Concretismo
Na literatura, o Concretismo foi um movimento artístico surgido na década de 1950 que extinguia os versos e a sintaxe normal do discurso, dando grande importância à organização visual do texto, com o intuito de acabar com a distinção entre forma e conteúdo e criar uma nova linguagem. Seus princípios, de certa forma, dialogam com as proposições do Cubismo aplicadas tanto à literatura quanto às artes plásticas. Foram precursores mundiais do movimento o suíço Max Bill e o russo Vladimir Mayakovsky.
Imagem: Brunna_Ferri · BY-NC-SA · Openverse
Esse movimento vanguardista chegou ao Brasil por volta de 1950, com o suíço Max Bill (1908-1994). O movimento concreto se constituiu, primeiramente, na cidade de São Paulo, no início da década de 1950, sendo liderado pelos poetas e irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos (conhecidos como "irmãos Campos”) e Décio Pignatari, que fundaram a Revista Noigandres (1952), para divulgar suas ideias acerca da poesia concreta. Posteriormente, o grupo também seria integrado pelos poetas cariocas Ronaldo Azeredo e José Lino Grünewald. A partir da década de 1960, poetas ligados ao grupo, como Ferreira Gullar e Paulo Leminski, passaram a se envolver em temas sociais, surgindo então várias tendências pós-concretistas.
Contexto
No início dos anos de 1950, quando os poetas concretistas brasileiros começam a se agrupar em torno da revista Noigandres, os países da Europa começavam a se recuperar do trauma da Segunda Guerra Mundial. Iniciava-se um período de reestruturação geográfica, política e econômica. No Brasil, vivia-se uma época de rápida modernização e intenso crescimento econômico, sobretudo no Governo Juscelino Kubitschek (1956-1960), cuja propaganda oficial prometia um avanço de "cinquenta anos em cinco". O Plano de Metas de Juscelino resultou em impressionante crescimento da indústria de bens de consumo duráveis, com expansão do emprego e da renda dos brasileiros. O desenvolvimento, as grandes realizações, como a construção de Brasília, e a estabilidade política contribuíram para criar a atmosfera de otimismo dos chamados "anos dourados".
Características
O poema concreto tem como característica primordial o uso das possibilidades gráficas das palavras, sem preocupações com a estética tradicional de começo, meio e fim; por este motivo, é chamado de poema-objeto. Dessa forma, a poesia concreta absorve somente a palavra, ou seja, "a palavra-objeto", sem se ater a convenções relativas a estrofes, versos e rimas, mas basicamente voltada à exploração de possibilidades imagéticas da palavra. Assim, os principais atributos dessa poesia são: A despeito de o concretismo não se preocupar com a temática - uma vez que o objetivo principal era criar uma nova linguagem, capaz de mesclar forma e conteúdo -, em vários momentos aparece, na poesia concreta, a crítica à sociedade capitalista e ao consumo exacerbado.


