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Copa Intercontinental

A Copa Intercontinental (português brasileiro) ou Taça Intercontinental (português europeu), Copa Europeia/Sul-Americana (português brasileiro) ou Taça Europeia/Sul-Americana (português europeu), ou Copa Toyota (português brasileiro) ou Taça Toyota (português europeu), foi a primeira versão da competição mundial anual entre clubes campeões continentais, sendo um tira-teima entre os campeões da Liga dos Campeões da UEFA e da Copa Libertadores da América jogado de 1960 a 2004. Conforme entendimento da FIFA, de 2017, o antigo torneio anual é predecessor direto da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, a versão intercontinental expandida com os campeões de outros continentes, outorgando o posto de "campeão mundial de futebol" antes desta.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/09/2026
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História

Segundo texto do site da FIFA, a partir do desenvolvimento do futebol em outras regiões do mundo (além de Europa e América do Sul), se tornou "irrealista" continuar conferindo o título simbólico de "campeão mundial de clubes" aos vencedores do confronto "Europa X América do Sul" (ou seja, a Copa Intercontinental), tendo sido esta a fundamentação da criação da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. A Copa do Mundo de Clubes da FIFA teria sua primeira edição disputada no ano de 2000. O Relatório de Atividades de 2005 da FIFA informa que a preeminência de Europa e América do Sul, no futebol mundial no final dos anos 1950, exemplificada pelos resultados nas edições da Copa do Mundo, aliado ao fato que Europa e América do Sul possuíam os dois únicos torneios continentais de clubes até então existentes, fez com que fosse natural que o "título mundial" fosse disputado entre os vencedores dos dois torneios continentais citados. Afirma que, com o tempo, o futebol "caminhou um longo caminho" desde que o desafio intercontinental foi lançado pela primeira vez, e que outras confederações organizavam torneios continentais de clubes, e lhes era negado, já há muitos anos, acesso a um evento de alcance mundial, e que para a FIFA, isso era razão suficiente para envolver-se em competições de clubes, organizando a edição inaugural do Campeonato Mundial de Clubes FIFA 2000 no Brasil, adicionado que o torneio ficou "no gelo" por algum tempo em função de alguns problemas, mas que, no fim de fevereiro de 2004, o Comitê Executivo da FIFA endossou a criação da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2005, sendo o torneio uma expressão da solidariedade no futebol pois permite a participação de todas as confederações sem colocar um fardo sobre os clubes europeus e sul-americanos, que entram nas semi-finais e disputam no máximo 2 jogos.

Antecedentes

A Copa Intercontinental apresentou uma inovação: nas competições internacionais de clubes anteriores, os clubes (em geral, clubes campeões) participavam como representantes de seus respectivos países, a Copa Intercontinental foi a primeira competição em que os clubes participavam como representantes não de seus países, mas sim de seus continentes. A Copa Intercontinental não foi a primeira competição de clubes envolvendo representantes originários da Europa e América do Sul, tendo sido antecedida pela Copa Rio e pela Pequena Taça do Mundo. O Les Actualités Françaises, em reportagem de vídeo publicada em 19/06/1957 com imagens narradas da partida, cita a partida entre Vasco da Gama e Real Madrid na final do Torneio de Paris de 1957 como o confronto entre "a melhor equipe da América do Sul e o campeão europeu", o que a tornaria a primeira partida entendida como o "melhor time da Europa versus o melhor time da América do Sul", antes da criação da Copa Intercontinental, podendo ter influenciado para a proposta de criação da mesma em 1958 (vide abaixo). Santiago Bernabéu (então presidente do Real Madrid, em 1957 e 1958) e Jacques Goddet (administrador do estádio Parc des Princes quando Vasco e Real Madrid lá disputaram a final do Torneio de Paris de 1957) estiveram envolvidos na criação da Copa Intercontinental em 1958 (vide abaixo), o que apoia também a hipótese de possível influência do Torneio de Paris 1957 para a ideia de criação da Copa Intercontinental. O Torneio de Paris de 1957 foi a única competição com clubes de mais de um continente da qual o Real Madrid participou entre tornar-se campeão europeu em 1956 e a criação da Copa Intercontinental, sendo outra evidência da hipótese de que o Torneio de Paris tenha sido disputado com o espírito de disputa euro-sul-americana que posteriormente marcaria a criação da Copa Intercontinental (o Real Madrid participou da Pequena Taça do Mundo de 1956, mas fora convidado à mesma antes de sagrar-se campeão europeu; o Real Madrid só não participou da edição de 1958 do Torneio de Paris em função da proximidade de datas entre o mesmo e a final da Liga dos Campeões da UEFA de 1957/1958; e em outubro de 1958, foi anunciada a criação da Copa Intercontinental). Em junho de 2023, artigo no site da FIFA sobre a Copa Intercontinental se referiu à final do Torneio de Paris de 1957 como "the most notable" (o mais notável) entre "examples of teams from two continents meeting before 1960" (exemplos de clubes de dois continentes se encontrando antes de 1960 - ou seja, antes da Copa Intercontinental), e que "reflected the possibilities that lay ahead" (refletiu as possibilidades que estavam adiante).

A Criação

A primeira menção a um encontro intercontinental entre uma equipe representativa da Europa e outra da América ocorreu em março de 1957, porém dizia respeito a seleções, não clubes: seria uma partida entre uma seleção europeia e outra americana (esta, composta de jogadores de seleções sul-americanas), que seria realizada no Estádio Santiago Bernabeu em 1958, organizada pela UEFA antes da Copa do Mundo de 1958. Porém, não ocorreu. Em setembro de 1958, o então presidente da CONMEBOL, o brasileiro José Ramos de Freitas, fez uma viagem à Argentina para, dentre outros assuntos, tratar da criação de um campeonato sul-americano de clubes campeões, e em 08 de outubro de 1958, foi anunciada em Paris pelo presidente da CBD, João Havelange, a decisão de realizar a Copa dos Campeões da América (mais tarde chamada de Copa Libertadores da América) e a Copa Intercontinental, esta última uma confrontação anual entre os clubes campeões de Europa e América, em jogos de ida e volta (um jogo em cada um dos países dos clubes envolvidos, e um jogo-desempate, se necessário), tendo as duas competições (Libertadores e Intercontinental) sido propostas em parte com o objetivo de permitir testar a invencibilidade do mesmo Real Madrid, campeão da Europa, contra o melhor clube da América do Sul, a ser definido na Copa Libertadores. A proposta de João Havelange de 1958 vislumbrava a possibilidade de incluir clubes campeões não só da América do Sul mas também de México, Estados Unidos e Canadá, porém acabou incluindo apenas os da América do Sul (filiados à CONMEBOL). Algumas fontes atribuem ao Real Madrid, em particular a seu presidente Santiago Bernabéu, o impulso para o estabelecimento da Copa Intercontinental, pois o clube desejaria testar sua hegemonia além da Europa, onde vinha sagrando-se campeão continental, e a matéria do jornal El Mundo Deportivo, de 9 de outubro de 1958, traz declarações do então presidente do Real Madrid, Santiago Bernabéu, de que o clube postulava continuar vencendo a Copa dos Campeões da Europa e poder jogar a final intercontinental contra o campeão sul-americano. Algumas fontes afirmam que foi o dirigente francês Henri Delaunay o idealizador da Copa Intercontinental. Porém, isso é incerto, pois Delaunay faleceu em 1955, quando sequer a primeira edição da Copa dos Campeões da Europa havia sido concluída, e a mais antiga menção à criação da Copa Intercontinental já encontrada é o anúncio feito por João Havelange em Paris em 8 de outubro de 1958. Em 2 de agosto de 1959, o Congresso da CONMEBOL ratificou a criação da Copa Libertadores, então ainda chamada de Copa dos Campeões da América. Em 1960, as propostas foram concretizadas: foram criadas a Copa Libertadores e a Copa Intercontinental, esta última endossada pela UEFA e CONMEBOL, sendo a primeira competição bicontinental de clubes a ser estabelecida por estas duas entidades, na forma de uma confrontação anual entre o campeão europeu (campeão da Copa dos Campeões da Europa, da UEFA) e o campeão sul-americano (campeão da Copa Libertadores da América, da CONMEBOL), em sua primeira edição (1960) vencida pelo Real Madrid, que se tornara pentacampeão europeu ao vencer a edição de 1959/1960 da Copa dos Campeões da Europa. Vale observar que o ano da proposta oficial foi 1958, após a Copa do Mundo de 1958, primeiro título de um país sul-americano em uma Copa disputada em território europeu e sem desistências de relevantes seleções europeias, o que provavelmente teria causado o aumento do apelo de uma final intercontinental de clubes entre Europa e América do Sul.

A reação da FIFA à criação da Copa Intercontinental

Quando foi criada, a Copa Intercontinental foi considerada como sendo o título mundial de clubes. Ao longo da sua existência (1960-2004), a Copa Intercontinental foi chamada de Mundial de Clubes não apenas no Brasil, ou no resto da América do Sul, mas também na Europa: por exemplo, cobrindo a vitória do Flamengo sobre o Liverpool na edição de 1981, o jornal escocês The Herald se referiu à competição como "jogo do campeonato mundial de clubes". Em 1960, cobrindo o título do Real Madrid na primeira edição da Copa Intercontinental, o jornal espanhol El Mundo Deportivo chamou o clube de "O Primeiro Campeão Mundial" de clubes, porém observou que a competição não possibilitava a participação de africanos, asiáticos e outros federados da FIFA. Isso, pois a Copa Intercontinental era reservada a equipes de Europa e América do Sul (mais precisamente: a clubes de países filiados à UEFA e à CONMEBOL), enquanto desde 1930 a FIFA organizava a Copa do Mundo, cuja forma de acesso e participação (convites da FIFA a todos os seus países-filiados em 1930 e torneios de Eliminatórias desde 1934) era aberta a todos os países que fossem filiados da FIFA e que quisessem se inscrever, independente do seu continente de origem. Algumas vezes desde 1930, países-filiados da FIFA de alguns continentes não se candidatavam a participar da Copa do Mundo (ex: o Japão, único país asiático que já era filiado à FIFA em 1930, não aceitou o convite para participar da Copa do Mundo daquele ano), ou se candidatavam à Copa do Mundo mas não conseguiam passar com sucesso pelas Eliminatórias, mas a tentativa de participar da Copa do Mundo não era impossibilitada pela localização continental do país-filiado, com países europeus, americanos (sul, norte e centro-americanos), asiáticos e africanos sendo convidados pela FIFA à Copa do Mundo já em 1930 e disputando as eliminatórias da Copa desde 1934; sobre a Oceania, a Austrália se filiaria à FIFA apenas em 1963 e estrearia nas Eliminatórias da Copa seguinte, 1966, e mesmo disputando as Eliminatórias das Copas de 1966 e 1970, apenas em 1974 conseguiu se classificar a uma Copa do Mundo. Já no caso da Copa Intercontinental, a tentativa de participar seria impossível a clubes de fora de Europa e América do Sul, mais precisamente, impossível a clubes que não fossem filiados à UEFA ou CONMEBOL. Se por um lado o jornal espanhol ressaltou que a Copa Intercontinental era um mundial que não possibilitava a participação de africanos, asiáticos e outros federados da FIFA, por outro lado o jornal expressou dúvida se nestas regiões havia futebol à digna altura dos dois grupos de nações que marcam a pauta no Velho Mundo (Europa) e no Novo Mundo (América)."

A violência Rioplatense

Como resultado da violência praticada na Copa Libertadores por clubes argentinos e uruguaios durante a década de 1960, desentendimentos com a CONMEBOL, a falta de incentivos financeiros e a forma violenta, brutal e polêmica pela qual a seleção brasileira foi tratada na Copa do Mundo da FIFA de 1966, por times europeus, o futebol brasileiro - incluindo os clubes nacionais - se recusaram a participar de competições internacionais no final da década de 1960, incluindo a Copa Libertadores e, consequentemente, a Copa Intercontinental. Durante este tempo, a competição tornou-se marcada pelo "jogo sujo". Problemas de calendário, atos de brutalidade, mesmo em campo, e boicotes mancharam sua imagem, a ponto de colocar em questão se valeria a pena organizá-la.

A crise

Além da violência, a edição de 1967 da Copa Intercontinental foi também a primeira vez em que começou a vir à tona um certo desinteresse europeu, particularmente britânico, pelo título da competição: antes do terceiro jogo (jogo-desempate), os escoceses do Celtic afirmaram que queriam o título intercontinental "não tanto por eles próprios" mas sim para não permitir que o título fosse para o Racing, com quem desenvolveram rivalidade em função dos incidentes violentos nos 2 primeiros jogos. Em resposta à violência na Copa Intercontinental de 1967, em junho de 1968 a UEFA propôs uma mudança no regulamento da competição: o saldo de gols das equipes passaria a contar como critério de desempate caso as equipes empatassem com uma vitória cada nos dois primeiros jogos. O objetivo da proposta era reduzir a possibilidade de que fosse necessária uma terceira partida de desempate, pois tanto na Copa Intercontinental de 1963 quanto na de 1967, foi na partida de desempate que ocorreram os episódios de maior violência. A proposta da UEFA foi aceita e passou a valer a partir da edição de 1968 da Copa Intercontinental.

Renascimento no Japão

Ao observar a deterioração da Copa Intercontinental, a empresa automotiva japonesa Toyota Motor manifestou interesse em patrocinar a competição, conferindo-lhe uma sobrevida na década de 80. Em 1980, considerou-se a possibilidade de escolher Nova York como local para a disputa da Copa Intercontinental; no entanto, por questões de patrocínio, a escolha recaiu sobre Tóquio. O objetivo era impulsionar o futebol no Japão e lucrar com a transmissão televisiva da partida. A Associação de Futebol do Japão integrou-se à organização da competição, sob a supervisão da UEFA e da CONMEBOL, as entidades responsáveis pela criação do torneio mundial. A decisão foi alvo de críticas devido ao fato de Tóquio ser uma cidade fora, e bastante distante, da Europa e da América do Sul. Outra crítica apontava que o aspecto comercial e midiático passara a sobrepor-se ao aspecto técnico e esportivo: no inverno japonês, FC Porto e Peñarol disputaram a competição em 1987 sob pesada neve, em condições que não eram propícias à prática esportiva. No entanto, os executivos japoneses admitiram que, em virtude dos elevados valores envolvidos nos contratos de transmissão televisiva, o jogo não poderia ser adiado de maneira alguma.

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A posição da FIFA

Segundo textos antigos no site da FIFA (produções do News Centre e não catalogados no site da FIFA como documentos oficiais de entidade), os campeões da Copa Europeia Sul-Americana (Intercontinental) eram chamados de campeões mundiais e podem alegar terem sido campeões mundiais, sendo "campeões mundiais" (entre aspas) em um título mundial "simbólico", que não tinha a mesma "dimensão" do Mundial de Clubes da FIFA. Segundo estes textos, da década de 2000, os clubes campeões da Copa do Mundo de Clubes da FIFA podem ser considerados "verdadeiros" campeões mundiais, pois esta é o "verdadeiro" confronto mundial de clubes. A Copa Intercontinental sempre foi oficial em nível confederativo, pois todas suas edições, de 1960 a 2004, foram consideradas títulos oficiais pela UEFA e CONMEBOL. Alguns textos do site da FIFA, ainda antes do reconhecimento definitivo em 2017, já citavam a Copa Intercontinental como predecessora da Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

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A posição de alguns clubes vencedores

Dos doze clubes europeus campeões da Copa Intercontinental, seis, em seus sites oficiais, a listam nominalmente como Mundial de Clubes ou Copa do Mundo. São eles: Real Madrid, Porto, Bayern de Munique, Borussia Dortmund, Ajax e Feyenoord. Os outros 6 a listam como Copa Intercontinental. São eles: Milan, Internazionale, Juventus, Manchester United, Estrela Vermelha e Atlético de Madrid. Entre os clubes europeus que já venceram tanto a Copa Intercontinental quanto a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, o Real Madrid é o único que unifica as duas conquistas como Taça Mundial de Clubes, enquanto outros clubes separam as competições em suas listas de títulos. No entanto, mesmo entre os clubes europeus que não a tratam nominalmente como título mundial, alguns deles se referem ao valor de título mundial do torneio em citações em seus sites. Por exemplo, Milan, Juventus, Manchester United e Estrela Vermelha fazem essa referência. O Atlético de Madrid, campeão da Copa Intercontinental de 1974, realizada em 1975, lançou uma camisa na temporada 2014/15 em homenagem à conquista, com a inscrição na camisa escrita "Campeón del Mundo 1975".

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Desdobramentos e sucessores

Em junho de 2017, Alejandro Domínguez citou, em entrevista a uma rádio argentina, que as negociações entre CONMEBOL e UEFA para uma reedição da Copa Intercontinental, a ser jogada em 2018, estavam bastante adiantadas. Porém, em 2019, disse que os planos foram adiados em razão do projeto Mundial de Clubes FIFA, quadrienal e com dezenas de times, que estava previsto para ser inaugurado, na época, em 2021. A Copa Intercontinental Sub-20 (Copa Libertadores sub-20 x Liga Jovem da UEFA) foi estreada em 2022, visando anuidade. As confederações ainda lançaram duas outras competições, entre profissionais: a Finalíssima (entre seleções campeãs de copas continentais: Copa América x Eurocopa), em 2022, e o Desafio de Clubes da UEFA–CONMEBOL (entre clubes campeões continentais de torneios secundários: Copa Sul-Americana x Liga Europa), em 2023. No caso da Finalíssima, trata-se de renascimento, pois foi jogada em 1985 e 1993 sob o nome Copa Artemio Franchi; em 2023, teve-se a primeira edição da versão feminina (Copa América Feminina x Eurocopa Feminina).

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Fontes consultadas

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