Ciborgue
Um ciborgue ou cyborg é um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial.
De acordo com algumas definições do termo, a ligação entre a física e a metafísica da humanidade com a tecnologia já está nos tornando ciborgues, se atendermos à sua definição estrita. Por exemplo, uma pessoa que tenha implantado marcapassos poderia ser considerado um ciborgue, visto que seria incapaz de sobreviver sem esse componente mecânico. Alguns teóricos citam as lentes de contato, aparelhos auditivos ou lentes intraoculares como exemplos de seres humanos utilizando componentes artificiais para melhorar seu desempenho biológico. Entretanto, estas modificações não seriam mais "cibernéticas" do que uma pá usada na lavoura ou uma lança utilizada na caça. Os implantes cocleares, que combinam uma modificação mecânica com algum tipo de resposta do organismo, seria uma boa representação de um ciborgue. No final do século XX, a imagem do ciborgue como um ser que não é nem humano nem máquina, nem homem nem mulher, foi construída por autoras como Donna Haraway, através de seu Manifesto Ciborgue.
O conceito de uma mistura "homem-máquina" foi difundido na ficção científica antes da Segunda Guerra Mundial. Em 1843, Edgar Allan Poe descreveu um homem com próteses extensivas no conto "The Man That Was Used Up". Em 1908, Jean de la Hire criou o personagem Nyctalope (um dos primeiros super-heróis), na novela L'Homme qui peut vivre dans l'eau. Edmond Hamilton criou exploradores espaciais com uma mistura de partes orgânicas e mecânicas em sua novela The comet doom, em 1928. Criou mais tarde, Capitão Futuro, um personagem com conceitos parecidos. Em uma curta história chamada No woman born (1944), C. L. Moore escreveu sobre uma pessoa que teve todo o seu corpo queimado e cujo cérebro foi colocado em um corpo mecânico. Como foi dito anteriormente, o termo foi criado por Clynes e Kline, em 1960, para se referir à concepção de um "super-humano" que poderia sobreviver em ambientes extraterrestres.
Geralmente, o termo "ciborgue" é usado para se referir a um homem ou mulher com implantes biônicos ou robóticos. Atualmente, existe o sistema C-LEG, utilizado para substituir pés humanos que tenham sido amputados por causa de algum ferimento ou doença. Estes recursos artificiais permitem uma melhoria considerável no ato de caminhar. Implantes feitos na cóclea e implantes magnéticos têm ajudado pessoas a recuperar órgãos doentes, melhorando a qualidade de vida.
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Mais amplamente, o termo "organismo cibernético" é usado para descrever redes de comunicação e controle. Por exemplo, cidades, redes de estradas, redes de software, corporações, mercados, governos. Uma corporação pode ser considerada uma inteligência artificial que emprega componentes humanos para seu funcionamento. O termo "Empresa Ciborgue" passou a ser utilizado por Décio Marcellino, referindo-se à necessidade de sobrevivência de empresas na. era da indústria 4.0. A constatação é que todas as empresas atualmente são mais ou menos ciborgues e é necessário que se apropriem e utilizem de forma mais efetiva de seu lado máquina. (Marcellino, 2018)
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Outro conceito que surge com este conceito moderno é o de Juventude Ciborgue. Juventude Ciborgue é a união do conceito de juventude com o conceito cibernético, ou seja, jovens que estão conectados às tecnologias digitais. De acordo com a Lei, brasileira, nº 12.852, de 5 de agosto de 2013, a qual instituiu o Estatuto dos Jovens, são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15 (quinze) e 29 (vinte e nove) anos de idade. Já ciborgue pode ser definido como “um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção”. E o conjunto desses dois termos se ligam à relação da juventude com diversas tecnologias consequentemente trazendo consigo novos conceitos sobre a utilização das tecnologias digitais no seu cotidiano representados pelo uso de diversos artefatos tecnológicos como celulares, tablets, implantes, computadores, etc. Ou seja, a “juventude ciborgue opera o próprio pensamento e conduz as suas ações constituindo uma certa simbiose com as tecnologias”.
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Pode-se dizer que o currículo ciborgue é a composição da pedagogia analógica integrada à tecnologia digital. Dentro do planejamento curricular isto pode ocorrer de forma intencional ou não, ou seja, o aluno pode fazer uso das tecnologias digitais nas suas tarefas educacionais mesmo que o professor não considere o uso como um comando. Dessa maneira, o currículo ciborgue faz parte da nossa realidade, demanda uma nova maneira de planejar e organizar os conhecimentos. O currículo ciborgue resulta em uma grande, complexa e radical experiência curricular. O professor sai do seu lugar comum, reproduzido há anos da mesma maneira, através do quadro negro, os estudantes em fila e o livro didático, para transformar a aula em uma experiência dinâmica que desperta para o interesse, a participação e o fazer ativo. Nesse sentido o aluno rompe com fronteiras já produzidas, amplia suas possibilidades de conhecimento e encontra nos espaços cibernéticos uma gama de recursos para explorar os saberes que os livros didáticos não seriam capazes de fornecer.
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Aprendizagem ciborgue é a fusão entre “os recursos analógicos, comuns nas escolas, com as tecnologias digitais e as conexões que elas produzem com o ciberespaço e com a cibercultura” (SILVA, 2016, p. 153). Por ser uma fusão, ela não só une essas dimensões, mas ressignifica, cria novas maneiras para o processo e se adapta aos novos modos de vida da sociedade. Essa relação respeita o tempo da/o aluna/o, que passa a ser coautora/autor da organização do espaço-tempo do aprender. Dessa forma, influencia todas/os na sala de aula e fora dela, estando imersos no universo ciborgue ou não. “É possível decidir o momento ideal para estudar, controlar a velocidade que o conhecimento é acessado, podendo parar e pensar calmamente sobre o que está sendo exposto” (SALES, 2016). É na relação das culturas cibernética e juvenil que a apropriação do conhecimento acontece. As/os jovens ao estarem imersas/os numa cultura própria, na qual a música, os modos de se vestir e falar, e os diversos estilos são componentes produzidos para e por elas/es, se relacionam também com a tecnologia, que é um aspecto constituinte desse modo de “significar e interagir com a informação e o conhecimento” (SILVA, 2016 p. 23).
Medicina
Na Medicina, há dois importantes e diferentes tipos de ciborgues: o restaurador e o realçado. As tecnologias restaurativas têm como finalidade "recuperar órgãos e membros que perderam ou tiveram suas funções abaladas". (Gray, 1995). O aspecto chave deste restauro fisiológico é a reparação de processos comprometidos ou faltantes para um nível saudável ou médio de desempenho. O tratamento não restabelece as faculdades originais de processos que foram lesados. Por sua vez, o ciborgue realçado segue um princípio, que é o princípio do desempenho excelente: maximizando a "saída" (informações ou modificações obtidas) e minimizando a "entrada" (a energia necessária para o processo) (Lyotard, 1984). Assim, o ciborgue realçado pretende exceder processos normais ou até mesmo ganhar novas funções.
Forças armadas
Dentro do âmbito militar costuma aparecer o termo "soldado ciborgue", que designaria um soldado equipado com sistemas de armas e sobrevivência integrados no seu corpo. Um exemplo dessa interação é o Pilot's Associate, desenvolvido em 1985, que usaria a inteligência artificial para ajudar pilotos de aviões caça durante os combates, executando ações consideradas necessárias como a utilização automática de armas e o auto-exame do avião (Gray, em Cyborg handbook). Organizações militares têm recentemente focado sua atenção na utilização de animais ciborgues para executar operações táticas. O DARPA, por exemplo, demonstrou interesse em tentar desenvolver "insetos ciborgues" que transmitiriam informações através de sensores implantados durante a fase pupal. O movimento do inseto seria controlado por um MEMS ou micro-electro-mechanical system (sistema micro-eletro-mecânico), tendo como objetivo detectar explosivos ou certos tipos de gás. De forma similar, os sentidos de tubarões seriam explorados fornecendo dados sobre a movimentação de navios inimigos e/ou a localização de explosivos subaquáticos.
Existem vários exemplos do uso do termo ciborgue na ficção científica.


