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Primeiro Concílio de Niceia

O Primeiro Concílio de Niceia foi um concílio de bispos, reunidos na cidade de Niceia da Bitínia pelo Imperador Romano Constantino I em 325. Constantino I organizou o concílio nos moldes do senado romano e o presidiu, mas não votou oficialmente as Questões de fé.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Visão geral

O Primeiro Concílio de Niceia foi o primeiro concílio ecumênico da Igreja. Seus feitos resultaram em um dos primeiros símbolos da fé e doutrina cristã, chamado de Credo Niceno. Com a criação deste credo, estabeleceu-se um precedente para os concílios locais e regionais subsequentes (Sínodos), realizados pelos bispos, para criar declarações de crença e cânones da ortodoxia doutrinária — com a intenção de definir a unidade das crenças para toda a cristandade verdadeira. Derivado do grego koiné (em grego: οἰκουμένη; romaniz.: oikouménē; "o habitado"), "ecumênico" significa "no mundo todo; de âmbito geral, universal". O termo, de modo geral, foi usado para se referir à Terra conhecida e habitada, o que naquele momento da história se referia em grande parte ao Império Romano. Os primeiros usos do termo aplicados a um concílio são em "Vida de Constantino", escrito por Eusébio de Cesareia em torno de 338, no qual ele afirma que "ele convocou um concílio ecumênico" (em grego: σύνοδον οἰκουμενικὴν συνεκρότει; romaniz.: sýnodon oikoumenikḕn synekrótei), e numa carta ao Papa Dâmaso I e aos bispos latinos do Primeiro Concílio de Constantinopla em 382.

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Características e propósitos

O Primeiro Concílio de Niceia foi convocado pelo Imperador Constantino, o Grande, em consequência das recomendações de um sínodo liderado por Ósio de Córdoba no tempo pascal de 325. Este sínodo havia sido encarregado de investigar o problema causado pela controvérsia ariana no leste grego do mundo greco-romano. Para a maioria dos bispos, os ensinamentos de Ário eram heréticos e perigosos para a salvação das almas. No verão de 325, os bispos de todas as províncias foram convocados a Niceia, um lugar razoavelmente acessível a muitos representantes, particularmente os da Ásia Menor, Geórgia, Armênia, Síria, Palestina, Egito, Grécia e Trácia. Este foi o primeiro concílio geral na história da Igreja convocado por Constantino I. No Concílio de Niceia, "a Igreja deu seu primeiro grande passo para definir a doutrina revelada, de forma mais precisa, em resposta a um desafio de uma teologia herética".

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Participantes

Constantino convidou todos os 1 800 bispos da igreja cristã dentro do Império Romano (cerca de 1 000 no leste e 800 no oeste), mas apenas um número menor e desconhecido compareceu. Eusébio de Cesareia calculou mais de 250, Atanásio de Alexandria contou 318, e Eustácio de Antioquia estimou aproximadamente 270 (todos os três estavam presentes no concílio). Mais tarde, Sócrates de Constantinopla registrou mais de 300, e Evágrio, Hilário de Poitiers, Jerônimo, Dionísio Exíguo e Rufino de Aquileia registraram 318. O número 318 é preservado nas liturgias da Igreja Ortodoxa. Representantes vieram de todas as regiões do Império Romano, incluindo a Britânia. Os bispos participantes receberam gratuitamente viagens de suas sedes episcopais para o concílio, bem como alojamentos e viagens de retorno. Esses bispos não viajaram sozinhos, cada um tinha permissão para trazer consigo dois presbíteros e três diáconos, de modo que o número total de participantes poderia ser estimado em torno de 1 800. Eusébio fala de uma quantidade de acompanhantes quase inumerável, composta de padres, diáconos e acólitos. Um manuscrito siríaco lista os nomes dos bispos orientais, registrando vinte e dois da Cele-Síria, dezenove da Palestina, dez da Fenícia, seis da Arábia etc., apesar da distinção entre bispos e presbíteros ainda não ter se formado completamente nessa época.

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Agenda e procedimentos

O concílio foi formalmente aberto em 20 de maio, na estrutura central do palácio imperial em Niceia, com discussões preliminares da questão ariana. O imperador Constantino chegou quase um mês depois em 14 de junho. Nestas discussões, algumas figuras dominantes foram Ário e seus vários adeptos. "Cerca de 22 bispos do concílio, liderados por Eusébio de Nicomédia, vieram como partidários de Ário, mas quando algumas das passagens mais chocantes de seus escritos foram lidas, elas eram quase universalmente vistas como blasfêmias." Os bispos Teógnis de Niceia e Máris de Calcedônia estavam entre os primeiros apoiadores de Ário. Eusébio de Cesareia chamou a atenção para o credo batismal de sua própria diocese em Cesareia, na Palestina, como uma forma de reconciliação. A maioria dos bispos concordou. Por algum tempo, os estudiosos pensaram que o Credo Niceno original foi baseado nesta declaração de Eusébio. Hoje, a maioria dos estudiosos acreditam que o Credo é derivado do credo batismal de Jerusalém, como Hans Lietzmann propôs.

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Controvérsia ariana

A controvérsia ariana surgiu em Alexandria quando o recém-reinstaurado presbítero Ário começou a difundir visões doutrinárias contrárias às de seu bispo, Alexandre de Alexandria. As questões disputadas centraram-se na natureza e no relacionamento de Deus (o Pai) e do Filho de Deus (Jesus). Os desacordos surgiram de ideias diferentes sobre a divindade e o que significava para Jesus ser o Filho de Deus. Alexandre sustentava que o Filho era divino, exatamente no mesmo sentido que o Pai é, co-eterno com o Pai, do contrário ele não poderia ser um Filho verdadeiro. Ário enfatizou a supremacia e singularidade de Deus Pai, significando que o Pai é todo-poderoso e infinito, e que, portanto, a divindade do Pai deve ser maior que a do Filho. Ário ensinou que o Filho teve um começo, e que ele não possuía nem a eternidade nem a verdadeira divindade do Pai, mas foi feito "Deus" somente pela permissão e poder do Pai, e que o Filho era o primeiro e a mais perfeita das criaturas de Deus.

Argumentos a favor do arianismo

Segundo relatos encontrados, o presbítero Ário defendeu a supremacia de Deus, o Pai, e sustentou que o Filho de Deus foi criado com um ato da vontade do Pai. A premissa era que o Filho foi a primeira criatura de Deus, antes de todas as eras, teve um começo e somente o Pai não teve começo. A argumentação era que tudo o mais foi criado por meio do Filho, desse modo, somente o Filho foi criado diretamente por Deus. Ário acreditava que o Filho de Deus era capaz de ter livre arbítrio do certo e errado; que "se Ele fosse um filho, no sentido mais verdadeiro, devia ter vindo depois do Pai, e obviamente houve um tempo quando Ele não existia, e portanto, era um ser finito"; e que Ele estava sob a autoridade e grandeza de Deus, o Pai. Ário insistiu que a divindade do Pai era maior que a do Filho. Os arianos recorreram às escrituras, citando afirmações bíblicas como «o Pai é maior do que eu» (João 14:28) e também que o Filho é «primogênito de toda a criação» (Colossenses 1:15).

Argumentos contra o arianismo

A visão oposta originou-se da ideia de que gerar o Filho é, em si mesmo, a natureza do Pai, que é eterno. O Pai sempre foi um Pai e tanto o Pai como o Filho sempre existiram juntos, eternamente e consubstancialmente. O argumento contra os arianos afirmavam que o Logos (o "Verbo") era "eternamente gerado", portanto, sem começo. Os adversários de Ário acreditavam que seguir a visão ariana destruía a unidade da divindade e tornava o Filho desigual ao Pai e insistiram que tal visão transgredia as escrituras, que afirmam que «Eu e o Pai somos um» (João 10:30) e «o Verbo era Deus» (João 1:1). Eles declararam, como fez Atanásio, que o Filho não teve começo, mas teve uma "derivação eterna" do Pai e, portanto, era co-eterno com ele e igual a Deus em todos os aspectos.

Resultado do debate

O concílio declarou que o Filho era verdadeiro Deus, coeterno com o Pai e gerado de sua mesma substância, argumentando que tal doutrina codificava melhor a apresentação bíblica do Filho, assim como a crença cristã tradicional sobre ele transmitida pelos apóstolos. Essa crença foi expressa pelos bispos no Credo de Niceia, que formou a base do que é conhecido atualmente como Credo Niceno-Constantinopolitano.

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Credo Niceno

Um dos projetos empreendidos pelo concílio foi a criação de um Credo, uma declaração de um resumo da fé cristã. Vários credos já existiam; muitos credos eram aceitáveis ​​para os membros do concílio, inclusive Ário. Desde os primórdios, vários credos serviram como meio de identificação para os cristãos, como meio de inclusão e reconhecimento, especialmente no batismo. Em Roma, por exemplo, o Credo dos Apóstolos era popular, especialmente para o uso na Quaresma e na época da Páscoa. No Concílio de Niceia, um credo específico foi usado para definir claramente a fé da Igreja, incluir aqueles que a professavam e excluir aqueles que não a professavam. Elementos distintivos do Credo Niceno, talvez pela mão de Ósio de Córdoba, foram acrescentados, alguns especificamente para combater o ponto de vista ariano. Jesus Cristo é descrito como: Tais questões levantadas seriam seriamente controvertidas no futuro. No final do credo veio uma lista de anátemas, concebida para repudiar explicitamente as alegações dos arianos:

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Cálculo da Páscoa

A festa da Páscoa cristã está ligada à Páscoa judaica e à festa dos pães ázimos, pois os cristãos acreditam que a crucificação e a ressurreição de Jesus ocorreram no tempo dessas observâncias. Já no pontificado do papa Sisto I, alguns cristãos colocaram a Páscoa em um domingo no mês lunar de nissan. Para determinar qual mês lunar deveria ser designado como nissan, os cristãos confiavam na comunidade judaica. No final do terceiro século, alguns cristãos começaram a expressar insatisfação com o que consideravam ser o estado desordenado do calendário judaico. Eles argumentaram que os judeus contemporâneos estavam identificando incorretamente o mês de nissan, escolhendo um mês cujo décimo quarto dia caía antes do equinócio da primavera. Os cristãos, argumentavam alguns pensadores, deveriam abandonar o costume de confiar nos judeus e fazer seus próprios cálculos para determinar qual mês deveria ser denominado nissan, definindo a Páscoa dentro desse sistema independente, um nissan cristão, que sempre determinaria a data depois do equinócio. Eles justificaram essa ruptura com a tradição argumentando que era, de fato, o calendário judaico contemporâneo que rompera com a tradição ao ignorar o equinócio e que nos tempos antigos o décimo quarto dia de nissan nunca havia precedido o equinócio. Outros achavam que a prática costumeira de confiar no calendário judaico deveria continuar, mesmo se os cálculos judaicos estivessem errados do ponto de vista cristão.

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Cisma meleciano

A supressão do cisma meleciano foi outro assunto importante que antecedeu o Concílio de Niceia. Foi decidido que Melécio deveria permanecer em sua própria cidade, Licópolis no Egito, mas sem exercer autoridade ou o poder de ordenar novos membros para o clero; ele foi proibido de entrar nos arredores da cidade ou de se dirigir para outra diocese com o propósito de ordenar seus súditos. Melécio reteve seu título episcopal, mas os clérigos ordenados por ele deviam receber novamente a imposição das mãos, o que de fato invalidou as ordenações realizadas por Melécio. O clero ordenado por Melécio recebeu ordens de dar precedência àqueles ordenados por Alexandre e de não realizarem nenhuma ação sem o consentimento do bispo Alexandre. No caso da morte de um bispo não-meleciano ou eclesiástico, a sé episcopal desocupada poderia ser entregue a um meleciano, desde que ele fosse digno e a eleição popular fosse ratificada por Alexandre. Quanto ao próprio Melécio, os direitos e prerrogativas episcopais lhe foram retirados. Essas medidas brandas, no entanto, foram em vão; os melecianos juntaram-se aos arianos e causaram mais discórdia do que nunca, estando entre os piores inimigos de Atanásio. Os melecianos finalmente acabaram extintos em meados do século V.

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Promulgação da lei canônica

O concílio promulgou vinte novas leis da Igreja, chamadas cânones (embora o número exato esteja sujeito a debate), isto é, regras imutáveis ​​de disciplina. Os vinte, como listados pelos "Padres Nicenos e Pós-Nicenos", são os seguintes: Concluindo a reunião em 25 de julho de 325, os padres do concílio comemoraram o vigésimo aniversário do imperador. Em seu discurso de despedida, Constantino informou ao público como ele era avesso à controvérsia dogmática; ele queria que a Igreja vivesse em harmonia e paz. Em uma carta circular, ele anunciou a unidade de prática realizada por toda a Igreja na data da celebração da Páscoa cristã.

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Efeitos do concílio

Os efeitos a longo prazo do Concílio de Niceia foram significativos. Pela primeira vez, representantes de muitos dos bispos da Igreja se reuniram para concordar com uma declaração doutrinária. Também pela primeira vez, o imperador desempenhou um papel, chamando os bispos sob sua autoridade e usando o poder do estado para dar o efeito às ordens do concílio. Em curto prazo, no entanto, o concílio não resolveu completamente os problemas que foi convocado para discutir e um período de conflito e agitação continuou por algum tempo. O próprio Constantino foi sucedido por dois imperadores arianos no Império Romano do Oriente: seu filho, Constâncio II, e Valente. Este não conseguiu resolver as questões eclesiásticas notáveis ​​e, sem sucesso, confrontou Basílio de Cesareia sobre o Credo Niceno. Os poderes pagãos dentro do império procuraram se manter e, às vezes, restabelecer o paganismo na sede do imperador (ver Arbogasto e Juliano, "o Apóstata"). Arianos e melecianos logo recuperaram quase todos os direitos que haviam perdido e, consequentemente, o arianismo continuou a se espalhar e a ser um assunto de debate dentro da Igreja durante o restante do século IV. Quase imediatamente, Eusébio de Nicomédia, bispo ariano e primo de Constantino I, usou sua influência na corte para obter o auxílio que Constantino oferecia aos bispos nicenos e proto-ortodoxos para os arianos.

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