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Claviceps

Claviceps é um género de fungos, vulgarmente chamados cravagens, que inclui cerca de 50 espécies quase todas elas tropicais. O membro mais proeminente deste grupo é Claviceps purpurea. Este fungo infecta o centeio e outros cereais, produzindo alcaloides que causam o ergotismo em humanos e outros animais que consumam grãos contaminados com o corpo frutífero (esclerócio) do fungo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Espécies mais relevantes

Imagem: Rasbak · BY-SA · Openverse

Espécies economicamente relevantes são C. purpurea (parasita de gramíneas e cereais), C. fusiformis ( mexoeira), C. paspali (Paspallum), e C. africana (no sorgo). C. purpurea normalmente afeta espécies com polinização aberta como o centeio (o hospedeiro mais comum), bem como o triticale, trigo e cevada. Raramente afeta a aveia.

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Ciclo de vida

Imagem: Odile Jacquin · BY-SA · Openverse

O esclerócio desenvolve-se quando um flósculo de uma erva ou cereal em flor é infectado por espécies de fungos do género Claviceps. O processo de infecção imita um grão de pólen crescendo no ovário durante a fertilização. Uma vez que a infecção requer o acesso do esporo do fungo ao estigma, as plantas infectadas por Claviceps são sobretudo espécies de polinização aberta com flores abertas, como o centeio (Secale cereale) e azevem (género Lolium). O micélio proliferante do fungo destrói então o ovário da planta e liga-se ao feixe vascular que originalmente alimentava as sementes. O primeiro estágio de infecção por cravagem manifesta-se na forma de um tecido mole e branco (conhecido como esfacélio) que produz uma melada açucarada, que muitas vezes se desprende dos flósculos infectados. Esta melada contém milhões de esporos assexuados (conídios) que são dispersados para outros flósculos por insetos. Posteriormente, os esfacélios convertem-se em esclerócios duros e secos no interior das glumas do flósculo. Neste ponto, acumulam-se no esclerócio alcaloides e lípidos.

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Efeitos em humanos e outros mamíferos

O esclerócio da cravagem contém altas concentrações (até 2% da massa seca) do alcaloide ergotamina, uma molécula complexa que consiste de um anel ciclol-lactâmico derivado de um tripéptido ligado a um grupo de um ácido lisérgico (ergolina) e outros alcaloides do grupo da ergolina que são biossintetizados pelo fungo. Os alcaloides da cravagem possuem um grande leque de atividades biológicas incluindo efeitos sobre o sistema circulatório e neurotransmissão. Ergotismo é o nome coletivo dado a síndromes patológicas por vezes severas que afetam humanos e animais que ingeriram matéria vegetal contendo alcaloides da cravagem, como grãos contaminados pelo fungo. Os monges dos Irmãos Hospitaleiros de Santo António especializaram-se no tratamento de vítimas de ergotismo com bálsamo contendo extratos de plantas tranquilizantes e estimuladores da circulação. Um nome comum do ergotismo é "Fogo de Santo António", em referência aos monges que tratavam as vítimas e os sintomas, tais como fortes sensações de queimadura nos membros. Estas são causadas pelos efeitos dos alcaloides da cravagem no sistema vascular devido à vasoconstrição dos vasos sanguíneos, que por vezes pode levar à gangrena e perda de membros devido à forte redução da circulaçao do sangue.

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História

O envenenamento humano devido ao consumo de pão de centeio feito a partir de grão infectado com cravagem era comum na Europa da Idade Média. A epidemia era conhecida como Fogo de Santo António, ou ignis sacer, e alguns eventos históricos, como o Grande Medo na França durante a Revolução foram relacionados com o envenenamento com cravagem. Linnda R. Caporael propôs em 1976 que os sintomas histéricos das jovens na origem dos julgamentos das Bruxas de Salém haviam sido o resultado do consumo de centeio contaminado com cravagem. Porém, as suas conclusões foram mais tarde disputadas por Nicholas P. Spanos e Jack Gottlieb, após uma revisão das provas médicas e históricas, bem como por outros autores. O autor britânico John Grigsby sustenta que a presença de cravagem nos estômagos de alguns dos chamados 'corpos das turfeiras' (restos humanos da Idade do Ferro encontrados em turfeiras do nordeste da Europa, como o Homem de Tollund) é indicadora do uso de cravagem em bebidas rituais num culto de fertilidade pré-histórico similar ao culto dos Mistérios de Elêusis da Grécia Antiga. No seu livro Beowulf and Grendel ele argumenta que o poema anglo-saxão Beowulf é baseado na memória da supressão deste culto de fertilidade pelos seguidores de Odin. Ele afirma que Beowulf, que se traduz como lobo da cevada (barley wolf), sugere uma ligação à cravagem que em alemão é conhecida como 'dente de lobo'.

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