilhando fronteiras terrestres com a Argentina ao leste; Bolívia a nordeste; Peru a norte e com o Oceano Pacífico ao oeste. Ele também engloba uma série de arquipélagos e ilhas oceânicas, como a Ilha de Páscoa, Arquipélago Juan Fernández e Ilhas Desventuradas. O seu tamanho, relevo, clima e recursos naturais fazem do Chile um país geograficamente diverso. Trata-se do 37º maior país do mundo em área territorial e o 10º maior da América, com uma área total de 756 950 km², incluindo 12 290 km² de água. Seu território abrange três fusos horários, sendo UTC−3 em Magalhães e Antártica Chilena; UTC-4 no restante do país continental — sendo que este é tido como seu fuso horário padrão — e UTC-5 na província da Ilha de Páscoa e na ilha de Sala y Gómez, ambas no Oceano Pacífico.

Topografia

O lado leste do território chileno é dominado pela Cordilheira dos Andes, com o país se estendendo por 4630 km de norte a sul. Possui apenas 430 km em seu ponto mais largo de leste a oeste. Isto abrange uma notável variedade de paisagens. O país contém 756 950 km². Sua curta extensão leste-oeste, em relação a sua longa extensão norte-sul, faz com que ele se torne o país mais estreito do mundo. O norte do Deserto do Atacama contém uma grande riqueza mineral, principalmente de cobre e nitratos. O relativamente pequeno Vale Central, que inclui Santiago, domina o país em termos de população e de recursos agrícolas. Esta área também é o centro histórico do qual o Chile se expandiu no final do século XIX, quando integrou as regiões do norte e do sul. O sul é rico em florestas, pastagens e apresenta uma série de vulcões e lagos, com sua costa litorânea consistindo num labirinto de penínsulas de fiordes, enseadas, canais e ilhas. A Cordilheira dos Andes está localizada na fronteira oriental. O Chile reivindica 1 250 000 km² da Antártida como parte de seu território, com esta reivindicação estando suspensa por conta do Tratado da Antártida, do qual a nação é signatária.

Meio ambiente e biodiversidade

O clima e o relevo chileno condicionam o desenvolvimento de diferentes ecossistemas no país. O país é dividido em cinco regiões naturais, sendo estas: Zona central, Norte Grande, Zona sul, Zona austral e Zona norte. Devido sua grande biodiversidade, há mais de 40 parques nacionais em todo o território, destacando-se o Parque Nacional Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, o Parque Nacional da Patagônia, em Aisén e o Parque nacional Corcovado, em Los Lagos, demonstrando a megadiversidade chilena. Várias espécies vegetais e animais podem ser encontradas no Chile, que detém a maior variedade de fauna marinha do mundo. Uma variedade de pássaros, pinguins e cetáceos foram registrados ao longo da costa oceânica, os quais incluem albatrozes, o leão-marinho-da-patagônia e o pinguim macaroni. Ao longo da Cordilheira dos Andes, a espécie notável é o condor-dos-andes que, inclusive, foi declarado monumento natural em 2006. No oceano existem várias espécies de frutos do mar, que vão desde a amêijoas, choros, vieiras e ostras a peixes como anchovas e pescada. O salmão e a truta são as principais espécies de peixes dos rios chilenos.

Clima

O clima do Chile compreende uma ampla gama de condições climáticas através de uma larga escala geográfica, estendendo-se através de 38 graus de latitude. Segundo o sistema de Köppen-Geiger, o Chile, dentro de suas fronteiras, hospeda pelo menos sete dos principais subtipos climáticos, variando de deserto no norte a tundra alpina e geleiras no leste e sudeste, subtropical úmido na Ilha de Páscoa, oceânico no sul e mediterrânico no centro. Há quatro estações na maior parte do país: verão (dezembro a fevereiro), outono (março a maio), inverno (junho a agosto) e primavera (setembro a novembro). Em uma escala sinóptica dos fatores mais importantes que controlam o clima chileno são o Anticiclone do Pacífico, a área de baixa pressão circumpolar sul, a fria Corrente de Humboldt, a escala do litoral chileno e a Cordilheira dos Andes. Apesar da largura do território do Chile, algumas regiões do interior podem experimentar grandes oscilações de temperatura e cidades, como San Pedro de Atacama, podendo até mesmo experimentar um clima continental. No extremo nordeste e sudeste do Chile se vê, além dos Andes, o altiplano e as planícies da Patagônia, dando a essas regiões os padrões climáticos semelhantes aos vistos na Bolívia e na Argentina, respectivamente.

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Demografia

A população do Chile, conforme censo realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) em 2017, foi de 17 574 003 habitantes (25,74 hab./km²). A população está fortemente concentrada nos centros urbanos (87,8%), com apenas 12,2% de seus habitantes vivendo em zonas rurais. A taxa de crescimento demográfico do país tem diminuído desde 1990, junto com a taxa de natalidade. Esses números permitem estabelecer um processo de envelhecimento da sociedade chilena, que está em estágios avançados de transição. A expectativa de vida dos chilenos é a mais alta da América Latina: 79,5 anos. Os homens vivem em média 76,5 anos, com a média das mulheres sendo 82,7 anos. A taxa de mortalidade infantil foi de 6,6% em 2021. Em torno de 90% dos chilenos habitam a região do terço médio do país, ao redor da capital, Santiago. O extremo norte e o extremo sul são pouco povoados. Historicamente, o Chile tem sido um país de emigração, mas acabou por se tornar mais atraente para os imigrantes desde a transição para a democracia em 1990 e a melhoria de sua estabilidade econômica. Os maiores aglomerados urbanos do Chile são as conurbações de Santiago (6,2 milhões de habitantes), Grande Concepción (1,037 milhão), Grande Valparaíso (951 mil), Grande La Serena (517 mil) e Grande Temuco (311 mil). Existem também outras concentrações urbanas notáveis no interior do país. Todas as capitais são as maiores cidades de suas regiões.

Composição étnica

A sociedade é multiétnica e a maior parte da população detém alguma ascendência europeia, principalmente espanhola (castelhana, andaluza e basca) e também alemã, italiana, irlandesa, francesa e britânica. Um pequeno, mas influente grupo de imigrantes anglosaxões, entre os quais galeses, irlandeses e ingleses, chegou ao Chile durante o período colonial. [ligação inativa] A imigração alemã começou em meados de 1800 indo até o século XX, com as províncias de Valdivia, Llanquihue e Osorno mostrando uma forte influência alemã. Além disso, há um número significativo de descendentes de povos do Oriente Médio, especialmente palestinos. Cerca de 800 mil ameríndios, principalmente mapuches, residem na região centro-sul. Os aimarás, atacamenhos e diaguitas podem ser encontrados principalmente no norte do Chile, em vales e oásis no deserto. A Ilha de Páscoa é a casa dos Rapa Nui, uma população indígena.

Imigração europeia

O Chile recebeu um número reduzido de imigrantes, mas estes tiveram importância na formação étnica do país. A população estrangeira alcançou seu máximo no ano de 1907, quando viviam 134 524 imigrantes no país. Destes, somente 53,3% eram europeus, sendo que 42,7% eram provenientes de outros países da América Latina. [ligação inativa] A população estrangeira no Chile nunca ultrapassou os 4,1% do total da população. A imigração europeia foi pouco expressiva quando comparada às de outros países americanos, como os Estados Unidos, Brasil, Argentina e Canadá, onde tiveram um peso muito maior. As estimativas de descendentes de bascos variam de 10% (1 600 000) até 27% (4 500 000). [ligação inativa]

Religiões

A Constituição prevê a liberdade de religião, e outras leis contribuem para a prática livre da religião em geral. A lei protege a todos os níveis desse direito, de forma plena contra o abuso de agentes governamentais ou privados. No censo de 2017, 66,65% da população acima de 14 anos se identificou como católicos romanos e 16,4% como protestantes. No censo, o termo "protestante" se refere a todas as igrejas cristãs não católicas, com exceção da Igreja Ortodoxa, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e das Testemunhas de Jeová. Aproximadamente 90% dos protestantes são pentecostais. As igrejas luterana, evangélica reformada, presbiteriana, anglicana, episcopal, batista, Congregação Cristã, adventista e a metodista também estão presentes. [ligação inativa] Pessoas sem religião, ateus e agnósticos, são responsáveis por cerca de 11,5% da população do país. Igreja e Estado estão oficialmente separados. A legislação de 1999 sobre a religião proíbe a intolerância religiosa, no entanto, a Igreja Católica goza de um estatuto privilegiado e, ocasionalmente, recebe tratamento preferencial. Os funcionários do governo participam de eventos católicos e também de grandes cerimônias protestantes e judias.

Idiomas

Falado por 99,3% dos chilenos, o espanhol é a língua oficial. A grande maioria da população usa a variante conhecida como espanhol chileno, ou dialeto chileno, e alguns, o espanhol andino e o espanhol chilote. A língua de sinais chilena é usada pela comunidade surda do país. As línguas nativas raramente são usadas. O mapudungun é falado por um número estimado de 100 mil a 200 mil pessoas, enquanto a língua huilliche, um dialeto divergente que alguns especialistas consideram uma língua do mapudungun, é falado por cerca de 2 mil pessoas. [ligação inativa] O aimará é usado por cerca de 20 mil falantes, o quéchua por cerca de 8,2 mil e o rapanui possui cerca de 4 mil falantes. Outras línguas, como o kawésqar e o yagán, estão em vias de extinção. Os idiomas tehuelche, cacán, selk'nam, allentiac e cunza estão extintos. [ligação inativa]

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Governo e Política

A atual Constituição do Chile foi aprovada em um plebiscito nacional fortemente contestado em setembro de 1980, sob o governo militar de Augusto Pinochet, cuja entrada em vigor deu-se em março de 1981. Após a derrota de Pinochet no plebiscito de 1988, a Constituição foi alterada para facilitar as disposições para futuras alterações no texto constitucional. Em outubro de 2020, por meio de plebiscito, o Chile decidiu adotar uma nova constituição, que está em discussão. O poder executivo é chefiado pelo Presidente da República, que é o chefe de Estado e o chefe de governo. Conforme a Constituição, o presidente permanece no exercício de suas funções pelo prazo de quatro anos, não podendo ser reeleito para o período seguinte. O Presidente nomeia os Ministros de Estado, seus colaboradores diretos e imediatos e outros funcionários do Estado de sua exclusiva confiança. O poder legislativo, cujo sistema é bicameral, reside tanto no Presidente — em qualidade colegislador — quanto no Congresso Nacional, sediado em Valparaíso. Constitui-se pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, cujos membros são eleitos por voto popular. O Senado é composto por 50 senadores, que permanecem no cargo por oito anos com possibilidade de reeleição. A Câmara dos Deputados é composta por 155 membros, com mandato de quatro anos, podendo também serem reeleitos em seus respectivos distritos, os quais elegem entre três a oito deputados em cada eleição.

Crime, aplicação da lei e direitos humanos

Constituem a força pública do país as Forças de Ordem e Segurança Pública do Chile, composta pelos Carabineiros, criados em 1927, e a Polícia de Investigações (criada em 1933). [ligação inativa] São encarregadas de dar eficácia à lei e garantir a ordem e segurança pública no país. Além disto, existe o corpo da Gendarmerie, fundada em 1921, cuja incumbência é voltada à guarda de prisões e outros recintos de detenção, além de fornecer segurança dentro dos tribunais. Por sua vez, a Agência Nacional de Inteligência tem como competência a produção de inteligência policial para assessorar as autoridades superiores do Estado na salvaguarda das ameaças do terrorismo, do tráfico de drogas e do crime organizado.

Forças armadas

As Forças Armadas do Chile estão sujeitas ao controle civil exercido pelo presidente através do Ministro da Defesa. O presidente tem autoridade para remover os comandantes-em-chefe das forças armadas. A defesa do país está a cargo dos três ramos das Forças Armadas: o Exército (1810), a Marinha (1818) [ligação inativa] e a Força Aérea (1930), cujas funções consistem em preservar a integridade territorial e a segurança externa da nação. Em caso de guerra, o Presidente da República assume a liderança suprema deles. [ligação inativa] O Chile não está envolto em guerras desde a Guerra do Pacífico (1879–1883), mas é um dos países com maior gasto militar em relação ao PIB, tendo sido este de 2,7% em 2006. [ligação inativa] Por força de sua legislação, o serviço militar é voluntário.

Política externa

Desde as primeiras décadas após a independência, o Chile sempre teve uma participação ativa nos assuntos externos. Em 1837, o país desafiou o domínio peruano do porto de Callao, para a preeminência nas rotas comerciais do Oceano Pacífico, derrotando a aliança de curta duração entre o Peru e a Bolívia na Guerra da Confederação. A guerra dissolveu a confederação e a distribuição do poder no Pacífico. A segunda guerra internacional a qual o país participou ativamente, a Guerra do Pacífico, aumentou ainda mais o papel regional do Chile e contribuiu consideravelmente para a evolução de seu território. Durante o século XIX, os laços comerciais do Chile foram principalmente com o Reino Unido, um país que teve uma influência decisiva sobre a organização da marinha do país. Os franceses influenciaram os sistemas legal e educacional dos chilenos e tiveram um impacto decisivo sobre o país, através da arquitetura da capital nos anos iniciais do século. A influência alemã veio da organização e do treinamento do exército por prussianos.

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Subdivisões

Para o seu funcionamento administrativo, o país conta com 16 regiões, 56 províncias e 346 comunas. O governo de cada uma das regiões reside no intendente, que é nomeado pelo Presidente da República e é o seu representante natural e imediato no referido território, permanecendo nas suas funções enquanto lhe for confiado. A administração regional corresponde aos governos regionais, compostos pelo respectivo intendente, e um conselho regional, composto por representantes eleitos por voto popular para períodos de quatro anos. Por sua vez, o governo de cada província está a cargo do governador, nomeados e destituídos livremente pelo presidente. Por outro lado, a administração local corresponde aos municípios, compostos por um prefeito e um conselho comunal, eleitos por voto popular a cada quatro anos. Em 6 de setembro de 2018 foi criada a região de Ñuble, capital de Chillán, composta por três províncias — Diguillín, Itata e Punilla. Esta nova região foi criada com o desmembramento da região de Biobío sendo, desde então, a última região administrativa criada pelo país.

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Economia

O Chile tem uma economia dinâmica e orientada para o mercado, caracterizada por um elevado nível de comércio exterior, tendo o peso chileno como moeda oficial desde 1975. Durante a década de 1990, a reputação do Chile como um modelo para a reforma econômica foi reforçada quando o governo de Patricio Aylwin — que assumiu o governo dos militares em 1990 — aprofundou as reformas econômicas iniciadas pelo governo militar. A média de crescimento do produto interno bruto (PIB) foi de 8% durante o período de 1991–1997, mas caiu para metade desse nível em 1998, devido a políticas monetárias implementadas para manter o déficit em conta corrente em cheque e por causa dos ganhos de exportação mais baixos — o último produto da crise financeira asiática. A economia chilena, desde então, se recuperou e tem tido taxas de crescimento de 5% a 7% ao longo do últimos anos. Em 2019, o país detinha o maior PIB real per capita da América Latina.

Turismo

O turismo no Chile tem experimentado um crescimento sustentado ao longo das últimas décadas. Em 2005, o turismo cresceu 13,6%, gerando mais de 4,5 bilhões de dólares, dos quais 1,5 bilhão é atribuído aos turistas estrangeiros. De acordo com o Serviço Nacional de Turismo (Sernatur), 2 milhões de pessoas por ano visitam o país. A maioria destes visitantes vêm de outros países no continente americano, principalmente Argentina, seguido por um número cada vez maior de visitantes dos Estados Unidos, Europa e Brasil e um número crescente de asiáticos. As principais atrações para os turistas são lugares de belezas naturais situadas nas zonas extremas do país: San Pedro de Atacama, no norte, é muito popular com turistas estrangeiros que chegam para admirar a arquitetura inca, os lagos do altiplano e o Vale da Lua. Em Putre, também no Norte, há o Lago Chungará, bem como os vulcões Parinacota e Pomerape, com altitudes de 6348 e 6282 m, respectivamente. Ao longo dos Andes centrais, há muitas estâncias de esqui de renome internacional, como Valle Nevado e Portillo.

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Infraestrutura

Saúde

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Chile ocupa o 33º lugar entre 191 países em termos do funcionamento global do sistema de saúde. O sistema de saúde chileno é misto. O serviço estatal atendia 81,9% da população em 2011, e é administrado pelo Fundo Nacional de Saúde (Fonasa) — que permite que seus beneficiários tenham acesso a ele tanto na modalidade de atendimento institucional (MAI), através da rede de hospitais, clínicas e Serviços de Atenção Primária de Emergência (SAPU), como na modalidade de livre escolha (MLE), através de clínicas e centros de saúde privados, feitos mediante acordos e compras de bônus de atenção. Enquanto isso, a saúde privada atendia 13% da população em 2011, sendo gerenciada pelas Isapres, instituições que atuam como seguradoras de saúde. [ligação inativa]

Educação, ciência e tecnologia

O Chile foi o 4º país na América Latina e o 38º no mundo por número de publicações científicas em 2011. O país mantém 12 estações científicas de pesquisa [ligação inativa] — quatro bases permanentes (operacionais ao longo de todo o ano) e oito com caráter temporário (operacionais apenas no verão) — e sete abrigos na Antártida, enquanto no deserto do Atacama há mais de uma dezena de observatórios astronômicos — como o Very Large Telescope (VLT), o mais avançado e poderoso complexo astronômico do mundo, o Atacama Large Millimeter Array (ALMA), o maior projeto astronômico do planeta, e o La Silla, entre outros. O Chile detém 40% da observação astronômica mundial e, nas próximas décadas, o setor visa desenvolver outros grandes projetos — como o Telescópio Gigante Magalhães, o Large Synoptic Survey Telescope (LSST), [ligação inativa] o European Extremely Large Telescope (E-ELT) e a ampliação do ALMA — o que fará com que o país concentre cerca de 60% da observação astronômica total do mundo. [ligação inativa] Desde meados da década de 1990, o Chile teve três satélites artificiais: Fast Alpha (1995), o Fasat Bravo (1998) e Sistema Satelital de Observación Terrestre (SSOT, 2011).

Energia

O Chile é dependente de energia, carecendo de grandes reservas de recursos não renováveis. Por isso, o preço dos combustíveis fósseis é totalmente dependente da conjuntura internacional. Quase 53% do gás natural consumido no país é importado. [ligação inativa] Durante grande parte da década de 2000, o principal fornecedor foi a Argentina, por meio de um gasoduto, mas a inauguração do terminal de regaseificação de gás natural liquefeito no porto de Quintero, em 2009, permitiu a diversificação da matriz de fornecedores em todo o mundo. Em 2010 as reservas foram estimadas em 97 970 000 000 m³. [ligação inativa] No Chile existem três sistemas elétricos: o Sistema Elétrico Nacional, o Sistema Elétrico de Aysén e o Sistema Elétrico de Magalhães. A produção de eletricidade é estimada em 60 280 GWh, gerada principalmente por usinas hidrelétricas e, em menor proporção, por termelétricas, enquanto o consumo de eletricidade atinge 56 350 GWh. [ligação inativa] Apesar da quantidade de eletricidade gerada pela hidroeletricidade, menos de 20% do potencial hídrico do país tem sido aproveitado para evitar a destruição dos sistemas ecológicos devido à criação de reservatórios, como o de Aysén. Um marco na hidreletricidade para a geração de energia elétrica no Chile é a Usina Hidrelétrica de Chivilingo, construída em 1896, tornando-se a primeira do tipo no país e a segunda na América do Sul.

Transportes

O Chile tinha 483 helipontos e aeroportos em 2013, com 90 destes possuindo pista pavimentada e 391 com pistas não pavimentadas, fazendo deste o 14º país no mundo em número de aeroportos. Entre os principais centros aeroviários do país estão Chacalluta na cidade de Arica, Diego Aracena em Iquique, Andrés Sabella em Antofagasta, Carriel Sur em Concepción, El Tepual em Puerto Montt, Presidente Carlos Ibáñez em Punta Arenas, Mataveri na ilha de Páscoa, o aeroporto mais remoto do mundo; [ligação inativa] e o Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítez em Santiago, com uma taxa de movimentação de 12 105 524 passageiros em 2011. Em 2014, o sistema ferroviário chileno tinha uma extensão de 7282 km de linhas ferroviárias, que atravessam grande parte do país e foram o motor do seu crescimento econômico, são utilizados atualmente principalmente para o transporte de cargas para os portos do país, após uma crise que este meio de transporte viveu em meados dos anos 1970 e que quase levou à sua extinção. Desde o início de 1990, [ligação inativa] as linhas ferroviárias passaram por um processo de recuperação, com a restauração dos serviços de transporte de passageiros pela empresa Empresa de los Ferrocarriles del Estado (EFE) entre Santiago e Puerto Montt. O transporte ferroviário urbano também tem experimentado uma expansão nos últimos anos no país, com a abertura de sistemas como o Biotrem (1999) e o Metrô de Valparaíso (2005), [ligação inativa] além da ampliação da rede do Metrô de Santiago (1975) para 103 km em 2011.

Mídia e comunicações

Os meios de comunicação de massa tradicionais no Chile são a imprensa escrita, o rádio e a televisão. Com origem no primeiro jornal nacional — Aurora de Chile, cujo primeiro número foi publicado em 13 de fevereiro de 1812 — a imprensa chilena se concentra principalmente em dois consórcios jornalísticos, Copesa e El Mercurio Sociedad Anónima Periodística, cujos principais jornais de circulação nacional são, respectivamente, La Tercera e El Mercurio. A edição de Valparaíso deste último é o jornal atual mais antigo do país e do mundo em língua espanhola, publicada a partir de 12 de setembro de 1827. Além disso, existem várias publicações de circulação regional. As revistas — semanais, quinzenais ou mensais — são de circulação nacional. [ligação inativa]

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Cultura

Durante o período entre o início de assentamentos agrícolas e final do período pré-hispânico, o norte do Chile era uma região de cultura andina que foi influenciada pelas tradições altiplanas e se espalhou para os vales costeiros do norte. Enquanto a região sul era uma área de atividade cultural mapuche. Durante o período colonial, após a conquista, e durante o início do período republicano, a cultura do país foi dominada pelos espanhóis. Outras influências europeias, principalmente inglesa, francesa e alemã começaram a surgir no século XIX e continuam até hoje. Imigrantes alemães influenciaram a arquitetura em estilo bávaro rural e a gastronomia do sul do Chile, em cidades como Valdivia, Frutillar, Puerto Varas, Osorno, Temuco, Puerto Octay, Llanquihue, Faja Maisan, Pitrufquén, Victoria, Pucón e Puerto Montt. [ligação inativa] [ligação inativa]

Literatura

O Chile é tido pelos chilenos como um "país de poetas", devido a importância que vários escritores do gênero lírico tiveram ao longo de sua história. [ligação inativa] Durante a colonização, destacaram-se poemas épicos como La Araucana (1569), de Alonso de Ercilla e Arauco Domado (1596), de Pedro de Oña, o primeiro poeta nascido no atual território chileno. Séculos depois, quatro poetas chilenos se destacaram: Vicente Huidobro, Pablo de Rokha, Gabriela Mistral — a primeira chilena a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945 — e Pablo Neruda, o mais famoso poeta chileno, que conquistou o Prêmio Nobel de Literatura em 1971 e considerado um dos principais nomes da literatura ocidental de todos os tempos. Outros poetas proeminentes são Enrique Lihn, Jorge Teillier e Gonzalo Rojas, vencedores do Prêmio Miguel de Cervantes, além de Nicanor Parra, vencedor do Premio Nacional de Literatura de Chile em 1969. [ligação inativa]

Música

A música folclórica do Chile é caracterizada por misturar sons tradicionais indígenas com aqueles oriundos da Espanha. A cueca, dança nacional desde 1979, é disso um bom exemplo: tem características próprias consoante a zona do país em que está representada. Desde 1987, a Sociedade Chilena de Autores e Intérpretes Musicais (SCD) se dedica a registrar a propriedade intelectual de cada obra e de seu autor. Além de arrecadar os direitos gerados pela mídia nacional, a organização é voltada a divulgar e promover o desenvolvimento da música chilena. Outras de suas incumbências incluem a formação de novos músicos e a visão social e sanitária de seus parceiros. [ligação inativa]

Culinária

A culinária chilena é um reflexo da variedade topográfica do país, caracterizando uma variedade de frutos do mar, carne, frutas e legumes, tendo sofrido uma notável influência de hábitos culinares indígenas e europeias, especialmente da culinária colonial espanhola. [ligação inativa] Os principais ingredientes da cozinha tradicional chilena correspondem a alimentos próprios da região como o milho, a batata, o tomate, o trigo e as carnes de porco, frango, vaca e cordeiro. O vinho chileno também é muito popular, destacando-se principalmente os de Cabernet Sauvignon, Carménère e Merlot entre os vinhos tintos e os Chardonnay e Sauvignon blanc entre os vinhos brancos. Outras bebidas tradicionais são a chicha e o pisco chileno.

Esportes

No final do século XIX, os imigrantes britânicos trouxeram o futebol para o país, que rapidamente se popularizou e se tornou o esporte mais popular, especialmente após sua profissionalização e a criação da Primeira Divisão em 1933. O Chile se classificou para a Copa do Mundo FIFA em nove ocasiões, o que inclui a edição de 1962, sediada no país, onde a seleção nacional de futebol terminou em terceiro lugar. [ligação inativa] Outros resultados alcançados pela seleção nacional de futebol incluem seis finais e dois títulos na Copa América, [ligação inativa] uma final na Copa das Confederações, uma medalha de prata e duas de bronze nos Jogos Pan-Americanos, uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Verão de 2000 e dois terceiro lugares nos torneios FIFA Sub-17 e Sub-20. Clubes de futebol do país ganharam seis troféus internacionais: O Colo-Colo conquistou a Copa Libertadores e a Copa Interamericana em 1991, [ligação inativa] [ligação inativa] e a Recopa Sul-Americana em 1992; [ligação inativa] a Universidad Católica, conquistou a Copa Interamericana de 1993; o Universidad de Chile venceu a Copa Sul-Americana em 2011; [ligação inativa] enquanto na categoria feminina, o Colo-Colo conquistou a Copa Libertadores de 2012.

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Fontes consultadas

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