Pesquisa · Mapa mental

Pierre Lévy

Pierre Lévy é filósofo e sociólogo francês. Pesquisador em ciência da informação e da comunicação, Lévy tem como foco a inteligência coletiva segundo uma abordagem antropológica e é atualmente um dos principais filósofos da mídia. Suas pesquisas se concentram principalmente na área da cibernética; com isso, tornou-se um dos maiores estudiosos sobre a Internet. Dedica-se sobretudo ao estudo do impacto da Internet na sociedade, das humanidades digitais e do virtual.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/10/2026
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Biografia

Vida e história

Pierre Lévy nasceu no dia 2 de julho de 1956, na Tunísia, país do norte da África que na época era colônia da França, em uma família judia. Pouco se sabe sobre sua trajetória pessoal até 1980 (quando ele termina seu Mestrado em História da Ciência, na Universidade de Sorbonne, em Paris). Convencido do papel vital das técnicas de comunicação e dos sistemas de sinais na evolução cultural em geral, começa a pensar a "revolução digital" na filosofia contemporânea, estética, educacional e antropológica. Descobre sua vocação ao envolver-se na elaboração de elementos de História da Ciência (1989) juntamente com uma equipe, durante um curso com o filósofo francês Michel Serres. Neste curso, assinou um capítulo sobre a invenção do computador e, após assiná-lo, publica seu primeiro livro: A Máquina Universo – criação, cognição e cultura informática em 1987, no qual fala sobre as implicações culturais da informatização e suas raízes na história do Ocidente.

Formação

Lévy é mestre em História da Ciência formado pela Universidade de Sorbonne, e tem formação em Sociologia e Filosofia. É um pesquisador reconhecido e respeitado na área da cibernética, da inteligência artificial e da internet. É precursor de concepções como inteligência coletiva, ciberespaço, cibercultura e internet como um instrumento de desenvolvimento social; além de ter experiência técnica na concepção de sistemas de informação inteligentes. Seu último livro, Cibercultura, relata diversas experiências realizadas através da Internet. É Professor de Ciências Educacionais na Universidade de Paris-Nanterre, no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-8, em St-Denis e é titular da cadeira de pesquisa em inteligência coletiva, na Universidade de Ottawa, no Canadá.

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Influência

Seu Estudo

O filósofo francês é um dos maiores estudiosos sobre o mundo da Internet, que é considerada uma mídia informativa recente quando comparada as outras pelo fato de suas aplicações na sociedade atual ainda não terem sido devidamente dimensionadas. Sua vocação para a pesquisa foi despertada durante um curso com o filósofo francês Michel Serres, na Universidade de Sorbonne, em Paris. Convencido do papel fundamental desempenhado pelas técnicas de comunicação e pelos "sistemas de signos" na evolução cultural em geral, assumiu sua principal tarefa: pensar a “revolução informática”. Três anos após a conclusão de seu mestrado, Pierre Lévy defendeu sua tese em "Sociologia e Ciências da Informação e da Comunicação" na capital francesa, discorrendo sobre a ideia de liberdade na Antiguidade.

No Brasil

Pierre Lévy já esteve no Brasil inúmeras vezes, sempre ministrando palestras em instituições de ensino e realizando conferências. A última delas foi em agosto de 2012, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. O tema central dessa palestra foi Internet e Desenvolvimento Humano. No evento, Pierre reafirmou a importância da Internet no desenvolvimento da sociedade atual. "A Internet é um instrumento de desenvolvimento social. Devemos lembrar que a escrita demorou pelo menos 3000 anos para atingir o atual estágio, no qual todos sabem ler e escrever. A Internet tem apenas 10 anos", foi uma das falas de Lévy durante sua palestra no Brasil. Como foi pioneiro no estudo da cibercultura, é natural que outros autores sejam influenciados por suas ideias e correntes de pensamentos. No Brasil, pode-se citar o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, André Lemos, que em 2010 lançou um livro em parceria com Lévy pela editora Paulus: O futuro da internet: Em direção a uma ciberdemocracia planetária. Este livro é, na verdade, a atualização de um livro de Lévy lançado em 2002, o Cyberdémocracie: Essai de Philosophie Politique

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Conceitos

Inteligência Coletiva

O conceito de inteligência coletiva é desenvolvido por Pierre Lévy em seu livro "A inteligência coletiva – Por uma antropologia do ciberespaço". Nessa obra, o autor explica que, na realidade, esse conceito é estudado e aplicado há muito tempo. Lévy aborda toda a história da inteligência coletiva e a relaciona com o ciberespaço, abrangendo diversas áreas sobre o tema. A inteligência coletiva é um termo que diz respeito a um princípio no qual as inteligências individuais são somadas e compartilhadas por toda a sociedade, sendo potencializadas a partir do surgimento de novas tecnologias de comunicação como a Internet, por exemplo. Para o filósofo, ela possibilita o compartilhamento da memória, da imaginação e da percepção, o que resulta na aprendizagem coletiva, troca de conhecimentos. As informações são cruzadas e então selecionadas por cada pessoa numa espécie de ecossistema de ideias.

Cibercultura

Para Pierre Lévy, cibercultura reflete a “universalidade sem totalidade”, algo novo se comparado aos tempos da oralidade primária e da escrita. É universal porque promove a interconexão generalizada, mas comporta a diversidade de sentidos, dissolvendo a totalidade. Em outras palavras, a interconexão mundial de computadores forma a grande rede, na qual cada nó é fonte de heterogeneidade e diversidade de assuntos, abordagens e discussões, ambos em permanente renovação. Lévy coloca que a cibercultura é um movimento que oferece novas formas de comunicação, o que chama a atenção de milhares de pessoas pelo mundo. Desde o início, o autor explicita a sua intenção de deixar de fora as questões econômicas e industriais, concentrando-se nas implicações culturais. No entanto, ele próprio não consegue se desvencilhar da teia de colisões sociais, políticas e econômicas em que a técnica se insere e enaltece a “dialética das utopias e dos negócios”, numa referência à relação da cibercultura com a globalização econômica. Sem dúvida, questões tão complexas como essas mereceriam tratamento mais aprofundado. Segundo Lévy, o próprio ambiente instável, dificulta a formulação de grandes respostas. De qualquer forma, ele consegue dar o seu recado: é preciso navegar neste mundo de transformações radicais.

Virtualização

Lévy classifica como “fácil e enganosa” a oposição entre real e virtual, defendendo que o virtual, na verdade, se opõe ao atual, na medida em que tende a se atualizar, sem alcançar uma concretização efetiva. Junto a isso, afirma que o virtual se distingue do possível, na medida em que este último já estaria constituído, estando somente em estado latente, pronto a se transformar no real. Dessa forma, o virtual assume a condição de algo que fornece as tensões para o processo criativo que envolve a atualização, não sendo algo previsível e estático, como a passagem do possível para o real. O virtual assume o lugar do significado, de matriz geradora, em oposição à atualização particular do significante, ou o atual. Lévy compara também o virtual a um “vazio motor” e a partir disso, trabalha com o conceito de virtual, qualificando como uma de suas principais modalidades, ou seja, o desprendimento do aqui e agora.

Atualização

A atualização é uma solução de um determinado problema, um resultado de fatores que se conjugam e originam uma solução. Pierre Lévy define a atualização como “uma criação, invenção de uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e de finalidades.” A atualização é a criação, é a invenção de uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e de finalidades, podendo ser, por isso, definida como o movimento inverso da virtualização. O mesmo ocorre por representar uma mutação da identidade; um deslocamento do centro de gravidade ontológico do objeto considerado ao invés de se definir por sua atualidade; uma "solução". A entidade passa a encontrar sua consistência essencial num campo problemático, ou seja, a atualização vai de um problema a uma solução, enquanto a virtualização passa de uma solução dada a um problema.

Ciberdemocracia

Segundo o autor, a Internet proporciona um progresso de democracia. O mesmo ocorre não porque as pessoas vão responder imediatamente a pergunta de outros, mas porque poderão, por si próprias, elaborar muito mais seus próprios problemas e questões e, eventualmente, submetê-los às autoridades políticas. Esta parece ser a maneira pela qual a democracia irá progredir, a qual Pierre Lévy acredita ser uma outra forma de progresso da democracia, com maior transparência. Com as novas técnicas de comunicação, as pessoas podem facilmente ter acesso a documentos complexos e a informações que antes pertenciam a uma pequena minoria. No entanto, segundo ele, para que a ciberdemocracia seja de fato democrática é necessário o desenvolvimento da educação, o desenvolvimento humano, o combate à pobreza e a facilitação do acesso à Internet pelas classes ainda fora de rede.

Ciberespaço

O conceito de ciberespaço pode ser melhor compreendido à luz do esclarecimento que Pierre Lévy faz a respeito do virtual (Lévy, 1996). Segundo ele, o virtual é uma nova modalidade de ser, cuja compreensão é facilitada se considerarmos o processo que leva a ele: a virtualização. O ciberespaço pode ser considerado uma virtualização da realidade, uma migração do mundo real para um mundo de interações virtuais. A desterritorialização, a saída do "agora" e do "isto" é uma das vias régias da virtualização por transformar a coerção do tempo e do espaço em uma variável contingente. Esta migração em direção a uma nova espaço-temporalidade estabelece uma realidade social virtual que, aparentemente mantendo as mesmas estruturas da sociedade real, não possui, necessariamente, correspondência total com esta, possuindo seus próprios códigos e estruturas.

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Obras

As Tecnologias da Inteligência

No livro “As tecnologias da Inteligência”, Lévy leva como tema central o papel da informação na constituição das culturas e as inteligências dos grupos humanos. Ele aborda as tecnologias que denomina “tecnologias inteligentes”, defendendo a tese da história da inteligência através de “coletivos cosmopolitas” compostos de indivíduos, instituições e técnicas. Ao desenvolver o conceito de ecologia cognitiva, irá defender a ideia “de um coletivo pensante homens-coisas, coletivo dinâmico povoado por singularidades atuantes e subjetividades mutantes(...)”. A questão da técnica ocupa uma posição central em sua obra. Lévy nos conduz a uma revisão, tanto da filosofia política como também da filosofia do conhecimento, mostrando que as categorias usuais da filosofia do conhecimento tais como mito, a ciência, a teoria, a interpretação ou a objetividade dependem intimamente do uso histórico, datado e localizado de certas tecnologias intelectuais. O propósito é designar as tecnologias intelectuais como um terreno político fundamental, como lugar de conflitos e de interpretações divergentes. Para o autor, “uma reapropriação mental do fenômeno técnico parece um pré-requisito indispensável para a instauração progressiva de uma tecnodemocracia”. Pierre Lévy tentará mostrar neste livro que não existe informática em geral, e não apresentará nem uma apologia nem uma crítica à mesma, mas sim um ensaio de avaliação das questões antropológicas ligadas ao crescente uso do computador.

As Árvores de Conhecimento

A ideia das "Árvores de Conhecimentos" desenvolvida por Lévy e seu amigo Michel Authier (matemático com formação em sociologia e história das ciências), consiste em um programa de informática criado para que os membros de uma determinada comunidade possam revelar suas qualificações e habilidades e mostrá-las à sociedade, ou seja, a árvore mostra o conjunto de conhecimentos da coletividade. Para Lévy, a árvore é, de fato, um mundo virtual baseado em um conjunto de conhecimentos,e em como compartilhá-los. O livro se divide em três partes: Fábulas, O Sistema e Questões. Na primeira parte, Fábulas, são propostas histórias hipotéticas nas quais a ideia das Árvores de Conhecimento se realizaria. Em diversos momentos e nas mais variadas localidades do mundo há exemplos de aplicações do programa, visando a possibilidade do reencontro da coletividade e de uma solidariedade humana e concreta. Segundo Lévy, as Árvores de Conhecimentos são uma hipótese de democracia que se encaixam na atual sociedade, pois essa é, para ele, uma grande floresta onde crescem árvores do conhecimento voltadas para a informação e a comunicação rápida, representando as coletividades. Além disso, é um projeto para o futuro, a ser implantado a longo prazo e à medida que o acesso aos novos meios tecnológicos se torne mais amplo.

Cibercultura

Uma das obras mais conhecidas de Pierre Lévy no Brasil e no mundo é o livro Cyberculture, publicado em 1997 pela Éditions Odile Jacob (Paris). Em 1999, foi traduzido para o português por Carlos Irineu da Costa, através da Editora 34, com o título de Cibercultura. O livro aborda questões como o que é cibercultura, que movimento social e cultural encontra-se oculto por trás deste fenômeno técnico, se podemos falar de uma nova relação com o saber, quais são as mutações que a cibercultura gera na educação e na formação, quais são as novas formas artísticas relacionadas aos computadores e às redes, como o desenvolvimento do ciberespaço afeta o espaço urbano e a organização do território, e quais são as implicações culturais das novas tecnologias. O livro aborda desde a digitalização até a navegação, passando pela memória, pela programação, pelo software, pela realidade virtual, pela multimídia, pela interatividade, pelo correio eletrônico e etc.

O Que é Virtual?

No livro “O que é Virtual?” Pierre Lévy aborda o fenômeno da virtualização à luz da relação entre a comunicação virtual e as características da sociedade contemporânea. O autor nos leva a uma desconstrução e a possíveis análises e reflexões sobre o que muitas pessoas imaginam sobre o conceito de virtualidade, mostrando que "virtual" não é antônimo de "real" e nem sinônimo de "imaginário". Além disso, compara o real e a virtualização com o atual e o virtual. Para ele, o real tem limitações evidentes e é observável, equanto a virtualização tem pensamento baseado em definições, em determinações. Nos dias de hoje, a informática invade a vida dos indivíduos seja no trabalho, nas viagens, em casa, num passeio com os amigos ou até mesmo nas compras. Nesse sentido, é discutida a possibilidade de vivermos no mundo sem depender das tecnologias da informática. Nessa obra, Lévy fala da virtualização como uma nova possibilidade, questionando se ela seria boa ou ruim, e descreve também a diferença entre o virtual e o atual. Para ele, o real é possivelmente realizado, enquanto o atual é virtualmente atualizado. Sendo assim, o virtual tem apenas uma pequena ligação com o imaginário, sem se confundir com ele, tendo em vista que são coisas distintas.

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Fontes consultadas

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