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Congresso de Berlim (1878)

O Congresso de Berlim foi uma reunião de líderes das grandes potências europeias e o Império Otomano em Berlim, em 1878. Na sequência da Guerra russo-turca de 1877–1878, o objetivo da reunião foi reorganizar os países dos Balcãs. Otto von Bismarck, que conduziu o Congresso, se comprometeu a equilibrar os diferentes interesses da Grã-Bretanha, Rússia e Áustria-Hungria. Como consequência, no entanto, as diferenças entre a Rússia e a Áustria-Hungria foi intensificada, tal como as questões de nacionalidade dos Balcãs.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Procedimentos

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

O Congresso contou com a presença da Alemanha, Áustria-Hungria, França, Grã-Bretanha, Itália, Rússia e o Império Otomano. Delegados da Grécia, Roménia, Sérvia e Montenegro participaram das sessões em que os seus Estados foram envolvidos, mas não eram membros do Congresso. O congresso foi solicitado pelos rivais do Império Russo, especialmente pela Áustria-Hungria e Grã-Bretanha, e foi organizado em 1878 por Otto von Bismarck. O Congresso de Berlim propôs e ratificou o Tratado de Berlim. As reuniões foram realizadas na Chancelaria do Reich, no antigo Palácio Radziwill, de 13 de junho a 13 de julho de 1878. O congresso reviu ou eliminou 18 dos 29 artigos do Tratado de San Stefano. Além disso, usando como base os Tratados de Paris (1856) e Washington (1871), o tratado rearranjou a situação do oeste balcânico.

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Principais questões

A principal missão das Potências Mundiais no congresso foi dar um golpe fatal para lidar com a crescente circulação dos movimento pan-eslavista. O movimento causava sérias preocupações em Berlim e particularmente em Viena, que temia que a repressão às nacionalidades eslavas trouxessem uma revolta contra os Habsburgos. França e Grã-Bretanha estavam nervosos devido a diminuição da influência do Império Otomano no sul e acerca da expansão cultural russa para o sul, onde ambas estavam posicionadas para colonizar o Egito e a Palestina. Através do Tratado de San Stefano, os russos, liderados pelo chanceler Alexander Gorchakov, tinham conseguido criar o principado búlgaro autónomo do Império Otomano sob regra nominal, assim os temores britânicos estavam bem enraizados pela crescente influência russa no Oriente. Este Estado teve acesso ao Mar Egeu e constituiu-se em uma grande porção da Macedónia que poderia a qualquer momento ameaçar o estreito que separa o Mar Negro do Mediterrâneo.

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Bismarck como anfitrião

O Congresso de Berlim é frequentemente visto como o ponto culminante da "Batalha de Chanceleres" envolvendo Alexander Gorchakov da Rússia e Otto von Bismarck da Alemanha. Eles foram capazes de persuadir eficazmente os outros líderes europeus que uma Bulgária livre e independente iria melhorar consideravelmente a segurança dos riscos provocados por uma desintegração do Império Otomano. Segundo o historiador alemão Erich Eyck, Bismarck apoiou a persuasão da Rússia que "um domínio turco da comunidade cristã (Bulgária) foi, sem dúvida, um anacronismo que deu origem à insurreição e o derramamento de sangue e, portanto, deve ser encerrado." Ele usou a Grande Crise do Oriente de 1875 como prova da crescente animosidade na região. A meta final de Bismarck durante o Congresso de Berlim foi para não perturbar o estatuto da Alemanha sobre a plataforma internacional. Ele não quis perturbar a Liga dos Três Imperadores, tendo que escolher entre a Rússia e a Áustria como um aliado. A fim de manter a paz na Europa, Bismarck tentou convencer outros diplomatas europeus sobre a divisão dos Balcãs, de modo a favorecer uma maior estabilidade. Durante o processo de divisão, a Rússia começou a sentir-se prejudicada, embora eventualmente ganhasse a independência para a Bulgária. Pode-se, portanto, ver os problemas subjacentes da aliança na Europa antes da Primeira Guerra Mundial.

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As consequências

A mudança mais significativa foi a revisão do tratado que acrescentou uma cláusula, que prevê, sob certas condições, a libertação e a independência de alguns Estados dos Balcãs contra Constantinopla. Uma das condições determinava que a Turquia deveria dar direitos civis e religiosos aos judeus e cristãos em seu império, que incluía a Palestina. A principal consequência, desejada pela diplomacia britânica, foi conter a Rússia. A Grã-Bretanha, a primeira potência marítima, barrou o acesso da Rússia ao Bósforo (política Grande Jogo), como resultado de suas conquistas, que foram limitados e a maior parte da Arménia encontra-se entregue aos turcos.

Na Alemanha

O Congresso, encenado com grande pompa, foi um triunfo para Bismarck e a Alemanha, que encontrou um lugar de grande potência. O chanceler tinha, de modo que parecia, impediu que a crise que pudesse levar a uma guerra mundial. Mas os dias do Congresso também foram de grande crise no Reichstag que eclodiram na sequência de dois atentados contra o Imperador Guilherme I, atingiu o seu auge com a ameaça de golpe de Estado e de dissolução do parlamento por Bismarck. Juntamente com o seu lugar entre as potências européias, a Alemanha conservadora também encontrava-se em posição privilegiada.

Na Rússia

Os russos viram a suas esperanças desapontadas, uma vez que acreditavam que a Alemanha defenderia suas posições em um confronto com a Grã-Bretanha e Áustria-Hungria, que se opunham firmemente às conquistas russas nos Balcãs. Bismarck tinha a certeza que São Petersburgo sairia do Congresso com lucros, mas de acordo com os russos não foi suficiente e, o czar acusou as potências europeias de fazerem um complô contra a Rússia sob a coordenação de Bismarck. As consequências foram um arrefecimento das relações, desconfiança, manobras de tropas e uma violenta campanha de pressão contra a Alemanha.

Na Grã-Bretanha

Lorde Salisbury foi um dos principais arquitetos do Congresso, mesmo que a sensação de um triunfo de Disraeli foi amplamente justificada. Mais uma vez, foi preservada a consistência do Império Otomano, agora quase exclusivamente uma potência da Ásia, mas ainda útil para manter a Rússia afastada do Mediterrâneo.

Nos Balcãs

Para a Roménia, que tinha intervindo contra a Turquia na guerra de 1877-1878, finalmente ganhou a sua independência, entretanto a perda da região da Bessarábia à Rússia, foi um sério golpe para orgulho nacional, e rapidamente levou o reino à entrar na política de Berlim. Nos Balcãs, Montenegro e Sérvia permaneceram fortes aliados da Rússia, pondo em perigo as relações entre Viena e São Petersburgo, mas em toda a região, o equilíbrio durou trinta anos, até 1908, quando, em aberta violação das decisões do Congresso de Berlim, a Áustria anunciou a anexação da Bósnia. Dando inicio à crise bósnia, que foi uma das causas da eclosão da Primeira Guerra Mundial.

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Legado

A Itália não ficou satisfeita com os resultados do Congresso, e a situação entre a Grécia e o Império Otomano foi deixada em aberto. A Bósnia e Herzegovina também se revelaria um problema para o Império Austro-Húngaro, em décadas posteriores. A Liga dos Três Imperadores, criada em 1873, foi destruída, a Rússia viu a falta de apoio alemão sobre a questão da plena independência Bulgária, como uma violação da lealdade e da aliança. O estabelecimento de uma fronteira entre a Grécia e o Império Otomano não foi cumprida. Em 1881, após prolongadas negociações, foi aceito um compromisso de fronteira após uma demonstração naval das Potências. Então, o Congresso plantou as sementes de novos conflitos, incluindo as Guerra dos Balcãs e a Primeira Guerra Mundial. É interessante notar que o Marquês de Salisbury, ministro britânico dos Negócios Estrangeiros no Congresso, tinha inicialmente apoiado a posição russa e o Tratado de San Stefano. Após o retorno do Congresso, Salisbury confessou que - no apoio a Áustria-Hungria, em vez da Rússia - os britânicos tiveram que "apostaram no cavalo errado."

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Fontes consultadas

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