Cinnamomum cassia
Cinnamomum cassia é uma espécie de pequenas árvores (mesofanerófitos) de folha perene da família das Lauraceae, conhecida pelos nomes comuns de caneleira-chinesa, cássia-chinesa ou simplesmente cássia. A espécie é originária do sueste da China e da Indochina, mas na actualidade é amplamente cultivada no sueste da Ásia. Muito semelhante a Cinnamomum verum, é uma das várias espécies do género Cinnamomum usadas para produção de canela a partir da casca aromática dos seus ramos juvenis. Também é fonte de um óleo essencial comercializado para perfumaria e medicina tradicional. Nos Estados Unidos é a espécie mais comummente usada para produção de canela.
A espécie Cinnamomum cassia é uma árvore que cresce até 10-15 metros de altura, com folhas de filotaxia do tipo alterna a sub-oposta ou oposta, coreáceas, de coloração avermelhada quando juvenis, oblongas a lanceoladas, com cerca de 10-15 centímetros de comprimento, com uma longa ponta acuminada. O ritidoma (casca) é acinzentado externamente, castanho no interior. A casca dos ramos juvenis e as folhas são ricos em compostos aromáticos, com o típico odor a canela. As flores são brancas, pequenas e unissexuais ou bissexuais, geralmente em panículas axilares. Os frutos são pequenos, carnudas, com cerca de 1 centímetro de comprimento, de coloração arroxeada quando maduros.
O ritidoma dos ramos jovem produz cerca de 2% em peso de óleos essenciais que contêm cerca de 90% de E-cinamaldeído e traços de eugenol. Neste óleo foram descrito diversos diterpenos (cincassiol e cinceilanina). Estão também presentes derivados fenilpropânicos, lignanos furanofurânicos, polissacarídeos, heterosídeos mono e sesquiterpénicos e numerosos derivados flavânicos. Embora existam fortes variações em função da procedência da amostra, estima-se que C. cassia contenha entre 0,7 e 12,2 g de cumarina por kg de casca pulverizada, o que assume particular relevância dadas as propriedades de hepatotoxicidade e de anticoagulante da cumarina.
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A primeira descrição científica da espécie foi publicada em 1753, sob o nome (basónimo) Laurus cassia, por Carolus Linnaeus na obra Species Plantarum, 1, p. 369. Em resultado do reconhecimento do género Cinnamomum, a nova combinação Cinnamomum cassia (L.) D.Don foi publicada em 1825 por David Don em Prodromus Florae Nepalensis, p. 67. São sinónimos as combinações Cinnamomum cassia Nees ex Blume 1826, Cinnamomum cassia Siebold 1830, Cinnamomum cassia (L.) J.Presl 1825. Outros sinónimos para Cinnamomum cassia (L.) D.Don são Persea cassia (L.) Spreng. e Cinnamomum aromaticum Nees. Nesse mesmo ano Jan Svatopluk Presl publicou a mesma combinação em O Přirozenosti rostlin, aneb rostlinar 2: 44. 1825. A espécie continua a ser frequentemente designada pelo sinónimo taxonómico Cinnamomum aromaticum Nees, que apesar de obsoleto é utilizado frequentemente para fins comerciais. O nome comum "cássia" e o epíteto específico cassia derivam de um antigo nome grego, κασία, kasia, já utilizado por Dioscórides. Este termo grego é provavelmente um empréstimo tomada da língua dos mercadores semitas (antigo hebraico: קציעה qetsiiah) que introduziram o produto no Médio Oriente. Presume-se que esses vocábulos foram adoptados para esta especiaria a partir da sua área de origem, a China. Poderá ser uma ligação com os povos austroasiáticos de Khasi, que na actualidade têm apenas uma pequena área de povoamento no estado de Meghalaya (nordeste da Índia) e no Bangladesh, mas que anteriormente povoaram uma região bem mais vasta, que ida de Assam à actual Birmânia. Os povos Khasi podem ter tido um papel importante no comércio da cássia na antiguidade. O termo pode também ter origem na palavra sumeriana gazi (em acadiano: kasû), termo que refere especiarias cuja tradução pode ser canela, alcaçuz ou mostarda.
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Os nomes "canela" e "cássia" causam confusão considerável, pois ambos foram historicamente e, amiúde ainda são, usados sem distinção. Nos Estados Unidos, a especiaria vem da casca seca de uma das espécies chamadas de "canela", sem distinção entre todas espécies. Além de que o nome "canela" pode também se referir à especiaria da casca aromática de uma espécie não aparentada, a Canella winterana da família Canellaceae. Em outras línguas europeias existem múltiplos nomes, sendo contudo frequente a confusão com a canela. A cássia, e outras formas de canela, foram usadas desde tempos muito antigos pelo seu sabor doce e ligeiramente picante. É amplamente utilizado na culinária, em diversas receitas como assados, pudins e sobremesas. A produção estimada de todas formas de canela foi de 155 mil toneladas métricas, colhidas de 186 mil hectares. A China, a Indonésia, o Sri Lanka e o Vietname correspondem conjuntamente a cerca de 98% da produção mundial de canela e seus derivados.


