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Mergulho

Mergulho é a prática de submergir, ou utilizando um aparato de respiração ou segurando a sua respiração, denominada mergulho livre. Roupas de mergulho atmosféricas podem ser utilizadas para isolar o mergulhador dos efeitos do ambiente de alta pressão, ou técnicas de mergulho de saturação, ou descompressivo, podem ser utilizados para reduzir o risco de doença descompressiva após mergulhos profundos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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História

Mergulho livre

O mergulho tem sido praticado em culturas ancestrais para a recuperação de objetos valiosos e como recurso de apoio à campanhas militares. Na antiguidade o mergulho livre sem o apoio de equipamentos era a única possibilidade, com a exceção do uso de juncos, ou de bexigas de couro, para a respiração. Os mergulhadores enfrentavam os mesmos problemas atuais, como a doença descompressiva e o apagão durante a apneia. Assim o mergulho na antiguidade poderia ser mortalmente arriscada. Tanto o mergulho com intuito comercial, como o com o objetivo de recreação, podem ter surgido na Grécia Antiga, já que tanto Platão quanto Homero citam que as esponjas já eram utilizadas para os banhos. A ilha de Calymnos era o principal centro do extrativismo de esponjas. Utilizando-se de pesos (skandalopetra) de até 15 quilos para acelerar a descida, mergulhadores de apneia podiam descer até os 30 metros por até 5 minutos para coletar esponjas. Estas não eram o único recurso valioso que se coletava do fundo do mar; a retirada de corais vermelhos também era bem popular. Uma variedade de conchas, ou peixes podiam ser retirados, assim criando uma demanda para mergulhadores que trouxessem os tesouros do mar, os quais também incluíam riquezas naufragadas.

O Sino de Mergulho

Os sinos de mergulho foram desenvolvidos entre os séculos XVI e XVII, sendo o primeiro recurso equipamento de mergulho mecânico a ser desenvolvido. Nada mais eram que câmaras rígidas lastreadas para manterem-se com a boca para baixo e com flutuabilidade negativa, afundando mesmo quando cheios de ar. O primeiro sino de mergulho básico foi provavelmente construído por Guglielmo de Lorena, em 1535. Em 1616, Franz Kessler construiu um sino de mergulho aprimorado. Os sinos de mergulho eram muito utilizados para trabalhos de salvatagem. Em 1658, Albrecht von Treileben foi contratado pelo rei Gustavo Adolfo da Suécia para recuperar o navio de guerra Vasa, que naufragou no porto de Estocolmo em sua viagem inaugural em 1628. Entre 1663 e 1665 os mergulhadores de von Treileben tiveram sucesso em emergir a maior parte dos canhões, trabalhando em um sino de mergulho. Em 1687, Sir William Phipps utilizou um container de cabeça para baixo para recuperar um tesouro avaliado em £ 200 000 (Duzentas mil Libras Esterlinas) de um navio espanhol que afundou na conta de Santo Domingo.

Trajes de Mergulho

O próximo grande passo na evolução do mergulho foi a criação dos primeiros trajes de mergulho no início do século XVIII. Dois ingleses desenvolveram o primeiro traje de mergulho resistente à pressão na década de 1710. John Lethbridge construiu uma roupa hermética para ajudá-lo no trabalho de salvatagem, basicamente era um de um barril cheio de ar a prova de pressão, com uma janela de vidro e duas mangas resistentes a água. Este design deu maior mobilidade e manobrabilidade para que o mergulhador pudesse realizar o serviço de recuperação de objetos. Depois de testar seu traje na lagoa de seu jardim, que foi construída especificamente para este propósito, Lethbridge mergulhou em diversos naufrágios: quatro ingleses da classe Man of War, um do padrão da Companhia das Índias Orientais, dois galeões espanhóis e várias Galeras. Devido aos bens recuperados ele se tornou um homem de muitas posses. Uma das suas salvatagens mais conhecidas foi a da embarcação holandesa Slot ter Hooge, que havia afundado no arquipélago da Madeira com mais de 3 toneladas de prata a bordo.

Trajes de mergulho dependente (Escafandros)

Os primeiros capacetes de mergulho foram produzidos pelos irmãos Charles e John Deane na década de 1820.

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Tipos de mergulho

Existem três tipos de mergulho: livre, autônomo e o dependente ou semiautônomo (br: umbilical). O mergulho livre ou de apneia é a modalidade em que o mergulhador não usa equipamentos para respiração subaquática. No mergulho autônomo o mergulhador é auxiliado por equipamentos que ele carrega consigo, que lhe permitem respirar debaixo d'água. Já no mergulho dependente, o suprimento de ar não é levado pelo próprio mergulhador, sendo a alimentação feita a partir da superfície por intermédio de um compressor de ar e de uma mangueira, no mergulho semiautônomo, ou umbilical, é usado um sistema de armazenamento, normalmente um circuito SCUBA, para prover uma fonte de reserva em caso de uma falha do sistema principal, fazendo com que o ar da superfície não chegue ao mergulhador.

Mergulho dependente

O mergulho dependente não é praticado por mergulhadores amadores ou esportistas, uma vez que, como não há limitação de ar para a permanência do homem sob a água, facilmente os limites não descompressivos do mergulho acabam sendo ultrapassados, exigindo assim diversas paradas programadas para descompressão. Ademais, uma interrupção no fornecimento de ar para o mergulhador pode ser fatal, dependendo da profundidade e do tempo que se encontra mergulhando. O mergulho dependente é largamente utilizado por profissionais, especialmente os que trabalham em plataformas de petróleo e na construção civil.

Mergulho livre

O mergulho livre consiste no mergulho sem o auxílio de equipamentos de respiração subaquática. O mergulhador depende exclusivamente de sua capacidade pulmonar, preparação física e principalmente do controle emocional. Existem várias modalidades de mergulho livre competitivas ou não, dentre elas tem-se o mergulho contemplativo, como o nome diz, para contemplar o ambiente aquático, tem-se o mergulho com Lastro constante, onde o mergulhador desce a uma determinada profundidade usando um cinto de lastro, porém o mesmo não pode se utilizar de cabo-guia, Lastro constante sem nadadeiras, que vale as mesmas regras para o anterior salvo que o uso de nadadeiras, Imersão livre é a modalidade mais natural possível, onde o mergulhador usa apenas um cabo para descer a maior profundidade possível e retornar. Tem também o Lastro variável, onde o mergulhador desce com o auxílio de lastro controlado (sled) ligado ao cabo-guia. Após atingir a profundidade desejada, o mergulhador abandona o lastro e retorna à superfície utilizando o cabo-guia ou simplesmente usando as nadadeiras e por fim o No limits, essa é a modalidade dos grandes profundistas. É derivada do lastro variável, porém a diferença está no modo de retorno à superfície. O mergulhador pode utilizar-se de um balão ou colete inflável, ou ainda outro meio mecânico para subir o mais rápido possível, devido à grande profundidade atingida.

Mergulho autônomo

Mergulho autônomo, a modalidade permite que o mergulhador fique mais tempo embaixo d'água do que o mergulho livre com auxílio do equipamento de respiração. O mergulho autônomo pode ser dividido basicamente em: Mergulho recreativo e Mergulho técnico (ou descompressivo). Os manuais das várias certificadoras de mergulho recreacional, apontam para a profundidade limite para este tipo de mergulho, na casa dos quarenta metros de profundidade. A partir deste limite o tempo de limite de permanência sem descompressão é muito curto, então passa-se a utilizar-se procedimentos para mergulho técnico. O recorde de profundidade em mergulho autônomo pertence ao mergulhador técnico Sul Africano Nuno Gomes que desceu -318,25 metros, submetendo-se a uma pressão de quase 33 atmosferas. Para tanto, o mergulhador deve se submeter a cursos especiais, onde tabelas de mergulho são estudadas em detalhes, procedimentos de emergência são apresentados e os equipamentos igualmente são especiais.

Mergulho técnico

Mergulho Técnico é o mergulho não limitado pelos limites das tabelas de mergulho não descompressivo, utilizando-se de equipamentos e procedimentos especiais para estender o tempo de fundo com segurança. Normalmente entre os procedimentos especiais está o uso de gases mais ricos em oxigênio, Nitrox, para acelerar a eliminação do nitrogênio acumulado devido à exposição a pressão maiores da profundidade. Devido à narcose por nitrogênio e a toxidade do sistema nervoso central causa por altas pressões parciais de oxigênio muitos mergulhadores usam misturas de gases onde retiram oxigênio e/ou nitrogênio substituindo-os por Hélio, a esta mistura chama-se TRIMIX.

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Certificações de mergulho

Para que mergulhadores possam exercer a atividade com segurança diversas certificações padronizadas foram criadas.

Certificações de mergulho profissional/dependente

As duas principais certificadoras de mergulho profissional são a International Marine Contracters Association IMCA e a Associaton of Diving Contractors Internacional ADCI.

Certificações de mergulho recreacional

A grande maioria das certificadoras de mergulho recreacional são membro do Conselho Mundial de Treinamento Scuba Recreacional (WRSTC, sigla em Inglês), que se divide em 4 conselhos Europa, Japão, Estados Unidos e Canadá. De acordo com as regulamentações do conselho existem os seguintes níveis de certificação de mergulho:

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Equipamento de mergulho

Para um mergulho seguro, é necessário o uso uma série de equipamentos que proporcionarão tranquilidade, conforto e, obviamente, segurança ao mergulhador. Para uma descrição mais detalhada sobre cada um desses equipamentos, veja o artigo principal: Equipamentos de mergulho. Equipamento utilizado para compensar a flutuabilidade causada principalmente pela roupa isolante e pela gordura corporal. A quantidade de lastro (chumbo) varia de mergulhador para mergulhador, dependendo assim da sua flutuabilidade natural e/ou equipamento que está sendo usado. Pode ser substituído por bolso de lastro em alguns coletes equilibradores. Uma vez que não se utilizam os braços na natação subaquática, o movimento das pernas é o responsável pelo deslocamento do mergulhador sendo assim a escolha da nadadeira é muito importante para cada tipo de modalidade. Feitas de e com diferentes tipos de borracha, silicone, fibra de carbono e outros polímeros, as nadadeiras podem ser classificas em dois modelos: de calcanhar aberto (nadadeiras abertas), que exige o uso de uma bota por dentro da nadadeira; e a de calcanhar fechado (nadadeiras fechadas).

Cilindro de ar comprimido

O que diferencia a capacidade e a quantidade de ar dentro do cilindro, além, naturalmente, do seu tamanho é a pressão utilizada no seu enchimento. Os cilindros mais utilizados pelos mergulhadores pesam de doze a quinze quilos e operam com aproximadamente 200 BAR de pressão, tendo um volume interno de cerca de 11 a 18 litros. Por exemplo, um cilindro modelo S80 de 11 litros de volume interno, se enchido a uma pressão de 200 BAR terá em seu interior um total de 2.200 litros de ar comprimido. Obrigatoriamente, quando o cilindro é recarregado com outro tipo de mistura gasosa, diferente do ar comprimido, deve-se apresentar uma identificação visual própria, alertando o mergulhador sobre qual é o gás que está contido no cilindro.

Regulador de Pressão

O mecanismo que permite respirar embaixo d´água o ar comprimido é o regulador de pressão que é acoplado ao cilindro de ar comprimido, reduz sua pressão até a pressão ambiente e conduz o gás por mangueiras até a boca do mergulhador, abrindo e fechando para liberar o ar a cada respirada.

Roupas isolantes

As roupas isolantes evitam a perda do calor do corpo e protegem a pele contra queimaduras de corais, animais venenosos ou cortes de pedras. Geralmente, são feitas de neoprene, um tipo de borracha que contém milhares de minúsculas bolhas em seu interior. Esse tipo de vestimenta foi criado em 1953, pelos irmão Bob e Bill Meistrell, fundadores da Body Glove, com o primeiro wetsuit prático da história. Graças a essa característica, a água que entra na roupa não sai, logo ela é aquecida pela temperatura corporal e cria uma barreira isolante entre o mergulhador e o meio líquido no qual ele está envolto. Existem também as roupas secas feitas de neoprene ou borracha vulcanizada, que impedem a passagem de água para dentro roupa. São muito usadas em locais inóspitos e muito frios, como em cavernas, mergulhos profundos, em altitudes e embaixo do gelo ou durante atividades muito prolongadas como no caso do mergulho comercial.

Manômetro e Profundímetro

O manômetro é um medidor da pressão do gás existente no cilindro. Pode ser medido em BAR ou PSI. O profundímetro é um medidor da profundidade em que o mergulhador se encontra submerso. A profundidade pode ser medida em metros (sistema métrico) ou pés (sistema imperial).

Snorkel

Snorkel é um tubo de aproximadamente trinta centímetros que contém um bocal e permite ao mergulhador respirar o ar do ambiente pela boca, sem levantar a cabeça da água. Os mais atuais possuem uma válvula (válvula de purga) que permite a respiração e aspiração em diferentes estágios. Possuem também um dispositivo "quebra-onda" na extremidade que auxilia no mergulho em águas marítimas, não deixando a água inundar o tubo.

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Riscos do mergulho

Nitrogênio residual

O nitrogênio residual é o nitrogênio remanescente no corpo após um mergulho, cujo tempo de demora para ser eliminado depende do tempo de mergulho e da profundidade atingida. Como regra, o tempo de segurança entre um mergulho e outro é de doze horas, mas em casos especiais este tempo deve ser aumentado (por exemplo, quando se ultrapassa os limites do mergulho não descompressivo). Caso a eliminação do nitrogênio residual seja deficiente (por fatores de saúde ou externos como uma subida muito rápida) pode ocorrer a geração de bolhas de nitrogênio que não conseguem ser eliminadas do corpo humano, ficando retidas em tecidos ou na circulação sanguínea. Esta ocorrência é chamada de doença descompressiva.

Embolia traumática

A embolia traumática é um dos mais perigosos acidentes do mergulho. Este acidente acontece se o ar contido nos pulmões ficar bloqueado ou não for expelido em quantidade suficiente durante a subida. O mergulhador nunca deve prender a respiração enquanto sobe à superfície. Os gases, conforme o mergulhador sobe, se expandem dentro do corpo, pela diminuição de pressão e podem até estourar os pulmões. A velocidade normal e máxima de subida é de 18 metros por minuto. Uma velocidade menor é aceitável e apropriada.

Narcose

O nitrogênio quando respirado sob pressão pode trazer efeitos para a consciência humana. Quanto mais profundo, aumentando-se a pressão parcial do nitrogênio, maiores os efeitos da narcose, que se assemelham muito aos efeitos do álcool no organismo humano. Euforia, desorientação e atitudes inconsequentes são sinais bastante comuns da narcose. Tão logo o mergulhador perceba tais sintomas deve imediatamente subir para uma profundidade onde os mesmos não mais se pronunciem. Da mesma forma que conforme se aumenta a profundidade, os sintomas se tornam mais fortes, diminuindo-se a profundidade os sintomas tendem a desaparecer por completo. Embora a narcose por nitrogênio seja a mais amplamente divulgada, alguns estudos apontam para a existência da narcose por oxigênio. Apesar do oxigênio apresentar capacidade de narcose maior que o nitrogênio, seu rápido metabolismo pelo corpo humano diminui seu impacto.

Ataques de animais

Apesar de pouco comuns, podem causar lesões nos mergulhadores exigindo socorro imediato e a intervenção médica em alguns casos. Na verdade, o imaginário popular, aumentado pela imagem distorcida dos filmes cinematográficos, aponta o tubarão como o mais sério dos ataques dos animais marinhos. Entretanto, estatisticamente, morrem mais pessoas picadas por abelhas e atacadas por hipopótamos, que mergulhadores mordidos por tubarões. Mesmo numa escala bastante reduzida, comparado a outros tipos de ataques de animais sob a face da terra, o ataque de tubarões é mais comum contra banhistas e surfistas do que contra mergulhadores. Tal fato se explica principalmente porquanto ataques de tubarões ocorrem na esmagadora maioria como uma forma equivocada de alimentação, uma vez que o ser humano, efetivamente, não faz parte da sua cadeia alimentar.

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Dieta aquática

Água

Devido a grande facilidade para desidratação (fator que contribui ao aparecimento de doença descompressiva) é recomendado o redobrado consumo de água, antes do mergulho. Após ou entre os mergulhos são recomendadas bebidas isotônicas para repor também os sais minerais.

Leite condensado

O contato por tempo prolongado com a água em temperatura mais baixa que o ambiente provoca excessiva perda de calorias. Os mergulhadores chegam a perder até quatro quilos num só dia na água. Por isso digerem substâncias doces, como leite condensado para reforçar as calorias que o organismo metaboliza com muita rapidez. A alta concentração de sal na água também resseca a boca dos mergulhadores, que procuram substâncias doces para conservar o paladar.

Perda de peso

Os mergulhadores que fazem caça submarina perdem quatro quilos em média, pois permanecem muitas horas dentro da água. Quem faz mergulho autônomo perde em média 900 quilocalorias por mergulho.

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Mergulho mais profundo de sempre

Em 18 de setembro de 2014, o egípcio Ahmed Gamal Gabr quebrou o recorde mundial de mergulho mais profundo de sempre, no Mar Vermelho, conseguindo descer a 332,35 metros de profundidade em 12 minutos, mas demorou quase 15 horas a regressar à superfície sem qualquer lesão.

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Fontes consultadas

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