Imperador do Japão
Imperador do Japão é o título do Chefe de Estado e Chefe da Família Imperial Japonesa. Segundo a constituição de 1947, ele é definido como "o símbolo do Estado e da unidade do povo" e seu título deriva da "vontade do povo, que é o soberano". A Lei da Casa Imperial rege a linha de sucessão imperial. A Suprema Corte não possui poder judicial sobre ele. Ele também é o chefe da religião xintoísta. Em japonês, o imperador é chamado de Tennō (天皇), literalmente "soberano celestial" ou "imperador de Deus". A religião japonesa xintoísta considera que ele é o descendente direto da deusa do sol Amaterasu. O imperador é também o chefe de todas as ordens, condecorações, medalhas e prêmios nacionais japoneses.
Ao contrário da maioria dos monarcas constitucionais, o imperador não é o chefe executivo nominal. O Artigo 65 da Constituição do Japão confere explicitamente o poder executivo ao Gabinete, do qual o primeiro-ministro é o líder. O imperador também não é o comandante-em-chefe das Forças de Autodefesa do Japão. A Lei das Forças de Autodefesa do Japão de 1954 também atribui explicitamente esse papel ao primeiro-ministro. Os poderes do imperador são limitados apenas a importantes funções cerimoniais. O Artigo 4 da Constituição estipula que "O imperador deverá desempenhar apenas os atos de matéria do Estado como previsto na Constituição e ele não deverá ter poderes relacionados ao governo". O artigo 3 também estipula que "o conselho e aprovação do gabinete deverão ser requeridos em todas as ações do imperador em questões de Estado". Embora o imperador nomeie formalmente o primeiro-ministro para o cargo, o Artigo 6 da Constituição exige que ele nomeie o candidato "como designado pela Dieta", sem dar ao imperador o direito de recusar a nomeação.
Embora o imperador tenha sido um símbolo de continuidade com o passado, o grau de poder exercido pelo imperador do Japão variaram consideravelmente ao longo da história japonesa. No início do século VII, o imperador começou a ser chamado de "Filho do Céu" (天子, tenshi ou 天子様 tenshi-sama). O papel do imperador como chefe da religião xintoísta do Estado foi explorado durante a guerra, criando um culto imperial que levou a bombardeiros kamikaze e outras manifestações de fanatismo. Isso, por sua vez, levou à exigência da Declaração de Potsdam para a eliminação "para sempre [de] a autoridade e influência daqueles que enganaram e induziram o povo do Japão a embarcar na conquista mundial". No estado xintoísta, o imperador era considerado um arahitogami (um deus vivo). Após a rendição do Japão, os países aliados emitiram a Diretiva do Xintoísmo separando a religião do Estado no Japão. A constituição prevê um sistema parlamentar de governo e garante certos direitos fundamentais. Em seus termos, o Imperador do Japão é "o símbolo do Estado e da unidade do povo" e exerce um papel puramente cerimonial sem posse de soberania.
Origem
O título de imperador foi emprestado da China, sendo derivado de caracteres chineses e foi retroativamente aplicado aos lendários governantes japoneses que reinaram antes dos séculos VII a VIII d.C. De acordo com o relato tradicional do Nihon Shoki, o Japão foi fundado pelo Imperador Jimmu em 660 a.C. Os historiadores modernos geralmente acreditam que os imperadores até Suinin são "amplamente lendários", pois não há material suficiente disponível para verificação e estudo sobre suas vidas. Do Imperador Keiko até o Imperador Ingyo (376–453 d.C.) são considerados reais. O Imperador Ankō (401–456) do século V d.C., tradicionalmente o 20.º imperador, é o primeiro governante histórico de todo ou parte do Japão geralmente aceito. O reinado do Imperador Kimmei (c. 509–571 d.C.), o 29.º imperador, é o primeiro para o qual a historiografia contemporânea é capaz de atribuir datas verificáveis; no entanto, os nomes e datas convencionalmente aceitos dos primeiros imperadores não foram confirmados como "tradicionais" até o reinado do Imperador Kammu (737–806), o 50.º soberano da dinastia Yamato.
Controle faccionário
Houve seis famílias não imperiais que controlaram imperadores japoneses: os Soga (década de 530–645), os Fujiwara (década de 850–1070), os Taira (1159–década de 1180), os Minamoto (e Kamakura Bakufu) (1192–1333), os Ashikaga (1336–1565) e os Tokugawa (1603–1867). No entanto, cada xogum das famílias Minamoto, Ashikaga e Tokugawa teve que ser oficialmente reconhecido pelos imperadores, que ainda eram a fonte da soberania, embora não pudessem exercer seus poderes independentemente do shogunato.
Disputas
O crescimento da classe dos samurais a partir do século X gradualmente enfraqueceu o poder da família imperial sobre o reino, levando a um período de instabilidade. Os imperadores costumam entrar em conflito com o xogum reinante de tempos em tempos. Alguns exemplos, como a rebelião do Imperador Go-Toba de 1221 contra o xogunato Kamakura e a Restauração Kemmu de 1336 sob o imperador Go-Daigo, mostram a luta pelo poder entre a corte imperial e os governos militares japoneses.
Assuntos territoriais
Até séculos recentes, o território do Japão não incluía várias regiões remotas de seu território moderno. O nome Nippon só passou a ser usado muitos séculos após o início da atual linha imperial. O governo centralizado só começou a aparecer pouco antes e durante o tempo do Príncipe Shōtoku (572–622). O imperador parecia mais uma personificação reverenciada da harmonia divina do que o chefe de uma administração governante real. No Japão, sempre foi fácil para senhores ambiciosos manter o poder real, já que tais posições não foram inerentemente contraditórias com a posição do imperador. O governo parlamentarista hoje continua uma coexistência semelhante com o imperador, assim como vários xoguns, regentes, senhores da guerra, guardiões, etc.
Xoguns
De 1192 a 1867, a soberania do estado foi exercida pelos xoguns, ou seus regentes shikken (1203–1333), cuja autoridade era conferida por mandado imperial. Quando os exploradores portugueses tiveram o primeiro contato com os japoneses (ver período Nanban), eles descreveram as condições japonesas em analogia, comparando o imperador com grande autoridade simbólica, mas pouco poder político, ao papa, e o xogum aos governantes europeus seculares (por exemplo, ao Imperador Romano-Germânico). Mantendo a analogia, eles até usaram o termo "imperador" em referência aos xoguns e seus regentes, por ex. no caso de Toyotomi Hideyoshi, a quem os missionários chamavam de "Imperador Taico-sama" (de Taikō e do honorífico sama).
Restauração Meiji
Depois que os Barcos Negros do Comodoro Matthew C. Perry da Marinha dos Estados Unidos abriram o Japão à força para o comércio exterior, e o xogunato se mostrou incapaz de impedir os intrusos "bárbaros", o Imperador Komei começou a se afirmar politicamente. No início da década de 1860, a relação entre a corte imperial e o xogunato estava mudando radicalmente. Domínios insatisfeitos e rōnin começaram a se reunir ao chamado de sonnō jōi ("reverencie o imperador, expulse os bárbaros"). Os domínios de Satsuma e Chōshū, inimigos históricos dos Tokugawa, usaram essa turbulência para unir suas forças e conquistaram uma importante vitória militar fora de Kyoto contra as forças Tokugawa.
O tratamento dos imperadores do Japão é muitas vezes problemático, devido às diferenças linguísticas e culturais entre o Japão e o mundo ocidental. Há duas palavras em japonês equivalentes à palavra "imperador": tennō (天皇, "soberano celestial"), que é usada exclusivamente para se referir ao Imperador do Japão, e kōtei (皇帝), que é usada primariamente para descrever imperadores não-japoneses. Sumeramikoto ("a pessoa imperial") também foi usada na língua japonesa antiga. O termo tennō foi utilizado pelos imperadores até a Idade Média; no entanto, após um período, passou a ser utilizada novamente a partir do século XIX. Tradicionalmente, os japoneses consideravam desrespeitoso chamar qualquer pessoa pelo seu nome, e ainda mais para uma pessoa de posição nobre. Essa convenção foi apenas ligeiramente relaxada na era moderna e ainda é desaconselhável entre amigos usar o nome de batismo, sendo o nome de família a forma comum de endereço. No caso da família imperial, é considerado extremamente inapropriado usar o nome dado. Desde o Imperador Meiji, é costume ter uma era por imperador e renomear cada imperador após sua morte usando o nome da era em que ele governou. Antes do Imperador Meiji, os nomes das eras eram mudados com mais frequência, e os nomes póstumos dos imperadores eram escolhidos de forma diferente.[carece de fontes?]


