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Contratorpedeiro

Um contratorpedeiro, também referido como destroyer, é um tipo de navio de guerra, rápido e manobrável, concebido para escoltar navios maiores numa esquadra naval ou comboio de navios e defendê-los contra agressores menores, mas perigosos. Como a sua designação indica, a missão inicial dos contratorpedeiros era a defesa contra torpedeiros, mas atualmente sua missão passou a ser, sobretudo, a defesa contra submarinos e aeronaves.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

Internacionalmente, os contratorpedeiros, são, frequentemente, referidos pelo termo em inglês "destroyer". Esse termo é, ocasionalmente, adaptado para "destróier", na língua portuguesa. Por sua vez, o termo "destroyer" tem origem, por um lado, na tradução para inglês do nome de batismo do primeiro contratorpedeiro do mundo, o espanhol Destructor e, por outro lado, na abreviação de torpedo-boat destroyer (destruidor de navios-torpedeiros), a designação original britânica daquele tipo de navios. Conforme a língua e o país, este tipo de navio é classificado, oficialmente, de contratorpedeiro (francês: contre-torpiller e grego: antitorpiliko), caçatorpedeiro (italiano: cacciatorpediniere e neerlandês: Torpedobootjager), destruidor (espanhol: destructor e alemão: Zerstörer) ou caçador (sueco: jagare e norueguês: jager).

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Primórdios

A emergência e o desenvolvimento do contratorpedeiro, até à Segunda Guerra Mundial, relacionou-se, diretamente, com a invenção do torpedo automóvel, na década de 1860, por Ivan Luppis, oficial da marinha do Império Austro-Húngaro. Uma pequena força naval dispunha agora da possibilidade de destruir navios de guerra inimigos mais poderosos, através do, simples uso de pequenas lanchas a vapor para lançar-lhes torpedos. Foram construídos barcos rápidos, armados com torpedos, chamados torpedeiros. Por alturas da década de 1880, os torpedeiros tinham evoluído para pequenos navios de 50 a 100 toneladas, suficientemente rápidos para escaparem aos navios de patrulha inimigos, mas, ainda assim, já com um peso considerável. Inicialmente, considerava-se que uma esquadra de guerra só estaria em perigo de ser torpedeada, quando estivesse ancorada, mas à medida que foram sendo desenvolvidos torpedos mais rápidos e com maior alcance, o perigo estendeu-se para a navegação oceânica. Em resposta a esta nova ameaça foram construídos navios de patrulha mais armados, chamados de "torpedo catchers (apanhadores de torpedos)" pela Royal Navy britânica, que eram usados para escoltar a esquadra em alto mar. Uma vez que tinham que acompanhar a esquadra, estes navios tinham que ter a mesma capacidade oceânica e a mesma autonomia, tornando-se, necessariamente maiores. Estes navios passaram a ser classificados, oficialmente, como "destruidores de torpedeiros" ou "contratorpedeiros".

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Antes da Primeira Guerra Mundial

O projeto do contratorpedeiro evoluiu, na passagem do século XIX para o século XX, com a adoção de novos conceitos e avanços tecnológicos. O primeiro foi a introdução da turbina a vapor. O navio britânico movido por turbina, Turbinia de 1897 apressou a Royal Navy a encomendar um protótipo de contratorpedeiro. O HMS Viper com este tipo de propulsão foi lançado em 1899. O Viper foi o primeiro navio de guerra do mundo propulsado por turbinas, atingindo a velocidade notável de 36 nós, nos testes de mar. Por volta de 1910 a turbina passou a ser amplamente adotada por muitas marinhas para as suas embarcações mais rápidas. O segundo grande avanço foi a substituição do convés de avante fechado, em estilo "carapaça de tartaruga", típico dos torpedeiros, por um castelo de proa aberto e elevado, que permitia, não só uma maior capacidade para enfrentar o mar alto, mas também mais espaço por baixo do convés.

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Primeira Guerra Mundial

Enquanto os embates entre navios capitais, foram raros, durante a Primeira Guerra Mundial, as unidades de contratorpedeiros estiveram, quase, continuamente, envolvidas em incursões e ações de patrulhamento. O primeiro tiro da guerra no mar, foi disparado a 5 de agosto de 1914 pelo HMS Lance, navio da 2ª Flotilha de Contratorpedeiros da Royal Navy, num combate com o lança-minas auxiliar alemão Köningin Louise. A primeira baixa naval britânica foi o HMS Amphion, navio cruzador ligeiro condutor da 3ª Flotilha de Contratorpedeiros, ao embater numa mina lançada pelo Köningin Louise. Os contratorpedeiros estiveram envolvidos em escaramuças preparativas da Batalha de Heligolândia e desempenharam uma série de funções na Batalha de Galipoli, atuando como transportes de tropas e navios de apoio de fogo, bem como na sua função de reconhecimento em proveito da esquadra. Mais de 80 contratorpedeiros britânicos e 60 torpedeiros alemães tomaram parte na Batalha da Jutlândia, que incluiu várias ações entre navios pequenos e ataques temerários, por parte de contratorpedeiros desapoiados, contra navios capitais. A Batalha da Jutlândia foi concluída com uma confusa ação entre a Frota do Alto Mar alemã e parte da força britânica de contratorpedeiros de reconhecimento.

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O Período entre-guerras

A tendência, durante a Primeira Guerra Mundial, tinha sido no sentido de contratorpedeiros maiores, com armamentos mais pesados. Um número de oportunidades de atingir navios capitais tinha sido desperdiçado pelo fato de os contratorpedeiros terem gasto todos os seus torpedos numa única salva inicial. Nas classes V e W britânicas, do final da guerra, tentou-se menorizar este problema com a instalação de seis tubos lança-torpedos, em dois lançadores triplos, em vez dos dois a quatro tubos de modelos anteriores. As classes V e W estabeleceram o padrão para a construção de contratorpedeiros na década de 1920. Uma grande inovação surgiu com os contratorpedeiros japoneses da classe Fubuki, projetados em 1923 e entregues em 1928. O projeto destacou-se, inicialmente, pelo seu poderoso armamento de seis peças de 127 mm e três lançadores triplos de torpedos. A segunda série da classe dispunha de torres que permitiam, às suas peças, um ângulo elevado de tiro para defesa antiaérea e tinha instalados os torpedos do Tipo 93 de 240 mm, propulsados a oxigénio. Na classe Hatsuharu de 1931 o armamento de torpedos ainda foi mais melhorado, através do armazenamento dos torpedos de recarga à mão, perto da superestrutura, o que permitia o remuniciamento em 15 minutos.

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Segunda Guerra Mundial

Por altura da Segunda Guerra Mundial as ameaças tinham, novamente evoluído. Os submarinos tornaram-se mais eficientes e as aeronaves tornaram-se em importantes plataformas de armas na guerra naval. Mais uma vez, as forças de contratorpedeiros foram apanhadas mal equipadas para lidar com estas novas ameaças. Com o decorrer da guerra, os contratorpedeiros foram armados com novas armas antiaéreas, radares e armas anti-submarinas de lançamento para avante, além das já existentes peças ligeiras, cargas de profundidade e torpedos. Por esta altura, os contratorpedeiros tinham-se tornado em embarcações grandes e multifuncionais. Agora, eram elas próprias alvos valiosos, e já não embarcações descartáveis para a proteção de outras mais importantes. Além disso, os contratorpedeiros tornaram-se num dos tipos de navios mais afundados, apesar de serem produzidos em grandes quantidades. Isto levou ao desenvolvimento de um tipo mais económico de navio de escolta, especializado em luta anti-submarina, que seria empregue na proteção de comboios mercantes e outros alvos menos importante, resguardando os contratorpedeiros para a defesa da esquadra e de alvos prioritários. Estes novos escoltas económicos foram chamados "corvetas" e "fragatas" pela Royal Navy e destroyer escorts (escoltas contratorpedeiros) pela marinha dos Estados Unidos. Um programa semelhante, de escoltas económicos, foi desenvolvido pelo Japão, levando aos contratorpedeiros da classe Matsu. Os novos escoltas tinham o deslocamento e outras caraterísticas dos contratorpedeiros originais, a partir dos quais os contratorpedeiros contemporâneos tinham evoluído.

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Pós-guerra

Depois do final da Segunda Guerra Mundial, ainda na década de 1940 e na década de 1950, foram completadas algumas classes de contratorpedeiros convencionais, construídos com base na experiência ganha durante a guerra. Estes navios eram, significativamente maiores que os contratorpedeiros do tempo da guerra e tinham as armas principais completamente automáticas, além de radar, sonar e armas anti-submarinas, como o morteiro Squid. Exemplos destes contratorpedeiros foram as classes Daring britânica, Forrest Sherman norte-americana e Kotlin soviética. Alguns contratorpedeiros antigos foram modernizados para a guerra anti-submarina e no sentido da extensão do seu período devida útil, como meio de evitar a dispendiosa construção de navios novos. Dois exemplos destas modernizações foram o Programa de Reabilitação da Frota (FRAM) dos EUA e o programa britânico de conversão de antigos contratorpedeiros das classes R, T, U, V, W e Z nas fragatas anti-submarinas do Tipo 15.

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Atualidade

A marinha da Rússia opera, atualmente, a classe Sovremenny de grandes contratorpedeiros multifunções de mísseis guiados, projetados a partir da década de 1960 e lançados em 1980, porém apenas 9 estão operacionais, dentre eles, 5 estão operacionais na marinha russa e 4 na marinha chinesa. Estes navios eram classificados, pelos soviéticos, como BRK (Bolshoy Raketny Korabl - grande navio de foguetes), sendo equivalentes aos contratorpedeiros DDG da NATO. Os Sovremenny são propulsados através de fornalhas que lhes permitem atingir velocidades superiores a 30 nós. O seu armamento consiste em oito obsoletos mísseis antinavio SS-N-22, lançadores para mísseis antiaéreos SA-N-7 e duas torres duplas com peças automáticas de 130 mm, com capacidade para disparar granadas guiadas a laser. Apesar de também transportarem tubos lança-torpedos de 533 mm e lança-foguetes anti-submarinos, a sua principal missão é o ataque a embarcações de superfície. Para o ataque a embarcações a curta distância os mísseis antiaéreos têm um modo especial anti-superfície, além de poderem ser usadas as peças de 450 mm, torpedos e ogivas nucleares.

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O contratorpedeiro no futuro

Os Estados Unidos planejam substituir os seus contratorpedeiros da classe Spruance - último dos quais foi abatido ao serviço em 2001 - pela futura classe Zumwalt. A 1 de novembro de 2001 a Marinha dos Estados Unidos anunciou a emissão de uma proposta de revisão para o seu Programa do Futuro Combatente de Superfície. Anteriormente conhecido como DD 21, o programa passou a designar-se DD (X) para refletir, mais precisamente, o objetivo do programa, que é o de produzir uma família de navios de combate de superfície de tecnologia avançada e não apenas uma única classe de navios. Os navios da classe DD (X) ou Zumwalt estão planejados para serem muito maiores que os tradicionais contratorpedeiros, sendo quase 3 000 t mais pesados que os atuais cruzadores de 9 600 t da classe Ticonderoga e, assim, com maior deslocamento que a maioria dos cruzadores pesados da Segunda Guerra Mundial. O projeto irá, potencialmente, empregar armamento super avançado e um sistema integrado de propulsão totalmente elétrico. O programa de construção foi, contudo, reduzido temporariamente, subsequentemente, para duas embarcações. Com a retirada dos Spruance a Marinha dos Estados Unidos começou a introduzir uma variante super avançada dos Arleigh Burke com capacidades anti-submarinas adicionais.

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Fontes consultadas

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