Conselho Supremo de Guerra
O Conselho Supremo de Guerra era um comando central sediado em Versalhes que coordenava a estratégia militar dos principais Aliados da Primeira Guerra Mundial: Grã-Bretanha, França, Itália, Estados Unidos e Japão. Foi fundado em 1917 após a Revolução Russa e com a iminente retirada da Rússia como aliada. O conselho serviu como uma segunda fonte de aconselhamento para a liderança civil, um fórum para discussões preliminares de potenciais termos de armistício, mais tarde para as condições de acordo do tratado de paz, e foi sucedido pela Conferência dos Embaixadores em 1920.
Imagem: Arquivo Nacional do Brasil · PDM · Openverse
O primeiro-ministro britânico David Lloyd George tinha sérias preocupações quanto à estratégia de Sir William Robertson, Chefe do Estado-Maior Imperial, e de Sir Douglas Haig, Comandante-em-Chefe da Força Expedicionária Britânica, em resposta às perdas aliadas no Somme e em Passchendaele. Além disso, após a derrota italiana na Batalha de Caporetto, na qual os alemães e austro-húngaros surpreenderam o Exército Real Italiano, Lloyd George propôs a formação de um Conselho Supremo de Guerra na Conferência de Rapallo, de 5 a 7 de novembro de 1917. O Japão e a Rússia não deveriam ser incluídos, e os italianos e franceses, preocupados com a possibilidade de evacuação de Salônica (e com ela a única chance de libertar a Sérvia), queriam que as questões se restringissem à Frente Ocidental.
Representantes Militares Permanentes
Cada nação aliada seria representada por seu chefe de governo e por um oficial militar sênior nomeado, conhecido como Representante Militar Permanente (RMP). O RMP francês foi Ferdinand Foch, posteriormente substituído por Maxime Weygand e Joseph Joffre. Os britânicos foram representados por Sir Henry Wilson até 1918, e depois por Charles Sackville-West. A Itália foi representada por Luigi Cadorna. Os Estados Unidos, que eram uma "Potência Associada" dos Aliados, não estavam envolvidos na estrutura política, mas enviaram um Representante Militar Permanente, o General Tasker H. Bliss. O General Wilson e sua equipe conduziram inúmeros projetos de pesquisa sobre ofensivas contra a Turquia, culminando na "Nota Conjunta nº 12".
Embora o conselho militar se reunisse cerca de uma vez por semana (90 reuniões ocorreram entre novembro de 1917 e novembro de 1919), Conferências Interaliadas formais com a presença de primeiros-ministros ocorreram dez vezes durante a existência do Conselho Supremo de Guerra. Essas reuniões estão listadas abaixo.
Reuniões em tempos de guerra
Na Conferência de Rapallo, na cidade de Rapallo, Itália (perto da fronteira francesa), a formação do Conselho Supremo de Guerra foi aprovada pelos líderes de guerra Aliados. A ideia foi concebida pelos britânicos, aceita pelos franceses e aprovada em uma reunião do Gabinete de Guerra Britânico em 2 de novembro de 1917. Também foi decidido que sua sede seria em Versalhes. A primeira Conferência Interaliada na França ocorreu em Paris, no Quai d'Orsay e na sala de conferências do Hotel Trianon Palace, em Versalhes. Esta foi a primeira aparição do primeiro-ministro Georges Clemenceau, que assumiu o cargo em 14 de novembro de 1917. Os quatro chefes de Estado representados foram Clemenceau, David Lloyd George, Vittorio Orlando e o Coronel Edward House (pelo presidente Woodrow Wilson). Apoiando os quatro estavam seus representantes militares permanentes: o General Maxime Weygand (França), o General Sir Henry Wilson (Reino Unido), o General Luigi Cadorna (Itália) e o General Tasker Bliss (EUA). A conferência terminou com a elaboração de oito resoluções, sendo a mais importante delas a de encontrar maneiras de defender a linha aliada.
Reuniões em tempos de paz
Durante as negociações de paz de Paris, que ocorreram de 12 de janeiro a 26 de junho de 1919, o Conselho Supremo de Guerra tornou-se o "Conselho dos Dez" em meados de janeiro e, posteriormente, o "Conselho dos Quatro" (os Quatro Grandes) em meados de março, uma vez que o presidente Wilson e os primeiros-ministros Lloyd George, Clemenceau e Orlando realizaram a maior parte do trabalho de elaboração do Tratado de Versalhes. Como nação anfitriã, o primeiro-ministro Clemenceau presidiu às reuniões. Esta reunião ocorreu quatro dias após a ratificação do Tratado de Versalhes. Lloyd George propôs o levantamento do bloqueio à República Socialista Federativa Soviética da Rússia, iniciando negociações com o "povo russo" representado pela centrosoyuz, que na época não era controlada pelos bolcheviques. A proposta foi aceita, e um comunicado do Conselho foi publicado em 16 de janeiro. Na prática, as negociações logo se tornaram um diálogo entre o Reino Unido e uma centrosoyuz bolchevizada, resultando no Acordo Comercial Anglo-Soviético.


