Correio do Povo
Correio do Povo é um jornal diário brasileiro em formato tabloide pertencente ao Grupo Record, com circulação no estado do Rio Grande do Sul. Foi fundado em 1 de outubro de 1895 pelo jornalista Caldas Júnior, então com 27 anos. Circulou durante 89 anos de forma ininterrupta, entre 1895 e junho de 1984, reiniciando sua publicação em 31 de agosto de 1986.
O róseo
Com apenas 26 anos, Caldas Júnior fundou um jornal que, segundo declarou no editorial de seu primeiro número, "vai ser feito para toda a massa, não para determinados indivíduos de uma facção." Como assinala o historiador Nestor Ericksen, na época a imprensa gaúcha caracterizava-se pelas fortes tendências políticas, influindo diretamente na opinião pública local, conforme os interesses partidários. Havia jornais pró-maragatos e pró-pica-paus, alcunhas pelas quais eram conhecidos os adeptos dos principais partidos políticos gaúchos ao final do século XIX. Os maragatos identificavam-se pelo uso de um lenço vermelho em volta do pescoço e os chimangos pelo uso de lenço branco. Caldas Júnior, para mostrar que o Correio estava equidistante das duas correntes, imprimiu seu jornal num papel de tom rosado, daí ter sido conhecido, nos seus primeiros tempos, como o róseo. Por um único dia, em 10 de setembro de 1924, o jornal circulou com um papel verde: a Revolta Paulista afetava o fornecimento do material que chegava pelo porto de Santos e foi preciso usar o único disponível naquele momento.
Breno Caldas
Com a morte prematura do fundador, em 1913, sua viúva Dolores Alcaraz Caldas assumiu o controle e o jornal passou por dificuldades econômicas, passando o comando para José Alexandre Alcaraz, seu irmão, em 1924. Três anos depois, é o filho do primeiro casamento do fundador do jornal, Fernando Caldas, que toma a frente da empresa, a convite de Dolores. Os problemas financeiros só cessaram em 1935, quando a direção da Companhia Jornalística Caldas Júnior foi assumida pelo filho de Dolores e Caldas Júnior, Breno Alcaraz Caldas, que nela permaneceu por mais de cinquenta anos. Em 1946, o jornal deixou as instalações alugadas que ocupava na Rua dos Andradas, instalando-se no então edifício Hudson, na atual rua Caldas Júnior. A via, que se chamava Paysandu, ganhara o nome do fundador do Correio, que ostenta até hoje, dois anos antes, por decreto do prefeito Antônio Brochado da Rocha. O antigo Hudson é o mesmo prédio que ainda hoje abriga as redações do Correio do Povo e da Rádio Guaíba.
Jornal literário
Desde seu primeiro número, o Correio se apresenta não só como um órgão comercial, mas também literário. Na última página, um folhetim ao gosto da época, de autoria de Oliveira Bello. E em sua primeira página, os Rabiscos de Tenório, pseudônimo que ocultava o fundador, Caldas Júnior. Nos números seguintes, Emile Zola e Machado de Assis se faziam tão presentes como os literatos do estado. A partir de 1899, o jornal institui uma seção chamada Poetas do Sul, na qual colaboram os nomes mais importantes da literatura gaúcha do final do século XIX: Apolinário Porto Alegre, Damasceno Vieira, Mário Totta, Múcio Teixeira e Zeferino Brasil, entre outros.
Uma nova fase
A partir de 1979, a Companhia Jornalística Caldas Júnior começou a enfrentar dificuldades, por conta da elevada dívida assumida para a instalação da TV Guaíba. Foi um período em que as portas de novos financiamentos se fecharam no Brasil, devido à primeira crise internacional do petróleo, e a inflação recrudesceu. Em 16 de junho de 1984, o Correio deixou de circular, somente retornando em 31 de agosto de 1986, já sob o controle do empresário Renato Bastos Ribeiro. Em 26 de maio de 1987, passou a ser um tabloide e experimentou novas inovações tecnológicas. Em 1997, o Correio entrou na internet com o site CP.Net que replicava todo o conteúdo do jornal impresso para os assinantes.


