Kuwait
Kuwait, oficialmente Estado do Kuwait, é um emirado árabe soberano situado no nordeste da península Arábica na Ásia Ocidental. Faz fronteira com a Arábia Saudita ao sul e ao norte com o Iraque. Encontra-se na costa noroeste do Golfo Pérsico. O nome Kuwait é derivado do árabe "akwat", o plural de "Kout", que significa "fortaleza construída perto da água". O emirado tem uma área de 17 820 km² e tem uma população de cerca de 2,7 milhões de habitantes.
Imagem: khalid almasoud · BY-NC-SA · Openverse
Kuwait, como topônimo, em árabe al-Kuwayt, alterna com a forma Koweit e com os aportuguesamentos Kuaite e Cuaite.
Antiguidade
No século IV a.C., os gregos antigos colonizaram uma ilha ao largo da costa do Kuwait, agora conhecida como Failaka e a batizaram de "Ikarus". Em 123 a.C., a região ficou sob a influência do Império Parta e estava intimamente associada com a cidade de Cárax Espasinu, no sul da Mesopotâmia. Em 224 d.C., a região caiu sob o controle do Império Sassânida e veio a ser conhecida como Hajar. Por volta do século XIV, a área que compreende o moderno Kuwait se tornou parte do califado islâmico.
Comércio de pérolas e época Otomana
Os primeiros colonos permanentes na região vieram da tribo Bani Calide de Néjede e estabeleceram o Estado do Kuwait. Em 1756, o povo elegeu Sabah l bin Jaber como o primeiro monarca do Kuwait. A atual família real do Kuwait, al-Sabah, são descendentes de Sabah I. Durante o governo de Al-Sabah, o Kuwait progressivamente se tornou um centro de comércio. Ele já serviu como um centro de comércio entre a Índia, o chifre da África, o Néjede, a Mesopotâmia e o Levante. Até o advento da ostreicultura japonesa de pérolas, o Kuwait tinha uma das frotas de mar na região do Golfo Pérsico e uma indústria florescente de pérolas. O comércio até então consistia principalmente em pérolas, madeira, especiarias, tâmaras e cavalos.
Domínio britânico
Em 1899, o Kuwait entrou em um tratado com o Reino Unido, que deu o controle extensivo britânico sobre a política externa do Kuwait, em troca de proteção e subsídios anuais, formando o Protetorado do Kuwait. Este tratado foi principalmente motivado pelo temor de que a proposta da Ferrovia Berlim-Bagdá levasse a uma expansão da influência alemã no Golfo Pérsico. Após a assinatura da Convenção Anglo-Otomana de 1913, Mubarak Al-Sabah foi reconhecido diplomaticamente por otomanos e britânicos como o dirigente da caza autônoma da cidade do Kuwait e do interior. No entanto, logo após o início da Primeira Guerra Mundial, os britânicos anularam o tratado e declararam Kuwait um principado independente, ainda sob a proteção do Império Britânico. O Tratado de Uqair de 1922 estabeleceu a fronteira do Kuwait com a Arábia Saudita e também estabeleceu a zona neutra Kuwait-Arábia Saudita, uma área de cerca de 5 180 km² na fronteira sul do Kuwait.[carece de fontes?]
Independência
Em 19 de junho de 1961, o Kuwait se tornou totalmente independente, na sequência de uma troca de notas entre o Reino Unido. A rupia do Golfo, emitida pelo Banco Central da Índia, passou a ser o dinar kuwaitiano. A descoberta de grandes campos de petróleo, em especial nos campos de Burgan, provocou um grande afluxo de investimentos estrangeiros no Kuwait. O enorme crescimento da indústria do petróleo transformou o Kuwait de uma pobre comunidade produtora de pérolas em um dos países mais ricos da Península Arábica e, em 1952, o país se tornou o maior exportador de petróleo na região do Golfo Pérsico. Este enorme crescimento atraiu muitos trabalhadores estrangeiros, especialmente do Egito e da Índia.[carece de fontes?]
Período pós-guerra
No início da década de 1990, o Kuwait deportou quase 400 mil palestinos, em uma política de punição coletva em resposta ao alinhamento da OLP ao Sassam Hussein, bem como milhares de iraquianos, iemenitas e pessoas apátridas (bidunes). Muitos dos bidunes fugiram para o Iraque, onde permanecem como pessoas apátridas até hoje. Violações de direitos humanos foram reportadas nesse período. Em março de 2003, o Kuwait tornou-se o ponto de partida para a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos. Em 2005, as mulheres conquistaram o direito de votar e de se candidatar em eleições. Após a morte do Emir Jaber em janeiro de 2006, o Xeique Saad Al-Sabah o sucedeu, mas foi removido nove dias depois devido à sua saúde debilitada. Como resultado, o Xeique Sabah Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah foi empossado como Emir. A partir desse momento, o Kuwait sofreu com um impasse político crônico entre o governo e o parlamento, o que resultou em múltiplas reformas ministeriais e dissoluções. Isso prejudicou significativamente os investimentos e as reformas econômicas no Kuwait, tornando a economia do país muito mais dependente do petróleo. Apesar da instabilidade política, o Kuwait teve a classificação mais alta no Índice de Desenvolvimento Humano no mundo árabe de 2006 a 2009.
Situado no nordeste da Península Arábica, o Kuwait é um dos menores países do mundo em termos de área territorial. A planície de areia do Deserto da Arábia abrange a maior parte do Kuwait. Há pouca diferença de altitude no país, sendo de 306 metros acima do nível do mar o ponto mais alto do país. O Kuwait tem nove ilhas, as quais, com exceção da ilha Failaka, são desabitadas. Com uma área de 860 km², a Bubiyan é a maior ilha do Kuwait e é ligada ao resto do país por uma longa ponte de 2 380 m. A área de terra arável é considerável e uma esparsa vegetação é encontrada ao longo de seu litoral de 499 km. A Cidade do Kuwait está localizada na Baía do Kuwait, um porto natural de águas profundas. O Kuwait tem alguns dos campos de petróleo mais ricos do mundo, com o campo de Burgan, com uma capacidade total de cerca de 70 bilhões de barris (1,1 × 1 010 m³) das reservas de petróleo descobertas. Durante os incêndios dos poços de petróleo de 1991, mais de 500 lagos de petróleo foram criados, abrangendo uma área total de cerca de 35,7 km². O resultado da contaminação do solo devido ao acúmulo de óleo e fuligem tornou as regiões leste e sudeste do Kuwait inabitáveis. A areia e resíduos de óleo tinham reduzido grandes partes do deserto do Kuwait em superfícies de semiasfalto. Os derrames de hidrocarbonetos durante a Guerra do Golfo Pérsico também afetaram drasticamente os recursos marinhos do Kuwait.
Clima
A temporada da primavera, em março, é quente e agradável, com trovoadas ocasionais. Os ventos frequentes vindos do noroeste são frios no inverno e na primavera e no verão quentes. Os ventos de sueste, geralmente quentes e úmidos, surgem entre julho e outubro, os ventos quentes e secos do sul prevalecem na primavera e no início do verão. O shamal, um vento noroeste comum nos meses de junho e julho, causa fortes tempestades de areia.
Em 2007, a população do Kuwait foi estimada em cerca de 3 a 3,5 milhões de pessoas, que incluiu cerca de 2 milhões de não cidadãos. Os cidadãos kuwaitianos são, portanto, a minoria de pessoas que residem no Kuwait. O governo raramente concede cidadania a estrangeiros para manter o status quo. Em 2008, 68,4% da população era composta de estrangeiros. A taxa de migração líquida do país foi de 16,01, a terceira maior do mundo. Entre os não cidadãos inclui-se a população bidune (ou apátrida) de cerca de 100 000 pessoas, com um estatuto diferente do dos kuwaitianos e dos estrangeiros. A maioria dos bidunes ou são residentes de longa data ou nasceram no Kuwait.
Religião
A maioria da população do Kuwait é muçulmana. Não há dados oficiais, mas estima-se que 60% a 70% são muçulmanos sunitas e entre 30% a 40% são xiitas. Em 2001, havia 525 mil cidadãos do Kuwait sunitas, 300 000 cidadãos kuwaitianos xiitas e 820 mil cidadãos do Kuwait, no total, portanto sunitas formavam 64% e xiitas formavam 36,5% da população cidadão do Kuwait. Ainda que pouco expressiva, há uma pequena comunidade cristã no país. Em 1999, havia 400 cidadãos do Kuwait cristãos. Há também um pequeno número de cidadãos do Kuwait adeptos da Fé bahá'í.
O Kuwait é uma monarquia constitucional e tem o mais antigo parlamento diretamente eleito entre os Estados árabes do Golfo Pérsico. O chefe de Estado é o emir ou xeque, um cargo hereditário. Um conselho de ministros, também conhecido como gabinete de ministros, auxiliares do primeiro-ministro em sua tarefa como líder de Governo do Kuwait, deve conter pelo menos um membro eleito do parlamento do Kuwait, conhecido como Majlis al-Umma (Assembleia Nacional). A Assembleia Nacional tem o poder de demitir o Primeiro-Ministro ou qualquer membro do gabinete através de uma série de procedimentos constitucionais. Todos os ministros são responsáveis perante a Assembleia Nacional. O chefe de Estado (emir) é o comandante supremo do Estado, controlando o poder executivo, mas não os seus ministros. O Emir nomeia o Primeiro-Ministro, aprova todos os ministros com o primeiro-ministro, e nomeia e demite diplomatas. O poder legislativo é exercido pelo Emir e pela Assembleia Nacional, em conformidade com a Constituição. O emir do Kuwait é imune e inviolável: qualquer crítica contra ele não é tolerada e punível por lei. Ele pode dissolver a Assembleia Nacional e convocar uma eleição nacional, ou em casos de emergência nacional pode dissolver a Assembleia Nacional e assumir a suprema autoridade sobre o país. O Emir é o comandante em chefe das forças armadas do Kuwait. O emir também tem autoridade para conceder o perdão da pena de morte ou prisão.[carece de fontes?]
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Os direitos humanos no Kuwait têm sido objeto de críticas significativas, principalmente em relação aos bidunes. A forma como o governo do Kuwait lidou com a crise dos bidunes foi criticada por muitas organizações de direitos humanos e pelas Nações Unidas. De acordo com a Human Rights Watch em 1995, o Kuwait produziu trezentos mil beduínos apátridas. O Kuwait tem o maior número de apátridas em toda a região.
O Kuwait é dividido em seis governorados (muhafazat, sing.: muhafadhah):
O Kuwait tem um PIB de US$ 167,9 bilhões e uma renda per capita de US$ 81 800, o que o torna o quinto país mais rico do mundo. O índice de desenvolvimento humano (IDH) do Kuwait é de 0,816, um dos mais elevados do Oriente Médio e do mundo árabe. Com uma taxa de crescimento do PIB de 5,7%, o Kuwait tem uma das economias que mais crescem na região. De acordo com o Índice de Liberdade Econômica de 2008, o Kuwait tem a segunda economia mais livre do Oriente Médio. Em março de 2007, as reservas estrangeiras do Kuwait estavam em US$ 213 bilhões. A Bolsa de Valores do Kuwait, que tem cerca de 200 empresas listadas, é a segunda maior bolsa de valores do mundo árabe, com uma capitalização de mercado total de US$ 235 bilhões. Em 2007, o governo kuwaitiano apresentou um excedente orçamental de US$ 43 bilhões. O Kuwait tem reservas comprovadas de petróleo bruto de 104 bilhões barris (15 km³), cerca de 10% das reservas do mundo. Segundo a Constituição do Kuwait, todos os recursos naturais do país e as receitas associadas são de propriedade do governo. Sendo um país livre de impostos, as contas do setor de petróleo do Kuwait respondem por 80% das receitas do governo. As contas de petróleo e produtos petroquímicos respondem por quase metade do PIB e 95% das receitas de exportação. O aumento dos preços do petróleo desde 2003 resultou em um aumento na economia do Kuwait.
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Educação
Assim como ocorria com as demais monarquias do Golfo Pérsico, quando o Estado do Kuwait se tornou independente, em 1961, a educação não era acessível a todas as pessoas, e era limitada a instrução individualizada nas escolas religiosas em mesquitas e em raras escolas para as elites locais nas áreas urbanas. Somente em 1965, a educação passou a ser reconhecida como um direito fundamental para qualquer cidadão kuwaitiano. Contemporaneamente, o sistema educacional básico do Kuwait é composto por 4 níveis: pré-escola (duração de 2 anos), ensino primário (duração de 5 anos), ensino intermediário (duração de 4 anos) e ensino secundário (duração de 3 anos). Os níveis de ensino primário e intermediário são obrigatórios para todos os cidadãos kuwaitianos na faixa de 6 a 14 anos de idade. Todos os níveis do ensino público de educação, incluindo o nível superior, são gratuitos.
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A cultura popular kuwaitiana, na forma de teatro, rádio, música e televisão, está em desenvolvimento. Dentro dos estados árabes do Golfo, a cultura do Kuwait é mais próxima da cultura do Bahrein. Isso fica evidente na estreita associação entre os dois estados em produções teatrais e novelas.


