Companhia Paranaense de Energia
A Companhia Paranaense de Energia (COPEL) é uma empresa brasileira de energia, responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia elétrica em todo o território do estado do Paraná.
Foi fundada em 26 de outubro de 1954 pelo então governador Bento Munhoz da Rocha Neto, com o objetivo inicial de construir um sistema elétrico no Paraná, até à época praticamente inexistente.[carece de fontes]? A Copel abriu seu capital em abril de 1994 na Bovespa (atual B3) e em 1997 foi a primeira empresa do setor elétrico brasileiro a ter suas ações negociadas na bolsa de Nova York (NYSE). Também tem suas ações negociadas desde 2002 na Latibex braço latino-americano da bolsa de valores de Madri. Nepotismo marcou a gestão da Copel e Celepar, cujos conselhos são indicados pela Assembleia Legislativa do Paraná, muito embora seja o governador quem influencia.
Até o ano de 2020, a empresa operava a Copel Telecom, criada no início da década de 1970 para suprir as demandas de comunicação entre usinas, subestações e unidades administrativas da Copel. Nos anos 1990 começou a implantação de um sistema óptico que conectaria todos os 399 municípios do Paraná em 2013. Neste meio tempo, passou a atuar no mercado de varejo com serviços de conectividade, primeiro para empresas e poder público, e desde 2013 para residências. A expansão dos planos de internet fixa de banda extralarga atingiu 63 municípios em 2016, em comparação a seis localidades atendidas em 2013. Em 2016 sua internet foi considerada a mais rápida do Brasil e conectava mais de 2.000 escolas levando internet e comunicação a todos os alunos das escolas públicas do Estado do Paraná. Após dominar em 67% do mercado estadual de serviços em fibras óticas, em 2020 a Copel Telecom caiu em 21,9% deste mercado.
Geração
A Copel opera um parque gerador de 48 usinas próprias, das quais 17 são hidrelétricas, uma termelétrica e trinta eólicas. Detém participação em outros 15 empreendimentos de geração de energia (1 térmica, 8 hidrelétricas, 5 parques eólicos e 1 solar). A capacidade instalada total dessas usinas é de 6.706,3 megawatts, sendo composto por 94% de fontes renováveis. A Copel tem a quarta maior capacidade instalada de geração de energia do país, com 3,5% da potência instalada no Brasil. Dentre as hidrelétricas operadas pela Copel estãoː Gov. Bento Munhoz da Rocha Netto (Foz do Areia), Gov. Ney Aminthas de B. Braga (Segredo), Gov. José Richa (Salto Caxias), Gov. Parigot de Souza, Colíder, Guaricana e Bela Vista, além de contar com participações em outras usinas.
Transmissão
No segmento transmissão, a Copel detém uma malha total de 9.616 Km de linha de transmissão e 53 subestações de rede básica, considerando as participações.
Distribuição
Seu sistema de distribuição é formado por 206.456 km de linhas e 386 subestações. Atende a mais de 4,9 milhões de unidades consumidoras em 395 municípios.
Comercialização
Em 2015, a Copel instituiu uma empresa de comercialização para atuar no Mercado Livre, para atuar na compra e venda de energia, além de prestar consultoria às indústrias que passaram a atuar no segmento.[carece de fontes]?
Smart Grid
Em Curitiba, a Copel iniciou em 2014 um dos mais avançados programas de redes inteligentes (smart grid) do país, incluindo automação da rede de distribuição, medição remota conjunta de água, luz e energia, além de geração distribuída a partir de múltiplas fontes.[carece de fontes]?
Pesquisa e desenvolvimento
Por ação própria e em conjunto com o LACTEC e outras importantes entidades de pesquisa tem realizado e desenvolvido diversos produtos que auxiliam na melhoria da qualidade, da confiabilidade e do suprimento dos serviços de energia elétrica, de distribuição de gás, de fontes alternativas e renováveis de energias e de telecomunicações aos cidadãos e empresas de todo o Estado do Paraná.[carece de fontes]?
Em 21 de novembro de 2022, a Copel informou a intenção do governo do Paraná em transformar da Copel em corporação, mudando o capital da empresa de aberto para disperso e tirando o Paraná da posição de acionista controlador, alegando que a privatização possibilitaria que empresa pudesse manter e prorrogar os contratos de concessão de ativos de geração de energia. No mesmo dia, foi enviado em regime de urgência para a Assembleia Legislativa do Paraná o projeto de lei solicitando a privatização da companhia. No dia 24 de novembro de 2022, foram realizadas as votações finais nas sessões extraordinárias. Em segunda votação, o projeto de lei foi aprovado por 35 votos favoráveis, contra 13 contrários. A terceira votação, sobre a redação final do texto, foi aprovada com 38 votos favoráveis e 13 contrários. Pela lei aprovada, o capital total do Paraná sobre a estatal pode ser reduzido de 31,1% para no máximo 15%. Com relação às ações ordinárias, que garantem direito a voto nas assembleias, a participação do governo pode ser reduzida de 69,7% para 10%. O direito de voto dos demais acionistas, sozinhos ou em bloco, também fica limitado ao patamar de 10%. O estado deve manter uma ação de classe especial (“golden share”), com poder de veto, que visa garantir os investimentos da Copel Distribuição, bem como a manutenção do nome da companhia e da sede em Curitiba. O projeto foi inspirado no modelo de privatização da Eletrobras, realizado em 2022.
Copel Telecom
O empresário Nelson Tanure, responsável pela compra da Copel Telecom por R$ 2,4 bilhões, depois renomeada para Ligga, tornou-se alvo da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. A apreensão de seu celular e outras medidas judiciais reforçaram suspeitas sobre a origem dos recursos usados na privatização e reacenderam críticas políticas no Paraná, especialmente da oposição ao governo estadual. A venda da Copel Telecom em 2020, considerada estratégica e lucrativa, voltou a ser questionada diante das conexões financeiras com o banco investigado e do papel de Tanure no negócio. Denúncias de sócios e investidores sobre possíveis irregularidades na gestão da Ligga e no uso de recursos captados pela empresa, incluindo aplicações significativas no Banco Master. Há também acusações, ainda não comprovadas, de que Tanure poderia ter ligação mais profunda com o controle do banco, o que ele nega. Paralelamente, dificuldades financeiras, venda de ativos e disputas societárias colocam em risco outras operações no setor de telecomunicações, como negociações envolvendo empresas no Paraná. Esse conjunto de investigações, disputas e incertezas tem intensificado o debate sobre os processos de privatização e a governança das empresas envolvidas. O que resultou na venda da Ligga para o Instituto de Tecnologia do Paraná, por R$ 1,77 bilhão, assumindo outros R$ 1,28 bilhão em dívidas.
Em 2025, diversos apagões nacionais e interestaduais aconteceram, interligados a subestações ou fiações mantidas pela Copel.
Denúncias
O Ministério Público do Estado do Paraná moveu liminar contra Copel em maio de 2026, em R$ 2 milhões, por quedas de energia. 6ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público foi extinta em julho, do mesmo ano, e os procedimentos em andamento foram redistribuídos para outros promotores da área de patrimônio público. Investigações envolvendo a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a Câmara Municipal de Curitiba, a Secretaria de Estado das Cidades e a Cohapar. A medida ocorre após a reformulação do Gepatria pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Zanicotti. Na época, a justificativa para centralizar os núcleos regionais em Curitiba foi o aumento da eficiência e o foco em casos complexos. A Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná manifestou preocupação com a preservação da estrutura de defesa do patrimônio público. A entidade informou que foi notificada de que os trabalhos não serão interrompidos, mas que acompanhará a transição para garantir que não haja enfraquecimento da fiscalização.


