Cisne Negro
Cisne Negro é um filme americano de 2010, dos gêneros suspense e terror psicológico, dirigido por Darren Aronofsky e estrelado por Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Barbara Hershey e Winona Ryder. O enredo gira em torno de uma produção do balé dramático O Lago dos Cisnes, de Piotr Ilitch Tchaikovsky, por uma companhia de prestígio da cidade de Nova Iorque. A produção exige uma bailarina para interpretar tanto o inocente e frágil Cisne Branco, para o qual a comprometida e perfeccionista Nina (Portman) é a escolha perfeita, quanto o malicioso e sensual Cisne Negro, que são qualidades que se encaixam perfeitamente na recém-chegada Lily (Kunis). Nina é dominada por um sentimento de imensa pressão quando ela se vê competindo pelo papel, fazendo com que ela perca o senso da realidade e caia num pesadelo vivo.
Nina Sayers (Natalie Portman) é uma perfeccionista bailarina profissional de uma companhia de balé de Nova Iorque. Ela mora em um apartamento com sua mãe super protetora, Erica (Barbara Hershey), bailarina aposentada que incentiva a ambição profissional da filha. A companhia está se preparando para abrir a temporada com O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky. O diretor artístico, Thomas Leroy (Vincent Cassel), está à procura de uma nova bailarina principal, depois de forçar Beth Macintyre (Winona Ryder) a se aposentar. Thomas quer a mesma bailarina para interpretar o inocente e frágil Cisne Branco como o misterioso e sensual Cisne Negro, e Nina é a própria personificação do Cisne Branco, mas não é capaz de incorporar as características do outro. No dia seguinte, Nina pede a Thomas que reconsidere a escolha dela para desempenhar o papel. Ele a beija forçosamente e ela mostra uma mudança de caráter, mordendo-o, e convencendo-o, sem querer, de que ela tem a "fúria" para interpretar o Cisne Negro, fazendo com que ele a escolha para o papel de Rainha dos Cisne. Durante a cerimonia de apresentação de Nina, Beth, embriagada e irritada, a confronta acusando-a de dormir com o diretor para obter o papel, então ele despacha Beth e leva Nina para a casa dele para conversarem, dizendo-lhe que precisa entregar-se à sensualidade do Cisne Negro, então fala para ela ir para casa e se masturbar, o que não deu certo. No dia seguinte, a bailarina descobre que Beth fora atingida por um carro enquanto caminhava na rua, e Thomas acredita que ela fizera isso de propósito.
A empresa Look Effects ficou responsável pelos efeitos especiais, principalmente os visuais. A Technicolor ajudou-a, em escala menor. Pela captura de movimento, a Curious Pictures encarregou-se, assim como a Direct Dimensions pelo Scanner 3D. O supervisor de efeitos visuais foi Dan Schrecker, um amigo de Aronofsky desde a faculdade e que já havia trabalhado em todos os seus filmes anteriores. As negociações começaram em 2008, depois que Schrecker se juntou a Look. A escolha da empresa foi pelo trabalho realizado em The Fountain e The Wrestler, que, segundo Schrecker, o diretor já estava familiarizado com seu trabalho. "Passamos muito tempo na pré-produção discutindo sobre como seria o design das asas da personagem no [ato final]. Darren queria que a anatomia do ser humano se transformasse na de um cisne. Então, ele convenceu-nos a digitalizarmos um esqueleto de cisne para se transformar em um esqueleto humano. Isso foi ótimo, fez-nos estudar e pesquisar sobre como a estrutura de uma asa e de um braço humano podem se transformarem um no outro. A equipe também estava discutindo a ideia de dar a personagem muitos atributos de cisne, não só as asas. Originalmente, o diretor queria dar a forma de pescoço longo, mas ficou um pouco ridículo. É um momento bonito no filme, a cabeça e as asas de Nina é uma visão tão bonita, e Natalie Portman é realmente muito bonita, e não precisava mais do que isso. Então decidimos que haveria o crescimento das asas e penas até o inicio do pescoço". — Dan Schrecker falando sobre os efeitos.
Concepção
Darren Aronofsky interessou-se pelo balé na época em que sua irmã estudava dança na Escola Superior de Artes Dramáticas em Nova Iorque. O conceito do filme surgiu quando ele leu um roteiro chamado The Understudy, ambientado numa companhia de teatro de Nova Iorque e explorava a noção de ser assombrado por um sósia. Ele gostou e contratou roteiristas para reescrevê-lo e propôs que o cenário fosse mudado para uma companhia de balé, e afirmou que o roteiro continha elementos de All About Eve, The Tenant e do romance O Duplo, de Fiódor Dostoievski. Aronofsky já tinha assistido à inúmeras produções de O Lago dos Cisnes, e com isso, vinculou a dualidade do Cisne Branco e do Cisne Negro ao roteiro. Durante a produção do filme, ele escolheu o balé por ser "um mundo muito isolado", ideal para um filme, "muito rico e interessante, mas pouco conhecido pelo cinema". No entanto, encontrou dançarinos ativos e inativos para compartilharem as suas experiências. Também esteve nos bastidores para ver o Balé do Bolshoi em uma apresentação no Lincoln Center.
Seleção do elenco
Aronofsky conversou com Portman a possibilidade de um filme de balé em 2000, quando ele descobriu que ela estava interessada em interpretar uma bailarina. Ao explicar o motivo de querer o papel, a atriz afirmou que estava tentando encontrar papéis mais adultos, senão poderia ficar presa em um ciclo de só interpretar a mulher bonita, ainda mais sendo uma pessoa tão nova. Portman sugeriu ao diretor que o papel de Lily fosse dado à sua amiga Mila Kunis. Esta compara Lily com Nina: "Minha personagem é muito solta [...] Ela não é tão boa quanto a personagem de Natalie, mas tem mais paixão, naturalmente. Coisa que [Nina] não tem." As personagens femininas têm como professor na produção de O Lago dos Cisnes Thomas Leroy, interpretado por Cassel. Ele comparou sua personagem com George Balanchine, que co-fundou a New York City Ballet, e disse que Balanchine era um excesso de controle, um verdadeiro artista que usava a sexualidade para dirigir seus dançarinos.
Desenvolvimento
Aronofsky conheceu Portman na Times Square em 2000, quando ela ainda estava na faculdade. Eles discutiram a possibilidade de um filme de balé após o lançamento de Requiem for a Dream, embora o roteiro ainda não tivesse sido escrito. Ele contou-lhe uma história de amor que envolve dois bailarinos rivais e a atriz respondeu: "Eu achei muito interessante porque esse filme é, de muitas maneiras, uma exploração do ego de um artista e a atração narcisista e repulsão de si mesmo." Como as gravações começaram uma década depois, ao longo dos anos ela perguntava: "O projeto do filme está perto de começar? Estou ficando velha demais para interpretar uma dançarina!", e o diretor respondia-lhe: "Não se preocupe, [ele] continua em pé". Aronofsky levou muito tempo para compreender o mundo do balé e O Lago dos Cisnes e descobrir uma maneira de transmitir esse mundo a um público que, em geral, não entende sobre ele. Com relação sua escolha para a atriz no papel principal, declarou que Portman é uma atriz realmente interessante, e quando a conheceu, adorou a ideia de contratá-la e afastá-la de sua [imagem de garota] inocente. Posteriormente, ela comentou que o fato de ter-se passado dez anos permitiu-lhe amadurecer um pouco mais.
Filmagem
Pouco antes do início das gravações, o Overnight desistira de financiar a produção, o que gerou preocupação no diretor e nos produtores, até que a Fox Searchlight Pictures responsabilizou-se pelo financiamento e distribuição, e liberou um valor de treze milhões de dólares; embora a produção esperava conseguir no mínimo 27 milhões. Faltando três semanas para as filmagens, a Searchlight decidiu que não liberaria o dinheiro, pois queria aguardar até que os produtores tivessem algo concreto, mas estes não podiam esperar. Na semana subsequente, a produção recebeu apenas um milhão de dólares. Então, após uma reunião, a Searchlight concordou em liberar a metade do orçamento e que a outra metade ficasse por conta de outro investidor. Depois de procurar várias produtoras, a Cross Creek Pictures se dispôs a participar, sendo esse seu primeiro financiamento. Como a proposta foi feita em último instante, o presidente da Cross, Brian Oliver, financiou entre 500.000 - 700.000 dólares de seu próprio bolso para começarem a produção, e em menos de uma semana do início das filmagens, a produção conseguiu o restante do dinheiro. Em uma entrevista, o diretor revelou "é sempre difícil [...] fazer filmes independentes nos Estados Unidos. Mesmo com o sucesso de The Wrestler, que ganhou muitos prêmios, obteve inúmeros reconhecimentos e foi incrivelmente bem aceito pela crítica, isso não foi o suficiente."
Fotografia
Aronofsky contratou o diretor de fotografia Matthew Libatique, conhecido por trabalhar em seus filmes anteriores, à excepção de The Wrestler. O filme foi majoritariamente rodado com um único tipo de câmera, a câmera de mão Arriflex 416 com lentes Ultra Prime 16. Durante os ensaios das cenas de dança empregou-se a Canon 5D DSLR. Para todas as cenas no metrô utilizaram Canon EOS 7D e Canon EOS-1D Mark IV, mas só era possível a equipe carregar apenas a 7D dentro do metropolitano, visto que ela era pequena e flexível. Libatique afirmou que antes das filmagens fez alguns testes com sua esposa para descobrir a sensibilidade ISO e como lidaria com o foco; testou várias exposições diferentes, em seguida, entregou a metragem para Charles Herzfeld, da Technicolor, que colocou no sistema para avaliar a iluminação, o moiré e a resolução. Também foram utilizadas câmeras formato Super 16 mm. Primeiramente, Aronofsky queria gravar tudo em filmes de 12 mm, como fez em seu trabalho anterior, The Wrestler, porém Libatique não concordou que tudo pudesse ser registrado naquela lente. Então, começaram a testar a 12mm, a 16mm e uma 25mm, e por fim acabaram usando as três, mas a que prevaleceu foi a 16mm. Partes das gravações ocorreram no Centro de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Nova Iorque. Aronofsky filmou Cisne Negro com poucos recursos e estilo granulado para ser semelhante a The Wrestler..mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Arte
O diretor de arte do filme foi David Stein, que teve colaboração da produtora de arte Thérèse DePrez e a figurinista Amy Westcott, que já tinha trabalhado no filme anterior de Aronofsky, The Wrestler (2008). Westcott afirmou que pesquisou muito em livros, filmes e apresentações de balé. Os filmes que assistia não eram apenas de balé, mas filmes que continham a mesma "essência", como A Dupla Vida de Véronique (1991) ou os que tinham semelhanças entre os personagens, como La pianiste (2001). Porém, o que mais ajudou foram as relações que criou com bailarinas do American Ballet Theatre e do New York City Ballet. Ela as assistia nos ensaios e conversavam por horas; isso lhe deu uma visão [real] do mundo do balé. Também as observava colocando suas sapatilhas e tirava fotos às escondidas enquanto elas estavam indo e saindo das aulas para, então, pegar seus estilos de roupas e bolsas. A figurinista recebeu e começou o trabalho alguns meses antes das gravações iniciarem; o diretor, DePrez e Libatique discutiram ideias e fizeram inúmeras pesquisas e, desse processo, surgiu a maquiagem do filme. Para a produção dos trajes de balé, ficaram responsáveis as irmãs Laura e Kate Mulleavy, fundadoras da marca de vestuário Rodarte, que foram contratadas principalmente devido à sua coleção "vulture" de 2010. "Eu achei sua linha do Vulture maravilhosa e foi um ajuste perfeito para a produção do Swan Lake no final do filme. Darren e eu compartilhamos todas as nossas pesquisas e ideias, trabalhamos com a Rodarte e juntos aprovamos cada aspecto do design para os trajes requeridos." Muitas de suas ideias foram retrabalhadas sob a orientação de Westcott e Aronofsky que trabalharam em estreita colaboração com a estilista do American Ballet Theater Zack Brown.
Cisne Negro é representado como um paralelo ao Lago dos Cisnes, e existem várias semelhanças entre o filme e peça de balé. No balé, Odette é transformada em um cisne quando está apaixonada por um príncipe. Porém, seu amante, acidentalmente, jura amor eterno a outra garota, Odile, que, naturalmente, é o Cisne Negro. Desesperada e confusa, Odette comete suicídio, atirando-se no mar. No filme, a personagem Nina se transformou em um cisne quando pensa que sua rival, Lily, o Cisne Negro, está querendo o seu lugar, da mesma maneira como Odile queria o lugar de Odette. Desesperada pela perfeição e confusa em sua escuridão interior, comete, mesmo sem estar ciente disso, o suicídio. Odette é muitas vezes referida como uma "heroína trágica", retratada sempre como vulnerável, gentil, carinhosa, modesta e sensível. Isso se reflete em Nina no início do filme, onde ela tem medo de cometer erros no palco. Para interpretar a Rainha dos Cisnes, ela deve também reproduzir a correspondente de Odette, Odile. Na sua mente, só pode ser Lily: elas não só são similares na aparência, mas, além disso, têm sido consideradas ao mesmo papel. Odile sempre usa vestes em pretas, assim como Lily. No balé, Odette é privada de sua identidade quando Odile se passa por ela; isso se reflete em Cisne Negro, não só na luta entre Nina e Lily, mas também na luta interna do protagonista entre suas duas personalidades.
Sexualidade de Nina
A sexualidade de Nina é um dos temas mais fortes do filme. Sua repressão é caracterizada de algum abuso que sofreu quando criança. Também, é possível observar a infantilização excessiva em que ela está sujeita: o quarto infantil com brinquedos de pelúcias, é vestida e despida pela mãe, não tem tranca na porta do quarto, usa apenas roupas claras, principalmente o rosa — a cor da inocência —, e, mesmo com 28 anos ainda chama Érica de "mamãe" e esta lhe chama constantemente de "doce garota", é colocada por sua mãe para dormir todas as noites sob uma canção de ninar (que é tema do cisne branco no balé) e que pergunta: "Você está pronta para mim?". Estas ações são apropriadas para uma criança se não tiver um contexto sexual. Numa das cenas, quando Lily aparece na porta, Érica a expulsa como que se ela não quisesse que sua filha tivesse uma vida social ou, até mesmo, uma vida sexual. Quando Thomas dá a Nina a lição de casa que é masturbar-se, ela tenta fazê-lo, mas é interrompida por sua mãe — que está dormindo em uma cadeira próxima a sua cama. A presença, fisicamente, não é ameaçadora, mas profundamente enervante. Esta é uma metáfora de que sua mãe estar ligada à sua sexualidade e literalmente entrou em seu espaço de fantasia, e as tentativas de Nina de despertar sua paixão também despertariam sua mãe. Em outra tentativa de alcançar o "prazer" durante o banho, Nina começa a tocar-se, mas aparece uma imagem que olha diretamente nos seus olhos, parecendo uma mistura de Lily, Nina e Erica, como se as linhas entre esses três personagens se tornassem borradas. Logo, Erica chega em casa e novamente "invade" seu espaço.
Outras interpretações
As cores são usadas de forma simbólica durante todo o filme, sendo as principais o preto, branco, verde e o rosa. De acordo com Libatique, o diretor queria uma produtora de arte com grandes ideias, e declarou que "Darren faz escolhas ousadas, e me pergunto se são exageradas às vezes, mas confio em seus instintos." O branco representa o lado inocente, a pureza e virgindade, no caso, de Nina; o preto representa o lado sombrio, sensual e intimidatório, mas não apenas de Nina (quando começa a mudar seu comportamento), as roupas de sua mãe e também as de Lily são, em sua maioria, escuras. A partir de quando Nina "tem" relação sexual com Lily, ela começa a usar roupas de tons mais escuros, deixando sua infantilidade (a cor rosa) e maturando. Em sua grande dança, suas penas negras simboliza que ela foi consumida por todas as características do preto. A rosa faz referência à sua infância e educação. Seu estilo moleca e infantil e o quarto cor-de-rosa com todos os animais de pelúcia mostra sua ingenuidade e como ela ainda é uma criança por dentro que apenas cresceu por fora e está totalmente submetida no pequeno mundo dela e de sua mãe, sem saber ou perceber outros problemas ao seu redor. Porém, na cena em que Nina visita MacIntyre, seu quarto está decorado com rosa e branco, mostrando sua fragilidade e insegurança assim como daquela.
Distribuição
Cisne Negro teve sua estreia mundial na Europa, como o filme de abertura no 67º Festival Internacional de Cinema de Veneza em 1 de setembro de 2010, contando com a presença do diretor e elenco principal, recebendo elogios críticos particularmente para o desempenho de Portman e a direção de Aronofsky, com Manohla Dargis, do The New York Times, descrevendo a atuação de Portman como "esmagadora, marcante, totalmente comprometida" e Aronofsky como um cineasta "bem-sofisticado". Durante sua apresentação, a obra recebeu uma retumbante ovação de pé para o diretor e os atores Natalie Portman e Vincent Cassel. A Variety chamou-o de "Perverso, sensual e, finalmente, devastador" e disse que foi "um dos maiores filmes de abertura em Veneza nos últimos tempos". O diretor artístico do festival, Marco Mueller, escolheu a obra em vez de The American (estrelado por George Clooney) para estrear na abertura, dizendo: "[Cisne Negro] será mais bem recebido [...] Clooney é um ator maravilhoso e sempre será bem-vindo em Veneza. Mas [seu filme] é tão simples." Cisne Negro foi mostrado na competição e é o terceiro filme consecutivo dirigido por Aronofsky a estrear no festival, após The Fountain e The Wrestler. A obra foi uma das sete indicadas ao prêmio Queer Lion — que é dado ao melhor filme com "temática e cultura gay."
Divulgação
O primeiro trailer do filme foi lançado em 17 de agosto de 2010 pela Fox Searchlight. Posteriormente, o estúdio criou um site oficial para o filme que continha a criação do primeiro cartaz, a opção de assistir ao trailer novamente ou simplesmente acessá-lo. Nesta última opção, a primeira seção foi "The Film", onde foi colocado tanto a sinopse como cinco sub-seções de Notas da Produção, que continha uma série de bônus sobre a produção, dando ênfase de como foram criados alguns dos efeitos visuais mais impressionantes do filme e quais foram os propósitos deles na história. A seção "Galeria" tem 10 fotos do filme; "Downloads" tem o International Teaser Art, que mostra os diferentes posters criados; e "Video" só tem o trailer. Por fim, "Cast & Crew" tem informações sobre a escolha do elenco e a realização do filme. Nas outras partes do site é onde se encontrava uma variedade de materiais da Fox Searchlight, como vários links para notícias sobre o filme, um widget que mostrava as atualizações da obra no Twitter e outro mostrando as atualizações no Facebook. A página do Facebook também continha vídeos, fotos e outras atualizações juntamente com conversas de fãs sobre o quanto eles estavam ansiosos pelo lançamento.
Classificação indicativa
Nos Estados Unidos, Cisne Negro recebeu da Motion Picture Association of America (MPAA) uma classificação R (Restrito) por conter "forte conteúdo sexual, imagens perturbadoras, violência, linguagem e consumo de drogas". Isto é, "menos de 17 anos requer o acompanhamento dos pais ou responsável(eis) adulto". O portal Common Sense Media também manteve a idade prevista pela MPAA. Por outro lado, pais usuários do site o recomendaram para maiores de 16 anos, e crianças colocaram 15 anos. Na Noruega, o sistema de classificação Medietilsynet deu-lhe o limite de idade de 15 anos com a seguinte justificativa "Este filme tem um clima de criação de ansiedade. Que, juntamente com a representação de desequilíbrio mental e violência, lhe permite obter essa classificação." Já na Irlanda, recebeu um certificado para "a partir dos 16 anos". Na França, foi classificado para todos os públicos, mas com o seguinte aviso: "Este complexo filme em que mistura fantasia e realidade inclui algumas cenas que podem perturbar o público mais jovem."
Home video
Cisne Negro foi lançado em formatos DVD e Blu-ray no dia 29 de março de 2011 nos Estados Unidos e Canadá. O disco Blu-ray contém características especiais não incluídas no DVD, incluindo: A Metamorfose do Cisne Negro: uma série dividida em três partes; Por trás das cenas: analisa o processo de filmagem e da direção visionária de Darren Aronofsky, a atuação fisicamente exigente e os deslumbrantes efeitos especiais; Por detrás dos bastidores; Visão interna do figurino e do design de produção; Dez anos de preparação - Natalie Portman e Darren Aronofsky discutem suas jornada criativa, desde "preparar o papel" até "dançar com a câmera"; Comentários do diretor e dos atores Natalie Portman, Winona Ryder, Barbara Hershey e Vincent Cassel. Nos Estados Unidos, vendeu 1 322 817 de unidades de DVD, alcançando a 36.ª classificação e arrecadando 18 448 467 de dólares; já em Blu-rays, ficou na 49.ª com 381.547 de cópias vendidas em 2011, fechando com 8 322 456 de dólares.
Bilheteria
Cisne Negro foi um sucesso nos Estados Unidos, ficando na décima terceira posição dos filmes mais assistidos de 3 de dezembro, recebendo um total de 415 822 dólares arrecadados em 18 cinemas, com uma média de 23 101 dólares por sala. No dia seguinte, continuou na mesma classificação, arrecadando 543 443 dólares — um aumento de 31 por cento. Em seu terceiro dia, que foi o fim de semana de abertura, arrecadou 1 443 809 de dólares — 80 212 por cinema, a segunda maior arrecadação do ano para um fim de semana de abertura, atrás apenas de The King's Speech, e foi um recorde histórico de final de semana de abertura para a Fox Searchlight, desbancando The Wrestler, Juno, Slumdog Millionaire, Sideways e Little Miss Sunshine. No dia 5, a obra continuou subindo, apesar de ter declinado 11 por cento em sua bilheteria, que marcou 484 544 dólares. Em seu primeiro final de semana, havia arrecadado 2 279 174 de dólares, e foi a maior bilheteria no circuito mundial durante o fim de semana. Na segunda semana, o filme começou a ser mais procurado pelo público americano, abrindo no oitavo lugar, com 987 144 dólares — 389 por cento a mais em relação ao dia anterior. No segundo dia dessa semana — o nono após seu lançamento — apresentou alta, arrecadando 1 306 579 de dólares em 90 cinemas; o mesmo aconteceu no terceiro dia, chegando na quinta classificação, obtendo 1 011 645 dólares. Apesar de permanecer na quinta posição pelo resto da semana, sua bilheteria insistiu em apresentar baixos desempenhos. Em seu terceiro fim de semana, ele expandiu-se novamente para 959 cinemas e arrecadou 8 383 479 de dólares. No dia 24 de dezembro, primeiro dia da quarta semana, sua arrecadação foi 1 055 312, subindo para 2 523 933 no dia seguinte — um aumento de 139.2 por cento, fechando o final de semana com um total de 38 926 196 de dólares. Assim como na anterior, iniciou a quinta semana com um saldo positivo, obtendo 2 516 655, e 466 por cento de crescimento comparado ao fim de semana que se passou; repetindo o aumento no dia seguinte, com 3 175 269 arrecadados. A obra começou bem o ano novo, ficando no sétimo lugar e arrecadando 3 884 035 em 1 de janeiro — crescimento de 100 por cento comparado ao último dia de 2010, fechando a semana com 53 105 493 — o quarto filme mais visto. Em 8 de janeiro, registrou 3 404 969 de dólares, ficando à frente de sucessos como Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1, The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader, The Tourist e The King's Speech. O filme encerrou o fim de semana com 64 868 358 de dólares arrecadados, tornando-se o segundo mais assistido entre 7 e 13 de janeiro, atrás apenas de True Grit. Com a vitória de Natalie Portman nos Prêmios Globo de Ouro, sua participação nos cinemas aumentou para 2 407, ficando em quarto dentre os filmes mais assistidos. Após o anúncio dos indicados ao Oscar, em 25 de janeiro, seu desempenho de 63.5 por cento negativos foi para um máximo de 137.9 por cento positivo. Sua presença nos cinemas no início de fevereiro foi boa, chegando a apresentar uma expansão de 133.5 por cento na bilheteria no dia quatro. No entanto, ao decorrer do mês, a obra sofreu oscilações, chegando ao patamar de 64.1 por cento negativos. No dia 27, em que foi realizada a cerimônia do Oscar, o filme apresentava baixos desempenhos, lucrando apenas 311 920 dólares em 617 cinemas, mas depois que Portman levou o prêmio de Melhor Atriz, Cisne Negro reexpandiu a presença nos cinemas, apresentando um aumento de 116.8 por cento em 4 de março. O filme encerrou sua exibição território americano em 28 de abril de 2011, em vinte cinemas, com uma arrecadação total de 106 950 757 de dólares. Atualmente é considerado o segundo filme do gênero dança de maior bilheteria na América do Norte.
Resposta da crítica
Após sua liberação, Cisne Negro foi frequentemente considerado como um dos melhores filmes de 2010 pelos críticos cinematográficos e pela imprensa norte-americana e internacional; elogios vieram principalmente para Portman e Aronofsky. Por sua grande aceitação do público, foi chamado de um "sucesso inesperado." No agregador de resenhas Rotten Tomatoes, o filme recebeu um "Certificado Fresco" e marca uma pontuação de 85% com base em comentários de 305 críticos, com o desempenho de Portman sendo elogiado, e registra uma nota 8,2 de 10. De acordo com o site, o consenso crítico do filme diz: "Extremamente intenso, apaixonante e profundamente melodramático, Cisne Negro percorre sobre a ousada direção de Darren Aronofsky — e um ousado desempenho de Natalie Portman". No Metacritic, que atribui uma média aritmética ponderada com base em 100 comentários de críticos mainstream, o filme recebe uma pontuação média de 79 pontos com base em 42 comentários, indicando "análises geralmente favoráveis". No website, foi classificado como o 44.º melhor filme do ano, enquanto o IndieWire considerou-o como o 35.º melhor filme da década.
Prêmios e indicações
O triunfo comercial e crítico de Cisne Negro também mostrou-se nas premiações da obra, recebendo mundialmente 257 indicações e 92 vitórias. Logo após sua liberação, apresentou-se como um dos favoráveis para receber indicações a prêmios prestigiados do cinema como ao Oscar, Globo de Ouro, BAFTA e Screen Actors Guild. A ótima recepção crítica em relação o desempenho de Natalie Portman lhe garantiu vitórias em diversos festivais e premiações na categoria de "Melhor Atriz". O Daily Mail publicou: "No Oscar deste ano não é preciso olhar muito longe para Melhor Atriz", assim como James Berardinelli afirmou: "Portman ganhará nesta categoria". Sua primeira vitória em um prêmio importante foi no Critics' Choice Movie Awards, seguido pelo Globo de Ouro, Screen Actors Guild Award, BAFTA, Independent Spirit Award e Oscar.
Reconhecimento
Cisne Negro foi amplamente reconhecido como um dos melhores filmes do seu gênero, constando em várias publicações dessa categoria, sendo o quarto filme que mais entrou em publicações de "os 10 melhores filmes do ano", com um total de 247 listas e encabeçou 36 destas. O Instituto Americano do Cinema o elegeu um dos dez melhores filmes americanos do ano – sem ordem específica –, assim como o Austin Film Critics Association, que ficou em primeiro lugar. O filme esteve na escolha dos críticos para entrar na lista compilada pela British Broadcasting Corporation (BBC) dos 100 melhores filmes do século XXI, no entanto ficou apenas elegível. Na publicação dos 50 filmes de terror do século XXI você deve ver, da Film4, alcançou a 48.ª posição e a oitava dos 25 melhores filmes de terror do século XXI, na do site IndieWire. Foi incluído entre os 1001 filmes você deve ver antes de morrer, editado por Steven Schneider, sendo a capa da edição. Inúmeras listas de "Os Maiores Filmes de Dança" incluíram-no, e as cinco seguintes não tiveram ordem específica: o canal de televisão VH1, o New York Post, a Teen Vogue, a Back Stage, a Royal Opera House de Londres; já nas próximas cinco, tiveram: no Vulture.com, na 19.ª classificação; Moviepilot, a décima; Cosmopolitan, a terceira; Beamly e Seleções, na primeira. Esteve no topo da lista da Marie Claire dos 5 melhores filmes de balé de sempre. Novamente, em outra publicação, o IndieWire nomeou a dança da perfeição como a mais icônica do cinema, assim como o BuzzFeed chamou o plano em que Nina realiza o ato final, no qual ela sobe no altar e câmera fica por detrás dela mostrando as outras bailarinas, a orquestra e o público, como o quinto Mais Lindo na História do Cinema. Além disso, figurou na lista "Os 100 Melhores filmes da década", compilada pelo periódico The A.V. Club, assim como nas publicações de mesmo título do IndieWire, Little White Lies, Daily Emerald, MUBI, Le Noir Auteur e do site The playlist. Em publicação semelhante, o CraveOnline o elegeu como o Melhor Suspense Psicológico da Década.
Figurino
Amy Westcott é creditada como a figurinista e recebeu várias nomeações a diversos prêmios. Levantou-se uma controvérsia a respeito de quem tinha projetado os 40 trajes de balé usados por Portman e os bailarinos. Um artigo do jornal britânico The Independent insinuou que esses figurinos foram criados por Kate e Laura Mulleavy, da Rodarte. Westcott contrapôs essa publicação e afirmou que apenas sete trajes, entre eles o cisne preto e branco, haviam sido criados pelas Mulleavy. Além disso, os trajes de balé foram projetados por Zack Brown, do American Ballet Theatre, e um pouco adaptado por Westcott e seu departamento de figurino. Westcott pronunciou-se: "Controvérsia é uma palavra muito complementar para duas pessoas que usam seus consideráveis recursos de auto-divulgação para queixaram-se muito de seus créditos, já que perceberam o quão bom o filme é."
Dublê de dança
A bailarina Sarah Lane, solista do American Ballet Theatre, foi "dublê de dança" de Portman. Em uma publicação em 3 de março para a revista Dance, Wendy Perron, editora-chefe, perguntou: "Será que as pessoas realmente acreditam que se leva apenas um ano para se tornar uma bailarina?" Sabemos que Natalie Portman estudou balé quando criança e teve um ano de treinamento intensivo para o filme, mas isso não significa que se tornou uma bailarina, mas parece que muitas pessoas acreditam que ela fez sua própria dança em Cisne Negro". Isso fez com que Benjamin Millepied, Mila Kunis e Aronofsky defendessem Portman, bem como uma resposta de Lane sobre o assunto.


